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Obrigado, Ciganos!

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(também publicado no  Ingovernáveis ) “Então vais escrever um artigo a defender os ciganos? Não te metas nisso!” Pessoas próximas avisam-me, mesmo sabendo que um aviso destes costuma ser incentivo para eu avançar. Mostrei a alguém só este título, de resposta recebi uma exclamação: “que exagero!”. Avanço com ainda mais motivação, mas aviso desde já que o texto não vai ser curto. Dado o assunto em causa, sou apenas forçado a fazer um pequeno preâmbulo, e aproveito esta publicação para não ter de o fazer mais vezes. Preâmbulo: a lei é igual para todos, todos somos iguais diante da lei e a lei deve ser aplicada indiscriminadamente. “Ah, mas há problemas na comunidade cigana” – certo, mas há problemas em todas as comunidades, incluindo Portugal enquanto comunidade. Quem já estudou ou trabalhou na Europa Central e do Norte sabe como podem ser vistos os portugueses – e por vezes basta apenas lá passar de visita. Não é só o então presidente do Eurogrupo Dijsselbloem a dizer que os portugue...

onde nasce o Fado

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- - - É nas ruas, nas tabernas e nos bordeis que o Fado parece nascer, espontaneamente, como nascem certas flôres nos charcos: a Pontederia crassula , por exemplo, que é uma linda flor azul. - - in "A Triste Canção do Sul", de Alberto Pimentel (1904)

a história do Fado na Mouraria

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Tia Macheta (canta Berta Cardoso) O amante não aparecera, Triste Severa, Sempre fiel, Chamou a tia Macheta, Velha alcoveta, P’ra saber dele. A velha pegou nas cartas Sebentas fartas De mãos tão sujas E antes de as embaralhar Pôs-se a grasnar Como as corujas. Ele não vem, minha filha, di-lo a espadilha, há maus agoiros. Há também uma viagem, Um personagem A dama d’oiros. Este conde é o meu fraco, Tome um pataco Tia Macheta. A velha guardou as cartas De sebo fartas Sob a roupeta. Caíram três badaladas Fortes, pesadas, Três irmãs gémeas; Cá fora nos portais frios Cantam vadios Feias blasfemas. O fidalgo não voltou, Severa o esperou Até ser dia. E desde essa noite, é que existe O fado triste da Mouraria.