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Como sobreviver à confusão das narrativas

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(também publicado no Substack ) Quantas vezes já nos aconteceu pegar no telemóvel para fazer uma tarefa e, distraídos por outras notificações, esquecemo-nos daquilo que íamos fazer? Passado um pouco, guardamos o telemóvel sem lembrar o propósito original de o ter ido buscar. O permanente estado de distracção faz parte do nosso dia-a-dia. A informação não é um bem escasso: há muita, cada vez mais, e pode ser detida por muita gente ao mesmo tempo. O que é um bem escasso – e por isso tem valor económico – é a nossa atenção. E o valor económico deste bem escasso não corresponde necessariamente ao valor moral que tem a boa informação. Aliás, a boa informação tende a ocupar um espaço cada vez mais reduzido da nossa atenção. Este é um dos dramas do nosso tempo: a tabloidização das notícias compensa, os escândalos dão mais cliques do que os acordos, o insulto vale mais do que o elogio, e os produtos que consumimos nas redes geram em nós sentimentos de revolta, de ira e de injustiça.   ...