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flexibilidade moral é terreno fértil para os sofistas

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Há uns tempos falava-se das bondades da "flexisegurança", da necessidade de flexibilizar a contratação e o despedimento, da flexibilização do trabalho e dos horários. São temas que hão-de voltar mais cedo que tarde. Mas hoje trago à Conspiração uma flexibilidade realmente perigosa: a flexibilidade moral. De facto, há trabalhos onde se pede ao contratado uma grande flexibilidade moral para defender valores que não são os seus e vestir uma camisola que não é a sua. Às vezes, até se defendem os valores que não são de ninguém. Há casos reais e diferentes tipos de escravatura no século XXI. Mas a mais perigosa de todas é a escravidão da consciência. O que torna a consultoria em comunicação um trabalho eticamente difícil é que o compromisso que temos para com a verdade passa para segundo plano. Nesta área da comunicação política e empresarial, muito raramente se tem em conta a verdade entre os objectivos propostos e que quando cumpridos valem como "sucesso". A reputação ...

os patriotas da língua que afinal são só garganta

- Raramente aprecio citações embutidas num texto ou em um qualquer discurso. Se for muito necessário fazer a citação, contento-me bastante mais se ela for precedida e seguida de espaços ou momentos de silêncio. O silêncio realça o texto, que fala por si, e que não fica submetido ao barulho das nossas intenções. Não creio que, como alguns gostam de dizer, as citações demonstrem a falta de ideias próprias de quem as faz, antes pelo contrário, penso que normalmente demonstram capacidade de relacionar ideias. - Mas o mal das citações é esse mesmo! É que, na maioria das vezes, estamos a trair o sentido que o autor original queria dar a essas palavras, muitas vezes sem querermos, e noutras vezes de propósito, só para servir as nossas argumentações. Estas últimas são as mais infames. - Em vésperas de eleições europeias lembro aqueles que se apoiam n' a minha pátria é a língua portuguesa de Pessoa para reduzir a pátria somente à língua e poderem entregar Portugal ao comando europeu sendo ...

prémio rosa murcha - I

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- - A Conspiração das Teorias inaugura desta forma o "Prémio Rosa Murcha", que visa distinguir aqueles socialistas e colaboracionistas do socretinismo que se destacaram pela sua especial incompetência, gaffes , ou por seus tiques tirânicos. Elisa Ferreira é a primeira infeliz contemplada, e a escolha é merecida: para além de não mostrar vergonha em concorrer simultaneamente a duas eleições para cargos públicos profissionalmente irreconciliáveis - deputada europeia e a presidência da Câmara Municipal do Porto -, em lugares elegíveis e tomando os eleitores por ignorantes descerebrados, teve o descaramento de dizer em campanha autárquica: - Pintaram os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS! - - O dinheiro do Estado é do PS? Exmos. eleitores, desta Elisa, free Porto! -

a criminalidade e os bairros sociais em análise

- Sobre os últimos incidentes de criminalidade ocorridos em bairros sociais, algumas notas breves: - 1. Por causa de pequenos grupos de delinquentes, há bairros sociais que são estigmatizados como um todo, a muitos níveis, até na busca de emprego. Conheço pessoas que, para além da carga social de serem pobres, desempregados, deficientes ou de outras raças (que mania palerma agora, a de chamarem "etnias" às raças!), se puderem, não dizem em que bairro moram, porque já lhes aconteceu serem prejudicadas por o dizerem. É necessário estimular os grupos e as lideranças desses bairros para que mostrem as coisas boas que têm à sociedade, e que a comunicação social dê também antena a iniciativas positivas, e não apenas aos acontecimentos negativos. O contraditório e o direito de resposta valem para indivíduos, empresas e partidos que querem defender os seus egos, mas infelizmente ainda não serve para limpar a imagem de bairros inteiros que, muitas vezes, é injustamente manchada. - 2. ...

algumas virtudes d'um chefe de família

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- Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum. - Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos. - - in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro -

castidade, a proposta que combate a SIDA

A propósito das sábias mas "politicamente incorrectas" declarações do Papa acerca dos preservativos e da abstinência, traz-se à Conspiração este belíssimo exemplar de comunicação que é um vídeo da campanha moçambicana de prevenção contra o vírus SIDA/AIDS/HIV. É na castidade e na lealdade que está a resposta que combate a promiscuidade sexual, que é a base do vertiginoso aumento do contágio de SIDA em África e, cada vez mais, na Europa. Não conheço uma campanha publicitária de preservativos (Control, Durex, etc.) que desincentive esta mesma promiscuidade sexual. Zero. Nenhuma! Antes pelo contrário, incentivam e contribuem na medida do possível para o crescimento deste lucrativo pântano onde chafurdam.

alvo certo, mira torta

- As investigações jornalísticas ao “Caso Fripór” ( Freeport ?) e todos os ataques pessoais à credibilidade de José Sócrates, só têm tido o reverso e indesejável efeito: ajudar o Primeiro-Ministro a consolidar a sua privilegiada posição nas sondagens, nomeadamente face ao PSD, seu mais directo concorrente. - Como é possível? É possível. É possível porque as pessoas pouco ligam se um governante é mais ou menos corrupto, ou mais ou menos honesto, desde que os seus direitos, crenças e economias não lhes sejam tirados às claras ou em reconhecível quantidade. As pessoas desculpam favorecimentos aos amigos e à família do titular de um cargo, mas não perdoam uma brusca subida de impostos. A gente fecha os olhos a desvios éticos, mas não esquece a perda substantiva do poder de compra. - Sejamos claros, este Governo é perigoso e o Primeiro-Ministro uma nódoa. Contudo, a oposição partidária e jornalística ainda não acertou no alvo. Enquanto se fala de fripórs, licenciaturas, faxes, projectos ind...

quando há fé e boa vontade...

- - ... tudo se consegue. Mesmo quando somos pequenos, é possível contagiar os outros com o bom exemplo. Mesmo quando nos achamos sozinhos, podemos ser o princípio de esforços que se unem. Yes we can . -

toca a reunir

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- No dia 24 de Janeiro, o Papa Bento XVI deu um importante passo ecuménico ao levantar as excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) que haviam sido ilicitamente consagrados em 1988, e que hoje devem ser por nós acolhidos na Igreja. - No entanto, parece que as habituais vozes barulhentas que se ouvem fora da Igreja contagiaram desta vez com algum sucesso certas facções da Igreja que, desde o levantamento das excomunhões, subiram o tom das provocações entre si a níveis pouco dignos. O problema, ao contrário daquilo que os media nos querem vender, não está tanto entre os mais altos responsáveis de ambas as partes - que em geral têm pedido desculpas quando porventura cometem excessos -, mas no vírus do ódio já infiltrado entre alguns leigos. Tenho lido muitos artigos de progressistas, bastantes blogues de tradicionalistas, tantos insultos, tanta raiva, tanto extremismo, de parte a parte... parem, chega, já basta! - Como querem amar com tanto ódio? Como ...

Obama, ou a vitória da "causa dos direitos civis"

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- J.F. Kennedy terá dito a Martin Luther King que, antes do fim do século XX, um negro chegaria à presidência dos Estados Unidos. Ontem cumpriu-se meia profecia – a sua promessa do homem na lua antes da década de 60 terminar foi cronologicamente mais certeira. Em boa verdade, JFK e o Dr. King são os grandes testadores da oportunidade política que Obama herdou. JFK, democrata dotado de grande oratória e capacidade de liderança, mostrou com o seu exemplo que os católicos também podem ser presidentes dos EUA, sem que a sua ligação moral a Roma prejudique a independência exigida no exercício das funções presidenciais. Foi uma barreira derrubada, e os católicos norte-americanos agradecem. Kennedy igualmente apoiou política e pessoalmente a causa dos direitos civis - civil rights movement -, brilhantemente encabeçada por Martin Luther King. King possuía um discurso empolgante e, no seu idealismo, não se limitou a sonhar, actuou e deu o corpo pela igualdade de direitos até à morte. Barack Ob...