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Partido Republicano - ser ou não ser?

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 (publicado originalmente no Ingovernáveis ) Eco e Narciso (1903) - John William Waterhouse Eco e Narciso Na mitologia grega, Eco era uma linda ninfa que gostava de caçar e de passear pelos bosques. Eco era também conversadora e fazia questão ter sempre a última palavra. Um dia, a deusa Hera suspeitou que o seu marido Zeus se andava a divertir com as ninfas e foi à sua procura no Monte Olimpo. Pelo caminho, Hera encontrou Eco que a tentou distrair com a sua conversa. Quando percebeu que Eco estava a tentar proteger Zeus com o seu discurso, Hera ficou furiosa e condenou-a ao silêncio, não lhe deixando começar mais nenhuma conversa e permitindo-lhe apenas repetir as últimas palavras que terceiros eventualmente lhe dirigissem. Eco sofria pelo discurso que perdera, mas um dia viu um rapaz chamado Narciso a caçar e imediatamente ficou encantada com a sua beleza. Queria falar-lhe, mas não conseguia. Cansado, Narciso aproximou-se dum lago para beber água e recuperar forças mas, olhando o ...

um mundo sem misericórdia

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(publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis )   por Alejandro Navas, Professor de Sociologia da Universidad de Navarra (Nota do tradutor: o processo da lei da eutanásia em Espanha acompanha no tempo e na forma o processo da lei da eutanásia em Portugal. A argumentação de Alejandro Navas é muito pertinente e aplica-se perfeitamente ao nosso caso.) A propósito de Heinrich Böll e o processo da lei da eutanásia em Espanha Voltamos a debater a eutanásia, no seguimento da tramitação do correspondente projecto de lei por parte do Governo Espanhol. Os argumentos são conhecidos. Voltou-se a sublinhar que essa práctica contradiz o  ethos  médico, tal como se formula desde Hipócrates: antes de tudo, não fazer dano. Consequentemente, curar, aliviar e consolar. Há razões de ciência e consciência para nos opormos à pretensão de converter o médico em carniceiro. Se nunca esta  praxis  se justificou, o recente desenvolvimento da medicina paliativa torna-a ...

a vida é um desempate permanente

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(originalmente publicado no Jacaré )   Postal antigo alusivo aos Campinos As grandes searas da campina, embora desafiem as alentejanas, não lhes levam a palma. Mas o toiro que irrompe do curro, negro e luzidio, e o cavalo que o espera, nédio e nervoso entre as esporas do cavaleiro, esses não temem confronto e são o produto específico da terra ribatejana. Só nela o puro-sangue pode encontrar o seu húmus, a virgindade dum solo que um deus ainda visita e fecunda. Ele e o homem que o domina, não em luta desigual e traiçoeira, mas saltando-lhe para o lombo indomado ou recebendo-lhe a marrada impetuosa e cega no peito. Na articulação dos três lados do triângulo – campino, cavalo e toiro – conjugam-se as últimas forças viris que restam a Portugal dos tempos livres da Criação, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou. As sociedades protectoras de animais quadrúpedes e bípedes têm-se esforçado por negar à vida a legítima afirmação das suas leis profundas. O instinto, poré...

in memoriam - Fernando Reynolds Quintella (1991-2017)

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 24 de Setembro  de 2017) Na triste noite de 15 de Setembro, ali na praça da Moita, um toiro feriu de morte o forcado Fernando Quintella. Tive a graça de ser seu amigo e aqui lhe rendo esta singela mas sentida homenagem. Fernando Quintella, dos F.A. de Alcochete, um dos melhores forcados que vi pegar O Fernando era uma pessoa exemplar: homem de família, bom amigo, um dos melhores forcados dos últimos anos, muito português, excelente animador de campos de férias, agricultor e, entre muitas outras qualidades suas, tinha uma marca de santidade e a bondade que a ninguém deixava indiferente.  Há pessoas que passam por nós e que, pela alegria e a simplicidade de nos bem-querer, nos deixam sempre de boa disposição e com o ânimo bem alto. Foi assim que vi o Fernando ao longo dos anos em que o Senhor me deu a graça de o conhecer. Estava certamente mais preparado que nós para aquilo que infelizmente ...

sacrifícios vãos - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 27.01.2017) Antes de 1974 sacrificou-se a democracia para se manter o império. Depois de 1974 sacrificou-se o império para se ganhar a democracia. A partir de 1986 sacrificou-se a independência para se aceder à Europa. Desde 2002 sacrificou-se a moeda própria para se atingir a prosperidade. Em 2017 não temos império, nem democracia, nem independência, nem Europa, nem moeda, nem prosperidade. Temos apenas um conjunto de más decisões baseadas em premissas falaciosas. Temos um país endividado e pessoas com uma carga fiscal insuportável. Trocámos a nossa realidade por utopias e ficámos practicamente sem nada. Disto tudo que perdemos, o que podemos recuperar? Do império, apenas os laços culturais e comerciais. Da democracia, devolver a Lisboa a capacidade legislativa que foi transferida para os deputados estrangeiros em Bruxelas e Estrasburgo, e que produzem a esmagadora maioria das leis apli...

manifestação pela Vida no Sábado dia 11, às 15h

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A não perder esta manifestação! É essencial dar a voz a quem ainda não a tem, e reclamar os Direitos Humanos para todos, sem excepção. A actual lei do aborto já matou mais de 80 mil crianças em Portugal (ver estudo apresentado hoje pela FPPV ), e este é o apelo que o Lobby Pela Vida faz: Manifestação para assinalar 5 anos da lei que já matou 80 mil No ano em que se assinalam 5 anos do referendo que abriu caminho para a actual lei do aborto, serão várias as acções que irão decorrer para avivar a memória da população portuguesa em relação a este flagelo silencioso. Assim, o Lobby Pela Vida vem promover uma manifestação pública no dia 11 de Fevereiro às 15h em frente à “Clínica” dos Arcos, para afirmar que a Vida prevalece sempre. Esta manifestação vai relembrar que a actual lei do aborto (e sua aplicação maximalista) mudou muita coisa na sociedade portuguesa: Mais descrença na Vida Humana. Cerca de 20 mil abortos em Portugal cada ano mostram que o aborto aumentou exponencialmente desd...

a história de Asia Bibi

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Asia Bibi é o nome de uma jovem cristã paquistanesa que está condenada à morte por ter bebido água de um poço. Será possível? É possível e foi isso mesmo que aconteceu, Asia bebeu água de um poço e não podia porque era cristã. Numa manhã de trabalho na província do Punjabe, Paquistão, várias mulheres apanham bagas no campo. Uma delas é cristã e chama-se Asia Bibi, e as outras mulheres são muçulmanas. Asia recebe um salário menor do que as muçulmanas, mas não estranha isso nem protesta, é uma prática normal naquela zona do mundo e ela está habituada. Ao meio-dia está um calor que chega aos 45º. Asia Bibi aproxima-se do poço e bebe umas canecas de água para recuperar forças. Uma das mulheres repara e diz alto para as outras: - Oiçam todas, esta cristã conspurcou a água do poço ao beber pelo nosso copo, e ao mergulhá-lo na água por diversas vezes. Agora a água está impura! Já não a podemos beber, por causa dela! Asia, sentindo-se injustiçada, respondeu: - Penso que Jesus teria um ponto de...

vencedores, derrotados, surpresas e expectativas

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Vencedores: - Pedro Passos Coelho : Conquistou o voto pela personalidade simpática e autêntica, e por isso confiável. Tem alguma credibilidade mas também suscita algumas dúvidas pela novidade de certas ideias que traz pela primeira vez à política portuguesa. A sua margem de manobra está condicionada pelo cumprimento do acordo com a ajuda internacional e pela crise económica em que vivemos. Mas todo o vencedor tem direito a um "estado de graça", por mais curto que seja. - PPD/PSD : Teve 38,6% dos votos e elegeu 105 a 108 deputados (falta atribuir os 4 deputados dos emigrantes, e o PSD conseguirá 2 ou 3 deles). Esteve perto da maioria absoluta, que se consegue com 116 dos 230 deputados da Assembleia da República. Será inequivocamente o partido líder do novo Governo. - CDS/PP : Obteve a melhor votação dos últimos 28 anos, teve 11,7% dos votos e 24 deputados, tantos quanto a CDU mais o BE juntos. Terá 3 ou 4 ministros no novo Governo. Ganhou em tudo menos nas expectativas ainda m...

como contar a história do candidato

Eu venho de uma longa linhagem de lenhadores - começa o vídeo enquanto o candidato sobe para o tronco de uma árvore já sem ramos e começa a balançar o machado. - Sempre fui rápido a tirar um grande pedaço de madeira, e estou preparado para cortar a despesa excessiva que há em Washington. - E Sean Duffy conclui: - "I'll bring the axe to Washington", Vou trazer o machado para Washington. ( NY Times ) Sean Duffy é o candidato republicano ao Congresso pelo 7º distrito do Estado do Wisconsin. O Wisconsin tinha uma tradição republicana enraizada, mas nos últimos 18 anos votou maioritariamente democrata. Sean Duffy pode ajudar o Partido Republicano (GOP) a recuperar o Wisconsin, tal como se prevê nas próximas eleições. Duas características das campanhas eleitorais é que deve apresentar a história do candidato de forma coerente, por um lado, e conectar emocionalmente com os valores do eleitorado, pelo mesmo lado. Só assim é que se ganha a atenção das pessoas, e a partir daí pode...

o futuro do cristianismo

- A Verdade não muda, resiste e continua pelos séculos. Mas parece ser que o futuro do cristianismo como grande religião passa cada vez mais por converter os asiáticos, que são os Bárbaros do século XXI, e que dominarão esta civilização decadente e sem valores, comparável à Grécia e à Roma dos piores tempos. Ou nos tornamos verdadeiramente conscientes da guerra cultural em que vivemos e travamos esta espiral de perda de valores e de relativismo moral... ou o melhor é começarmos a estudar as culturas chinesa, hindu e árabe. Os maiores inimigos da civilização ocidental não estão fora, mas dentro e muito activos - em várias frentes, uma das quais a legislativa. -

a família unida - um valor a defender

- (...) - O pai disse-lhes então: - Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos. - (...) - in "Parábola dos Sete Vimes", de Trindade Coelho (1861-1908). -

o viver patriota

- Por isso, o viver patriota não é fácil, principalmente num meio em que as almas, incolores, duvidosas da sua existência, materializadas , não atingem a vida da Pátria, rastejando cá em baixo, entretido em mesquinhas questões individuais e partidárias. Mas para Portugal continuar a ser, precisamos de elevar até ele a nossa pessoa e conhecê-lo na sua lembrança e na sua esperança, na sua alma, enfim. - in "Arte de Ser Português", de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) -

olha que este post tem bolinha...

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Conheço poucos programas que, sendo proíbidos a menores de 18, sejam verdadeiramente aconselháveis a maiores. Afinal estamos a brincar a quê? Aos fortalhões que acham que já não se podem corromper?

o direito ao voto revisto pel'A Conspiração

- Proponho que o direito ao voto seja um direito conquistado, e não apenas dado a quem faz 18 anos e simplesmente se dirige à Junta de Freguesia para preencher os papéis em cinco minutos. O direito ao voto conquistar-se-ia fazendo 50 horas de trabalho comunitário, ou de serviço social. - A lista de oportunidades seria muito ampla, à escolha do cidadão que quer votar pela primeira vez: pode ser o voluntariado numa ONG, num lar de idosos, em visitas a prisões, na sopa dos pobres, no Dia da Defesa Nacional, em serviços de limpeza, ou de jardinagem pública, e por aí fora. 50 horas passam num instante, é por exemplo um fim-de-semana dedicado a uma causa. - O voto seria assim mais informado e consciente. O facto de ser conquistado e não apenas dado tornaria o voto mais valioso para o eleitor que o usa ou dele prescinde. Isto porque o voto e a abstenção têm de significar algo de mais concreto do que aquilo que hoje em dia significam, que é muito... e também é nada. -

felicidade triste

- Quem inventou que triste não é feliz? Quem não é feliz é infeliz, que é muito diferente de se ser triste! A tristeza, por exemplo, costuma até ser bela - coisa que a infelicidade nunca é. Qualquer português pode e deve ser feliz, mas... sendo português, nunca deixará de ser triste. É uma e outra coisa, sem prejuízo para ambas. Um pouco ao jeito do contentamento descontente pelo Poeta cantado. -

d'a arte de ser português

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- - - Sim: o bom português necessita de conhecer e comungar a alma pátria, a fim de se guiar por ela, no seu labor. Depois legislará, reformará ou criará literária e artisticamente uma obra duradoura e útil. - - in "A Arte de Ser Português", de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) -

cuidado com a universidade que escolhes

- Só há um critério válido para escolher bem uma Universidade. Não é pelo prestígio que a escolho, nem pelas suas taxas de empregabilidade. Nada disso, o que tenho que fazer é uma pergunta muito simples: confio ou não nos valores morais desta universidade? - Na universidade, tudo o que extravasa a ciência exacta, é manipulação política. Tudo. E quanto maior o grau e ritmo do desafio (pós-graduação, mestrado, doutoramento), mais conhecimentos nos metem goela acima, sendo difícil filtrar o que é mau e indesejável. Não temos escolha senão assimilarmos quase tudo sem cuidados. - Para levar um curso a sério, é preciso fazer constantemente a promessa "não deixarei que me contaminem", tendo por certo que o farão. Estudar numa universidade e estar consciente daquilo que me fazem aprender para ter boas notas, é uma de duas: - - ou a coragem de confiar nos valores que a instituição à partida me propõe; - - ou a soberba temeridade de pensarmos que, à parte do canudo, vamos sair de lá ig...

uma oportunidade para compreender os nossos jovens

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- "Hunter x Hunter" é um anime que vale a pena conhecer. A exibição do primeiro episódio data de 1999 e baseia-se na história manga que continua hoje a ser calmamente escrita pelo seu autor de sempre, Yoshihiro Togashi. (Nota: por manga entenda-se a banda desenhada japonesa e por anime , os respectivos desenhos animados na TV.) - Trata-se da história de 4 amigos que, entre perigosas aventuras vividas no limite, crescem juntos nos valores japoneses que lhes são incutidos enquanto frequentam os exigentes exames de caçador. Estes desenhos animados falam de honra e de verticalidade, aquilo que por cá se tornou difícil encontrar... - No entanto, nada de confusões: são episódios para serem vistos com os pais, pelo menos até aos 15 anos. É que, a cultura japonesa, tem aspectos que exigem alguma preparação/maturidade para serem entendidos sem causarem lamentáveis danos colaterais na formação dos nossos jovens. É preocupante saber como certos pais não se interessam pelo anime , ou ...

pela ética da convicção, contra o voto útil

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- Um dos melhores filmes que conheço é o Reino dos Céus ( Kingdom of Heaven - 2005), dirigido por Ridey Scott e escrito por William Monahan. O facto de ser um romance histórico, e a necessidade de tornar a narrativa mais cativante e cinematográfica, não garantem precisão histórica, mas em todo o caso esta é uma excelente história que Ridley Scott nos conta. Tendo como pano de fundo a reconquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, vemos os extremistas de parte a parte a incitar à guerra que lhes interessava por "vontade de Deus". Este filme tem uma riqueza de conteúdos que permite ser o ponto de partida de várias discussões filosóficas e morais, mas hoje interessa-me aqui citar uns diálogos do "Reino dos Céus" que bem ilustram as éticas de Max Weber em confronto: a "ética da convicção" versus a "ética da responsabilidade". - Rei Balduíno IV (R) - Decidimos que deverá tomar comando do exército de Jerusalém. Se eu deixar o exército com o Guy, e...