Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Luís Vaz de Camões

Como sobreviver à confusão das narrativas

Imagem
(também publicado no Substack ) Quantas vezes já nos aconteceu pegar no telemóvel para fazer uma tarefa e, distraídos por outras notificações, esquecemo-nos daquilo que íamos fazer? Passado um pouco, guardamos o telemóvel sem lembrar o propósito original de o ter ido buscar. O permanente estado de distracção faz parte do nosso dia-a-dia. A informação não é um bem escasso: há muita, cada vez mais, e pode ser detida por muita gente ao mesmo tempo. O que é um bem escasso – e por isso tem valor económico – é a nossa atenção. E o valor económico deste bem escasso não corresponde necessariamente ao valor moral que tem a boa informação. Aliás, a boa informação tende a ocupar um espaço cada vez mais reduzido da nossa atenção. Este é um dos dramas do nosso tempo: a tabloidização das notícias compensa, os escândalos dão mais cliques do que os acordos, o insulto vale mais do que o elogio, e os produtos que consumimos nas redes geram em nós sentimentos de revolta, de ira e de injustiça.   ...

em defesa da grandiosidade de Portugal

Imagem
(publicado originalmente no Ingovernáveis )   A 11 de Novembro foi publicado aqui no Ingovernáveis uma interessante reflexão de João Diogo R. P. G. Loureiro intitulada “ Great Again : nota incompleta sobre a «grandeza» dos países”. O texto versa sobre a finalidade dum país, o que dele esperamos e a qualidade da sua resposta. Venho com esta resposta concordar com algumas premissas ali expostas, discordar doutras e, onde posta em causa a grandiosidade de Portugal, defendê-la. Estou com o clichê: Portugal é um pequeno grande país. Mas tenho de esclarecer  a priori  que entendo o grande de “great” como grandioso. Quando o presidente cessante dos EUA diz querer tornar a América “great again”, ele não estará a propor conquistar novos territórios ao México ou ao Canadá para aumentar a grandeza do seu país, mas apela à recuperação duma suposta grandiosidade perdida. A grandeza dum país remete-nos para dimensões relativamente tangíveis, apesar dos quilómetros quadrados de terra at...

Lusophone opportunities in the Indian Ocean

Imagem
O artigo em baixo foi inicialmente publicado na revista The Brussels Europe Press Club Magazine nº5, de Novembro de 2015. Lusophone opportunities in the Indian Ocean by António Vieira da Cruz Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana (Luís Vaz de Camões, “Os Lusíadas”, Canto I) Portuguese presence in the Indian Ocean Portuguese is the 6 th  largest language in the world by number of native speakers and it is spoken by around 250 million people in the five continents. [1] But we might say that Portuguese culture is a tale of three oceans: the Atlantic, the Indian and the Pacific. Most of the times we hear news in Portuguese from Atlantic Brazil, Angola or Portugal; we may also think of Macau and Portuguese interactions with Pacific China or Japan; instead, I chose to write here about our relation with the Indian Ocean. By travelling through this ocean you will certainly face many people with Portuguese surnames, find Portuguese for...

passaram ainda além da Taprobana

Imagem
Em baixo o artigo que escrevi no quarto número da revista Think South Asia (19 de Novembro), que edito com o apoio do South Asia Democratic Forum. Principais países em destaque: Sri Lanka e Paquistão. Neste número fala-se também da educação como forma de combater o extremismo e o terrorismo, e temos ainda a honra de contar com Vytautas Landsbergis, o primeiro Presidente da Lituânia após o comunismo. ---   Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana* Luís Vaz de Camões, in “Os Lusíadas” – Canto I   In this edition of Think South Asia we put the focus on Sri Lanka. With a long history and a very distinctive identity formed by a great profusion of different ethnicities and a meeting point of religions, Sri Lanka has a incredibly rich culture. Its privileged geography puts Sri Lanka in a very central and strategic situation in the Indian Ocean. As in the first stanza of his opus magum “Os Lusíadas”, the Portuguese poet C...

felicidade triste

- Quem inventou que triste não é feliz? Quem não é feliz é infeliz, que é muito diferente de se ser triste! A tristeza, por exemplo, costuma até ser bela - coisa que a infelicidade nunca é. Qualquer português pode e deve ser feliz, mas... sendo português, nunca deixará de ser triste. É uma e outra coisa, sem prejuízo para ambas. Um pouco ao jeito do contentamento descontente pelo Poeta cantado. -