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Um momento de temple

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(originalmente publicado no Jacaré ) Tempo Preso num horário e nas investidas arrítmicas das pessoas e dos acontecimentos na vida, arranjo espaço para templar.   Templar É mais do que o tempero e a temperatura do tempo. É mais do que  seasoning . Templar é moderar a vertigem do tempo e apreciar o que passa em câmara lenta. Não se trata de pôr um  frame  no  pause , mas de admirar devagar a sucessão dos acontecimentos, descobrindo a beleza dos pormenores, a verdade de pequenos aspectos, os traços de bondade das suas lições. Podemos templar na acção como na admiração. Templar é provar, sentir, aprender e guardar na memória. Templar é uma arte.   Peregrinação Nada nos dá maior temple do que a oração, caminhando pela natureza, notando as maravilhas da criação na companhia de pessoas que admiramos mais a cada passo que passa.   Eucaristia O altar onde nos encontramos com o Criador que encarnou para nos salvar, unidos ao seu sacrifício e Palavra.   Anim...

conto - um pinheiro de Natal

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(originalmente publicado no  Jacaré ) Era uma vez, nuns terrenos de areia quase à beira do Tejo, um enorme pinheiro de raízes fundas e braços estendidos ao céu. Era a árvore mais vistosa de todo o Ribatejo e sonhava um dia poder alegrar o Natal de alguma família cristã. Ah, como desejava guardar aos pés os presentes de laçarotes encarnados e fingir que eram os seus sapatos de festa… e queria tanto que o vestissem de fitas e bolas brilhantes, que o trajassem de luzes como aos toureiros e que lhe colocassem à cabeça uma bela estrela tal como aos bolos especiais se põe uma cereja! Um dia de Outono, húmido e frio como pertence à estação, o pinheiro contemplava a grande planície e olhava altivo para os pimentos do campo e para o arroz da lezíria. «Pobres vegetais», pensava o pinheiro para com as suas pinhas, «que estão destinados a um fim tão corriqueiro como a alimentação dos homens em dias sem história». O pinheiro aspirava a mais. Mas, enquanto se entretinha com as certezas da sua no...

Phyllis Schlafly e JK Rowling: destemidas não autorizadas

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(originalmente publicado no Jacaré )   J.K. Rowling lê um qualquer artigo e interroga-se no seu  twitter  acerca dos termos usados:  ‘People who menstruate.’ I’m sure there used to be a word for those people. Someone help me out. Wumben? Wimpund? Woomud? Perante a audácia de sugerir o uso da palavra “mulheres”, logo lhe caiu em cima o pesado lobby dos novos costumes. A autora dos livros da saga “Harry Potter” e de “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” foi prontamente  criticada  por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Eddie Redmayne, actores que deram corpo no cinema aos heróis principais desses livros. Então ela não sabe que dizer a palavra “mulheres” em vez de “pessoas que menstruam” é prejudicial e “apaga a identidade e a dignidade das pessoas transgénero”, indo contra os conselhos médicos para quem é mais propenso a depressões e pensamentos suicidas? “ Não é ódio dizer a verdade ”!, desculpa-se por fim J.K. Rowling. Mas para esta gente, J.K. já não tem...

A semana que passou - uma mão cheia de coisas

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 2 de Outubro de 2017) A mão cheia compõe-se da palma mais os cinco dedos com que tamborilo neste teclado. E com eles se conta numa penada a semana que passou: Mindinho: o caso do roubo do paiol de Tancos Continua o caso do roubo de armas de Tancos sem desenvolvimentos nem solução, e apenas se discute se há relatório ou ainda não. Como assim? Dizia o famoso poeta e gastrónomo Chinês Su Shi 苏轼 (1037-1101) que " As famílias, quando uma criança nasce, querem que ela seja inteligente. Eu, que pela inteligência me tenho prejudicado a vida toda, apenas espero que a criança seja ignorante e estúpida. Assim, terá uma vida tranquila e será um Ministro com gabinete. " Não é preciso dizer mais nada. Anelar: a malograda tentativa de referendo na Catalunha Há muitos ângulos por onde abordar a questão. Barcelona e Madrid, ambos, estão cheios de razão e da falta dela. Não me interessa entrar por aí. ...

a imoralidade da dívida pública - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 04.01.2017) Se Deus quiser, o meu segundo filho há-de nascer em Maio ou Junho deste ano. Cá em casa estamos muito contentes, a sua Mãe, Pai e Irmã mais velha. No entanto, li anteontem uma  notícia  que me inquietou: apesar de uma redução que é de saudar embora seja pontual, a dívida pública do Estado ainda anda na ordem dos 241,8 mil milhões de euros - dados relativos a Novembro de 2016. Vamos ter esse valor em conta mesmo sabendo que o contador da dívida pública Portuguesa  não cessa de aumentar . Sabendo que somos 10,5 milhões de Portugueses para pagar a conta, isto bem dividido entre todos dá cerca de 23 mil euros a cada um. Mesmo o meu querido filho que não tem culpa alguma nesta conta, já tem a responsabilidade de a pagar. Graças aos sucessivos governos de esquerda e de direita, muitas vezes até arvorados em patriotas, o meu filho nascerá não com um mas dois pecados originais: o herdado ...

Insisto! - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 31.12.2016) Pela parte que me toca, este blogue corre o risco de virar mala. A probabilidade existe de facto e é forte. Não creio que este exercício venha a ter um impacto enorme, e se o tiver é depois de longos meses de árduo trabalho e um pouco de sorte. Olho para 2017 e o ano que aí vem desenha-se cheio de desafios a todos os níveis: familiar, pessoal, cultural e profissional. Ademais, tenho uma personalidade que tende para o conforto. Há motivos de sobra para esmorecer. E no entanto, insisto: vamos começar este blogue! Insisto, primeiro que nada, por causa dos meus companheiros desta aventura. O Luís Bessa Monteiro e o João Gonçalo Moreira Pires são velhos amigos, velhos no sentido da azinheira cuja madeira é rija como os seus valores, suas antigas raízes estão bem presas à realidade do chão e seus ramos bem espraiados em direcção a sonhos generosamente banhados pelo sol e por vezes também por...

os dois fins do casamento - Michel Schooyans

Nota de trabalho sobre Os dois fins do casamento por Monsenhor Michel Schooyans Professor emérito da Universidade de Louvain Louvain-la-Neuve, Bélgica, Março 2015             A segunda sessão do Sínodo sobre a família está próxima.  Por ocasião dessa sessão serão rediscutidas três questões entrelaçadas: aquelas da união conjugal, do casamento e a família. Chegamos de fato a uma época da história da humanidade na qual, sem dúvida pela primeira vez, assistimos a um questionamento radical do casamento e da família.  O alvo visado é o casamento e a família, com a sua dupla finalidade: o fim unitivo e o fim procriativo da união do homem e da mulher.  Sua destruição desemboca na desagregação de toda a sociedade humana.  É toda a família humana que é agora atacada, abalada, desnaturada pela ação de correntes ideológicas hostis. Fabricar crianças?       ...

grandes fotografias políticas (IV)

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Para além da expressão nas caras, o que têm estes políticos em comum? Têm em comum que traíram as suas mulheres, tentaram esconder os seus comportamentos, e mentiram ao povo. Negaram primeiro, inventaram alibis e mentiram. Enfrentaram processos para serem demitidos. Finalmente, só perante a certeza das provas apresentadas das suas infidelidades e perante o mais que provável fim da carreira política, apresentaram desculpas públicas às suas mulheres e aos eleitores. Da direita para a esquerda e de cima para baixo: Anthony Weiner (Congressista de Nova Iorque), James McGreevey (ex-Governador de Nova Jérsia), Eliot Spitzer (ex-Governador de Nova Iorque), John Ensign (ex-Senador do Nevada), Bill Clinton (ex-Presidente dos EUA), e Eric Massa (ex-Congressista de Nova Iorque). A expressão em todas estas caras exibe culpa, vergonha, tristeza e desapontamento face às circunstâncias. Mais que isso, há neles desgosto e raiva por verem uma carreira que tanto trabalho lhes deu a construir, cair na la...