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domingo, 31 de outubro de 2010

como contar a história do candidato




Eu venho de uma longa linhagem de lenhadores - começa o vídeo enquanto o candidato sobe para o tronco de uma árvore já sem ramos e começa a balançar o machado. - Sempre fui rápido a tirar um grande pedaço de madeira, e estou preparado para cortar a despesa excessiva que há em Washington. - E Sean Duffy conclui: - "I'll bring the axe to Washington", Vou trazer o machado para Washington. (NY Times)

Sean Duffy é o candidato republicano ao Congresso pelo 7º distrito do Estado do Wisconsin. O Wisconsin tinha uma tradição republicana enraizada, mas nos últimos 18 anos votou maioritariamente democrata. Sean Duffy pode ajudar o Partido Republicano (GOP) a recuperar o Wisconsin, tal como se prevê nas próximas eleições.

Duas características das campanhas eleitorais é que deve apresentar a história do candidato de forma coerente, por um lado, e conectar emocionalmente com os valores do eleitorado, pelo mesmo lado. Só assim é que se ganha a atenção das pessoas, e a partir daí podem-se apresentar as propostas políticas, que então talvez sejam ouvidas.

Este candidato conseguiu apresentar a sua história - é lenhador a advogado, filho de lenhadores, e orgulha-se das suas origens. Ele veste uma camisa de flanela aos quadrados e usa o machado, incorporando completamente o seu personagem, o que lhe dá autenticidade e credibilidade. Só usa o fato e a gravata quando é preciso, e não quer parecer ser aquilo que não é.

Conectou emocionalmente com os valores culturais e políticos do eleitorado - o Wisconsin é terra de lenhadores como ele, profissão respeitável e cheia de influência no vocabulário do dia-a-dia e nos jogos tradicionais. Para além disso, o Wisconsin era como vimos um bastião republicano à espera de ser novamente seduzido pelos republicanos da terra. Sean Duffy é católico e uma das figuras que representa o movimento dos católicos americanos mais jovens que se deslocaram cerca de 15% da esquerda para a direita desde a eleição de Obama até hoje, quando os republicanos levam perto de 6% de vantagem entre os crentes desta religião.

Finalmente, Duffy apresentou propostas e apostou na Internet para espalhar melhor a sua mensagem através de vídeos originais. Até à semana passada, ele tinha 6 vezes mais vídeos no seu canal de Youtube que a candidata democrata, Julie Lassa, talvez adormecida pelos 18 anos de poder do seu partido. Os eleitores gostam que os políticos façam tudo o que puderem pelo seu voto, e por isso a dinâmica numa campanha é crucial. "I'll bring the axe to Washington" é um bom slogan porque faz 3 em 1: fala da história do candidato, conecta com os valores do eleitorado, e dá uma direcção política à mensagem. Este slogan é um grande sound bite, porque tem bom som e morde, isto é, a sua representatividade, originalidade e música faz com que estas palavras sejam repetidas pelas pessoas na rua e em suas casa. Um óptimo indicador que a campanha está a correr bem é quando as pessoas usam as nossas palavras e as tornam suas também. Melhor ainda é quando o adversário não consegue competir com a efectividade das nossas palavras. Por isso é que este é mais que um simples slogan de candidatura; tornou-se o mantra de toda a campanha.

Podemos acompanhar a recta final da campanha de Sean Duffy através de várias plataformas da Internet: no site oficial, no dos voluntários da sua campanha, no facebook, twitter, Youtube... e todos estes canais são apenas o mínimo que qualquer campanha eleitoral moderna deve contemplar na sua estratégia. Sim, estratégia. Porque sem uma estratégia fundamentada, nada feito. Mas disso falaremos melhor depois, noutro postal.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

is it still a simple ad?

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Excelente anúncio do novo Mercedes SLS AMG, uma obra de arte, cheio de suspense, técnicos, banda sonora, paisagens e pormenores de tecnologia e design espectaculares. Quem guia é Schumacher, mas acabamos por ser nós a guiar. É que o mais impressionante é o pós-anúncio, com os botões interactivos nos sucessivos vídeos do Youtube, que nos levam afazer escolhas (e escolher é poder) e a tomar a experiência como própria. Muito bem filmado e concebido. Rendo-me. Comunicação de luxo.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

o admirável mundo wordle

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Wordle é um instrumento gratuito que nos permite ver as palavras mais presentes num texto que escrevemos ou analisamos. Pode ser interessante fazer um wordle de discursos políticos, de textos maçadores que nos dão, ou até dos nossos próprios escritos. A imagem de cima, por exemplo, é a nuvem de palavras utilizadas em "a nova comunicação: de linear a hipertextual". Fazer uma nuvem destas não podia ser mais simples, basta apenas copiar o texto que queremos, colá-lo na página do wordle, e a geringonça trabalha sozinha. Experimentem!
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Acrescento: Ángela Paloma Martín, que também teve aulas com o Professor José Luis Orihuela, partilha aqui do mesmo fascínio pelo wordle.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

a nova comunicação: de linear a hipertextual

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Hoje falo sobre um dos novos paradigmas da comunicação: "de linear, a comunicação passou a ser hipertextual". Mas antes, explico o porquê deste exercício.
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Estou neste momento numa aula de Nuevos Medios, que faz parte do Mestrado em Comunicação Política e Corporativa (MCPC), da Universidade de Navarra, onde curso. O Professor desta cadeira é argentino, chama-se José Luis Orihuela, e a sua proposta é que façamos um pequeno ensaio sobre um dos novos paradigmas da comunicação. É, pois, disto que este post se trata.
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"De linear, a comunicação passou a ser hipertextual", diz o autor. Como vemos na maior parte dos textos publicados em páginas web, o hyperlink está na moda. Tradicionalmente (nos livros, jornais, revistas...), o texto é uma sequência de palavras e ideias meticulosamente construídas, de uma forma linear e que tenta ser coerente. No entanto, não é assim que funciona a nossa mente. Basta repararmos nas conversas mais descontraídas que temos com os nossos amigos, em que saltamos de assunto para assunto sem esgotar os temas nem chegar a conclusão alguma. Ao conversarmos, estamos constantemente a "hiperlinkar".
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Há quem diga que Francis Bacon não tinha jeito para escrever, só para pensar; e se ninguém o disse, digo-o eu, porque é especulável e neste momento dá-me jeito. Explico-me. Não há qualquer dúvida que algumas das passagens literárias mais bonitas da Filosofia Política são da autoria de Bacon, autor que tinha uma habilidade enorme para produzir belas metáforas e assim ilustrar melhor o seu pensamento filosófico, usando os mais diversos recursos estilísticos com um fino sentido poético. Mas, na realidade, não sabemos se Bacon escrevia bem ou mal, porque pouco ou nada se conhece de escrito pelo seu próprio punho: era um secretário que anotava tudo, enquanto Francis dava voltas pelo jardim, soltando ideias para a atmosfera. Vidas boas...
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O que quero provar com este exemplo de há quatro séculos atrás é que não é necessária a velha forma de tecer um texto (porque um texto é um tecido) para sermos geniais. Basta escrevermos como pensamos, e hoje a internet permite-nos tal aventura. Mas... como nos ensina a sabedoria popular, "não há bela sem senão", e toda a aventura comporta riscos.
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O que é a comunicação hipertextual? É simplesmente poder escrever um texto e ligá-lo a qualquer outro texto, som, vídeo ou imagem que esteja disponível na Internet. Mas este modelo exige novas destrezas, quer para quem escreve, quer para quem lê. Para quem escreve, há que aprender a articular o texto com ideias, citações e links pertinentes, que possibilite ao leitor uma consulta fácil, mas ao mesmo tempo tentar que o texto escrito não perca a sua unidade. Para quem lê, é necessário um esforço maior para chegar ao fim, como aliás nota J.L.O. no seu texto.
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O grande risco da comunicação hipertextual é que, ao olhar para um texto assim, a coerência do tecido pode perder-se pelo caminho. Se me leu até aqui sem se perder pelos links que pus pelo caminho, autênticas armadilhas para o mais incauto, então muitos parabéns! Está preparado para enfrentar a comunicação do século XXI.
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* houve entretanto um pequeno promenor alterado no texto (veja-se a caixa de comentários)
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