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O erro de Robin dos Bosques

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(originalmente publicado no Jacaré Parado Vira Mala ) Quem não gosta do Robin dos Bosques? A história passa-se na Inglaterra medieval e tem os problemas típicos da literatura romântica: há a donzela em apuros, há o xerife cruel, os pobres e famintos, um príncipe que conspira contra o rei seu irmão… e um herói que resolve todos os problemas com a pontaria do seu arco e flechas, ajudado por valentes amigos como Frei Tuck, João Pequeno e Will Scarlet. Escondidos na floresta de Sherwood, Robin dos Bosques e o seu bando vão resistindo à tirania de João Sem-Terra e sabotando as tentativas do xerife e do príncipe de se aproveitarem da ausência do rei Ricardo Coração-de-Leão que, entretanto, ajudava os cruzados em Jerusalém. Os valores estão todos certos: valentia, patriotismo, solidariedade, fé e amizade. Em Sherwood, Robin e os Merry Men caçam livremente, não pagam impostos, roubam os tesouros do príncipe e as colectas do xerife. Mas não o fazem para enriquecimento próprio, não! Eles roubam ...

Eutanásia - carta a todos os deputados

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Lisboa, dia 22 de Maio de 2018 Exmo. Senhor Deputado  [NOME] Assembleia da República  Portuguesa Senhor Deputado  [NOME] , Chamo-me António Vieira da Cruz, sou portador do cartão do cidadão [--------] e voto em Lisboa. Escrevo porque sei que a Assembleia da República irá debater e votar nos próximos dias uma proposta de legalização da eutanásia. Edvard Munch - A dança da vida (1899) Já vivi em países onde a eutanásia está legalizada, como a Bélgica ou o Canadá, mas V.Exa. estará certamente a par do impacto desta práctica nesses países e dos números que confirmam o cenário da   slippery slope , a tal “rampa deslizante” que vai afectando cada vez mais vidas. Para ilustrar este fenómeno, por exemplo, a Bélgica viu um aumento de 769% de eutanaziados nos primeiros 10 anos completos (2003-2013) depois da entrada da lei em vigor no ano de 2002. Na Holanda os casos de eutanásia têm aumentado cerca de 10% cada ano, com 6091 eutanásias em 2016...

sacrifícios vãos - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 27.01.2017) Antes de 1974 sacrificou-se a democracia para se manter o império. Depois de 1974 sacrificou-se o império para se ganhar a democracia. A partir de 1986 sacrificou-se a independência para se aceder à Europa. Desde 2002 sacrificou-se a moeda própria para se atingir a prosperidade. Em 2017 não temos império, nem democracia, nem independência, nem Europa, nem moeda, nem prosperidade. Temos apenas um conjunto de más decisões baseadas em premissas falaciosas. Temos um país endividado e pessoas com uma carga fiscal insuportável. Trocámos a nossa realidade por utopias e ficámos practicamente sem nada. Disto tudo que perdemos, o que podemos recuperar? Do império, apenas os laços culturais e comerciais. Da democracia, devolver a Lisboa a capacidade legislativa que foi transferida para os deputados estrangeiros em Bruxelas e Estrasburgo, e que produzem a esmagadora maioria das leis apli...

please don’t turn your backs to Bangladesh this time

Bangladesh is the 8 th most populated country in the world with around 160 million inhabitants and its capital Dhaka is a megacity with more than 15 million people. Today I had a direct flight from Istanbul to Dhaka, which was complete, but even in Istanbul Atatürk Airport we can see the lack of importance given to Bangladesh, reserving for it the very last gate of the airport. This could be a trivial example of how Bangladesh is forgotten internationally, too trivial perhaps. But did you know that in 1971, during 9 months of terror, in Bangladesh 3 million people were killed and around 4 hundred thousand women were raped? “Operation Searchlight” was planned and carried out by the Pakistani Army, with the help of local agents, and besides many indiscriminate killing it systematically targeted Bengali dissidents and religious and ethnic minorities. These hideous genocide and genocidal rape were part of a plan to subjugate people with a different language, culture and who were will...

tu és Portuguesa, tu és só para nós

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A História de Portugal desde a revolução de 1974 tem sido uma história de crises económicas e políticas que fazem muita gente questionar-se sobre a viabilidade da democracia, ou até do nosso país. Penso que temos de estudar melhor a nossa História, fazer uma viagem da fundação de Portugal aos nossos dias para perceber aquilo que tem resultado e o que tem falhado. Mas aqui entra o problema da História como nos é apresentada nos programas escolares. Antigamente havia um orgulho nos nossos heróis, o questão é que estes nos eram apresentados de uma forma demasiado nacionalista, e não apenas patriótica. Se durante o Estado Novo a educação - como a política - pecava por dogmática, desde a revolução de Abril que as escolas nos ensinam a ter vergonha de sermos portugueses. Os mesmos personagens que antes eram os heróis e pais da Nação, foram transformados em deploráveis colonizadores, bárbaros carniceiros, agressores dos direitos humanos. E isto é practicamente tudo o que as nossas crianças...

poesia chinesa de intervenção

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- As famílias, quando uma criança nasce, querem que ela seja inteligente. Eu, que pela inteligência me tenho prejudicado a vida toda, apenas espero que a criança seja ignorante e estúpida. Assim, ela terá uma vida tranquila e será um Ministro com gabinete. - tradução livre a partir de Su Shi, poeta chinês (1036-1101) -

educação sexual nas escolas, não!

Se é dos que acham que os pais não sabem educar os filhos nem sabem fazer boas escolhas, se considera que deve ser o Estado a tratar de tudo, se é pela educação sexual obrigatória nas escolas (públicas, e também privadas, já agora!)... então este vídeo é para si. Gravada por uma aluna de 12/13 anos em Espinho, esta singela de monstra ção diz tudo.

a orientalização de Portugal?

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No Ocidente faz-se dinheiro no mercado, que depois se utiliza para comprar ou influenciar o poder. No [Próximo] Oriente toma-se o poder e utiliza-se o controlo do Estado para fazer dinheiro. Moralmente, não existe diferença entre os dois casos, mas o seu impacte ao nível da economia e da política é muito diferente. - in "O Médio Oriente e o Ocidente - o que correu mal?" (2002), de Bernard Lewis -

alvo certo, mira torta

- As investigações jornalísticas ao “Caso Fripór” ( Freeport ?) e todos os ataques pessoais à credibilidade de José Sócrates, só têm tido o reverso e indesejável efeito: ajudar o Primeiro-Ministro a consolidar a sua privilegiada posição nas sondagens, nomeadamente face ao PSD, seu mais directo concorrente. - Como é possível? É possível. É possível porque as pessoas pouco ligam se um governante é mais ou menos corrupto, ou mais ou menos honesto, desde que os seus direitos, crenças e economias não lhes sejam tirados às claras ou em reconhecível quantidade. As pessoas desculpam favorecimentos aos amigos e à família do titular de um cargo, mas não perdoam uma brusca subida de impostos. A gente fecha os olhos a desvios éticos, mas não esquece a perda substantiva do poder de compra. - Sejamos claros, este Governo é perigoso e o Primeiro-Ministro uma nódoa. Contudo, a oposição partidária e jornalística ainda não acertou no alvo. Enquanto se fala de fripórs, licenciaturas, faxes, projectos ind...

maquiavélicos casamenteiros

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- Ontem estava a ver os Prós&Prós da RTP sobre os casamentos para homossexuais, e por várias vezes me lembrei de um antigo conspirador de outras freguesias: Nicolau Maquiavel. O florentino defendeu uma atitude diferente na vida política, onde o que interessa é desenvolver uma nova virtude que responda à verdade efectiva das coisas , e nada mais. Resumindo, Maquiavel sugeriu-nos que trocássemos o "dever ser" pelo "ser", baixando drasticamente o nosso horizonte, que antes se fixava na moralidade proposta pelos antigos que buscavam o Sumo Bem (o nosso Bem Comum é o descendente deste conceito), e que agora se devia concentrar no concreto do quotidiano, naquilo que realmente acontece na vida terrena - a tal verità effettuale que o autor destacava... - Assim, Maquiavel criticou a virtude dos antigos , por nunca conseguir atingir plenamente o fugidio Sumo Bem , sendo esta virtude apenas ingenuamente boa. Era preciso uma nova virtù. Isabel Moreira, ontem a maquiavé...

só-cretinices

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- Hoje foi aprovada em Conselho de Ministros a socretina lei que impõe a instalação de um chip nas matrículas de todos os carros, atrelados, motociclos e triciclos. Quem se recusar a instalar o chip e for apanhado sem ele, terá consequências a sofrer. Depois dos primeiros 6 meses a seguir à lei ser publicada, o chip terá de ser comprado, pago pelo cidadão. - Após a questão do chip incorporado no cartão único de identidade, a deriva controlista dos socialistas não pára, soma e segue. Quando dermos por nós em guerra ou em verdadeira crise (Deus nos livre), veremos como o Estado nos controla de uma forma ainda mais sufocante que os totalitarismos comunistas de Estaline e Ceausescu, ou que o nazismo alemão de Hitler. - Por esses dias, levaremos as mãos à cabeça e perguntaremos confusos: "como foi isto acontecer e não dei por nada!?". O desinteresse pela política, por muito que apeteça, não compensa. Há demasiados lobos para tão desprotegidos cordeiros - sem privacidade, não h...

a partida de um bravo

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- Richard John Neuhaus, 1936-2009 - - Dia 8 de Janeiro último, morreu aos 72 anos Richard John Neuhaus. - Apenas o conheci pelos livros e revistas, mas isso bastou para que se tornasse uma das pessoas mais marcantes da minha formação académica e política. - Filho de um ministro luterano, Neuhaus foi ele próprio pastor luterano até 1990, ano em que foi acolhido na Igreja Católica. Bastou um ano para que fosse ordenado sacerdote, e padre católico ficou até à morte. - Com louvável empenho no ecumenismo, contactou com papas, presidentes, padres, pastores, filósofos... - Fundou em 1990 a revista First Things, revista de Religião, Cultura e Vida Pública, cuja leitura vigorosamente recomendo. (versão digital: http://www.firstthings.com/ ) - Escreveu com Peter L. Berger, amigo e sociólogo, “ To Empower People: From State to Civil Society ”, onde defendeu o princípio da subsidariedade com exemplos prácticos em termos d’aquilo que podia ser feito com políticas públicas. Havia e há que devolver à...