Mostrar mensagens com a etiqueta Ribatejo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ribatejo. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
vinhos Areias Gordas na RTP
Etiquetas:
Areias Gordas,
Portugal,
Ribatejo,
RTP,
vinho
a vida é um desempate permanente
(originalmente publicado no Jacaré)
![]() |
| Postal antigo alusivo aos Campinos |
As grandes searas da campina, embora desafiem as alentejanas, não lhes levam a palma. Mas o toiro que irrompe do curro, negro e luzidio, e o cavalo que o espera, nédio e nervoso entre as esporas do cavaleiro, esses não temem confronto e são o produto específico da terra ribatejana. Só nela o puro-sangue pode encontrar o seu húmus, a virgindade dum solo que um deus ainda visita e fecunda. Ele e o homem que o domina, não em luta desigual e traiçoeira, mas saltando-lhe para o lombo indomado ou recebendo-lhe a marrada impetuosa e cega no peito. Na articulação dos três lados do triângulo – campino, cavalo e toiro – conjugam-se as últimas forças viris que restam a Portugal dos tempos livres da Criação, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou.
As sociedades protectoras de animais quadrúpedes e bípedes têm-se esforçado por negar à vida a legítima afirmação das suas leis profundas. O instinto, porém, protesta ainda. E homens e bichos, irmanados no mesmo ardor que ele desperta, encontram-se dia a dia nos terreiros que o sol da razão não ilumina. Ora, é no Ribatejo o sítio do mundo onde esse embate é mais belo e natural.
A luta, ali, não é para servir nenhum senhor, ou distrair a atenção inquietante das massas. É um lúdico acto de coragem, alegre e soalheiro. Por sentir que o combate que vai travar não é um fruto do rancor mas o desabrochar de uma espontânea solicitação, o campino veste-se de garridos trajes, ergue na mão um pampilho, o ceptro da sua majestade, o símbolo duma grandeza feita de graça e valentia e, quando soa na praça o clarim da refrega, é assim vistoso e confiado que ele se expõe. E chama festa brava à lide gloriosa!
O toureiro português, ribatejano, é a prova de que nem tudo no homem é cobardia de açougue, mistificação vegetariana. A vida é um desempate permanente e o que é preciso é jogar com limpeza e formosura em cada número de caprichosa roleta.
Dos lastimáveis defeitos do português, o mais feio é certamente a manha sorna de ter sempre na manga do casaco um baralho falsificado, uma navalha de ponta e mola, uma pistola de cinco tiros, um porrete erguido por detrás de uma bouça, uma aleivosia diabolicamente maquinada. Há ainda no resto do País vestígios de uma sinceridade virginal que a casuística não conseguiu corromper. Mas, inculta e perdida nos boqueirões das serras, exprime-se, nos seus momentos de desvairo, com a bruteza dos brutos.
No Ribatejo, porém, às portas da capital, o campino pode dar largas aos seus impulsos sem ferir o semelhante. A natureza conservou-lhe esse dom. O seu colete encarnado é uma mancha quente de sangue e de alegria a atrair a fúria dos bisontes. Num gesto voluntário de puro risco, a força humana lança o desafio, possessa do gosto sensual de viver ou de morrer em beleza no meio de um cenário aberto, fresco e generoso. E é bonito vê-la triunfar, dominar, e marcar a fera com a brasa da coragem que a venceu.
~ Miguel Torga (1907-1995), in "Portugal" (1950), págs. 107-9
Etiquetas:
JPVM,
literatura,
Miguel Torga,
Portugal,
Ribatejo,
tauromaquia,
valores
domingo, 21 de janeiro de 2018
12 leituras de Verão
(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 8 de Julho de 2017)
Todos os anos por esta altura, vou à minha biblioteca e selecciono alguns livros para me acompanharem durante as férias. É nas férias que mais gozo me dá ler, de preferência com sossego e diante duma paisagem agradável. Os livros que escolhi para este Verão de 2017 são os seguintes:
Todos os anos por esta altura, vou à minha biblioteca e selecciono alguns livros para me acompanharem durante as férias. É nas férias que mais gozo me dá ler, de preferência com sossego e diante duma paisagem agradável. Os livros que escolhi para este Verão de 2017 são os seguintes:
| As minhas leituras para o Verão de 2017 |
- “Uma horta em casa” de Isabel Maria Mourão e Miguel Maria Brito (2015)
- “O culto do chá” de Wenceslau de Moraes (1905)
- “茶经 - O clássico do chá ilustrado” enciclopédia de vários autores (2015)
- “Toda a China” (2 volumes) de António Graça de Abreu (2013)
- “Cancioneiro do Ribatejo” de Alves Redol (1950)
- “O romance de Amadis” de Afonso Lopes Vieira (1923)
- “The White Castle” de Orhan Pamuk (1985)
- “Rationalism in politics and other essays” de Michael Oakeshott (1962)
- “Cartas para El-Rei D. Manuel I” de Afonso de Albuquerque (Ed. 1957)
- “A mensagem de Fátima” de Leonor de Sousa Mendes e Manuel Vieira da Cruz, ilustrações de Júlio Gil (2016)
- “Uma carta para Garcia” de Elbert Hubbard (1899)
Espero com estes livros: inspirar-me para a pequena horta que faremos em casa; mergulhar na cultura do chá, no Japão e na China; descobrir os cantares do meu Ribatejo; lembrar as virtudes cavalheirescas do tempo medieval; avançar para o renascimento, viajando pelo Mediterrâneo e pelo Império Otomano, bem como pelo Índico e o Império Português; celebrar o centenário das aparições de Fátima e reviver a sua mensagem; juntar-me a Oakeshott na sua crítica ao racionalismo exacerbado; e, no último dia de férias, preparar-me para mais um ano de trabalho com a mesma motivação com que o então capitão Andrew Summers Rowan levou a carta a Garcia.
Etiquetas:
Afonso Lopes Vieira,
Alves Redol,
chá,
China,
Elbert Hubbard,
Fátima,
império Português,
Japão,
JPVM,
Oakeshott,
Orhan Pamuk,
Portugal,
racionalismo,
Ribatejo,
Turquia,
Wenceslau de Moraes
domingo, 25 de janeiro de 2009
prepara-se o debate monárquico
-
Soube pel'O Ribatejo (ver "fontes de sabedoria") que a Causa Monárquica se assumiu ontem em Santarém como um movimento político que coordenará uma estratégia política que traga maior intervenção pública dos monárquicos portugueses.
Soube pel'O Ribatejo (ver "fontes de sabedoria") que a Causa Monárquica se assumiu ontem em Santarém como um movimento político que coordenará uma estratégia política que traga maior intervenção pública dos monárquicos portugueses.-
Estes esforços têm em vista a preparação de um referendo que sonde se os portugueses querem um Chefe de Estado Real ou Presidencial, em ambos os casos não abdicando da democracia.
-
A Causa Real é o orgão que federa as várias Reais Associações de Portugal, e é presidida por Paulo Teixeira Pinto, conselheiro de D. Duarte.
-
Talvez agora o debate monárquico volte a ter eco na sociedade portuguesa, e A Conspiração das Teorias promete contribuir para esse debate, nem que seja com algumas propostas que irão certamente confundir ainda mais os argumentos de ambas as partes.
-
Os postais conspirativos referentes ao assunto serão ilustrados pela bandeira que Portugal envergou entre 1495 e 1557, quando a coroa ainda era aberta ao Céu.
-
Etiquetas:
bandeira,
Causa Real,
Céu,
D. João III,
D. Manuel I,
debate monárquico,
Europa,
Portugal,
presidência,
realeza,
Ribatejo,
Santarém
Subscrever:
Mensagens (Atom)
