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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

extremely sensitive situation in Bangladesh

Bangladesh is in an extremely sensitive pre-electoral situation. I arrived today to Dhaka and despite the impressive reports we receive every day in our countries, they are not being completely able to picture how the climate is tense over here. People are afraid. The Police and the Military are on the streets. National strikes are being organized by the opposition parties. In the streets of Dhaka small bombs and explosives like “cocktail molotov” are being dropped. Different neighborhoods of the city are being affected and from while to while we can hear gun shots in places that used to be safe and secure.

In 2012 I was in Bangladesh for 11 days and now this is my 2nd time here. Since I arrived I noticed that some things have changed. Some infrastructures are new since then and many roads and buildings are being built. In what concerns to construction we can see real progress. I first thought that the lack of the usually omnipresent traffic jams were the consequence of the existence of new roads, but that was not its main cause: due to an opposition-called 84 hour “hartal” (strike), many services completely stopped.

Nowadays it is not safe to travel by train in Bangladesh

Another thing I saw was an overwhelming presence of Police and the Military on the streets, mainly in the intersections between main roads and secondary streets. This strategic placement is to avoid attacks in the main roads of groups coming from narrower streets to drop explosives and make more casualties. I was going by car and within the small distance from the airport up to my hotel, Police forces stopped the car twice for searching purposes. But as they saw that I was a foreigner, they quickly let us go. The respect for foreigners is part of this culture. Each and every road intersection is filled with police forces in groups of 5 to 10 people, all carrying visible machine guns.

After I left my luggage in the Hotel I went by rickshaw to visit the Holy Rosary Church, which is a beautiful catholic temple. You probably know that Dhaka is known for being the city of rickshaws, with around 4 hundred thousand cycle-rickshaws driving around every day. Today rickshaw is the safest means of transport in Dhaka because it is the only which allows us to jump and run at any time. Some buses, CNG’s and cars were attacked during last days. So we went through Tejgaon, where the Prime-Minister’s office is, and 10 minutes after we heard an explosion noise and gun shots nearby. The security guard of the church told me to come inside the Church gates and then locked the entrance. After a while, everything was back to “normal”.

Dhaka - Entrance gates of the Holy Rosary Church

People are afraid and tense; we can see that in almost everybody’s eyes. The Bangladeshis are worried about what may happen next days, before and during and after elections. In 2012 I told all my friends that I never saw a city with so much life and movement as Dhaka. Many times I even complained that I could not sleep with so much honking in the street, 24 hours per day in a non-stop mode. And trust me, I am a heavy sleeper. But now, as I am writing this night, I cannot see one single person in this main avenue. Nobody dares to be out there in this megacity of 15 million people which used to be one of those that never sleeps. It seems that fear is reigning in Dhaka.

This is all for today.


António Vieira da Cruz
SADF reporting from Bangladesh
Dhaka, the 11th of November 2013

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

cuidado com a universidade que escolhes

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Só há um critério válido para escolher bem uma Universidade. Não é pelo prestígio que a escolho, nem pelas suas taxas de empregabilidade. Nada disso, o que tenho que fazer é uma pergunta muito simples: confio ou não nos valores morais desta universidade?
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Na universidade, tudo o que extravasa a ciência exacta, é manipulação política. Tudo. E quanto maior o grau e ritmo do desafio (pós-graduação, mestrado, doutoramento), mais conhecimentos nos metem goela acima, sendo difícil filtrar o que é mau e indesejável. Não temos escolha senão assimilarmos quase tudo sem cuidados.
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Para levar um curso a sério, é preciso fazer constantemente a promessa "não deixarei que me contaminem", tendo por certo que o farão. Estudar numa universidade e estar consciente daquilo que me fazem aprender para ter boas notas, é uma de duas:
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- ou a coragem de confiar nos valores que a instituição à partida me propõe;
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- ou a soberba temeridade de pensarmos que, à parte do canudo, vamos sair de lá iguais.
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Mas uma coisa é certa. Os momentos livres têm de ser de pura desintoxicação, mesmo quando confiamos minimamente na universidade em cujas mãos nos pomos. Há que pensar se aquilo que me disseram encaixa ou não nas prioridades que tenho de vida ou se, por outra, mudou as minhas prioridades, e se as mudou, se para melhor ou para pior. É tempo de aproveitar o bom que aprendemos e marcar com sinais visíveis o que não presta.
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Temos de ser os homens e mulheres livres, que preferem a dor da luz ao conforto das sombras. Infelizmente, se não temos cuidado, na universidade podemos ficar ainda mais aprisionados ao fundo da caverna. E não devia ser assim.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

alvo certo, mira torta

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As investigações jornalísticas ao “Caso Fripór” (Freeport?) e todos os ataques pessoais à credibilidade de José Sócrates, só têm tido o reverso e indesejável efeito: ajudar o Primeiro-Ministro a consolidar a sua privilegiada posição nas sondagens, nomeadamente face ao PSD, seu mais directo concorrente.
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Como é possível? É possível. É possível porque as pessoas pouco ligam se um governante é mais ou menos corrupto, ou mais ou menos honesto, desde que os seus direitos, crenças e economias não lhes sejam tirados às claras ou em reconhecível quantidade. As pessoas desculpam favorecimentos aos amigos e à família do titular de um cargo, mas não perdoam uma brusca subida de impostos. A gente fecha os olhos a desvios éticos, mas não esquece a perda substantiva do poder de compra.
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Sejamos claros, este Governo é perigoso e o Primeiro-Ministro uma nódoa. Contudo, a oposição partidária e jornalística ainda não acertou no alvo. Enquanto se fala de fripórs, licenciaturas, faxes, projectos indevidamente assinados, e outros, estão sendo aprovadas socretinas leis que violam o direito das pessoas à privacidade (colocando chips controleiros nos cartões de identidade e nas matrículas dos carros; limitando a liberdade de expressão nos blogues, ou até no Carnaval de Torres; etc.); o assassino direito ao aborto sem qualquer justificação passou a existir; a obrigatoriedade de educação sexual nas escolas foi aprovada entre a 1ª classe e o 12º ano.
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Preparam-se ainda outras políticas da morte, que contemplam por exemplo o direito à eutanásia, o casamento para homossexuais, a liberalização do divórcio, o alargamento do direito ao aborto. Continua a perseguição inaceitável a entidades como a Igreja ou o povo da ilha da Madeira, apenas porque nelas há pessoas que ousam falar de forma desalinhada em relação ao mainstream ideológico instalado em São Bento.
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Chegou a hora de pedir contas ao Governo por todas as promessas que ficaram muito aquém de se realizar (os 150.000 novos empregos, o grandioso choque tecnológico, a baixa dos impostos, a saída da cauda da UE..., ..., ...), mas insistimos em pôr a tónica na crítica aos computadores Magalhães, na JP Sá Couto, no curso de engenharia na Universidade Independente, na compra da casa de Sócrates na Rua Braamcamp, ou no "Caso Fripór".
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Quem quer fazer oposição a sério a Sócrates e ao PS, deve focar-se mais no ataque às perigosas políticas do albicastrense que na crítica da sua honradez, ou falta dela. Se houver falcatruas, pagam (eventualmente) as pessoas que as fizeram; só que, pelas políticas erradas, irresponsáveis, ou até perversas, pagamos todos nós. Aqueles que atacam a integridade moral de Sócrates, apenas se habilitam a que ele se sinta mais frágil. No entanto, aqueles que atacarem as suas políticas farão com que mais portugueses possam sentir o nocivo que é continuar a ter este Governo como nosso. Lembro que somos nós, os portugueses, quem escolhe o Governo este ano. Tem-se apontado ao alvo certo, mas com a mira torta.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

vox populi - I

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Chamo-me Zé da Glória. Não tenho casa, ou por outra, a minha casa é a rua e a rua a minha casa. É verdade, hoje em dia sou um mendigo desabrigado. Durmo por cima de um esgoto, e já nem me importo com o cheiro... quero é aproveitar aqueles vapores quentinhos para temperar o frio que a noite traz.
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Mas nem sempre fui assim. Já tive mulher, 3 filhos, casa, carro, cão, era engenheiro e patrão de mim próprio... pá, tudo aquilo que uma pessoa normal luta por ter.
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Uff.
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Só que houve um dia que ia de fim-de-semana com a minha família, para a nossa casa de férias, e... eu, que ia a conduzir, distraí-me e tive um acidente. Tivemos...
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...
...
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... os meus queridos morreram todos, e só eu – triste destino – é que sobrevivi.
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Ah, rrr..., porquê, meu Deus?, porquê?! Este fardo é demasiado pesado para ser carregado por uma pessoa só...
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Desisti da vida que levava, claro, tudo me fazia lembrar a família perdida, esta que vos conto, esta que matei.
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A vida despiu-me. Estou sozinho, desabrigado, tenho frio. Só o esgoto me aquece o corpo. Só Deus me aquece o coração. Talvez um dia volte a erguer a minha vida, quando vencer o medo de falhar novamente. Tenho medo de cair.
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Agora que não tenho nada, sei que tenho tudo, pois tenho-te a Ti. Com a folha em branco, peço-te audácia para renascer.
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