Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Brasil

As Cortes na República

Imagem
(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 1 de Junho de 2017) Vejo várias vantagens na monarquia. Mas o que eu menos gosto nas monarquias é da Corte no seu pior sentido, entendendo-a como aquele conjunto de pessoas que rodeiam o  monarca  para obter privilégios e poder sobre os demais. Os snobs , sem nobreza, ostentam títulos e  buscam  outras formas de poder como um fim em si mesmo; já os nobres, mesmo quando sem título, reconhecem que o poder de que dispõem não é verdadeiramente seu e que deve ser posto ao serviço do Bem Comum em geral e do próximo em  concreto . Cortes Constituintes  Vintistas  (1820) Custa-me ver que tantas repúblicas e republicanos convictos acabaram com tantas tradições boas e úteis da realeza ao mesmo tempo que reforçaram o seu pior defeito: a Corte.  No posto dos pequeninos adula dores passámos a ter lugar cativo para vários grupos de pressão  muito mais brutos , num esquema client...

a brasileira da campanha do PSD

Imagem
Alessandra Augusta é esta mulher que vemos na fotografia. É brasileira e foi contratada pelo PSD para fazer esta última campanha eleitoral. Antes disso, tinha feito algumas eleições locais no Brasil. Alessandra foi atacada por todos os lados, mas continuou discretamente o seu trabalho. Alguns dos ataques até vieram de dentro, de consultores nitidamente aborrecidos por não estarem no seu lugar. Coisa feia, e o algodão não engana. Hoje, a responsável pelo marketing da campanha do PSD vem dar uma entrevista ao jornal Sol , de onde tiro apenas esta sua resposta: Tentou modelar Passos Coelho? Não. O que se fez foi potenciar o que ele tinha de bom. O mais interessante desta campanha é que o ‘não-marketing’ foi o grande marketing. Não trabalhámos Passos Coelho e deixámo-lo o mais natural possível. Porque é um candidato consistente, ainda que pouco conhecido. Mas, ao mesmo tempo, tínhamos outros dois candidatos, Sócrates e Portas, que eram excessivamente marketing. Eram sound-bytes demais. Ess...

experiências...

Imagem
- - Há quanto tempo! Por onde tens andado? - Estive a fazer voluntariado. Decidi viver um ano na Rocinha, que é a maior favela do Rio... - De Janeiro? - ... até Dezembro. - Hum, sim. Interessante. E que tal foi a experiência? - Foi má. - Má?? Como podes estar um ano num sítio e a experiência ser má? -

os portugueses emigrados são os que se ficaram

Imagem
- - Para dizer tudo numa palavra, Portugal, para os verdadeiros portugueses, se tornava um país inabitável. Ao contrário da denominação histórica que se tornou corrente, os verdadeiros estranjeirados eram realmente os que, ficando em Portugal, serviam o poder; os outros, os que emigravam o mais que podiam, esses eram os reais portugueses, os portugueses tradicionalistas, os portugueses; que preferiam todos os incómodos de um exílio à dor de viver numa pátria que, de sua, só tinha o elemento material de céu, terra e mar. - in "Reflexão à margem da literatura portuguesa", de Agostinho da Silva

os dois noivos que a vida separou

Imagem
- Galiza, Catalunha, Navarra, Andaluzia, Bascos, Levantinos, ao correr da história, pouco mais do que escravos de escravos: porque escravidão, no fim de contas, pelo que respeita a degradação humana, age para os dois lados, para o lado do opressor e para o lado do oprimido. Com uma grande vantagem a favor das regiões periféricas: é que, vencidas, jamais se submeteram; e, no momento oportuno, se poderão comportar como nações livres [livres, do centralismo castelhano] que jamais renegaram a sua liberdade e jamais, abandonando seus mortos, desistiram da luta. E aqui, ao que me parece, se insere a grande façanha de Portugal. O que Portugal fez de maior no mundo não foi nem o descobrimento, nem a conquista, nem a formação de nações ultramarinas: foi o ter resistido a Castela. O ter mantido, através de sangue e fogo, o princípio de independência dos territórios periféricos. E o ter mostrado, naquilo que cabia em suas forças, e mais do que isso, porque verdadeira história só se faz assim, naq...