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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

a família unida - um valor a defender

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(...)
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O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
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(...)
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in "Parábola dos Sete Vimes", de Trindade Coelho (1861-1908).
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

felicidade triste

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Quem inventou que triste não é feliz? Quem não é feliz é infeliz, que é muito diferente de se ser triste! A tristeza, por exemplo, costuma até ser bela - coisa que a infelicidade nunca é. Qualquer português pode e deve ser feliz, mas... sendo português, nunca deixará de ser triste. É uma e outra coisa, sem prejuízo para ambas. Um pouco ao jeito do contentamento descontente pelo Poeta cantado.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

pela ética da convicção, contra o voto útil

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Um dos melhores filmes que conheço é o Reino dos Céus (Kingdom of Heaven - 2005), dirigido por Ridey Scott e escrito por William Monahan. O facto de ser um romance histórico, e a necessidade de tornar a narrativa mais cativante e cinematográfica, não garantem precisão histórica, mas em todo o caso esta é uma excelente história que Ridley Scott nos conta. Tendo como pano de fundo a reconquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, vemos os extremistas de parte a parte a incitar à guerra que lhes interessava por "vontade de Deus". Este filme tem uma riqueza de conteúdos que permite ser o ponto de partida de várias discussões filosóficas e morais, mas hoje interessa-me aqui citar uns diálogos do "Reino dos Céus" que bem ilustram as éticas de Max Weber em confronto: a "ética da convicção" versus a "ética da responsabilidade".
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Rei Balduíno IV (R) - Decidimos que deverá tomar comando do exército de Jerusalém. Se eu deixar o exército com o Guy, ele tomará o poder através da minha irmã e declara guerra aos muçulmanos [comandados por Saladino].
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Balian, Barão de Ibelin (B) - Seja lá o que pedir, eu servirei.
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R - Não. Oiça tudo antes de responder. Casaria com a minha irmã Sibila [de quem Balian gosta], se ela estivesse livre do Guy de Lusignan?
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B - E o Guy?
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Tiberias, Raimundo III de Tripoli (T) - Vai ser executado. Assim como os cavaleiros que não lhe juram fidelidade.
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B - Eu não posso ser a causa disso.
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T - "Seja o que for que pedir, eu servirei"
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B - Um rei pode mover um homem, disse o senhor. Mas a alma pertence ao homem.
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R - Sim, disse isso.
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B - Aí tem o meu amor e a minha resposta.
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R - Então que assim seja.
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T - Porque é que protege o Guy? Ele é um homem que o insulta, que o odeia. Ele próprio o mataria se tivesse a oportunidade. Nem pela salvação deste reino, será assim tão difícil casar com a Sibila? Jerusalém não tem necessidade de um cavaleiro perfeito.
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B - Não. É um reino de consciência, ou nada.
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B - Sibila!
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Sibila (S) - Quem és tu para recusar o pedido de um rei? Eu sou o que sou. Eu ofereço-te isso. E o mundo. E tu dizes que não.
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B - Achas que eu sou como o Guy? Que eu seria capaz de vender a minha alma?
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S - Virá o dia em que desejarás ter feito um pouco de mal para poderes ter praticado o bem a uma escala maior.
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A dificuldade de muitas das nossas decisões não está em optar entre o bem e o mal, mas entre o ideal e o pragmático, o sentimento e a razão, a convicção e a responsabilidade. Este dilema ético acompanha qualquer pessoa nas suas escolhas ao longo da vida. Como deve ser a minha conduta? A minha ética é a da convicção ou a da responsabilidade? Umas vezes uma, outras vezes outra? Tentar arranjar um equilíbrio entre ambas, tal como sugere Max Weber, não será contaminar a pureza da ética da convicção e torná-la sempre, inevitavelmente, numa ética da responsabilidade?

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Lembro que José Sócrates, na práctica do auto-elogio em que recorre, disse que decidira que o Tratado de Lisboa não iria a referendo em Portugal por uma questão de ética da responsabilidade. Ou seja, para quem crê no valor da democracia ou no valor de honrar a palavra dada na campanha eleitoral, o sr engenhoso preferiu iludir esses valores a arriscar-se a ver o seu Tratado chumbado em referendo. Assim, sou pela ética da convicção em tudo, o mais possível, sem qualquer concessão e defendendo só aquilo em que acredito. Considero até um pouco descabido chamar "ética" à segunda hipótese. É por exemplo pela ética da convicção que desprezo qualquer apelo ao voto útil que façam os dois partidos do poder, ou os cinco da assembleia. Se nalgum deles votar, nunca será por esse repelente argumento, mas pelas suas propostas, ideologias (porque ainda as há), e pessoas. Pode-se dizer que, quem concorda mais com um partido numas eleições e vota noutro porque pensa ser mais útil assim, está-se alinhando por uma ética da responsabilidade (nada a fazer, a designação do Weber é mesmo esta...).

Defender a ética da convicção é proteger a pureza da verdade a todo o custo, numa atitude próxima do irrepreensível. O protagonista deste filme podia ter-se casado com a mulher que amava, ter-se livrado do fidagal inimigo, e ter-se tornado no seguinte Rei de Jerusalém, mantendo uma amigável paz com Saladino, e tudo isto se tivesse dito um simples "sim" ao seu rei. Mas preferiu dizer "não", apenas porque não concordou com o método traiçoeiro de afastar o seu pior inimigo para resolver todos os seus problemas e os do reino. É por isso que considero Balian um dos mais virtuosos heróis que o cinema produziu nos últimos tempos. E se alguém pensa que Balian escolheu a solução que lhe dava menos problemas, está redondamente enganado. Desde quando é que agir conforme a consciência é o caminho mais fácil?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

poesia chinesa de intervenção

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As famílias, quando uma criança nasce,

querem que ela seja inteligente.

Eu, que pela inteligência

me tenho prejudicado a vida toda,

apenas espero que a criança seja

ignorante e estúpida.

Assim, ela terá uma vida tranquila

e será um Ministro com gabinete.

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tradução livre a partir de Su Shi, poeta chinês (1036-1101)
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

como morre um bravo

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Ceferino Giménez Malla foi domador de cavalos e cesteiro (fazia cestos artesanalmente), era espanhol, leigo da Ordem Franciscana Secular, e casado com a sua prima direita Teresa Giménez. Com 75 anos de idade, morreu fuzilado em plena guerra civil espanhola, em 1936, por tentar proteger um sacerdote que estava sendo ferozmente espancado por milicianos republicanos – rojos. Dizem os relatos que El Pelé, como era chamado, morreu de rosário na mão gritando: "Viva Cristo Rei!". Este acto de heroísmo é apenas uma amostra da vida santa que El Pelé levou. Por isso, este mártir foi beatificado por João Paulo II faz hoje 12 anos.
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Dedico este pequeno postal biográfico a todos aqueles que dizem que não são racistas, a menos que se fale de ciganos. É que o bravo São Ceferino era cigano com muita honra em sê-lo, procurando sempre todos os pretextos para estabelecer pontes entre as nossas culturas.
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São Ceferino, rogai por nós!
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

algumas virtudes d'um chefe de família

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Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum.
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Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos.
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in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

música conspirativa

Não, este postal não é sobre o belíssimo novo tema dos Xutos&Pontapés, Sem eira nem Beira, mas até podia ser. O álbum de estreia dos Afromen chama-se "Mentalidade", e o nome diz quase tudo. Trata-se de uma sonoridade que anda entre o hip hop e o rap clássico, muito contagiante, acompanhadas de sumarentas letras de verdadeira intervenção política - principalmente ao nível da mentalidade e dos comportamentos sociais. É o som que está a dar em Angola desde Dezembro, quando o CD foi lançado, e que está chegando a Portugal apesar de ainda não constar na Fnac.

Yannick Ngombo, o vocalista e líder deste grupo, já anda nestas lides há mais de 10 anos, mas depois de viajar pelo mundo voltou a Angola com novidades para contar. Afromen põe o dedo em algumas feridas da actual sociedade angolana, e denuncia tendências viciosas que devem ser combatidades com valores como o respeito, a lealdade, a boa vizinhança, a autenticidade, a humildade, a esperança. Embora dirigida aos angolanos, a mensagem de Yannick serve que nem uma luva à sociedade portuguesa. Nesta faixa, o rapper lembra algumas virtudes do bairrismo saudável. Também na banda sonora d'a Conspiração, aqui na barra do lado, podemos escutar o grande hit de apresentação deste novo grupo a ter em conta: Afromen - 1, 2, 3.

Hoje, se o vizinho tá doente

não adianta perguntar

e dizer tem o quê?

Não vai dizer a verdade

e no coração vai dizer "seu fofoqueiro"

quinta-feira, 26 de março de 2009

castidade, a proposta que combate a SIDA

A propósito das sábias mas "politicamente incorrectas" declarações do Papa acerca dos preservativos e da abstinência, traz-se à Conspiração este belíssimo exemplar de comunicação que é um vídeo da campanha moçambicana de prevenção contra o vírus SIDA/AIDS/HIV. É na castidade e na lealdade que está a resposta que combate a promiscuidade sexual, que é a base do vertiginoso aumento do contágio de SIDA em África e, cada vez mais, na Europa. Não conheço uma campanha publicitária de preservativos (Control, Durex, etc.) que desincentive esta mesma promiscuidade sexual. Zero. Nenhuma! Antes pelo contrário, incentivam e contribuem na medida do possível para o crescimento deste lucrativo pântano onde chafurdam.

quinta-feira, 19 de março de 2009

vítimas da heterofobia alheia

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Mais um debate desiquilibrado, faccioso e mal dirigido, desta vez por Fernanda Freitas no seu programa da RTP2, Sociedade Civil. Que desilusão, tinha a Fernanda Freitas em muito melhor conta jornalística. Era novamente sobre o casamento para aqueles duetos de homossexuais que reclamam para si o nome de "casal" sabendo que biologicamente não podem "acasalar", mas que mesmo assim querem "casar", adoptar crianças e até tê-las, por meio de inseminação e outros inéticos artifícios. O sim heterofóbico apresentou-se com os mesmos intervenientes, sempre de homofómetro em punho, prestes a apitar a quem deles discorda. Os media estão realmente a fazer um grande trabalho de casa, mais uns meses assim e alguma carneira sociedade portuguesa estará no ponto exacto que os lobos lobbies pretendem para fazer passar a lei sem muitas dificuldades. Mas, e enquanto protejemos a família, quem nos proteje da heterofobia dos outros?
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

maquiavélicos casamenteiros

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Ontem estava a ver os Prós&Prós da RTP sobre os casamentos para homossexuais, e por várias vezes me lembrei de um antigo conspirador de outras freguesias: Nicolau Maquiavel. O florentino defendeu uma atitude diferente na vida política, onde o que interessa é desenvolver uma nova virtude que responda à verdade efectiva das coisas, e nada mais. Resumindo, Maquiavel sugeriu-nos que trocássemos o "dever ser" pelo "ser", baixando drasticamente o nosso horizonte, que antes se fixava na moralidade proposta pelos antigos que buscavam o Sumo Bem (o nosso Bem Comum é o descendente deste conceito), e que agora se devia concentrar no concreto do quotidiano, naquilo que realmente acontece na vida terrena - a tal verità effettuale que o autor destacava...
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Assim, Maquiavel criticou a virtude dos antigos, por nunca conseguir atingir plenamente o fugidio Sumo Bem, sendo esta virtude apenas ingenuamente boa. Era preciso uma nova virtù. Isabel Moreira, ontem a maquiavélica de serviço, fez exactamente o mesmo tipo de troça da "bondade" do Padre António Vaz Pinto, tendo ela sempre em riste aquele intolerante dedo, ao qual a adriana educação não terá porventura chegado.
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O abaixamento do horizonte moral que Maquivel quis trazer no início do século XVI é o mesmo princípio que alguns esquerdistas de hoje tentam concretizar até onde conseguem, sabendo que esta é uma luta sem fim, e inesgotável poço de votos. Querem fazer do Estado de Direito um Estado amoral, onde impera aquilo que é (e que simplesmente acontece) sobre aquilo que deve ser (e que é útil para a sociedade). Haverá sempre ladrões, mas catastrófico será o dia em que ser-se ladrão é legal. Sempre houve homossexuais, mas fracturante será para a família - e, consequentemente, para a sociedade - o dia em que eles se casarem.
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Esta questão decerto merecerá outros postais d'A Conspiração das Teorias, onde explicaremos melhor como os casamentos para homossexuais prejudicam sociedade e a família, que é a célula da primeira. Mas entretanto, ficamo-nos por esta: para continuarmos a poder dizer que o Estado é uma pessoa de bem, o Estado nunca poderá abdicar de ser moral.
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