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tensão no cinema

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Ia dando em pancadaria. “La Source des Femmes” é um filme passado em Marrocos que eu vi no cinema em Bruxelas, anteontem pela primeira vez e ontem pela segunda. É uma fita polémica mas cheia de bom humor sobre a luta das mulheres muçulmanas pela sua dignidade e respeito enquanto pessoas. Da primeira vez, eu queria apenas ver o filme, que é realmente muito interessante, tem uma fotografia lindíssima e vale a pena. Passa-se numa aldeia metida numa cova entre as montanhas do Atlas e todas as paisagens são magníficas. Mas, na noite seguinte, voltei ao cinema por uma razão completamente diferente. Fui lá para estar com mais atenção à reacção do público. Anteontem fui ver o filme a de Brouckère, mesmo em frente ao Hotel Metropole *****, bem no centro de Bruxelas. Eram 19h30m e o cinema estava à pinha. Trata-se da história de uma aldeia sem água nem electricidade perdida nas montanhas em Marrocos, onde os homens desempregados se sentam no café durante o dia para conversar e passar o tempo...

pela ética da convicção, contra o voto útil

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- Um dos melhores filmes que conheço é o Reino dos Céus ( Kingdom of Heaven - 2005), dirigido por Ridey Scott e escrito por William Monahan. O facto de ser um romance histórico, e a necessidade de tornar a narrativa mais cativante e cinematográfica, não garantem precisão histórica, mas em todo o caso esta é uma excelente história que Ridley Scott nos conta. Tendo como pano de fundo a reconquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, vemos os extremistas de parte a parte a incitar à guerra que lhes interessava por "vontade de Deus". Este filme tem uma riqueza de conteúdos que permite ser o ponto de partida de várias discussões filosóficas e morais, mas hoje interessa-me aqui citar uns diálogos do "Reino dos Céus" que bem ilustram as éticas de Max Weber em confronto: a "ética da convicção" versus a "ética da responsabilidade". - Rei Balduíno IV (R) - Decidimos que deverá tomar comando do exército de Jerusalém. Se eu deixar o exército com o Guy, e...

prémio lemniscata

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- A Conspiração das Teorias recebe com surpresa e entusiasmo o Prémio Lemniscata, atribuído pela amiga Cristina Mendes Ribeiro, do Estado Sentido . Agradecemos a simpatia do presente e a aposta para o futuro, pois só assim podemos aceitar que este prémio é pela Conspiração merecido - merecemo-lo por todas as coisas boas que aqui ainda não se escreveram mas que, talvez, um dia surjam e o justifiquem. É então um estímulo. Muito obrigado! "O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores. Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dic...

o fado tem futuro na Carminho

Antes de ontem fui com um amigo à FNAC ver se arranjava o tão esperado CD da Carminho - Fado. Já a ouvi ao vivo, alia ao seu jeito puro de fadista uma voz poderosa mas bela. Procurei, nem nos tops nem nas prateleiras estava, perguntei à menina que avisou: - Só a partir de amanhã, que é o dia do lançamento. Ah bom. Voltei a tentar ontem, passei no Corte Inglês com outro amigo, eram aí umas 4 da tarde. - O CD da Carminho? Desculpe, já esgotou. Como vale a pena, hoje saí de casa apostado em encontrar uma loja que ainda tivesse o seu primeiro CD, mas a meio do caminho dei conta que me tinha esquecido da carteira em casa. E enquanto não resolvo esta faena, tenho ao menos o consolo de já se poderem ouvir dois dos novos fados desta mui promissora Carminho no youtube , em videoclips realizados por João Botelho, seu admirador. Eis "A Bia da Mouraria", da Carminho Rebelo de Andrade.

os portugueses emigrados são os que se ficaram

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- - Para dizer tudo numa palavra, Portugal, para os verdadeiros portugueses, se tornava um país inabitável. Ao contrário da denominação histórica que se tornou corrente, os verdadeiros estranjeirados eram realmente os que, ficando em Portugal, serviam o poder; os outros, os que emigravam o mais que podiam, esses eram os reais portugueses, os portugueses tradicionalistas, os portugueses; que preferiam todos os incómodos de um exílio à dor de viver numa pátria que, de sua, só tinha o elemento material de céu, terra e mar. - in "Reflexão à margem da literatura portuguesa", de Agostinho da Silva

Lisboa é uma festa!

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- - Estão quase aí as festas de Lisboa, com os seus santos populares, principalmente o casamenteiro Santo António, as febras e as sardinhas, o vinho, os manjericos, os balões e os arraiais, os amores e as marchas. Todos os anos se apresentam no Pavilhão Atlântico e na Avenida da Liberdade 18 marchas, sendo que neste 2009 se estreiam a Marcha de Belém e a Marcha da Baixa. Esta tradição das marchas descendo a Avenida já vem de 1932, quando foi organizado por Leitão de Barros e Norberto Araújo o primeiro Concurso das Marchas Populares de Lisboa, onde participaram apenas 6 bairros - Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Campo de Ourique e Madragoa. Hoje, cada bairro tem de cantar 4 marchas, sendo que 2 das marchas são inéditas desse bairro (desse ano), 1 marcha é antiga do bairro (de outro ano), e 1 marcha é de Lisboa, comum a todos os bairros. O tema que ganhou o concurso para a Marcha de Lisboa este ano é o "Lisboa é uma festa" de José Reza e Joaquim Isqueiro, e trata-s...

algumas virtudes d'um chefe de família

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- Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum. - Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos. - - in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro -

música conspirativa

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Não, este postal não é sobre o belíssimo novo tema dos Xutos&Pontapés, Sem eira nem Beira , mas até podia ser. O álbum de estreia dos Afromen chama-se "Mentalidade", e o nome diz quase tudo. Trata-se de uma sonoridade que anda entre o hip hop e o rap clássico, muito contagiante, acompanhadas de sumarentas letras de verdadeira intervenção política - principalmente ao nível da mentalidade e dos comportamentos sociais. É o som que está a dar em Angola desde Dezembro, quando o CD foi lançado, e que está chegando a Portugal apesar de ainda não constar na Fnac. Yannick Ngombo, o vocalista e líder deste grupo, já anda nestas lides há mais de 10 anos, mas depois de viajar pelo mundo voltou a Angola com novidades para contar. Afromen põe o dedo em algumas feridas da actual sociedade angolana, e denuncia tendências viciosas que devem ser combatidades com valores como o respeito, a lealdade, a boa vizinhança, a autenticidade, a humildade, a esperança. Embora dirigida aos angolanos...

ensaio para uma reabilitação da raça

- As palavras têm vida própria. Surgem da necessidade de definir uma coisa ou de expressar uma ideia ou sentimento. Podem constituir-se de sons que têm foneticamente a ver com a coisa expressa (como o c’ÃO, que lembra o seu ladrar), ou podem ser construídas de forma mais lógica e racional. Uma coisa é certa, quando a palavra se forma parece ser esse o seu momento mais representativo da realidade que pretende ilustrar. E a partir daí, a palavra entra numa espiral descendente e sem retorno, em que não mais pára de se corromper, até ficar tão distante do objecto que é pelas gentes abandonada e cai em desuso. Se não morre, a expressão fica no mínimo moribunda, aguardando que alguém dela se recorde e a recupere. - Uma das velhinhas palavras que parece estar pela hora da morte é “raça”. Pudemos diagnosticar um sintoma dessa fatalidade no ano passado, no dia de Portugal e de São Camões. No seu discurso, o Presidente da República tentou reabilitar o termo e invocou o “dia da Raça”, como outror...

castidade, a proposta que combate a SIDA

A propósito das sábias mas "politicamente incorrectas" declarações do Papa acerca dos preservativos e da abstinência, traz-se à Conspiração este belíssimo exemplar de comunicação que é um vídeo da campanha moçambicana de prevenção contra o vírus SIDA/AIDS/HIV. É na castidade e na lealdade que está a resposta que combate a promiscuidade sexual, que é a base do vertiginoso aumento do contágio de SIDA em África e, cada vez mais, na Europa. Não conheço uma campanha publicitária de preservativos (Control, Durex, etc.) que desincentive esta mesma promiscuidade sexual. Zero. Nenhuma! Antes pelo contrário, incentivam e contribuem na medida do possível para o crescimento deste lucrativo pântano onde chafurdam.

vox populi - III

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- Chamo-me Maria da Conceição e a história da minha vida resume-se a umas poucas de linhas, muito breves e dramáticas. Nasci numa pequena aldeia de serra algarvia, e lá vivi até aos meus 14 aninhos quando fui trabalhar para casa de uns senhores em Lisboa. - Que bons eram esses senhores... ensinaram-me a cozinhar e a limpar, enfim, a lida da casa, e trabalhei para eles durante 40, quase 50 anos. Uma vida! Sempre dedicada àquela família, não mais voltei à terra, nada me prendia lá, nem sequer família lá deixei. E também, quem é que era a vizinha que se ia lembrar da gaiata que em 50 anos nunca lá voltou? Nunca fiz descontos para a reforma, era feliz e despreocupada cá em Lisboa. Só que... - O patrão morreu, e a sua senhora foi para um lar doente de alzheimer, ou lá como é que se diz. Eu também arranjei uma doença de pernas que mal me deixa andar, e por causa disso e da minha idade não arranjo trabalho em lado nenhum. Ando devagar, devagarinho, já fui operada mais que uma vez mas parece ...

"canción tonta"

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- Mamá. Yo quiero ser de plata. - Hijo, tendrás mucho frío. - Mamá. Yo quiero ser de agua. - Hijo, tendrás mucho frío. - Mamá. Bórdame en tu almohada. - ¡Eso sí! ¡Ahora mismo! - - in "Obra Poética", de Frederico García Lorca -

as tabernas do século XXI

- Quem gosta de um certo ambiente taberneiro, já não encontra em Lisboa muitos antros genuínos, mas para compensar há bastantes stands de automóveis. Ir a um stand de carros é como colher uma generosa amostra sociológica de tabernice, em vários sentidos. - Por um lado, os vendedores com o gel penteado com um bocadinho de cabelo, meinha branca, cheirando abundantemente a after-shave contrafeito, com um fino e cuidado risco de pêlos no lugar da patilha, tratando o cliente por "o shôr, pá, faxavôr faj'isto e depois had'me dzer s'eu na tinha razão". E depois casca-se no Sócrates, lamenta-se os resultados da bola, cumprimenta-se alguma senhora que passe e manda-se um piropo entre os godes, mas só quando ela estiver à exacta distância de o ouvir sem o perceber. Até aqui não há problema, é até um género típico que acho que deve ser, em certa medida, preservado. - Contudo, o que realmente me faz pena é ver cada vez mais mulheres nestes stands, escolhidas a dedo pelo chama...

quando há fé e boa vontade...

- - ... tudo se consegue. Mesmo quando somos pequenos, é possível contagiar os outros com o bom exemplo. Mesmo quando nos achamos sozinhos, podemos ser o princípio de esforços que se unem. Yes we can . -

quem quer ser milionário?

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- - Slumdog Millionaire mostra-nos uma faceta da Índia que não estamos habituados a conhecer, mas o alcance deste filme não se fica pelos problemas do subcontinente do caril – gravíssimos e reais, por sinal –, a sua mensagem pode aplicar-se à vida de qualquer português. A película conta-nos sobre o trajecto de dois irmãos, Caim e Abel, perdão, Salim e Jamal, que nasceram num sujo subúrbio de Bombaim, actual Mumbai, e que encaram a vida com atitudes muito diferentes. Enquanto que Salim se rende ao maquiavelismo musculado, Jamal joga a sua felicidade no globalizado mas pernicioso “Quem quer ser milionário?”. Todavia, alguém que pense que a felicidade se consegue graças ao dinheiro, desengane-se mais esta vez. O amor e a verdade são a escada para a verdadeira felicidade, onde só quem não está interessado no poder ou no dinheiro é que é digno de os ter. Mas, porque falo tanto de dinheiro, se esta é essencialmente uma história de amor? Este filme trata-se de uma grande história de amor e ...

a santa sem tripas

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- - De eso no tuvo el cura la culpa. - No, señora. Ya se ve que fue por mor de la sordera. Pero, luego, no fue eso lo peor, sino que va y le pergunta que cuál era la santa sin tripas. - La santa sin tripas? No caigo, María Francisca. ¡Mira que no saberlo yo, que tengo a toíto el santulaje en la punta e los deos! - Eso mismo decía el probe de Juanito, que quién lo iba a saber. El se quería casá pa el Domingo de Ramos, y se le iba pasando el tiempo sin atinarlo; pero don Hipólito se empeñaba en no casarle mientras no se lo aprendiera. El muchacho se llevaba al campo el catacismo en los bolsicos de los pantalones pa repasarle cuando descansaba de ará; pero... ¡que si quieres! Hasta que su madre se agarró a la influencia de la Cachirula, que pa eso guisaban en su casa, pidiéndola que su hijo acabase ya de depená al probe Juan. Se conoce que la madre habló al cura, porque anoche, cuando fue mi primo a su casa, desesperaíto, va y le dice don Hipólito, con mucha risa: "- ¡La santa sin tr...

elogio da amizade cívica

- Numa altura em que muitos portugueses se vêem gregos para aturar Sócrates, nada como trazer Aristóteles a este convívio conspirativo: - "É evidente que uma cidade que se torna cada vez mais unitária deixaria de ser cidade. Uma cidade é, por natureza, uma pluralidade e ao tornar-se ainda mais unitária, passará de cidade a casa, e de casa a homem individual, já que podemos afirmar que a casa é mais unitária do que a cidade, e o indivíduo mais do que a casa. Assim, mesmo que alguém pudesse conseguir isto, não o deveria fazer, dado que destruiria a cidade. Por outro lado, não só a cidade consiste numa pluralidade de indivíduos , como estes também diferem em espécie; uma cidade não nasce de indivíduos idênticos ." Aristóteles, Política , II, 1261a - "Na verdade, parece ser a amizade que mantém unidas as comunidades dentro dos Estados. Por isso que os legisladores se preocupam mais com ela do que com a própria justiça, porque almejam, por um lado, alcançar a concórdia, que ...

vox populi - II

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- Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos. Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas... Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se... – Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces? – Sim, sim! Muito boas. Acredita em Deus mas diz não r...

vox populi - I

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- Chamo-me Zé da Glória. Não tenho casa, ou por outra, a minha casa é a rua e a rua a minha casa. É verdade, hoje em dia sou um mendigo desabrigado. Durmo por cima de um esgoto, e já nem me importo com o cheiro... quero é aproveitar aqueles vapores quentinhos para temperar o frio que a noite traz. - Mas nem sempre fui assim. Já tive mulher, 3 filhos, casa, carro, cão, era engenheiro e patrão de mim próprio... pá, tudo aquilo que uma pessoa normal luta por ter. - Uff. - Só que houve um dia que ia de fim-de-semana com a minha família, para a nossa casa de férias, e... eu, que ia a conduzir, distraí-me e tive um acidente. Tivemos... - ... ... - ... os meus queridos morreram todos, e só eu – triste destino – é que sobrevivi. - Ah, rrr..., porquê, meu Deus?, porquê?! Este fardo é demasiado pesado para ser carregado por uma pessoa só... - Desisti da vida que levava, claro, tudo me fazia lembrar a família perdida, esta que vos conto, esta que matei. - A vida despiu-me. Estou sozinho, desabri...

recomposição sentimental

- Aconteceram coisas extraordinárias naquele Verão de 1950. Conijoba Lañas atirou-se pela primeira vez a uma rapariga — a ruiva Seminauel — e esta, ante a surpresa de Miraflores inteiro, disse-lhe que sim. Conijoba esqueceu-se do seu coxear e andava desde então pelas ruas a fazer peito como um Charles Atlas. Tico Tiravante acabou o namoro com Ilse e atirou-se a Laurita, Víctor Ojeda atirou-se a Ilse e acabou com Inge, Juan Barreto atirou-se a Inge e acabou com Ilse. Houve uma tal recomposição sentimental no bairro que andávamos aturdidos, os enamoramentos desfaziam-se e refaziam-se e ao sair das festas dos sábados os pares nem sempre eram os mesmos que tinham entrado. «Que relaxação!», escandalizava-se a minha tia Alberta, com quem eu vivia desde a morte dos meus pais. - Ocurrieron cosas extraordinarias en aquel verano de 1950. Cojinoba Lañas le cayó por primera vez a una chica — la pelirroja Seminauel — y ésta, ante la sorpresa de todo Miraflores, le dijo que sí. Cojinoba se olvidó de...