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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Kolinda Grabar-Kitarović

(publicado originalmente na revista Think South Asia em 2012 e depois no Jacaré em 2018)


Kolinda Grabar-Kitarović saúda Luka Modrić, E. Macron aplaude

Dois dos temas mais quentes desta semana foram a efusividade e boa figura da Presidente da Croácia a apoiar a selecção finalista do Campeonato Mundial de Futebol na Rússia e a cimeira da NATO em Bruxelas. À primeira vista os assuntos nada têm que ver, mas para mim sim. Em 2012/13 eu editava uma revista de relações internacionais que fundei, a Think South Asia magazine, que saía em versão digital e também circulava em formato impresso nos meandros políticos e diplomáticos de Bruxelas. Nesses anos, em visitas que fiz à NATO, tive o privilégio de conhecer e entrevistar a senhora embaixadora Kolinda Grabar-Kitarović que na altura era a “NATO Assistant Secretary General for Public Diplomacy” até se tornar a Presidente da Croácia em 2015, função que brilhantemente tem desempenhado até hoje. Antes disso já tinha sido Embaixadora da Croácia nos EUA e Ministra dos Negócios Estrangeiros. É fluente em Português, católica e tendencialmente conservadora. Aqui fica o registo duma pequena entrevista que lhe fiz em 2012 acerca do envolvimento da NATO no Afeganistão:


António Vieira da Cruz (AVC): How do you see 9/11 in 2012 from the NATO perspective?

Ambassador Kolinda Grabar-Kitarović (KGK): The attacks of September 11, 2001 were not only against the United States, but against the principles and values shared by a global community of democratic nations. Eleven years after these attacks, the commitment to the principles and values of the North Atlantic Alliance is firm, and our sense of solidarity and unity remains strong. Since the events of 9-11, working together and with partner nations around the world, the members of the Alliance have taken wide-ranging measures that ensure, collectively, we now face the future better prepared.

AVC: What has been the impact of NATO’s mission in Afghanistan, in particular with respect to a military presence in South Asia?

KGK: NATO’s primary objective in Afghanistan is to enable the Afghan authorities to provide effective security to ensure the country can never again be a safe haven for terrorists. The nations that make up the NATO-led International Security Assistance Force (ISAF) continue to work shoulder-to-shoulder - shona-ba-shona – with Afghan National Security Forces, building a more secure, stable future for the people of Afghanistan. In the eleven years of this partnership, the lives of the Afghan people have improved in terms of security, access to education and health care, economic opportunity and the assurance of rights and freedoms. The task is not yet complete, but Afghanistan’s self-reliance grows stronger each day. In light of the progress over the last 11 years, and building on our firm and shared commitment, we are confident that our strong partnership will lead towards a better future. Regional security, stability and development are interlinked, and a secure and stable Afghanistan is critical for a secure and stable South Asia.

AVC: How do you foresee NATO’s continued engagement with Afghanistan after the withdrawal of troops?

KGK: As the Chicago Summit Declaration stated in May 2012, Afghanistan will not stand alone. NATO’s commitment to Afghanistan is firm. At the Lisbon Summit in 2010, NATO and the Government of Afghanistan signed the Enduring Partnership Declaration, and at the Chicago Summit in 2012, NATO Allies, along with ISAF partners, built on this commitment to provide the Afghan national security forces with the necessary training, advising and assistance moving forward that they need to fulfil their duties. NATO and the Afghan Government have a clear road map through this Transition process, by which full security responsibility for Afghanistan is gradually transitioned from ISAF to the Afghan government. After 2014, the Alliance has committed to providing strong and long-term political and practical support through our Enduring Partnership with Afghanistan.

AVC: What are the current hopes and dreams for the future of NATO?

KGK: At the Chicago Summit, the Heads of State and Government of the member countries of the Alliance recommitted to the core values of NATO, as defined in the Strategic Concept, as the transatlantic framework for strong collective defence, and the essential forum for security consultations and decisions among Allies. NATO has three essential core tasks – collective defence, crisis management, and cooperative security – all of which contribute to safeguarding Alliance members. With the strong partnership of, and dialogue with, nations around the world, the Alliance’s work remains at the forefront of security: From fighting piracy off the Horn of Africa, to efforts in improving cyber defence, to our commitment in supporting United Nations Security Council Resolution (UNSCR) 1325 on Women, Peace and Security, and UNSCR 1612 and related Resolutions on the protection of children affected by armed conflict. The Alliance is also looking to emerging challenges, and the requirement that we must make best use of our resources and to continue to adapt our forces and structures. We remain committed to our common values, and are determined to ensure NATO’s ability to meet any challenges to our shared security.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

12 podcasts que recomendo

(Originalmente publicados no "Jacaré parado vira mala" no dia 29 de Junho de 2017)



Há três ou quatro anos que aderi e considero-me um grande adepto de podcasts. Tal como o video on demand mudou decisivamente a forma como hoje vemos televisão sem estarmos presos a horários e a grelhas de programação, acho que os podcasts - conjugados com o iTunes e outras aplicações de música e conteúdos - são o futuro da rádio. Seja a fazer a barba de manhã na casa-de-banho ou a conduzir o carro para o trabalho, nestes dias em que já não há a oportunidade para ler bons jornais, os podcasts são uma forma muito interessante de acedermos a boas informações, a opiniões e a entretenimento. Aqui deixo 12 podcasts que vivamente recomendo:


Da Política,

- Conversas à Quinta
Periodicidade: Semanal, normalmente a cada Quinta-feira
Duração: 45 minutos
Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto preparam bem os temas (históricos e da actualidade) e conversam com elevação sobre eles a partir das suas experiências e perspectivas muito próprias e interessantes. Com estes dois senadores da nossa praça, um mais à esquerda e o outro mais à direita, temos acesso a abordagens informadas e pensadas sobre os assuntos em análise. A moderação é de José Manuel Fernandes e o podcast é produzido pelo Observador.

- TSF - Governo Sombra - Podcast
Periodicidade: Semanal, a cada Domingo de manhã
Duração: 55 minutos
Carlos Vaz Marques modera e distribui jogo entre Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Ricardo Araújo Pereira. O mote é a política, mas o tratamento dos temas está ao nível das tertúlias de taberna. Carlos Vaz Marques tenta demonstrar uma imparcialidade bem humorada, embora por vezes lhe escape um ou outro comentário mais esquerdista. Pedro Mexia tenta ser ponderado e moderado, mas algo “centrão” e dá a impressão que não raras vezes acaba por se deixar seduzir pela moda e contém-se em demonstrar um pouco mais da sua cultura. João Miguel Tavares é um libertário (liberal na economia e nos valores) que se esforça muito por ter piada, normalmente com pouco sucesso. E Ricardo Araújo Pereira apenas leva a sério a forma humorística, muitas vezes em detrimento do conteúdo (tendencialmente da esquerda radical). Mas RAP brilha na defesa da liberdade de expressão, área em que é digno de aplauso. Normalmente pluralista, este programa encontra curiosos consensos: o benfiquismo dos intervenientes (que saúdo), a sua defesa das causas fracturantes (que lamento) e o ataque sistemático e muito veemente ao regime de Angola (que estranho). Este podcast produzido pela TVI e pela TSF já teve melhores dias, mas continua a merecer uma menção.

- Uncommon Knowledge
Periodicidade: Muito variável, em média quinzenal
Duração: Variável entre 30 e 45 minutos
Se ouvirmos Peter Robinson pela primeira vez e sem saber, a sua modéstia não nos permite descobrir que ele é o autor de um dos mais célebres discursos da História, aquele em que o Presidente Reagan se encontra na Berlim Ocidental de 1987 e remata com muita convicção “Mr. Gorbachev, tear down this wall”! 10 anos mais tarde, em 1997, começou o “Uncommon Knowledge”, um programa produzido pela Hoover Institution em que Peter Robinson entrevista demoradamente políticos, filósofos, empreendedores e outras pessoas interessantes, levando-os ao fundo das teses que defendem e tratando-os da forma mais cordial e respeituosa possível. Este ano o programa faz 20 anos com vários formatos e fases, mas a nível de conteúdos ainda não conheceu declínio.

- The Ricochet Podcast
Periodicidade: Semanal, a cada Sábado
Duração: Variável entre 1 hora e 1 hora e 30 minutos
Outro programa com Peter Robinson, agora acompanhado por amigos e num tom mais informal. Enquanto que em “Uncommon Knowledge” Peter Robinson se apaga para dar todo o protagonismo ao entrevistado, aqui podemos conhecer um pouco melhor a sua opinião e a do co-fundador Rob Long, bem como a dos convidados conservadores (mas de várias sensibilidades) que são ouvidos acerca dos assuntos que marcam a actualidade dos Estados Unidos.

- Face the Nation on the Radio
Periodicidade: Semanal, a cada Domingo
Duração: 50 minutos
“Face the Nation” é um dos programas mais antigos da televisão norte-americana, emitido todos os Domingos pela CBS News desde 1954. Apresentar o “Face the Nation” é um lugar de prestígio para qualquer jornalista. John Dickerson assume este papel desde 2015 e traz ao seu programa os mais importantes políticos e jornalistas para dar a sua perspectiva sobre a semana política que passou e a que há-de vir. John Dickerson é um jornalista refinado e mais correcto do que a média, embora por vezes não consiga disfarçar um pouco mais de dureza para com a direita do que para com a esquerda.


Da História,

- Slate's Whistlestop
Periodicidade: Quinzenal, normalmente numa Quarta-feira
Duração: Variável entre 35 e 50 minutos
Outro programa de John Dickerson, neste caso um “one-man-show” sem convidados, em que ele demonstra o excelente trabalho de investigação jornalística e histórica que faz. Na maior parte dos casos, o programa trata de comparar presidentes dos EUA ou membros das suas equipas governativas sobre determinadas políticas, estratégias e atitudes. Para isso, recorre a abundantes fontes primárias e secundárias. É um programa produzido pela Slate Magazine, com temas bem investigados por John Dickerson e por ele tratados com rigor.

- Falar de Memória - Histórias de Macau
Periodicidade: Semanal, a cada Quinta-feira
Duração: Variável entre 6 e 11 minutos
Hugo Pinto introduz e João Guedes discorre sobre acontecimentos, personagens e curiosidades da História de Macau. Transmitido pela Rádio Macau em língua Portuguesa, este programa conta com a experiência e investigação do jornalista João Guedes, que desvenda alguns episódios históricos que aconteceram em Macau. Ficam-se a conhecer factos muito interessantes sobre Macau e a presença de Portugal no Extremo Oriente, embora se tenha de dar um grande desconto aos preconceitos que o investigador não resiste em manifestar contra a Igreja e as tradições, ao mesmo tempo que elogia as alegadas virtudes históricas de certa esquerda progressista, dos liberais e dos maçons. Ainda assim, e separando trigo do joio, podemos aproveitar muitas curiosidades deste podcast. É de salientar também a música oriental do genérico, que ainda não me cansei de ouvir.

- Talking Tea
Periodicidade: Muito variável, em média mensal
Duração: Variável entre 25 e 50 minutos
Ken Cohen é um actor norte-americano que se apaixonou pelo chá. Neste podcast apresentado e produzido pelo próprio, podemos ter acesso a conversas com especialistas, autores, comerciantes e empresários, sempre à volta da história do chá, da sua produção, tipos, geografia e cultura. Para quem se interessa por chá, este é um podcast a ter em conta.


E do Humor,

- Aleixo FM
Periodicidade: Semanal, a cada Quarta-feira
Duração: 4 minutos
João Moreira e Pedro Santo dão voz a mais um programa de Bruno Aleixo, um cão de peluche muito irritável, manipulador e mandão nascido em Coimbra e com afinidades à Mealhada e ao Brasil, acompanhado por dois dos seus habituais companheiros, o Busto (de Napoleão Bonaparte) que se leva intelectualmente muito a sério e o Renato Alexandre (um monstro marinho) que tem a personalidade dum jovem estudante que até tenta ser boa pessoa mas que tem os maneirismos e o intelecto de quem fritou parte dos seus miolos em demasiadas saídas à noite e outros excessos derivados.

- Aleixopédia
Periodicidade: Semanal, a cada Segunda-feira
Duração: 4 minutos
Dos mesmos autores de Aleixo FM, o ponto de partida deste programa é música. Mas o ponto de chegada pode ser qualquer outro tema. Tal como no Aleixo FM e outros programas do delirante universo de Bruno Aleixo, o seu humor é muito diferente de tudo o que já vi. Combinando o nonsense com uma série de preconceitos deliciosos e com expressões geniais, Bruno Aleixo forma um fio condutor de disparates sem malícia que entretém muito. Ambos os podcasts são produzidos pela rádio Antena 3.

- Linha Avançada
Periodicidade: 2 vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde
Duração: Variável, entre 4 e 7 minutos
José Nunes é um comentador de futebol que participa com conhecimento num dos inúmeros programas de televisão dedicados ao assunto, mas que há vários anos faz na rádio um apanhado humorístico das principais notícias do futebol Português, intercalando os comentários com músicas divertidas e adequadas a cada tema. Podcast produzido pela rádio Antena 3 com boa disposição.

- Cidade - Quem Nunca?
Periodicidade: Semanal, a cada Quarta-feira
Duração: 30 minutos
Carlos Coutinho Vilhena é um comediante da nova geração, com 24 anos. Tem este programa novo na rádio Cidade, onde recebe 2 comediantes diferentes para fazerem uma caricatura de personagens e aspectos cómicos da vida. O dialecto usado nestes sketches, aparentado com a Língua Portuguesa, contém as expressões que podemos ouvir aos indígenas adolescentes do nosso país. É uma actualização da gramática e vocabulário dos Morangos com Açúcar, e a sua piada depende do rumo da conversa e dos comediantes convidados. Os primeiros programas tiveram altos e baixos, e só o tempo dirá se CCV tem talento para se aguentar neste top 12. Podcast produzido pela rádio Cidade.

13 de Maio de 2017

(Originalmente publicados no "Jacaré parado vira mala" no dia 14 de Maio de 2017)
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Não posso deixar de assinalar este 13 de Maio de 2017. Foi um dia riquíssimo e que será recordado por muitos anos no nosso país. Provavelmente nem todos os Portugueses terão tido 3 alegrias como eu. Mas qualquer destes acontecimentos é notável.

Fátima
O Papa Francisco veio a Fátima pela primeira vez na sua vida, neste centenário das aparições, e assumiu vir como peregrino. Rezou aos pés de Nossa Senhora juntamente com mais de um milhão de pessoas, riu, ensinou, e canonizou os mais jovens santos não-mártires da Igreja: os irmãos videntes de Aljustrel, São Francisco e Santa Jacinta. É muito bom para os meus sobrinhos e filhos terem crianças que, com as suas idades, são exemplo de oração, de sacrifício, de bondade, de amizade com Nossa Senhora e com Deus e, enfim, de santidade. “Cantemos, alegres, a uma só voz: Francisco e Jacinta rogai por nós!”

Papa Francisco na Procissão das Velas - Fátima 12.05.2017
Futebol
Ao derrotar o Vitória de Guimarães por 5-0 em Lisboa na penúltima jornada, o S.L. Benfica conquistou o seu 36º título nacional, ou seja mais 9 que o F.C. Porto e o dobro que os 18 do Sporting C.P., seus grandes rivais. A temporada foi pautada por muita tensão, acusações e falta de fair play. O ambiente neste desporto está irrespirável, e para isso contribuem dirigentes, claques, jornalistas e comentadores dos vários clubes. Valeram dois golos de elevada nota artística (Raúl Jiménez e Jonas) e que me fizeram lembrar porque gosto de futebol. E os jogadores do meu clube são tetracampeões pela primeira vez na História do clube. “Que nos campos a vibrar, são papoilas saltitantes!”

Música
Desta vez, no Festival Eurovisão da Canção, ganhou uma bonita música (Amar pelos dois) interpretada por um grande artista chamado Salvador Sobral. Ele tem as suas críticas a fazer a este tipo de concursos, e talvez tenha alguma razão nesses reparos, mas não esqueça que é graças a esses certames que o conhecemos. E Portugal ganhou pela primeira vez este concurso, depois de ter tentado por dezenas de vezes, sendo que nos últimos anos as canções que levámos não tiveram a qualidade de outrora. “Talvez devagarinho possas voltar a aprender…”

Gostava ainda de chamar a atenção para outra canção que me tocou, não tanto pela melodia (normal) mas pela sua mensagem. A música Italiana “Occidentali’s Karma”, interpretada por Francesco Gabbani, faz uma crítica muito interessante da sociedade europeia contemporânea, sublinhando as contradições do relativismo, da cultura da internet, da superficialidade de quem se acha muito cosmopolita e polivalente mas que no fim de contas é apenas mais um macaco no meio de outros. “Namasté, allez!”


Outros assuntos a ter debaixo d'olho
- O ataque informático a várias empresas estratégicas, tanto em Portugal como lá fora. Ainda ninguém explicou que tipo de informação é que os piratas têm em sua posse, mas pode ser um grande abre olhos para os consumidores e clientes. Esta semana, por exemplo, soube que a MEO tem uma ficha de cliente sobre mim, onde vai apontando o conteúdo das minhas interacções com a empresa (contas, consumos, queixas, etc.). A essa ficha sobre mim têm acesso todos os trabalhadores da MEO, mas eu não. Pedi-lhes uma transcrição de todo o conteúdo, que ainda estou à espera de receber. E se eu não gosto que uma empresa faça uma ficha sobre mim, ainda menos me agrada que esse tipo de informação circule pela internet e seja transaccionada.

- O estranhíssimo despedimento do Director do FBI James Comey pelo Presidente Donald Trump. Lembremos que a única vez que um Presidente dos EUA despediu um Director do FBI foi Richard Nixon antes de rebentar o escândalo de Watergate, que o conduziu à demissão forçada da presidência.

- Por falar no Presidente Trump, voltemos ao Papa Francisco que o vai receber no Vaticano no próximo dia 24 de Maio e à saída de Fátima disse que tenta não julgar ninguém sem o conhecer pessoalmente primeiro e que o seu encontro será de grande sinceridade. Também em Portugal se encontrou com Marcelo Rebelo de Sousa e com António Costa. O que lhes terá dito?

Para o Papa, Fátima é um lugar de Paz. E talvez a principal mensagem da sua vinda é que, em Nossa Senhora, “temos Mãe”! Assim seja.

Já Portugal, faz lembrar o Reino Unido dos anos 90, na sua fase Cool Britannia. Portugal está na moda: o turismo continua a crescer, a economia aparentemente também, o Secretário-Geral da ONU é Português, o Presidente da República é muito popular, a Selecção Nacional é campeã da Europa, os melhores jogadores de futebol, futsal e futebol de praia do mundo são Portugueses, temos bons treinadores, agora o vencedor do Festival Eurovisão da Canção é Português, e o Papa Francisco esteve em Fátima. Talvez estejamos perante uma Cool Lusitania. A questão é saber como aproveitarmos esta onda da melhor maneira.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

o discurso de Passos Coelho



O discurso do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho na tomada de posse do XIX Governo foi adequado. Demonstrou humildade e realismo. Passos Coelho não fez grandes promessas, anunciou alguns erros de antemão e pediu paciência para o que aí vem. Ele expôs as suas prioridades e as linhas de actuação do Governo para os próximos 4 anos. Foi um discurso que colheu vários elogios.

Este foi um discurso bastante alegórico. Passos Coelho quis definir estes tempos como uma tormenta de mar, o povo português como o herói marinheiro que sempre foi, e ele próprio como o capitão do navio que mudará o rumo para levar o País a bom porto. Foi uma formulação interessante, que sem dúvida encontra eco cultural entre os portugueses.

No entanto, a Rádio Renascença apostou numa metáfora muito mais forte que os Descobrimentos no Portugal de hoje: o futebol. A notícia da Renascença online era "Onze de Passos Coelho toma posse. É o XIX Governo Constitucional". O treinador e sua equipa. Nós seríamos os treinadores de bancada, e os homens da troika o trio de arbitragem. Resta saber em que liga vão jogar, se a dos Campeões ou a da Europa, e se jogam para o título ou simplesmente para não descer de divisão.

Registo a expressão que o novo Primeiro-Ministro usou, de pacto de confiança, responsabilidade e abertura. É mesmo isso que precisamos neste momento, de renovada confiança. As três grandes prioridades deste Governo também foram enumeradas de forma clara: estabilizar as finanças, socorrer os mais necessitados, fazer crescer a economia e o emprego. Na figura lá em cima, vemos as palavras mais usadas no discurso, de onde se destacam Confiança, Abertura e Mudança. Foi esta a mensagem que Passos Coelho quis passar.

Gosto, finalmente, da síntese das políticas que aí vêm em apenas duas frases: Queremos um Estado mais pequeno, mais ágil e mais forte, por um lado, e uma sociedade mais livre, mais autónoma e mais próspera, por outro. Na verdade, são como que duas faces da mesma moeda. Não foi à toa que Pedro Passos Coelho se comparou a David Cameron no seu debate televisivo com José Sócrates. É na Big Society de Cameron que Passos Coelho se inspira.