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Viriato descrito por Diadoro da Sicília

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Estátua de Viriato (1940) de Mariano Benlliure, na Cava de Viriato, em Viseu.   “No início, os Lusitanos não tinham um general talentoso e eram facilmente vencidos pelos Romanos; mas quando Viriato se tornou general dos Lusitanos, eles causaram severos danos aos Romanos.     Viriato era um dos habitantes das costas do mar, um pastor no alto das montanhas desde a sua infância. De constituição saudável por natureza, ele excedia todos os Iberos em força e agilidade do corpo, pois habituou-se a uma dieta poupada, muito trabalho e estafa, e não dormia mais do que fosse absolutamente necessário. Viriato andava sempre armado, e era famoso pelas suas lutas tanto com feras selvagens como contra ladrões.   Por fim, ele foi escolhido como líder da sua gente, e logo uma multidão de bandidos veio juntar-se a ele. Sendo muito bem-sucedido em diversas batalhas, Viriato era admirado não apenas pelas suas excelências físicas, mas também pela sua destreza enquanto general. Além di...

O arqueiro manchu

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“Manchu Soldier” (1873), de John Thomson. John Thomson foi um extraordinário fotógrafo escocês, pioneiro do fotojornalismo e das fotografias de viagem. É difícil escolher uma fotografia sua, entre tantas tão boas que se encontram online. Nesta imagem vemos um arqueiro manchu com traje e arco tradicionais, na posição correcta para atirar: barriga contraída, tronco ligeiramente inclinado para a frente, omoplata no sítio, cotovelo do braço direito em linha com o braço esquerdo esticado, mão atrás da orelha, visão enquadrando a linha da flecha com o alvo. O treino do arqueiro fará o observador inexperiente achar fácil esta posição de tiro, mas ele está provavelmente a puxar a corda do arco com uma força superior a 60 kgs (imaginemos 10 garrafões de água do Luso), o suficiente para a flecha perfurar um urso e sair do outro lado. Mas se algum músculo ou osso do arqueiro estiver fora do sítio nos segundos de preparação e execução do tiro, então a flecha toma outra direcção e não acerta no alv...

Montgomery à conversa com o retrato de Rommel

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Field Marshal Bernard Law Montgomery Durante os treze dias da Batalha de El Alamein (Egipto) em Outubro/Novembro de 1942, o comandante britânico dos Aliados Bernard Montgomery pendurou na sua caravana uma fotografia do seu arquirrival Erwin Rommel, comandante alemão do Eixo e também conhecido por “A Raposa do Deserto”. Em entrevista a Cliff Michelmore da BBC (1968), a explicação de Montgomery foi a seguinte: — Eu gosto de pôr na minha caravana uma imagem do meu oponente da altura. Eu costumava olhar para ela e dizer para comigo mesmo, «que tipo é este? Se eu fizer isto, como irá ele provavelmente reagir?» E, curiosamente, ajudou. Acho que algumas pessoas me pensavam louco. Mas sabe, fui tantas vezes considerado maluco que agora acho-o um elogio. Rommel era bastante diferente daquilo que as pessoas julgam. Ele era um general do tipo Prince Rupert. Isto significa que, para Montgomery, Rommel era um bom comandante da frente de batalha que preferia estar com os soldados que o seguiam, ma...

A história do Roaring Lion

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“The Roaring Lion” (1941), de Yousuf Karsh     "The Roaring Lion" é uma célebre fotografia de Winston Churchill no Parlamento do Canadá, apenas três semanas depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Depois do discurso “Some chicken, some neck” aos deputados canadianos, Churchill foi levado pelo Primeiro-Ministro anfitrião Mackenzie King até uma sala onde os esperava o fotógrafo Yousuf Karsh. Churchill não gostava nada de fotografias e estava aborrecido por ter sido apanhado naquela situação sem querer. Mais zangado ficou quando Karsh lhe pediu para pousar o charuto para que o fumo não interferisse com a imagem. O Primeiro-Ministro britânico recusou-se. Então, Karsh aproximou-se rapidamente de Churchill e tirou-lhe o charuto da boca enquanto dizia “forgive me, Sir” com toda a naturalidade. Quando voltou para trás da câmera, o fotógrafo observou que Churchill tinha uma cara de confronto e um olhar tão feroz, tão beligerante que quase o poderia devorar. Logo após tirar a foto...

A Natureza e nós

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 (também publicado no Substack ) Dia 8 de Dezembro de 1991, perto da fronteira da Bielorrússia com a Polónia. A neve cai oblíqua, atravessando as nesgas do bosque denso e escuro. Longos uivos ecoam pela noite, não sabemos se de lobos ou pelo vento gélido passando por entre os carvalhos. E, por debaixo do fino manto branco, ainda adivinhamos a lama dos rodados deixados pelos carros na véspera. Três grupos de homens tinham chegado à dacha em segredo: uns vindos do Leste, outros do Norte e do Sul. Entraram, acomodaram-se e, depois da sauna e das massagens, do banquete e do descanso, só o novo dia revelou toda a gravidade da ocasião. Aquele refúgio de caça nas profundezas da enorme Floresta de Białowieża foi por algumas horas o centro do mundo. Um dos dois grandes blocos da ordem internacional caía com a neve e desfazia-se com o raiar do sol. Limpemos com a manga do nosso casaco o vapor no vidro de uma daquelas velhas janelas embaciadas. Espreitemos por esse portal do tempo, imaginand...