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o valor que uma marcha tem

A Marcha do Castelo ganhou o concurso das marchas populares de Lisboa 2009, partilhando o primeiro lugar com Alfama. Ao primeiro lugar geral do Castelo, juntam-se os prémios de Melhor Coreografia, Melhor Cenografia e Melhor Figurino. Neste pequeno grande bairro de Lisboa, os dias viveram-se com muita intensidade. Se os treinos da marcha começaram em meados de Abril com um ritmo de 6 a 8 horas de treino por cada semana, também é verdade que o tema, as músicas, os fatos, os arcos, os patrocínios e todo um planeamento logístico foram imaginados com ainda maior antecedência. O resultado final que se viu nos 20 minutos de Pavilhão Atlântico no dia 7 de Junho, ou nos 7 minutos de Avenida da Liberdade na noite de 12 de Junho, é o fruto de um grande trabalho que envolve muito mais pessoas que aqueles cerca de 70 que têm a honra e responsabilidade de marchar. Aparecem os 24 pares de marchantes, um par de mascotes, uma madrinha e um padrinho (este ano, a Chiquita e o Joaquim Bastinhas), os suple...

4 minutos e 33 segundos de reflexão

- Em dias de reflexão eleitoral, trazemos à conspiração o 4'33 de John Cage para orquestra. Melhor ainda, hoje, só a Marcha do Castelo. A partir das 21h30m no Pavilhão Atlântico, depois da Graça e antes da de Alcântara. Porque "foi no Castelo que Lisboa ganhou chão"! -

o fado tem futuro na Carminho

Antes de ontem fui com um amigo à FNAC ver se arranjava o tão esperado CD da Carminho - Fado. Já a ouvi ao vivo, alia ao seu jeito puro de fadista uma voz poderosa mas bela. Procurei, nem nos tops nem nas prateleiras estava, perguntei à menina que avisou: - Só a partir de amanhã, que é o dia do lançamento. Ah bom. Voltei a tentar ontem, passei no Corte Inglês com outro amigo, eram aí umas 4 da tarde. - O CD da Carminho? Desculpe, já esgotou. Como vale a pena, hoje saí de casa apostado em encontrar uma loja que ainda tivesse o seu primeiro CD, mas a meio do caminho dei conta que me tinha esquecido da carteira em casa. E enquanto não resolvo esta faena, tenho ao menos o consolo de já se poderem ouvir dois dos novos fados desta mui promissora Carminho no youtube , em videoclips realizados por João Botelho, seu admirador. Eis "A Bia da Mouraria", da Carminho Rebelo de Andrade.

Lisboa é uma festa!

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- - Estão quase aí as festas de Lisboa, com os seus santos populares, principalmente o casamenteiro Santo António, as febras e as sardinhas, o vinho, os manjericos, os balões e os arraiais, os amores e as marchas. Todos os anos se apresentam no Pavilhão Atlântico e na Avenida da Liberdade 18 marchas, sendo que neste 2009 se estreiam a Marcha de Belém e a Marcha da Baixa. Esta tradição das marchas descendo a Avenida já vem de 1932, quando foi organizado por Leitão de Barros e Norberto Araújo o primeiro Concurso das Marchas Populares de Lisboa, onde participaram apenas 6 bairros - Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Campo de Ourique e Madragoa. Hoje, cada bairro tem de cantar 4 marchas, sendo que 2 das marchas são inéditas desse bairro (desse ano), 1 marcha é antiga do bairro (de outro ano), e 1 marcha é de Lisboa, comum a todos os bairros. O tema que ganhou o concurso para a Marcha de Lisboa este ano é o "Lisboa é uma festa" de José Reza e Joaquim Isqueiro, e trata-s...

a criminalidade e os bairros sociais em análise

- Sobre os últimos incidentes de criminalidade ocorridos em bairros sociais, algumas notas breves: - 1. Por causa de pequenos grupos de delinquentes, há bairros sociais que são estigmatizados como um todo, a muitos níveis, até na busca de emprego. Conheço pessoas que, para além da carga social de serem pobres, desempregados, deficientes ou de outras raças (que mania palerma agora, a de chamarem "etnias" às raças!), se puderem, não dizem em que bairro moram, porque já lhes aconteceu serem prejudicadas por o dizerem. É necessário estimular os grupos e as lideranças desses bairros para que mostrem as coisas boas que têm à sociedade, e que a comunicação social dê também antena a iniciativas positivas, e não apenas aos acontecimentos negativos. O contraditório e o direito de resposta valem para indivíduos, empresas e partidos que querem defender os seus egos, mas infelizmente ainda não serve para limpar a imagem de bairros inteiros que, muitas vezes, é injustamente manchada. - 2. ...

música conspirativa

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Não, este postal não é sobre o belíssimo novo tema dos Xutos&Pontapés, Sem eira nem Beira , mas até podia ser. O álbum de estreia dos Afromen chama-se "Mentalidade", e o nome diz quase tudo. Trata-se de uma sonoridade que anda entre o hip hop e o rap clássico, muito contagiante, acompanhadas de sumarentas letras de verdadeira intervenção política - principalmente ao nível da mentalidade e dos comportamentos sociais. É o som que está a dar em Angola desde Dezembro, quando o CD foi lançado, e que está chegando a Portugal apesar de ainda não constar na Fnac. Yannick Ngombo, o vocalista e líder deste grupo, já anda nestas lides há mais de 10 anos, mas depois de viajar pelo mundo voltou a Angola com novidades para contar. Afromen põe o dedo em algumas feridas da actual sociedade angolana, e denuncia tendências viciosas que devem ser combatidades com valores como o respeito, a lealdade, a boa vizinhança, a autenticidade, a humildade, a esperança. Embora dirigida aos angolanos...

quando há fé e boa vontade...

- - ... tudo se consegue. Mesmo quando somos pequenos, é possível contagiar os outros com o bom exemplo. Mesmo quando nos achamos sozinhos, podemos ser o princípio de esforços que se unem. Yes we can . -

vox populi - II

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- Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos. Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas... Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se... – Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces? – Sim, sim! Muito boas. Acredita em Deus mas diz não r...

a partida de um bravo

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- Richard John Neuhaus, 1936-2009 - - Dia 8 de Janeiro último, morreu aos 72 anos Richard John Neuhaus. - Apenas o conheci pelos livros e revistas, mas isso bastou para que se tornasse uma das pessoas mais marcantes da minha formação académica e política. - Filho de um ministro luterano, Neuhaus foi ele próprio pastor luterano até 1990, ano em que foi acolhido na Igreja Católica. Bastou um ano para que fosse ordenado sacerdote, e padre católico ficou até à morte. - Com louvável empenho no ecumenismo, contactou com papas, presidentes, padres, pastores, filósofos... - Fundou em 1990 a revista First Things, revista de Religião, Cultura e Vida Pública, cuja leitura vigorosamente recomendo. (versão digital: http://www.firstthings.com/ ) - Escreveu com Peter L. Berger, amigo e sociólogo, “ To Empower People: From State to Civil Society ”, onde defendeu o princípio da subsidariedade com exemplos prácticos em termos d’aquilo que podia ser feito com políticas públicas. Havia e há que devolver à...