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Dois filmes de Verão

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(também publicado no Jacaré ) Na última semana fui ver dois filmes ao cinema. Quem quiser ver um grande filme de acção que dispõe bem, então não há que enganar: F1 merece ser visto diante do grande ecrã e com o som envolvente. Bem montado, transmite com eficácia o ambiente e a adrenalina das corridas de 24h Daytona, Baja 1000 e, principalmente, a Formula 1. A história é o arquétipo do velho herói (Brad Pitt) que volta para provar que ainda tem valor e o do jovem talento que está relutante em aprender mas que se deixa conquistar – como todos os outros cépticos – pelo génio do velho piloto. Uma história à moda antiga filmada com a mais recente tecnologia, tudo bem feito. Ontem foi dia de voltar ao cinema. Não consegui convencer a minha querida que os filmes italianos são muito melhores do que os seus trailers. O meu argumento deu pouca luta porque logo encontrámos “Eddington”, num cartaz com Joaquin Phoenix debaixo dum chapéu de aba larga. “É de cowboys!”, animei-me, e ao pôr o trailer...

A esperança em The Great Dictator

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     Continua a mexer connosco The Great Dictator, um clássico de Charlie Chaplin estreado em 1940, um ano após o início da Segunda Guerra Mundial. Este fim-de-semana o filme foi projectado no auditório do Teatro Camões com música tocada ao vivo pela Orquestra Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional de São Carlos e conduzida pelo maestro Timothy Brock.      Já não terá sido fácil um actor ajustar o ritmo dos seus movimentos à música da banda sonora do filme, mesmo se composta por si. Empresa mais difícil é uma grande orquestra acertar a música com o ritmo dos movimentos de Charlot. O maestro e a orquestra transmitiram as emoções certas em cada nota da banda sonora, na alegria da Dança Húngara n.º 5 de Brahms na cena do barbeiro com o cliente, ou no encantamento delicado do Prelúdio de Lohengrin de Wagner, na cena da dança do globo terrestre e na do discurso final.      Como acontece em outros filmes, Charlie Chaplin fez quase tudo: produz...

Um momento de temple

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(originalmente publicado no Jacaré ) Tempo Preso num horário e nas investidas arrítmicas das pessoas e dos acontecimentos na vida, arranjo espaço para templar.   Templar É mais do que o tempero e a temperatura do tempo. É mais do que  seasoning . Templar é moderar a vertigem do tempo e apreciar o que passa em câmara lenta. Não se trata de pôr um  frame  no  pause , mas de admirar devagar a sucessão dos acontecimentos, descobrindo a beleza dos pormenores, a verdade de pequenos aspectos, os traços de bondade das suas lições. Podemos templar na acção como na admiração. Templar é provar, sentir, aprender e guardar na memória. Templar é uma arte.   Peregrinação Nada nos dá maior temple do que a oração, caminhando pela natureza, notando as maravilhas da criação na companhia de pessoas que admiramos mais a cada passo que passa.   Eucaristia O altar onde nos encontramos com o Criador que encarnou para nos salvar, unidos ao seu sacrifício e Palavra.   Anim...

É possível fazer lobbying de forma séria

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(também publicado no Observador )   Norman Rockwell - The Right to Know (1968) Quando falamos de corrupção ou de promiscuidade de interesses conflituantes, é frequente juntar-se um estrangeirismo à conversa: os lobbies. Não me parece justo. Digo que é injusto porque devemos considerar o lobbying como algo que, quando bem enquadrado, beneficia o processo democrático de decisão. Nesta sociedade muito acelerada e tão cheia de escolhas, é humanamente impossível que um deputado ou um ministro conheça ao pormenor o impacto das inúmeras decisões que toma diariamente. Por mais inteligente que ele seja e por mais numerosa e qualificada que seja a sua equipa, aquele decisor político não sabe exactamente tudo aquilo que faz. O volume de assuntos é tal, que ele acaba por confiar nas indicações do seu partido, em opiniões de outros, na sua intuição, e depois decide porque tem de decidir. Porém, os assuntos mais complexos carecem de reflexão adicional e é necessário auscultar os vários lados d...

Carta aos líderes do PSD, CDS e PPM e aos Deputados eleitos da AD

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Lisboa, dia 17 de Março de 2024 Exmos. Senhores Líderes do PSD, do CDS e do PPM, Exmos. Senhores Deputados Eleitos da AD,   Desde a noite das últimas eleições que oiço com perplexidade alguns dirigentes e ilustres dos vossos partidos a sugerir a necessidade de se negociar com o Chega uma solução de Governo.   Estará na altura da AD pensar de outra maneira? Será tempo de desfazer determinada cerca sanitária? Terá a força de um milhão transformado propostas infames e irreconciliáveis em ideias aceitáveis?   Não faz sentido colocar qualquer destas perguntas àqueles que foram eleitos em condições muito bem definidas pelos próprios. A única via digna é honrarem a palavra dada, este compromisso que assumiram diante dos eleitores, até ao fim do vosso mandato.   Eu votei na AD nessa condição. Nasci em 1986, sou casado e tenho três filhos. Vivo em Portugal e já vivi fora. Prezo muito a liberdade e a democracia que temos, princípios que gostaria de ver cada v...

Precisa a nossa Agricultura de mais subsídios?

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(também publicado no Ingovernáveis , no Observador  e no Agroportal)   São dois assuntos demasiado sensíveis: agricultura e subsídios. Várias pessoas publicaram nas redes a sua indignação e solidariedade para com os agricultores que se manifestaram nos primeiros dias de Fevereiro, cortando a circulação de várias estradas do país. As razões deste protesto são em parte portuguesas: o Governo enganou-se ao inscrever uma área muito pequena (apenas 10 de 460 mil hectares) para reconversão da agricultura convencional em biológica, o que resultou em cortes de 35% nos apoios comunitários a ecorregimes de agricultura biológica e 25% nos de produção integrada. Mas as razões deste protesto são também europeias, com regras ambientais mais apertadas e o fim de subsídios ao gasóleo agrícola ou uma concorrência mais competitiva de produtores sul-americanos. Daí, a mimetização nacional dos métodos e slogans das manifestações em curso noutros países europeus.   As palavras de ordem s...

O erro de Robin dos Bosques

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(originalmente publicado no Jacaré Parado Vira Mala ) Quem não gosta do Robin dos Bosques? A história passa-se na Inglaterra medieval e tem os problemas típicos da literatura romântica: há a donzela em apuros, há o xerife cruel, os pobres e famintos, um príncipe que conspira contra o rei seu irmão… e um herói que resolve todos os problemas com a pontaria do seu arco e flechas, ajudado por valentes amigos como Frei Tuck, João Pequeno e Will Scarlet. Escondidos na floresta de Sherwood, Robin dos Bosques e o seu bando vão resistindo à tirania de João Sem-Terra e sabotando as tentativas do xerife e do príncipe de se aproveitarem da ausência do rei Ricardo Coração-de-Leão que, entretanto, ajudava os cruzados em Jerusalém. Os valores estão todos certos: valentia, patriotismo, solidariedade, fé e amizade. Em Sherwood, Robin e os Merry Men caçam livremente, não pagam impostos, roubam os tesouros do príncipe e as colectas do xerife. Mas não o fazem para enriquecimento próprio, não! Eles roubam ...