Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de maio de 2026

A história da Migrant Mother

"Migrant Mother" (1936), de Dorothea Lange
 

    Esta fotografia foi captada em Nipomo, Califórnia, e é o grande símbolo da Grande Depressão americana. No entanto, ainda hoje as políticas do New Deal dividem os economistas: uns defendem que o New Deal foi o conjunto de medidas que relançaram o crescimento económico norte-americano, outros defendem que estas políticas apenas prolongaram e agravaram a crise. Como vemos pela data da fotografia, ela dá-se sete anos depois do crash da Bolsa de Nova Iorque e três anos depois do início das políticas do New Deal.

A história da Afghan Girl

“Afghan Girl” (1984), de Steve McCurry

    Foi a capa da National Geographic em Junho de 1985. Mostra Sharbat Gula, uma rapariga pashtun então com 12 anos, que vivia no campo de Nasir Bagh (Peshawar, Paquistão) entre cerca de 100 mil refugiados afegãos. Com a intervenção da NATO no Afeganistão e afastamento dos Taliban, Sharbat Gula e outros refugiados voltaram ao seu país e o campo onde viviam fechou em 2002. Em 2021 a NATO retirou as forças militares do Afeganistão e os Taliban retomaram o poder. Com o regresso dos Taliban, a vida de Sharbat Gula foi ameaçada e ela teve novamente de sair do país. Vive em Itália desde então, outra vez como refugiada. Passados quarenta anos desta fotografia, as raparigas e mulheres afegãs ainda vivem hoje com graves limitações no acesso à educação, ao mercado de trabalho, e à liberdade de uma vida digna.

A história do Roaring Lion

“The Roaring Lion” (1941), de Yousuf Karsh

    "The Roaring Lion" é uma célebre fotografia de Winston Churchill no Parlamento do Canadá, apenas três semanas depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Depois do discurso “Some chicken, some neck” aos deputados canadianos, Churchill foi levado pelo Primeiro-Ministro anfitrião Mackenzie King até uma sala onde os esperava o fotógrafo Yousuf Karsh. Churchill não gostava nada de fotografias e estava aborrecido por ter sido apanhado naquela situação sem querer. Mais zangado ficou quando Karsh lhe pediu para pousar o charuto para que o fumo não interferisse com a imagem. O Primeiro-Ministro britânico recusou-se. Então, Karsh aproximou-se rapidamente de Churchill e tirou-lhe o charuto da boca enquanto dizia “forgive me, Sir” com toda a naturalidade. Quando voltou para trás da câmera, o fotógrafo observou que Churchill tinha uma cara de confronto e um olhar tão feroz, tão beligerante que quase o poderia devorar. Logo após tirar a fotografia, Churchill disse “tu até consegues fazer com que um leão que ruge fique quieto para a fotografia”. É por isso que esta fotografia ficou para a História conhecida por “The Roaring Lion”. Foi capa da revista Life e está – por enquanto – em todas as notas de 5£, além de ilustrar inúmeros selos, postais e canecas.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Fungos, musgos e líquenes

Uma das coisas mais fascinantes após as primeiras chuvas do Outono é o aparecimento de vários tipos de cogumelos, outros fungos, líquenes e musgos. Embora alguns não sejam para comer, todos são bons para fotografar. Aqui está uma pequena selecção:



domingo, 21 de janeiro de 2018

Impressões de uma viagem à província de Fujian 福建 - (VI)

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 25 de Setembro de 2017)

Padrões de janelas em Gulang Yu 鼓浪屿 e Quanzhou 泉州, na província de Fujian 福建, China 中国.

sábado, 4 de outubro de 2014

grandes fotografias políticas (V)

Anteontem, Narendra Modi começou uma campanha para modernizar o sistema sanitário na Índia. Foi a varrer as ruas de Nova Deli que o Primeiro-Ministro passou a mensagem.

Primeiro-Ministro Modi a limpar as ruas da capital Indiana


Depois de ter lançado a campanha Make in India, convidando Indianos e Estrangeiros a investir na Índia, Narendra Modi lança agora a campanha My Clean India com uma vassoura nas mãos. A Índia enfrenta assim a poluição urbana e os conhecidos atrasos sanitários, desagradáveis pelo cheiro mas sobretudo graves pela transmissão de doenças. Um relatório das Nações Unidas em Maio indicava que cerca de metade dos Indianos defeca na rua, levando à propagação de doenças como a cólera, diarreia, disenteria, hepatite A e tifóide.

Pegar na vassoura e dar o exemplo foi sem dúvida a melhor forma de passar a mensagem e inspirar outros a fazer o mesmo.


-------
Artigos relacionados:

segunda-feira, 20 de junho de 2011

5 razões porque Fernando Nobre não foi eleito Presidente da AR


  • Fernando Nobre insistiu em arrastar a sua candidatura a Presidente da Assembleia da República (AR) para votos, quando não tinha condições de vitória. Só o PSD, com 108 deputados, apoiava a sua candidatura que precisava de uma maioria de 116 deputados. E no fim de contas, nem sequer todos os deputados do PSD votaram em Fernando Nobre, que teve 106 votos na 1ª volta e 105 na 2ª volta. O voto era secreto.

  • Pedro Passos Coelho quis honrar o seu compromisso quando tudo e todos o aconselhavam a não o fazer.

  • Paulo Portas e o CDS quiseram fazer uma demonstração de poder. Quiseram mostrar, logo no princípio desta coligação, como o CDS é essencial ao PSD para passar as leis na AR, e que sem eles concordarem minimamente com cada proposta política, nada feito.

  • O PS preferiu o voto de vingança das eleições presidenciais a cumprir o implícito acordo de cavalheiros que havia sobre a Presidência da AR. Por um lado é triste que a este nível se tomem decisões por rancor, mas por outro lado ainda bem que o 2º cargo da hierarquia do Estado Português não vai ser ocupado por um maçon - até ver. E não deixa de ser irónico que tenha sido o PS a impedi-lo.

  • A CDU e o BE portaram-se como se esperava, pois onde houver instabilidade para provocar, aí estarão eles.


Fernando Nobre esteve sozinho durante todo o processo da sua humilhação pública. Nos intervalos das votações no Parlamento, até os deputados do PSD o deixaram só, como vemos na fotografia. A excepção foi Paula Teixeira da Cruz, a próxima Ministra da Justiça, que foi solidária e teve o bonito gesto de estar ao lado de Fernando Nobre em alturas que ninguém mais quis estar por perto e arriscar uma fotografia com o derrotado. A outra excepção foi Miguel Macedo, o próximo Ministro da Administração Interna, que dirigiu palavras públicas de apreço a Fernando Nobre, seguido de aplauso de pé de quase toda a bancada do PSD e silêncio sentado por parte das restantes bancadas.

Fernando Nobre desistiu da sua candidatura. Aguarda-se que amanhã às 16h00m o PSD proponha um novo nome para a Presidência da AR, que provavelmente será o de Guilherme Silva, histórico deputado madeirense.

A lição que se tira de tudo isto é que ninguém se deve candidatar a Presidente da AR como Fernando Nobre prematuramente fez, durante a campanha eleitoral. A sua candidatura deu votos ao partido? Talvez alguns. Mas também lhe deu a sua primeira derrota política, antes ainda de o novo Governo ter tomado posse.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

grandes fotografias políticas (IV)



Para além da expressão nas caras, o que têm estes políticos em comum?

Têm em comum que traíram as suas mulheres, tentaram esconder os seus comportamentos, e mentiram ao povo. Negaram primeiro, inventaram alibis e mentiram. Enfrentaram processos para serem demitidos. Finalmente, só perante a certeza das provas apresentadas das suas infidelidades e perante o mais que provável fim da carreira política, apresentaram desculpas públicas às suas mulheres e aos eleitores.

Da direita para a esquerda e de cima para baixo: Anthony Weiner (Congressista de Nova Iorque), James McGreevey (ex-Governador de Nova Jérsia), Eliot Spitzer (ex-Governador de Nova Iorque), John Ensign (ex-Senador do Nevada), Bill Clinton (ex-Presidente dos EUA), e Eric Massa (ex-Congressista de Nova Iorque).

A expressão em todas estas caras exibe culpa, vergonha, tristeza e desapontamento face às circunstâncias. Mais que isso, há neles desgosto e raiva por verem uma carreira que tanto trabalho lhes deu a construir, cair na lama assim de repente. O desgosto dá lugar à vergonha, que dá lugar ao arrependimento. Desistem enfim, da vida pública, e retiram-se para a vida privada e lutar pela família. As luzes do poder deixam de ser a obsessão. A obsessão passa a ser o medo da vida solitária. É nestas alturas que o político dá o devido valor à família, ele humilha-se e diz que a mulher não merecia isto, mas que o aceite ainda assim.


Também o actor e ex-Governador da Califórnia que obrigou todo o mundo a conhecer o seu complicado nome, Arnold Schwarzenegger, exibe aqui uma expressão parecida. Recentemente anunciou a sua separação de Maria Shriver, sobrinha de John F. Kennedy, e confessou que tinha uma filha fruto de uma relação extra-conjugal com a sua empregada de há 20 anos.

Tudo isto se passa nos Estados Unidos da América, num país puritano e com uma ética religiosa (ainda protestante) muito exigente. E cá na Europa, como é?


Deste lado do Atlântico as coisas são muito diferentes. A integridade moral de um político não conta tanto. Até pode ser um trunfo. Silvio Berlusconi que o diga.

Já o francês Dominique Strauss-Khan, ex-director geral do FMI, esqueceu-se por momentos que estava do lado de lá do oceano. Cá na Europa, ele nunca seria tratado da maneira que foi em Nova Iorque, preso e algemado como outro criminoso qualquer, metido numa prisão normalíssima e levado a tribunal com a barba por fazer. Lá, a justiça humana funciona, igual para todos. Cá fazemos os nossos arranjinhos para amigos e influentes, e deixamos a justiça para Deus. Depois descuramos da justiça e não ligamos a Deus.


É impressionante como as fotografias falam. Nem sequer era preciso texto.

-------

Artigos relacionados:

domingo, 22 de maio de 2011

grandes fotografias políticas (III)



Dia 20 de Abril de 2007. Era o último dia da campanha eleitoral para eleger o novo Presidente da República Francesa. O conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal eram os favoritos para passar à segunda volta, e disputar a sucessão do presidente Jacques Chirac. Na altura, ambos estão próximos nas sondagens.

Lembra-se onde é que Ségolène Royal passou o seu último dia de campanha? Eu não. Provavelmente fez umas arruadas, esteve num jantar com muitos militantes e alguns VIP's, e encerrou a campanha com o típico comício cheio de discursos inflamados e gente com bandeirinhas. O costume. Mas Nicolas Sarkozy não fez nada disso. Antes escolheu ir aos pântanos da Camarga, no sul de França, tirar umas fotografias montado num cavalo branco. Algumas destas fotografias percorreram mundo e são memoráveis.

Contrastando com a feminilidade e beleza de Ségolène, Sarkozy quer mostrar-se viril, montando o cavalo branco entre os touros. Mas temos mais. Temos uma clara referência a Napoleão Bonaparte, cuja figura é lembrada nesta célebre pintura de Jacques-Louis David: Napoleão cruzando os Alpes, também vestido de encarnado e montando um cavalo branco. Nicolas Sarkozy, com esta fotografia, conseguiu convencer os franceses que seria o próximo presidente de todos eles, e o único capaz de devolver ao país a grandeza de outros tempos. Sarkozy não só falou sobre a sua mensagem; Sarkozy vestiu a sua mensagem e tornou-se ele próprio a mensagem. Depois de passarem à segunda volta, Ségolène Royal teve 46,9% dos votos e Nicolas Sarkozy alcançou o Eliseu com 53,1%.

Quando os políticos são a mensagem que querem transmitir, então acontecem grandes fotografias políticas como esta.

---------

Artigos relacionados:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

grandes fotografias políticas (II)


As 2 fotografias de hoje tratam de mostrar 2 tentativas de divinizar o líder político. Como se costuma dizer, são imagens que valem mais que mil palavras.

Na primeira fotografia temos um Barack Obama com auréola, em perfeito estado de santidade. O selo presidencial que está por trás, desfocado, contrasta com um presidente pensativo, de ar grave e sério. No seu cansaço, "Santo Obama" quase parece um mártir, enquanto assume uma vez mais o papel de conciliador e árbitro na cena internacional, reflectindo sobre a actual situação do Egipto. A fotografia é de dia 1 de Fevereiro e ilustra esta notícia da Agência Reuters.

Nesta segunda fotografia, temos o presidente russo Dimitry Medvedev emoldurado pela hierarquia da Igreja Ortodoxa Russa. Medvedev aparece no centro da Igreja Ortodoxa, porque assim tenta ser a sua política (recorde-se que 74 anos de comunismo não conseguiram destruir o cristianismo na Rússia, que o Estado agora volta a acarinhar). E Medvedev aparece na fotografia à frente porque é o líder, enquanto que os demais, atrás, apoiam e seguem o seu presidente. A fotografia foi tirada hoje em Moscovo, no Kremlin, a propósito de uma reunião para reforçar a cooperação entre o Estado e a Igreja.

Já na Europa Ocidental continental, há um grande cuidado em separar a Política da Religião, seja devido a complexos de reconhecer as nossas origens religiosas e culturais, seja por causa do jacobinismo público e manifesto de certos "arquitectos" do politicamente correcto. A questão das fronteiras e áreas comuns entre a Política e a Religião fica para outro dia, mas aqui interessa recordar a muito recente campanha presidencial portuguesa.

As campanhas eleitorais também são feitas de sugestões, falam com emoção e razão, para o coração e para a cabeça do eleitor, transmitem algumas mensagens claras, mas também outras que se insinuam só para registo do subconsciente do votante.

A campanha de Cavaco Silva, não abordando directamente a questão religiosa, viu-se várias vezes obrigada a sugerir a religiosidade do candidato para tentar convencer algum eleitorado católico desiludido. Podemos ver isso, por exemplo, neste tempo de antena transmitido na TV, nomeadamente entre os 2m30s e os 2m40s: várias pessoas dizem em conjunto que vão votar Cavaco Silva, num tom e ritmo que insinua que podiam estar a rezar... e este é apenas um exemplo entre muitos que podemos encontrar na sua campanha.

Desta série, ver também: grandes fotografias políticas (I).


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

grandes fotografias políticas (I)

-
David Cameron, Primeiro-Ministro britânico, a começar o dia com uma tosta enquanto lê as notícias matinais no seu iPad. Simplicidade no compromisso. Começar o dia alimentando o corpo e a mente. O domínio tecnológico e o glamour do poder, para inglês ver. A grande força desta fotografia (além da evidente qualidade no aproveitamento da luz), é que mostra um político apaixonado pelo seu trabalho.
-
É difícil eu gostar de uma fotografia de um político a jogar golfe, por exemplo, como as equipas de comunicação de Obama ou Bush insistiam em tirar. Porquê? Porque essas imagens podem ser usadas pelos adversários contra eles: "está fora da realidade"; "anda praticando desportos de gente rica, esquecendo-se da gente pobre"; "nem sequer sabe pegar no taco, tal como não soube pegar no País", etc., e por aí fora. Claro que o cenário seria pior ainda se o golfista fosse Sócrates ou Zapatero, pois nos Estados Unidos o golfe é um desporto nacional e na Europa continental o golfe é uma prática bastante mais elitista.
-
Este retrato de David Cameron não tem pontos negativos nem ambíguos por onde os adversários possam pegar, apenas mostra um Primeiro-Ministro trabalhando com gosto à mesa do pequeno-almoço. Porque acima de tudo, ele foi eleito é para trabalhar. Ou pelo menos, é essa a cultura do seu país.
-

quarta-feira, 16 de junho de 2010

as mãos de Merkel

Ter as mãos à vista é um sinal de transparência. Para além disso, dizem os especialistas que quem mostra ocasionalmente as suas palmas, transmite mais confiança. Isto para a cultura ocidental, porque por exemplo no mundo árabe, mostrar as palmas das mãos pode ter outro significado, chegando até a ser considerado uma ofensa. É portanto uma questão cultural, e que depende também da audiência que temos em frente e da circunstância. Quem põe as mãos nos bolsos ou atrás das costas, transmite sem querer que está a esconder algo, e por isso deve tê-las sempre à mostra para comunicar melhor. Os políticos não duvidam que a sua postura representa muito na nossa memória quando nos lembramos deles, e por isso treinam estes gestos vezes sem conta, até que pareça natural. Angela Merkel, por exemplo, gosta de aparecer com as mãos nesta posição. Neste caso, o que está Angie a querer comunicar?
-