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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Reflexões dum ex-lobista

(originalmente publicado no Jacaré)

Noutra vida fui lobista e foi-me pedido pela minha querida Universidad de Navarra que explicasse o que era o lobbying a um grupo de alunas da Faculdade de Comunicação que então visitava Bruxelas. Recentemente encontrei o papel desse encontro e achei interessante pôr aqui algumas ideias básicas que lhes tentei transmitir.


Em 2015, havia em Bruxelas cerca de 31 mil funcionários da Comissão Europeia e estimava-se que houvesse mais de 30 mil lobistas, quase um lobista para cada funcionário. Hoje em dia, acredito que o número de lobistas tenha ultrapassado o de funcionários, e atenção que a Comissão Europeia é apenas uma das várias instituições da União Europeia.


Definindo o lobby
Então, e o que vem a ser isto do lobbying? Trata-se muito simplesmente de tentar influenciar políticas, mais concretamente as leis, e o lobista fá-lo no sentido que convém ao interesse ou cliente que representa. O lobista age em nome próprio ou em representação de uma causa ou de um cliente, organiza e fornece informação relevante para o policy maker, promove debates, faz perguntas, ajuda a formular leis e emendas às propostas de lei, convence os políticos a votar de certa maneira, promove acordos e também desacordos. Academicamente, distinguem-se três tipos de lobbying:
lobby top-down (de cima para baixo, exercendo o poder de superior hierárquico como a UE faz em relação aos Estados-membros, ou como um ministro em relação a um secretário de Estado da sua tutela)
lobby directo (de igual para igual, como por exemplo entre ministros ou entre deputados)
lobby de grassroots (de baixo para cima, seja através da organização de manifestações na rua, de artigos de jornal, publicações em redes sociais, petições, etc.)

Um exemplo de lobbying: o que têm em comum as restrições ao tabaco, os cintos de segurança nos automóveis e a proibição do consumo de álcool ao conduzir? Tudo se deve a um eficaz trabalho de lobby das companhias de seguros.

Quem? Como? Onde?
E quem faz lobbying então? Bem, toda a gente: as empresas, os bancos, as farmácias e laboratórios farmacêuticos, os agricultores, as associações (comerciais, laborais, sindicatos, etc.), as igrejas ou religiões, os países e Estados (governos, diplomatas, etc.), as regiões e cidades, as próprias instituições europeias entre si, os partidos, os cidadãos... e fazem-no através de ONG’s (organizações não governamentais), OAANG’s (organizações apenas aparentemente não governamentais), partidos, think tanks, universidades (com estudos, papers, doutoramentos horroris, perdão, honoris causa...), museus e fundações, atribuição de prémios, escritórios de advogados, consultores de relações públicas, jornais e jornalistas, entre muitas outras figuras. Os lugares onde o lobbying se faz também são diversos: ONU, NATO, Comissão Europeia, Parlamento Europeu, outras organizações internacionais, governos e parlamentos nacionais, cafés, restaurantes, hotéis, discotecas, comboio, avião, metro, e-mail, telefone, gabinetes e escritórios, casa, ginásio, piscina, practicando um desporto em equipa, num clube cultural ou recreativo...

Eficácia do lobby
Se não for bem feito, o lobby pode ser um desperdício de dinheiro ou até contraproducente. Dou dois exemplos de lobbying ineficaz:
- uma vez fui a uma conferência sobre a crise europeia, que fazia um diagnóstico tremendo sobre o estado das economias europeias, suas empresas e famílias. A conferência teria sido um sucesso a nível de conteúdo caso não tivesse sido rematada por um cocktail onde foram servidos champagne, água Evian e tostinhas com foie gras. Neste caso, a forma prejudicou a mensagem.
- em Junho de 2013 assisti a um evento caríssimo, muito bem servido, num dos espaços mais amplos do Parlamento Europeu. O objectivo era a promoção da cidade de Sevilha, não só a nível de turismo como de negócios. O problema foi que todos os discursos foram em castelhano, sem tradução, e o power point e material impresso também só estavam na língua local de Sevilha... tudo para espanhol ver! De que serve a uma cidade ir promover-se ao estrangeiro numa língua que o público não entende? Foram os lobistas andaluzes que não entenderam para quem falavam, e com isso gastaram inutilmente uma fortuna ao seu cliente, que neste caso era o contribuinte.

Assim, para se fazer um lobby eficaz, é fundamental sabermos quem é o nosso cliente, quem é o nosso público-alvo, quais são os nossos objectivos, de que meios dispomos, conhecer o processo legislativo com o seu calendário e prazos, e qual é o nosso orçamento. Desta forma, podemos desenhar e aplicar uma boa estratégia para atacar o problema a que queremos dar resposta. Tendo em conta experiências passadas, estamos sempre a avaliar e aprender a enquadrar melhor as questões e contar melhor a história da nossa perspectiva sobre o assunto em análise. Acima de tudo, temos de ter em conta que do outro lado está uma pessoa como nós, com a sua história, cultura, formação e vicissitudes muito próprias. Por exemplo, com um engenheiro poderei enquadrar a questão de uma forma acção-reacção ou explicar a dinâmica do problema identificando um pólo positivo e um pólo negativo. A um médico, falarei do problema como uma doença a atacar, ajudando-o a descobrir o melhor remédio e prevenindo-o da possibilidade de eventuais contágios para outras áreas. A um pai de família sei que poderei falar do futuro com mais segurança de que será sensível às questões de longo prazo. E por aí fora.

Por outro lado, para o lobby eficaz devemos ter em conta a natureza das instituições e dos seus funcionários. No caso de Bruxelas, o processo legislativo muitas vezes começa na Comissão onde a proposta é elaborada, depois é enviada ao Parlamento que a pode aprovar, emendar ou vetar, depois segue para o Conselho... e o lobista pode estar num momento a contribuir de forma construtiva para determinada lei junto da Comissão, e passado umas semanas estar numa atitude destrutiva a fazer o seu lobby junto dos eurodeputados para emendar ou vetar alíneas que não lhe interessam e que não conseguiu influenciar na Comissão. A estratégia geral de lobbying deve contemplar que as tácticas se adaptem a cada público-alvo e a cada momento legislativo.

Vale tudo?
Mas será que vale tudo? Aqui começa a reflexão ética da profissão de lobista e da práctica do lobbying. A verdade é que... o lobista não é pago para dizer a verdade. Também não deve mentir, mas por vezes espera-se do lobista que engane ou induza ao erro. Pagam-lhe para dizer o que é conveniente. A diferença entre uma mentira e aquilo a que os americanos chamam de - e peço desculpa pela feia expressão - bullshit, é que a simples mentira é uma negação da verdade, enquanto que bullshit trata-se de dizer o que quer que seja (verdade, mentira ou engano, não importa) para alcançar um determinado objectivo. Como a verdade perde centralidade nesta indústria do bullshit que é o lobbying, fica prejudicada a capacidade de um lobista gerar confiança. Mas a confiança, que só se ganha no médio e longo prazo, é a chave do seu trabalho. Sem confiança, não é credível aquilo que o lobista oferece aos seus clientes e aos políticos que tenta influenciar. A grande tentação do lobista é dizer que sim a tudo, e tudo o que diz o seu cliente ou chefe passa a ser a sua missão, ordens para cumprir. Mas se o lobista engana o político porque o seu cliente assim pede, algum dia o seu cliente questionar-se-á se o lobista não o está a enganar a si também, e o lobista poderá também questionar-se se o seu cliente não o engana igualmente. Por vezes, o lobista só ganha o respeito das pessoas (clientes, network de contactos, políticos, ou de si mesmo) se tem a coragem de dizer “não”, “isto não faço”, “não ultrapasso esta linha”.

Para além da falta de confiança que advém de omitir, enganar ou induzir em erro (já para não falar da mentira), há outro fenómeno que mina as relações humanas e as sociedades: a corrupção. Quando se fala de lobbying, a corrupção está sempre presente na cabeça mesmo que dela não se fale. E não é por acaso, posso confirmar (sem nunca a ter practicado) que a corrupção no lobbying é bastante comum. Entendamos por corrupção tudo o que degrada a natureza de uma função, de uma acção, de um cargo ou mandato. Por exemplo, o mandato dum eurodeputado é para representar o interesse dos cidadãos que o elegeram. Se esta não for a grande prioridade do eurodeputado, pode-se dizer que ele está corrompido. Os principais tipos de corrupção em lobbying podem ser: favores legislativos, tráfico de influências, empregos para familiares, espionagem, sedução, cedência de assistentes que trabalhem para terceiros, viagens, presentes, recebimento de dinheiro por acção, promessa de cargo futuro (as “portas giratórias” ou revolving doors) e o financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Tudo isto pode alterar as prioridades do político ou funcionário que se pretende influenciar, degradando o seu serviço e dedicação ao Bem Comum.

Conclusão
Estou ciente que apresentei aqui uma visão um pouco negra desta profissão que já foi a minha, e de algumas falhas que há no sistema. Há quem diga que é preciso proibir o lobbying, há quem diga que é preciso maior regulação, mas eu acho que o problema é essencialmente cultural. Se formos a ver, todos somos um pouco lobistas, a começar pelos familiares dos políticos. Um deputado vota muitas propostas legislativas todos os meses, tantas que não é humanamente possível ele ser especialista em todos esses assuntos e votar em consciência. É normal e desejável que alguém lhe apresente factos bem organizados e explicados, com uma perspectiva sobre o assunto. Se possível, o político deve procurar também uma perspectiva contrastante para aprender mais matizes da questão e fazer a sua síntese. Bem entendido, o lobbying é um serviço que melhora a qualidade das democracias. Se eu participo numa manifestação ou se escrevo aos deputados, não só estou a exercer um direito como estou a participar de forma positiva no processo legislativo... estou a pedir ao deputado ou ao governo que me representam para agir de certa forma, e nesse caso estou a ser lobista de mim próprio. O problema não é o lobbying, o problema é a corrupção. E à corrupção responde-se com leis claras, penas dissuasoras, uma justiça que funcione e, acima de tudo, com mais ética pessoal e profissional de todos os intervenientes no processo legislativo.

Havia bastante mais para dizer, pois guardo muitas histórias engraçadas sobre aqueles anos. Mas para terminar num tom mais positivo, posso assegurar que há poucas coisas que dêem mais satisfação do que contribuir de forma saudável para que políticos tomem decisões informadas com impacto real e bom na vida das pessoas. No meu caso, houve alguns momentos em que tal aconteceu.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

13 de Maio de 2017

(Originalmente publicados no "Jacaré parado vira mala" no dia 14 de Maio de 2017)
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Não posso deixar de assinalar este 13 de Maio de 2017. Foi um dia riquíssimo e que será recordado por muitos anos no nosso país. Provavelmente nem todos os Portugueses terão tido 3 alegrias como eu. Mas qualquer destes acontecimentos é notável.

Fátima
O Papa Francisco veio a Fátima pela primeira vez na sua vida, neste centenário das aparições, e assumiu vir como peregrino. Rezou aos pés de Nossa Senhora juntamente com mais de um milhão de pessoas, riu, ensinou, e canonizou os mais jovens santos não-mártires da Igreja: os irmãos videntes de Aljustrel, São Francisco e Santa Jacinta. É muito bom para os meus sobrinhos e filhos terem crianças que, com as suas idades, são exemplo de oração, de sacrifício, de bondade, de amizade com Nossa Senhora e com Deus e, enfim, de santidade. “Cantemos, alegres, a uma só voz: Francisco e Jacinta rogai por nós!”

Papa Francisco na Procissão das Velas - Fátima 12.05.2017
Futebol
Ao derrotar o Vitória de Guimarães por 5-0 em Lisboa na penúltima jornada, o S.L. Benfica conquistou o seu 36º título nacional, ou seja mais 9 que o F.C. Porto e o dobro que os 18 do Sporting C.P., seus grandes rivais. A temporada foi pautada por muita tensão, acusações e falta de fair play. O ambiente neste desporto está irrespirável, e para isso contribuem dirigentes, claques, jornalistas e comentadores dos vários clubes. Valeram dois golos de elevada nota artística (Raúl Jiménez e Jonas) e que me fizeram lembrar porque gosto de futebol. E os jogadores do meu clube são tetracampeões pela primeira vez na História do clube. “Que nos campos a vibrar, são papoilas saltitantes!”

Música
Desta vez, no Festival Eurovisão da Canção, ganhou uma bonita música (Amar pelos dois) interpretada por um grande artista chamado Salvador Sobral. Ele tem as suas críticas a fazer a este tipo de concursos, e talvez tenha alguma razão nesses reparos, mas não esqueça que é graças a esses certames que o conhecemos. E Portugal ganhou pela primeira vez este concurso, depois de ter tentado por dezenas de vezes, sendo que nos últimos anos as canções que levámos não tiveram a qualidade de outrora. “Talvez devagarinho possas voltar a aprender…”

Gostava ainda de chamar a atenção para outra canção que me tocou, não tanto pela melodia (normal) mas pela sua mensagem. A música Italiana “Occidentali’s Karma”, interpretada por Francesco Gabbani, faz uma crítica muito interessante da sociedade europeia contemporânea, sublinhando as contradições do relativismo, da cultura da internet, da superficialidade de quem se acha muito cosmopolita e polivalente mas que no fim de contas é apenas mais um macaco no meio de outros. “Namasté, allez!”


Outros assuntos a ter debaixo d'olho
- O ataque informático a várias empresas estratégicas, tanto em Portugal como lá fora. Ainda ninguém explicou que tipo de informação é que os piratas têm em sua posse, mas pode ser um grande abre olhos para os consumidores e clientes. Esta semana, por exemplo, soube que a MEO tem uma ficha de cliente sobre mim, onde vai apontando o conteúdo das minhas interacções com a empresa (contas, consumos, queixas, etc.). A essa ficha sobre mim têm acesso todos os trabalhadores da MEO, mas eu não. Pedi-lhes uma transcrição de todo o conteúdo, que ainda estou à espera de receber. E se eu não gosto que uma empresa faça uma ficha sobre mim, ainda menos me agrada que esse tipo de informação circule pela internet e seja transaccionada.

- O estranhíssimo despedimento do Director do FBI James Comey pelo Presidente Donald Trump. Lembremos que a única vez que um Presidente dos EUA despediu um Director do FBI foi Richard Nixon antes de rebentar o escândalo de Watergate, que o conduziu à demissão forçada da presidência.

- Por falar no Presidente Trump, voltemos ao Papa Francisco que o vai receber no Vaticano no próximo dia 24 de Maio e à saída de Fátima disse que tenta não julgar ninguém sem o conhecer pessoalmente primeiro e que o seu encontro será de grande sinceridade. Também em Portugal se encontrou com Marcelo Rebelo de Sousa e com António Costa. O que lhes terá dito?

Para o Papa, Fátima é um lugar de Paz. E talvez a principal mensagem da sua vinda é que, em Nossa Senhora, “temos Mãe”! Assim seja.

Já Portugal, faz lembrar o Reino Unido dos anos 90, na sua fase Cool Britannia. Portugal está na moda: o turismo continua a crescer, a economia aparentemente também, o Secretário-Geral da ONU é Português, o Presidente da República é muito popular, a Selecção Nacional é campeã da Europa, os melhores jogadores de futebol, futsal e futebol de praia do mundo são Portugueses, temos bons treinadores, agora o vencedor do Festival Eurovisão da Canção é Português, e o Papa Francisco esteve em Fátima. Talvez estejamos perante uma Cool Lusitania. A questão é saber como aproveitarmos esta onda da melhor maneira.

sábado, 4 de outubro de 2014

grandes fotografias políticas (V)

Anteontem, Narendra Modi começou uma campanha para modernizar o sistema sanitário na Índia. Foi a varrer as ruas de Nova Deli que o Primeiro-Ministro passou a mensagem.

Primeiro-Ministro Modi a limpar as ruas da capital Indiana


Depois de ter lançado a campanha Make in India, convidando Indianos e Estrangeiros a investir na Índia, Narendra Modi lança agora a campanha My Clean India com uma vassoura nas mãos. A Índia enfrenta assim a poluição urbana e os conhecidos atrasos sanitários, desagradáveis pelo cheiro mas sobretudo graves pela transmissão de doenças. Um relatório das Nações Unidas em Maio indicava que cerca de metade dos Indianos defeca na rua, levando à propagação de doenças como a cólera, diarreia, disenteria, hepatite A e tifóide.

Pegar na vassoura e dar o exemplo foi sem dúvida a melhor forma de passar a mensagem e inspirar outros a fazer o mesmo.


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Artigos relacionados:

terça-feira, 24 de setembro de 2013

o meu último editorial na revista Think South Asia

Deixo aqui o último editorial que escrevi na revista Think South Asia enquanto Editor. As próximas edições da revista ficam muito bem entregues ao alemão Djan Sauerborn, da Universidade de Heidelberg:
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Think South Asia #09
As this is a summer special edition of Think South Asia, we suggest a travel by some of the South Asian countries, as the Maldives, India, Afghanistan, Bangladesh and Nepal. As I am moving to new projects, this is also my last edition as editor but, before I get there, let me call your attention for the contents you can find in the next pages: an article about the rising religious extremism in the Maldives by the future editor of Think South Asia, Mr Djan Sauerborn; a very good business profile of the Indian building market, by the civil engineer Mr Pedro Baptista Pinto; and an informative update of the situation in Nepal, by Mr Narayan Guimire.

Then, we have an outstanding article about the 1971 genocide in Bangladesh “Our conscience in an Iron Cage” and its consequences, from our esteemed adviser, Dr M. A. Hasan from Bangladesh. You should not miss his article for several reasons: Dr Hasan is well-known as a fighter for independence, as a physician, as a scientist, as a philosopher, as a poet, as a human rights activist and much more. From Afghanistan we received and publish a very important article about “eliminating prejudices in school curricula and materials”, by our well known Doctor Massouda Jalal, who is a former Minister of Women’ Affairs in Afghanistan and currently working on women rights as Head of the Jalal Foundation.

Last but not least, we interviewed the Executive Director of the South Asia Democratic Forum, Mr Paulo Casaca. He made some very important statements we should write on the rock for future memories:

• “We are now in a global era with much more powerful destruction devices than the ones we had some decades ago.”
• “In order to prevent a catastrophic scenario it is absolutely imperative to stop terrorism, especially the export of terrorism.”
• “Europe learned the hard way that cooperation is the only way to succeed.”
• “The full respect of cultures, languages and histories within Southern Asia and the full understanding of the values of co-operation, respect and tolerance is the only way to overcome existing conflicts rooted in the region.”
• “The European Union should stop to appease totalitarian ideologies.”

Malala Yousafzai, @United Nations HQ, New York - USA
Mr Paulo Casaca also makes some questions and recommendations, and remembers the young 16 years old Pakistani girl Malala Yousafzai, who on the 12th of July made a remarkable speech in the United Nations. She quoted Mohamed, Jesus Christ, Buddha, and Martin Luther King, Nelson Mandela, Mohammed Ali Jinnah, Gandhi, Bacha Khan and Mother Teresa. She quoted them to ask for the right of every child, boys and girls, to education. As Malala said, “education is the only solution.” We fully support this idea that you can see developed in Doctor Jalal’s above mentioned article.

Finally, I must say it is with mixed feelings of nostalgia and confidence that I write my last Editorial here. On one hand, there is nostalgia for this fantastic year of 2012/2013, which was the beginning of this beautiful project called Think South Asia. Wonderful moments of discovery and big debates happened in this platform between very important politicians, distinguished diplomats, eminent academics and representatives of NGO’s. This fruitful debate constantly informed all those who read and make this magazine each month: policy makers in Europe, North-America and South Asia, our dear general readers all over the world, esteemed authors and, of course, myself. I learned a lot with you about South Asia, Europe, politics, business and culture. I was also able to receive lots of congratulation notes and critics for the quality of this magazine, but in fact the credits are all to be shared between the guest contributors who made from this magazine a successful reference among the periodic publications about South Asia, and you, dear reader, because as you know, this magazine is specially made for you. My deep thanks to all the guests who wrote, were interviewed or contributed in other ways for the success of this magazine. But I must personally thank to Mr Paulo Casaca from the South Asia Democratic Forum (www.sadf.eu) for all the invaluable support and expertise he gave to this project; and also to Mr Hugo Almeida and Mr Diogo Alves from Popular Jump (www.popularjump.com), who were the responsible for this fantastic design you are used to see here.

On the other hand, I would like to leave here a word of trust and confidence. I am very much confident than my successor as Editor will keep improving the Think South Asia magazine and letting it reach more and more people. I hereby present to you Mr Djan Sauerborn, who is writing here for the second time about the situation in the Maldives (for his first article, please check the October 2012 edition). Mr Sauerborn is an expert on South Asia from the University of Heidelberg, and so he is the right captain to take this ship into deeper waters and discover new horizons. The Think South Asia magazine is in very good hands and I whish all the best to Mr Djan Sauerborn in this endeavour. I am sure we will keep and develop this contact and cooperation, so that we can always Think (in, about and with) South Asia.

Thank you very much!
And feel free to contact me: