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domingo, 21 de janeiro de 2018

12 leituras de Verão

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 8 de Julho de 2017)

Todos os anos por esta altura, vou à minha biblioteca e selecciono alguns livros para me acompanharem durante as férias. É nas férias que mais gozo me dá ler, de preferência com sossego e diante duma paisagem agradável. Os livros que escolhi para este Verão de 2017 são os seguintes:

As minhas leituras para o Verão de 2017

- “Uma horta em casa” de Isabel Maria Mourão e Miguel Maria Brito (2015)
- “O culto do chá” de Wenceslau de Moraes (1905)
- “茶经 - O clássico do chá ilustrado” enciclopédia de vários autores (2015)
- “Toda a China” (2 volumes) de António Graça de Abreu (2013)
- “Cancioneiro do Ribatejo” de Alves Redol (1950)
- “O romance de Amadis” de Afonso Lopes Vieira (1923)
- “The White Castle” de Orhan Pamuk (1985)
- “Rationalism in politics and other essays” de Michael Oakeshott (1962)
- “Cartas para El-Rei D. Manuel I” de Afonso de Albuquerque (Ed. 1957)
- “A mensagem de Fátima” de Leonor de Sousa Mendes e Manuel Vieira da Cruz, ilustrações de Júlio Gil (2016)
- “Uma carta para Garcia” de Elbert Hubbard (1899)

Espero com estes livros: inspirar-me para a pequena horta que faremos em casa; mergulhar na cultura do chá, no Japão e na China; descobrir os cantares do meu Ribatejo; lembrar as virtudes cavalheirescas do tempo medieval; avançar para o renascimento, viajando pelo Mediterrâneo e pelo Império Otomano, bem como pelo Índico e o Império Português; celebrar o centenário das aparições de Fátima e reviver a sua mensagem; juntar-me a Oakeshott na sua crítica ao racionalismo exacerbado; e, no último dia de férias, preparar-me para mais um ano de trabalho com a mesma motivação com que o então capitão Andrew Summers Rowan levou a carta a Garcia.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

As Cortes na República

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 1 de Junho de 2017)

Vejo várias vantagens na monarquia. Mas o que eu menos gosto nas monarquias é da Corte no seu pior sentido, entendendo-a como aquele conjunto de pessoas que rodeiam o monarca para obter privilégios e poder sobre os demais. Ossnobs, sem nobreza, ostentam títulos e buscam outras formas de poder como um fim em si mesmo; já os nobres, mesmo quando sem título, reconhecem que o poder de que dispõem não é verdadeiramente seu e que deve ser posto ao serviço do Bem Comum em geral e do próximo em concreto.

Cortes Constituintes Vintistas (1820)

Custa-me ver que tantas repúblicas e republicanos convictos acabaram com tantas tradições boas e úteis da realeza ao mesmo tempo que reforçaram o seu pior defeito: a Corte. No posto dos pequeninos aduladores passámos a ter lugar cativo para vários grupos de pressão muito mais brutos, num esquema clientelista mais ou menos legalizado, com uma gigantesca porta giratória a marcar o ritmo dos movimentos de rotação e translação destes autênticos satélites do poder.

Para encontrar exemplos deste clientelismo, não precisamos de ir muito longe. É um exercício arrepiante se pensarmos nos políticos que marcaram as nossas últimas décadas em Portugal e nos respectivos membros das suas Cortes:

Mário Soares – Almeida Santos, António Arnaut, Carlos Melancia
Cavaco Silva – Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa
António Guterres – Jorge Coelho, José Sócrates, Armando Vara, Pina Moura
Durão Barroso – José Luís Arnaut, Isaltino Morais, Santana Lopes
Santana Lopes – Aguiar Branco, Gomes da Silva, António Mexia
José Sócrates – Manuel Pinho, Mário Lino, José Lello, Jaime Silva
Passos Coelho – Miguel Relvas, Luís Montenegro, Marco António Costa
António Costa – Pedro Nuno Santos, Rocha Andrade, Ana Catarina Mendes, Carlos César...

Quantos destes não estão ou estiveram a braços com a justiça? Quantos destes são um exemplo de virtudes? Com quantos destes seríamos capazes de deixar os nossos filhos por meia hora que fosse? E eu até acho que Cavaco Silva ou António Guterres, por exemplo, serão pessoas com bom fundo. Mas isso não significa que se tenham rodeado dos melhores conselheiros, antes pelo contrário. Claro que em todos estes governos também houve boas pessoas que eu não mencionei. No entanto, há muitos aproveitadores a chegar aos lugares-chave da administração pública.

Sultão Solimão I, o Magnífico (1494-1566)

Noutros países republicanos também encontramos os piores vícios da Corte, com dinastias políticas a rodearem-se dos mais cúmplices cortesãos. Nos EUA, por exemplo, após Trump ter derrotado o candidato da dinastia Bush nas primárias e a candidata da dinastia Clinton na eleição geral, vemos este Presidente a inventar um poderoso posto de Primeira Filha e a nomear o seu genro para Senior AdvisorComo lembra Philip Mansel na Spectator, também na Turquia o Presidente Erdogan nomeou o seu genro para Ministro da Energia e Recursos Naturais. Em França, o Presidente Macron esboçou um governo de centrão e rodeou-se dos mais importantes empresários e políticos que o apoiaram nas eleições e que, à esquerda e à direita, o aclamam qual Rei Sol. Em Espanha, os dois partidos que suportaram os últimos governos de Zapatero (PSOE) e de Rajoy (PP) e que permitiram tanta corrupção moral e financeira no Estado central e nas autarquias, lá se aguentaram por mais uns tempos no poder após o susto da crise eleitoral que recentemente viveram. Na Rússia, só vinga nos negócios quem está politicamente próximo do Kremlin de Putin. E tal como Putin não esconde a sua inspiração nos Czares, também Erdogan construiu um palácio presidencial maior do que os de outros Sultões Otomanos e Macron faz um uso cénico da política que faz lembrar um certo esplendor (embora decadente) de Versailles. Talvez por prudência ou por feitio, Angela Merkel é mais comedida nas maneiras, mas toda a gente sabe que quem controla a União Europeia é Berlim e que Bruxelas é uma espécie de Brasília ou de Otava, que serve para contentar Rio de Janeiro e São Paulo, ou Toronto e Montreal, ou, neste caso, Paris e Berlim. Angela Merkel é uma Imperatriz que se contenta em exercer o seu poder sem grandes alaridos mediáticos – imagine-se o que será desta Europa quando a senhora for sucedida por um alemão mais espalhafatoso que, dando nas vistas, nos faça ver a triste realidade da nossa condição!

Conselho de Estado com Presidente Marcelo Rebelo de Sousa


Cá em Portugal, o Presidente Marcelo conscientemente prescindiu de promover uma Primeira Dama, invocando que essa figura respeitável é mais própria de uma monarquia que de uma república. Ele lá saberá. No seu caso, por tão afectuoso e popular que é, até ver ninguém se queixa. Mas frequentemente se reúne com a sua Corte, perdão, Conselho de Estado, que é como sempre composto por políticos, magistrados e amigos.

Todo o dirigente precisa de bons conselheiros para pensar nas várias vertentes do problema com que se depara e tomar a melhor decisão possível. Mas estes republicanos de que vos falei, todos eles, assimilaram as Cortes e elevaram este vício do sistema a um patamar superior de corrupção e clientelismo. Com tudo isto, só um Estado mais pequeno e constitucionalmente limitado pode conter a fome dos actuais devoristas. Tal como recentemente dizia Pedro Feytor Pinto, "quase não devia haver governos".

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

please don’t turn your backs to Bangladesh this time

Bangladesh is the 8th most populated country in the world with around 160 million inhabitants and its capital Dhaka is a megacity with more than 15 million people. Today I had a direct flight from Istanbul to Dhaka, which was complete, but even in Istanbul Atatürk Airport we can see the lack of importance given to Bangladesh, reserving for it the very last gate of the airport. This could be a trivial example of how Bangladesh is forgotten internationally, too trivial perhaps. But did you know that in 1971, during 9 months of terror, in Bangladesh 3 million people were killed and around 4 hundred thousand women were raped? “Operation Searchlight” was planned and carried out by the Pakistani Army, with the help of local agents, and besides many indiscriminate killing it systematically targeted Bengali dissidents and religious and ethnic minorities.

These hideous genocide and genocidal rape were part of a plan to subjugate people with a different language, culture and who were willing to live in democracy under the rule of law. It surely represents one of the darkest pages of our World’s History, being without any doubt the 2nd largest genocide in casualties, after the Holocaust. Nevertheless, this is not well known. Now it was finally formed the International Crimes Tribunal in Bangladesh in order to judge war crimes and end 40 years of impunity by the genocide perpetrators. If this happens, this will no longer be what so many people call "a forgotten genocide".

As international community we must not turn once again our backs to the Bengali people, to Human Rights and to its universal declaration. We know that there are many people interested in destroying the reputation of this court and end its activity. As responsible human beings we and our countries must support the International Crimes Tribunal and give the Bangladeshi people a chance to see Human Rights and the Rule of Law flourish in their beautiful country, once for all.

Above all we shall remember what happened in 1971 and avoid by all means such terrible humanitarian disasters to happen again. Never again.

sábado, 30 de março de 2013

situação no Nepal e o interesse da Turquia no Bangladesh

Editorial que escrevi no sexto número da revista Think South Asia, que edito com o apoio do South Asia Democratic Forum:
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Nepal is the country we chose to focus on this time. With about 27 million people and landlocked between India and China, Nepal has in Kathmandu its capital and also the headquarters of the South Asian Association for Regional Cooperation, also known by the acronym SAARC. It is interesting indeed to see Nepal´s recent societal changes, in the common people as in the political elites. After a very good country profile by S. M. Hasan, Dr Siegfried Wolf from Heidelberg tells us more about the possible role of Nepal in regional cooperation, making reference to a very useful survey report South Asia Democratic Forum conducted in Nepal in 2011, in partnership with Gallup Europe. As Mr Malik Saqib Ali says in his article about economic integration, South Asia has 23% of the people in the world, 5% of its soil mass, and only 3% of the world’s total GDP. But as the Chair of SADF’s Board of Advisors, Professor Subrata Mitra, told us in the previous edition of Think South Asia, in 1b.C. 

India was responsible for 33% of the GNP of the whole World. So, there is no doubt South Asia is nowadays the prototype of the land of opportunities. In this number of Think South Asia we publish the 2nd part of the interview, and no one should miss this reading. To read the 1st, part you have to read last December’s edition of Think South Asia: http://sadf.eu/home/wp-content/uploads/2012/12/thinksouthasia05.pdf

But back to South Asia, by what we can see, it is of major importance to empower an organisation such as SAARC. Nepal can play a role here, but we shall wait for their constitutional elections this Spring in order to 

analyse what we can expect from Nepal in the next years. You can find SADF’s report on Nepal in our website, here: http://sadf.eu/home/2012/04/insightssouth-asia-nepal-survey-2011-results/

As South Asia Democratic Forum (SADF) could not miss the chance to highlight the genocide of Bangladesh in the 70’s, in January we promoted a conference in the French Senate in Paris hosted by Mrs Senator MarieNoëlle Lienemann. Some of the texts about that tragedy are very well presented in this magazine by Mr Paulo Casaca and Mr Modfidul Hoque from the Liberation War Museum of Bangladesh. I must add that on the 23rd of December the President of Turkey Mr Abdullah Gül wrote a letter to the President of Bangladesh Mr Zillur Rahman, asking for clemency to the accused under trial in the International Crimes Tribunal of Bangladesh for the “sake of peace in the society”. This trial begun in order to bring to justice the victims of the biggest genocide that happened after the Holocaust, causing more than 3 million deaths. I personally am against death penalty in each and every case, but this curious intromission of the President of Turkey on behalf of the war criminal Ghulam Azam is something that we must take note and be aware of further developments.

Finally, I should give a last word of gratitude to Benedict XVI, who will resign as Pope in the end of this month. Thanks to this Pope, the symbolic case of Asia Bibi got universal dimension of human rights pressure against the blasphemy law in Pakistan. So, for that as for many other things, I must leave here my deepest thanks for everything His Holiness has done for South Asia on behalf of the Christian communities in particular and for the religious freedom in general.

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Publicado no site do South Asia Democratic Forum: www.sadf.eu