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A história do Roaring Lion

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“The Roaring Lion” (1941), de Yousuf Karsh     "The Roaring Lion" é uma célebre fotografia de Winston Churchill no Parlamento do Canadá, apenas três semanas depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Depois do discurso “Some chicken, some neck” aos deputados canadianos, Churchill foi levado pelo Primeiro-Ministro anfitrião Mackenzie King até uma sala onde os esperava o fotógrafo Yousuf Karsh. Churchill não gostava nada de fotografias e estava aborrecido por ter sido apanhado naquela situação sem querer. Mais zangado ficou quando Karsh lhe pediu para pousar o charuto para que o fumo não interferisse com a imagem. O Primeiro-Ministro britânico recusou-se. Então, Karsh aproximou-se rapidamente de Churchill e tirou-lhe o charuto da boca enquanto dizia “forgive me, Sir” com toda a naturalidade. Quando voltou para trás da câmera, o fotógrafo observou que Churchill tinha uma cara de confronto e um olhar tão feroz, tão beligerante que quase o poderia devorar. Logo após tirar a foto...

Eutanásia - carta a todos os deputados

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Lisboa, dia 22 de Maio de 2018 Exmo. Senhor Deputado  [NOME] Assembleia da República  Portuguesa Senhor Deputado  [NOME] , Chamo-me António Vieira da Cruz, sou portador do cartão do cidadão [--------] e voto em Lisboa. Escrevo porque sei que a Assembleia da República irá debater e votar nos próximos dias uma proposta de legalização da eutanásia. Edvard Munch - A dança da vida (1899) Já vivi em países onde a eutanásia está legalizada, como a Bélgica ou o Canadá, mas V.Exa. estará certamente a par do impacto desta práctica nesses países e dos números que confirmam o cenário da   slippery slope , a tal “rampa deslizante” que vai afectando cada vez mais vidas. Para ilustrar este fenómeno, por exemplo, a Bélgica viu um aumento de 769% de eutanaziados nos primeiros 10 anos completos (2003-2013) depois da entrada da lei em vigor no ano de 2002. Na Holanda os casos de eutanásia têm aumentado cerca de 10% cada ano, com 6091 eutanásias em 2016...

A necessidade da religião no espaço público

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 10 de Setembro de 2017) Sou católico. Apenas isso não me define por completo, mas é parte importante daquilo que sou, apesar das regras da sociedade quererem esconder essa parte de mim. Pelo contrário, defendo que a religião merece estar mais presente no espaço público, seja através de procissões, da comunicação social, de debates, de manifestações livres de religiosidade (quer individuais, quer de grupo) e até no discurso político. Há quem queira (seja por ideologia, convicção, medo ou vergonha) acantonar a religião aos espaços que existem para o efeito, como as igrejas e suas sacristias, expulsando os religiosos das escolas, hospitais e outras instituições que fundaram ao longo do tempo, substituindo-os sucessivamente e eliminando qualquer rasto que da sua passagem tivesse porventura ficado. Eu quero mostrar que uma presença maior da religião no espaço público é não só boa como necessária para a liberdade ...

As Cortes na República

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 1 de Junho de 2017) Vejo várias vantagens na monarquia. Mas o que eu menos gosto nas monarquias é da Corte no seu pior sentido, entendendo-a como aquele conjunto de pessoas que rodeiam o  monarca  para obter privilégios e poder sobre os demais. Os snobs , sem nobreza, ostentam títulos e  buscam  outras formas de poder como um fim em si mesmo; já os nobres, mesmo quando sem título, reconhecem que o poder de que dispõem não é verdadeiramente seu e que deve ser posto ao serviço do Bem Comum em geral e do próximo em  concreto . Cortes Constituintes  Vintistas  (1820) Custa-me ver que tantas repúblicas e republicanos convictos acabaram com tantas tradições boas e úteis da realeza ao mesmo tempo que reforçaram o seu pior defeito: a Corte.  No posto dos pequeninos adula dores passámos a ter lugar cativo para vários grupos de pressão  muito mais brutos , num esquema client...

a partida de um bravo

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- Richard John Neuhaus, 1936-2009 - - Dia 8 de Janeiro último, morreu aos 72 anos Richard John Neuhaus. - Apenas o conheci pelos livros e revistas, mas isso bastou para que se tornasse uma das pessoas mais marcantes da minha formação académica e política. - Filho de um ministro luterano, Neuhaus foi ele próprio pastor luterano até 1990, ano em que foi acolhido na Igreja Católica. Bastou um ano para que fosse ordenado sacerdote, e padre católico ficou até à morte. - Com louvável empenho no ecumenismo, contactou com papas, presidentes, padres, pastores, filósofos... - Fundou em 1990 a revista First Things, revista de Religião, Cultura e Vida Pública, cuja leitura vigorosamente recomendo. (versão digital: http://www.firstthings.com/ ) - Escreveu com Peter L. Berger, amigo e sociólogo, “ To Empower People: From State to Civil Society ”, onde defendeu o princípio da subsidariedade com exemplos prácticos em termos d’aquilo que podia ser feito com políticas públicas. Havia e há que devolver à...