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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
maquiavélicos casamenteiros
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Ontem estava a ver os Prós&Prós da RTP sobre os casamentos para homossexuais, e por várias vezes me lembrei de um antigo conspirador de outras freguesias: Nicolau Maquiavel. O florentino defendeu uma atitude diferente na vida política, onde o que interessa é desenvolver uma nova virtude que responda à verdade efectiva das coisas, e nada mais. Resumindo, Maquiavel sugeriu-nos que trocássemos o "dever ser" pelo "ser", baixando drasticamente o nosso horizonte, que antes se fixava na moralidade proposta pelos antigos que buscavam o Sumo Bem (o nosso Bem Comum é o descendente deste conceito), e que agora se devia concentrar no concreto do quotidiano, naquilo que realmente acontece na vida terrena - a tal verità effettuale que o autor destacava...
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Assim, Maquiavel criticou a virtude dos antigos, por nunca conseguir atingir plenamente o fugidio Sumo Bem, sendo esta virtude apenas ingenuamente boa. Era preciso uma nova virtù. Isabel Moreira, ontem a maquiavélica de serviço, fez exactamente o mesmo tipo de troça da "bondade" do Padre António Vaz Pinto, tendo ela sempre em riste aquele intolerante dedo, ao qual a adriana educação não terá porventura chegado.
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O abaixamento do horizonte moral que Maquivel quis trazer no início do século XVI é o mesmo princípio que alguns esquerdistas de hoje tentam concretizar até onde conseguem, sabendo que esta é uma luta sem fim, e inesgotável poço de votos. Querem fazer do Estado de Direito um Estado amoral, onde impera aquilo que é (e que simplesmente acontece) sobre aquilo que deve ser (e que é útil para a sociedade). Haverá sempre ladrões, mas catastrófico será o dia em que ser-se ladrão é legal. Sempre houve homossexuais, mas fracturante será para a família - e, consequentemente, para a sociedade - o dia em que eles se casarem.
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Esta questão decerto merecerá outros postais d'A Conspiração das Teorias, onde explicaremos melhor como os casamentos para homossexuais prejudicam sociedade e a família, que é a célula da primeira. Mas entretanto, ficamo-nos por esta: para continuarmos a poder dizer que o Estado é uma pessoa de bem, o Estado nunca poderá abdicar de ser moral.
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