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A mostrar mensagens de janeiro, 2009

a santa sem tripas

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- - De eso no tuvo el cura la culpa. - No, señora. Ya se ve que fue por mor de la sordera. Pero, luego, no fue eso lo peor, sino que va y le pergunta que cuál era la santa sin tripas. - La santa sin tripas? No caigo, María Francisca. ¡Mira que no saberlo yo, que tengo a toíto el santulaje en la punta e los deos! - Eso mismo decía el probe de Juanito, que quién lo iba a saber. El se quería casá pa el Domingo de Ramos, y se le iba pasando el tiempo sin atinarlo; pero don Hipólito se empeñaba en no casarle mientras no se lo aprendiera. El muchacho se llevaba al campo el catacismo en los bolsicos de los pantalones pa repasarle cuando descansaba de ará; pero... ¡que si quieres! Hasta que su madre se agarró a la influencia de la Cachirula, que pa eso guisaban en su casa, pidiéndola que su hijo acabase ya de depená al probe Juan. Se conoce que la madre habló al cura, porque anoche, cuando fue mi primo a su casa, desesperaíto, va y le dice don Hipólito, con mucha risa: "- ¡La santa sin tr...

elogio da amizade cívica

- Numa altura em que muitos portugueses se vêem gregos para aturar Sócrates, nada como trazer Aristóteles a este convívio conspirativo: - "É evidente que uma cidade que se torna cada vez mais unitária deixaria de ser cidade. Uma cidade é, por natureza, uma pluralidade e ao tornar-se ainda mais unitária, passará de cidade a casa, e de casa a homem individual, já que podemos afirmar que a casa é mais unitária do que a cidade, e o indivíduo mais do que a casa. Assim, mesmo que alguém pudesse conseguir isto, não o deveria fazer, dado que destruiria a cidade. Por outro lado, não só a cidade consiste numa pluralidade de indivíduos , como estes também diferem em espécie; uma cidade não nasce de indivíduos idênticos ." Aristóteles, Política , II, 1261a - "Na verdade, parece ser a amizade que mantém unidas as comunidades dentro dos Estados. Por isso que os legisladores se preocupam mais com ela do que com a própria justiça, porque almejam, por um lado, alcançar a concórdia, que ...

pedido de tolerância aos discriminados desta vida

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- - Às senhoras: não me levem a mal por vos oferecer a prioridade ao passar uma porta. Não é machismo, é consideração! - Aos homossexuais: não se ofendam com o debate sobre o casamento. Não é homofobia, é zelo pela família! - Aos africanos: não nos julguem pelo mal que alguns antepassados desta Pátria fizeram aos seus. Não é esquecer o passado, é construir uma irmandade com futuro! - Aos pobres: não condenem todos os poderosos pela exploração realizada por alguns. Não é luta de classes, é igualdade perante a justiça! - - A todos, a minha oração, respeito e amizade. Não só tolerância, mas amizade. -

prepara-se o debate monárquico

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- Soube pel' O Ribatejo (ver "fontes de sabedoria") que a Causa Monárquica se assumiu ontem em Santarém como um movimento político que coordenará uma estratégia política que traga maior intervenção pública dos monárquicos portugueses. - Estes esforços têm em vista a preparação de um referendo que sonde se os portugueses querem um Chefe de Estado Real ou Presidencial, em ambos os casos não abdicando da democracia. - A Causa Real é o orgão que federa as várias Reais Associações de Portugal, e é presidida por Paulo Teixeira Pinto, conselheiro de D. Duarte. - Talvez agora o debate monárquico volte a ter eco na sociedade portuguesa, e A Conspiração das Teorias promete contribuir para esse debate, nem que seja com algumas propostas que irão certamente confundir ainda mais os argumentos de ambas as partes. - Os postais conspirativos referentes ao assunto serão ilustrados pela bandeira que Portugal envergou entre 1495 e 1557, quando a coroa ainda era aberta ao Céu. -

no carnaval da vida

- - Gostarias que eu fosse a tua gueixa, menino bom? - Sim, também. Mas, sobretudo, minha mulher. Vim a Tóquio propor-te casamento pela enésima vez. Desta vez convencer-te-ei, já te aviso. E, a propósito, desde quando é que andas de autocarro? O chefe dos Yakuza não te pode arranjar um carro com motorista e guarda-costas? - Mesmo que pudesse, não o faria - disse-me ela, sempre agarrada ao meu braço. - Seria ostentação, a coisa que os japoneses mais detestam. Aqui é mal visto uma pessoa diferenciar-se das outras, seja no que for. Por isso, os ricos disfarçam-se de pobres e os pobres de ricos. - in "Travesuras de la niña mala", de Mario Vargas Llosa -

Obama, ou a vitória da "causa dos direitos civis"

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- J.F. Kennedy terá dito a Martin Luther King que, antes do fim do século XX, um negro chegaria à presidência dos Estados Unidos. Ontem cumpriu-se meia profecia – a sua promessa do homem na lua antes da década de 60 terminar foi cronologicamente mais certeira. Em boa verdade, JFK e o Dr. King são os grandes testadores da oportunidade política que Obama herdou. JFK, democrata dotado de grande oratória e capacidade de liderança, mostrou com o seu exemplo que os católicos também podem ser presidentes dos EUA, sem que a sua ligação moral a Roma prejudique a independência exigida no exercício das funções presidenciais. Foi uma barreira derrubada, e os católicos norte-americanos agradecem. Kennedy igualmente apoiou política e pessoalmente a causa dos direitos civis - civil rights movement -, brilhantemente encabeçada por Martin Luther King. King possuía um discurso empolgante e, no seu idealismo, não se limitou a sonhar, actuou e deu o corpo pela igualdade de direitos até à morte. Barack Ob...

vox populi - II

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- Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos. Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas... Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se... – Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces? – Sim, sim! Muito boas. Acredita em Deus mas diz não r...

metas simples

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- - E tu? - perguntou-me, pegando-me pelo braço. - Tu quê, meu velho? - Eu, nada - respondi. - Eu, aqui, como tradutor na Unesco, em Paris. Hesitou um momento, receoso de que aquilo que me ia dizer pudesse magoar-me. Era uma pergunta que, sem dúvida, estava havia tempo a queimar-lhe a língua. - É isso que queres ser na vida? Nada mais que isso? Todos os que vêm para Paris aspiram a ser pintores, escritores, músicos, actores, encenadores de teatro, fazer um doutoramento ou a revolução. Tu só queres isso, viver em Paris? Nunca o engoli, velhote, confesso-te. - Bem sei que não. Mas é a pura verdade, Paúl. Em miúdo, queria ser diplomata, mas era só com o fito de me mandarem para Paris. É isso que quero: viver aqui. Achas pouco? in "Travesuras de la niña mala", de Mario Vargas Llosa -

a partida de um bravo

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- Richard John Neuhaus, 1936-2009 - - Dia 8 de Janeiro último, morreu aos 72 anos Richard John Neuhaus. - Apenas o conheci pelos livros e revistas, mas isso bastou para que se tornasse uma das pessoas mais marcantes da minha formação académica e política. - Filho de um ministro luterano, Neuhaus foi ele próprio pastor luterano até 1990, ano em que foi acolhido na Igreja Católica. Bastou um ano para que fosse ordenado sacerdote, e padre católico ficou até à morte. - Com louvável empenho no ecumenismo, contactou com papas, presidentes, padres, pastores, filósofos... - Fundou em 1990 a revista First Things, revista de Religião, Cultura e Vida Pública, cuja leitura vigorosamente recomendo. (versão digital: http://www.firstthings.com/ ) - Escreveu com Peter L. Berger, amigo e sociólogo, “ To Empower People: From State to Civil Society ”, onde defendeu o princípio da subsidariedade com exemplos prácticos em termos d’aquilo que podia ser feito com políticas públicas. Havia e há que devolver à...

vox populi - I

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- Chamo-me Zé da Glória. Não tenho casa, ou por outra, a minha casa é a rua e a rua a minha casa. É verdade, hoje em dia sou um mendigo desabrigado. Durmo por cima de um esgoto, e já nem me importo com o cheiro... quero é aproveitar aqueles vapores quentinhos para temperar o frio que a noite traz. - Mas nem sempre fui assim. Já tive mulher, 3 filhos, casa, carro, cão, era engenheiro e patrão de mim próprio... pá, tudo aquilo que uma pessoa normal luta por ter. - Uff. - Só que houve um dia que ia de fim-de-semana com a minha família, para a nossa casa de férias, e... eu, que ia a conduzir, distraí-me e tive um acidente. Tivemos... - ... ... - ... os meus queridos morreram todos, e só eu – triste destino – é que sobrevivi. - Ah, rrr..., porquê, meu Deus?, porquê?! Este fardo é demasiado pesado para ser carregado por uma pessoa só... - Desisti da vida que levava, claro, tudo me fazia lembrar a família perdida, esta que vos conto, esta que matei. - A vida despiu-me. Estou sozinho, desabri...

wáng, ou o rei chinês

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- Wáng, que significa "Rei" em mandarim, é aquele que tem a competência de ligar o céu e a terra, entre os quais vive o homem. O caracter wáng exprime essa ideia: o traço horizontal superior, representa o Céu; o traço inferior, a Terra; a meio, o Homem; e o traço vertical, o Rei. Tudo o que está abaixo do céu é da responsabilidade do rei. - Embora a argumentação seja chinesa, não vejo grandes diferenças em relação à ideia de monarquia ocidental ainda hoje dominante. O Rei continua a ser encarado como o patriarca do povo, e seu legítimo mediador para o Céu, ou para o desvendar do destino comum. Tal visão continua maioritária entre monárquicos, por maior que seja o grau de liberdade dos povos. - Quem interpreta melhor os sinais do Céu e as necessidades da Terra? O Rei/Presidente da República? O Povo? Um grupo de aristocratas (senadores/nobres)? A pergunta é antiga, e as respostas dadas inúmeras. Inclino-me para um regime conciliador, que aproveite e conjugue o melhor de três re...

recomposição sentimental

- Aconteceram coisas extraordinárias naquele Verão de 1950. Conijoba Lañas atirou-se pela primeira vez a uma rapariga — a ruiva Seminauel — e esta, ante a surpresa de Miraflores inteiro, disse-lhe que sim. Conijoba esqueceu-se do seu coxear e andava desde então pelas ruas a fazer peito como um Charles Atlas. Tico Tiravante acabou o namoro com Ilse e atirou-se a Laurita, Víctor Ojeda atirou-se a Ilse e acabou com Inge, Juan Barreto atirou-se a Inge e acabou com Ilse. Houve uma tal recomposição sentimental no bairro que andávamos aturdidos, os enamoramentos desfaziam-se e refaziam-se e ao sair das festas dos sábados os pares nem sempre eram os mesmos que tinham entrado. «Que relaxação!», escandalizava-se a minha tia Alberta, com quem eu vivia desde a morte dos meus pais. - Ocurrieron cosas extraordinarias en aquel verano de 1950. Cojinoba Lañas le cayó por primera vez a una chica — la pelirroja Seminauel — y ésta, ante la sorpresa de todo Miraflores, le dijo que sí. Cojinoba se olvidó de...

conspirar

- Do latim conspirare , tinha como sentido primeiro "respirar juntos" - com espirar. Os atletas de uma equipa que antes do jogo se abraçam em círculo para ouvir as palavras que o treinador ou o capitão quer transmitir, estão a respirar o mesmo ar, os mesmos sentimentos, os mesmos estímulos, os mesmos planos. Conspiram . Com o tempo a palavra detriorou-se, e é hoje usada somente no sentido de conjura, trama, maquinação. - Conspiremos pois à moda antiga para que os conspiradores da moderna moda não nos dominem com suas teorizações conspirativas que, obviamente, ridicularizam as teorias da conspiração. É disto que este blog se trata, ou coisa que o valha. -