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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

o caso Kavanaugh

 (publicado originalmente no Jacaré)

Nas últimas semanas várias notícias têm cruzado o Atlântico com o nome de Brett Kavanaugh, o homem que o Presidente Trump escolheu para substituir o Juiz Anthony Kennedy no Supremo Tribunal dos EUA. O Supremo Tribunal é a última instância de justiça nos EUA e os seus 9 juízes têm a competência de julgar em conjunto os casos que lhes chegam, à luz da Constituição dos EUA e das suas emendas. A Constituição dos EUA, em vigor há 230 anos, é uma das mais curtas e antigas constituições do Mundo. A sua brevidade, uma boa leitura da natureza humana e o contexto cultural americano onde se insere asseguram que este documento seja respeitado até hoje.

Supremo Tribunal dos EUA - Washington D.C.

No entanto, e sobretudo a partir da segunda metade do século XX, alguns juízes adoptaram uma atitude mais subjectiva perante o texto constitucional, fazendo uma interpretação pessoal e livre que adaptasse as normas aos desafios dos tempos presentes – o que quer que isso signifique –, por vezes torcendo argumentos de forma a justificar as suas opiniões e sensibilidades políticas mais íntimas. Estes são os “juízes activistas” que são a maioria no Supremo Tribunal desde os anos 70, controlando-o. São os responsáveis por decisões como a “Roe v Wade” que em 1973 deu um parecer positivo à liberalização do aborto nos EUA. Por oposição, há juízes mais conservadores na interpretação da constituição, que tentam cingir-se ao texto e ao espírito da lei, isto é, o propósito original com que foi feita, tendo em conta a actualidade mas também os autores e a altura em que foi promulgada. Quem segue esta filosofia são os chamados “juízes originalistas”. É óbvio que há vários matizes entre estas duas atitudes ou escolas de pensamento, tantos quantos os juízes que pelo Supremo Tribunal dos EUA têm passado. Porém, é útil simplificarmos a questão desta maneira para compreendermos a principal tensão neste debate nas últimas décadas.

Uma das razões principais pela qual Donald Trump ganhou o voto mais cristão não foi seguramente a sua conduta pessoal, mas o facto de ter apresentado aos eleitores uma lista de candidatos ao Supremo Tribunal dos EUA, prometendo nomear apenas pessoas que constassem dessa lista. Perante a alternativa catastrófica que, no campo dos costumes, personificava Hillary Clinton, estes eleitores sentiram a excepcionalidade do momento e decidiram (apesar de tudo o resto) dar a Trump o voto. Sabendo que os juízes do Supremo Tribunal têm um mandato vitalício e tendo em conta que o juiz originalista Antonin Scalia tinha morrido no final da Administração Obama, era importante para os republicanos impedir que o Presidente Obama nomeasse um juiz activista para o seu lugar e conseguiram adiar essa decisão até que o próximo presidente tomasse posse. Já como presidente, Trump nomeou o juiz originalista Neil Gorsuch que foi aprovado com sucesso no Congresso americano. Esta nomeação encontrou alguma resistência da parte dos Democratas, que enfim se resignaram com o resultado pois o equilíbrio de poder no Supremo Tribunal não tinha sofrido alterações. No entanto, em Junho deste ano o juiz Anthony Kennedy decidiu reformar-se e deixou o seu lugar aberto no final de Julho. Embora não fosse um dos juízes mais activistas, Kennedy alinhava regularmente com eles. A sua substituição por um juiz originalista resultaria numa histórica alteração de equilíbrio no Supremo Tribunal dos EUA, ficando os conservadores em maioria talvez pela primeira vez nos últimos 50 anos.

Este é o contexto em que o Presidente Trump nomeia Brett Kavanaugh, um originalista, para juiz do Supremo Tribunal. Com um curriculum profissional adequado para o cargo a que é proposto, Kavanaugh não agrada aos Democratas por três razões: 1) é originalista; 2) vai substituir um activista e remetê-los a uma minoria no Supremo Tribunal; e 3) fez parte da equipa do procurador Kenneth Starr na investigação que este conduziu ao Presidente Bill Clinton. Com Kavanaugh no Supremo Tribunal, os Clinton são duplamente atingidos por dois fantasmas: a hipótese de decisões que lhes são tão caras no campo dos costumes serem revogadas, como a “Roe v Wade” sobre o aborto ser revista à luz do direito constitucional da inviolabilidade da vida humana; e a possibilidade das informações recolhidas por Kavanaugh nessa investigação a Clinton encontrarem novos seguimentos.

O resto da história já conhecemos. Sabendo que os republicanos têm a maioria no Senado e que iriam confirmar Kavanaugh como o próximo juiz do Supremo Tribunal, os democratas vão tirando da sua cartola todos os coelhos que puderem de forma a adiar essa decisão para depois das próximas eleições intercalares de 6 de Novembro, onde esperam ganhar lugares suficientes para impedir esta nomeação e propor outro juiz que seja do seu agrado. Trump também não está imune a críticas, pois esta divisão e constante clima de confronto servem os seus propósitos eleitorais de reeleição em 2020. E partindo do princípio que Kavanaugh é inocente dos oportunistas escândalos de que foi acusado no último momento, pelo meio fica um reputado homem e a sua família destroçados.

Em relação à tensão entre originalistas e activistas, apenas deixo mais uma questão: não seria melhor que os juízes fizessem justiça de acordo com a lei e os políticos apenas legislassem? Defendo que se deve preservar o mais possível a independência entre o poder político e judicial: os juízes devem interpretar a lei como ela é, mesmo que pessoalmente com ela não concordem; e os políticos devem legislar, fazer emendas e alterações às leis sempre que acharem necessário. É para isso que lá estão. Esta extrapolação de competências em ambos os lados prejudica o Estado de Direito - Rule of Law.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Eutanásia - carta a todos os deputados



Lisboa, dia 22 de Maio de 2018

Exmo. Senhor Deputado [NOME]
Assembleia da República Portuguesa


Senhor Deputado [NOME],

Chamo-me António Vieira da Cruz, sou portador do cartão do cidadão [--------] e voto em Lisboa. Escrevo porque sei que a Assembleia da República irá debater e votar nos próximos dias uma proposta de legalização da eutanásia.

Edvard Munch - A dança da vida (1899)

Já vivi em países onde a eutanásia está legalizada, como a Bélgica ou o Canadá, mas V.Exa. estará certamente a par do impacto desta práctica nesses países e dos números que confirmam o cenário da slippery slope, a tal “rampa deslizante” que vai afectando cada vez mais vidas. Para ilustrar este fenómeno, por exemplo, a Bélgica viu um aumento de 769% de eutanaziados nos primeiros 10 anos completos (2003-2013) depois da entrada da lei em vigor no ano de 2002. Na Holanda os casos de eutanásia têm aumentado cerca de 10% cada ano, com 6091 eutanásias em 2016 a representar mais de 4% das causas totais de morte nesse país. Vejo o Canadá caminhar na mesma direcção e os números relativos ao Luxemburgo e à Suíça são igualmente preocupantes.

Para além de uma cuidada análise dos números e daquilo que estes representam, esta questão exige de nós uma abordagem humana e socialmente responsável. Por isso é que eu, sendo parte de uma sociedade civil que também é chamada a reflectir sobre a eutanásia, convido V.Exa. a comigo pôr-se na pele:

- do Doente, que está frágil e vulnerável, com dores e em sofrimento, mas intacto em dignidade humana;
- da Família e outros Cuidadores, que acompanham o Doente naquele momento de grande fragilidade e vulnerabilidade, dando-lhe ânimo, paz e esperança para combater o sofrimento;
- do Médico, em quem o Doente confia para ser tratado, das dores aliviado e - se possível - curado;
- do Estado, que tem o dever de acudir pelo menos aos mais fragilizados da sociedade, dando um enquadramento legal que os protege e, se chamado, agindo como entidade de Bem;
- do Legislador, que legisla tendo em conta o Bem Comum.

Senhor Deputado, neste caso, o Bem Comum é realmente coincidente: o bem do Doente, da Família e outros Cuidadores, do Médico e do Estado é a protecção da vida humana. A hipótese da eutanásia destrói a relação de confiança entre o Doente e o seu Médico. A hipótese da eutanásia acrescenta ao Doente sofrimento e o peso da dúvida na altura em que está mais vulnerável. Se efectuada, a eutanásia não elimina o sofrimento, elimina sim uma vida e aumenta ainda mais o sofrimento de quem cá fica. A eutanásia é uma desistência de tratar, cuidar, acompanhar. E no entanto, os cuidados paliativos nunca foram tão eficazes e avançados como são hoje.

Infelizmente, nos últimos anos o Estado tem-nos falhado em várias áreas. Mas o Estado é feito de pessoas e errar é humano. O que não posso conceber é que o Estado se demita deliberadamente de uma obrigação fundamental sua, a de zelar pelo Bem Comum e a protecção legal dos mais fracos.

Espero de V.Exa. que legisle em prol do Bem Comum.

Obrigado pela atenção e os melhores cumprimentos,
António Vieira da Cruz, Português, 32 anos.

domingo, 21 de janeiro de 2018

A necessidade da religião no espaço público

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 10 de Setembro de 2017)

Sou católico. Apenas isso não me define por completo, mas é parte importante daquilo que sou, apesar das regras da sociedade quererem esconder essa parte de mim. Pelo contrário, defendo que a religião merece estar mais presente no espaço público, seja através de procissões, da comunicação social, de debates, de manifestações livres de religiosidade (quer individuais, quer de grupo) e até no discurso político. Há quem queira (seja por ideologia, convicção, medo ou vergonha) acantonar a religião aos espaços que existem para o efeito, como as igrejas e suas sacristias, expulsando os religiosos das escolas, hospitais e outras instituições que fundaram ao longo do tempo, substituindo-os sucessivamente e eliminando qualquer rasto que da sua passagem tivesse porventura ficado. Eu quero mostrar que uma presença maior da religião no espaço público é não só boa como necessária para a liberdade de todos, incluindo a dos que não crêem.

Imperador Constantino num mosaico
da Basílica de Santa Sofia em Istanbul
(antiga Constantinopla)
Ao longo da História, os vários regimes absolutos, totalitários e ditaduras musculadas não conviveram pacificamente com as religiões e igrejas do território. Se pensarmos no Império Romano dos primeiros séculos depois de Cristo, no reinado de Henrique VIII em Inglaterra, na Alemanha Nazi ou na União Soviética e respectivos satélites comunistas, por exemplo, vemos como a relação do Estado com a religião foi de tal modo conflituosa que este perseguiu-a, modificou-a, substituiu-a ou aboliu-a. Noutros casos, como no Império Romano de Constantino, nos vários Reinos Cristãos da era medieval ou nos Califados Islâmicos, foi política então que determinada religião ou igreja se tornasse na oficial do Estado. E se é verdade que muitos dos países de maioria muçulmana são "repúblicas islâmicas" ou outro tipo de teocracias onde sharia é a lei aplicada, os Estados Papais já não existem desde a unificação de Itália em 1870. Como bem notava Alexis de Tocqueville uns 40 anos antes a propósito da sua viagem à América, "a religião não pode partilhar a força material com os governantes sem chamar a si uma parte dos ódios que eles suscitam". Com efeito, ao se ver liberta das responsabilidades do poder temporal, a Igreja Católica pôde dedicar-se única e exclusivamente (e com redobrada credibilidade) à sua missão espiritual de dar Jesus Cristo a conhecer a todas as gentes, para salvação das suas almas e para maior glória de Deus...

Fachada do bloco central do Parlamento Canadiano
Numa intervenção pública que fiz no Parlamento do Canadá em Otava há cerca de 4 anos atrás, diante de vários deputados e representantes das diversas religiões, pude sublinhar o papel da religião na defesa das liberdades, como a de pensamento e a de expressão. De facto, é distinta a natureza dos discursos político e religioso: enquanto que o político está primeiramente preocupado com a conquista e manutenção do poder, o religioso busca antes de nada alcançar a verdade das coisas. Por esta razão, a propaganda e práctica política de regimes mais autoritários tende a conviver mal com o discurso religioso, a liberdade religiosa e tudo o mais que seja da esfera da religião. Assim, defender a liberdade religiosa e a existência livre da religião no espaço público são a melhor garantia de que as liberdades de pensamento, de imprensa, de associação e de expressão não serão postas em causa. Deste modo, o poder político encontra contra-pesos dissuasores para que não degenere em tirania.

Sente-se, além do mais, a falta do discurso religioso numa sociedade cada vez mais atomizada, egoísta, só, utilitarista, gananciosa, promíscua, sem vínculos duradouros nem honra, relativista, pornográfica, violenta... numa palavra: desmoralizada. Alexis de Tocqueville, que acima já foi citado, notou que as instituições democráticas nos Estados Unidos da América encontram na religião a fonte divina dos seus direitos, a salvaguarda dos costumes e a garantia da durabilidade das leis:

Alexis de Tocqueville (1805-1859) foi o autor
de "Da Democracia na América" (1835-40)
"Não existe nenhuma [religião] que não coloque o objecto dos desejos do homem para além e acima dos bens terrestres e que não eleve naturalmente a sua alma a regiões muito superiores às dos sentidos. Também não existe nenhuma religião que não imponha a cada indivíduo certos deveres para com a espécie humana, ou comuns a ela, e que não obrigue, dessa forma, a sair da contemplação exclusiva de si próprio. E esta é uma característica até das religiões mais falsas e perigosas." - Alexis de Tocqueville, in "Da Democracia na América", pág. 509, Principia, 2001, Cascais.

É necessário, portanto, proteger a religião no espaço público. Tal não se faz certamente com a ridícula mas grave investigação que a Universidade de Edimburgo, na Escócia, abriu contra uma aluna de 21 anos por alegada "islamofobia" e "discurso de ódio" depois de ela ter gozado com o ISIS no seu mural do facebook - imagine-se que por zombar dos selvagens do Estado Islâmico em privado se pode ofender toda uma pobre comunidade de vítimas... é de loucos!

A religião - em especial aquela que é marca da nossa civilização e que dá "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" - protege-se ao lhe criarmos condições para se expressar livremente no espaço público. Se possível, acarinhamos a referência moral das religiões e reconhecemos a utilidade pública das suas instituições que, a par das outras associações voluntárias, das famílias e da vizinhança, formam os "pequenos pelotões" que Edmund Burke identificou em 1790 (Reflections on the Revolution in France) e que são a sociedade civil que Peter L. Berger e Richard John Neuhaus quiseram promover em 1977 (To Empower People - From State to Civil Society).

Jacob Rees-Mogg a beber chá
Mal seria de nós se a César devêssemos dar tudo o que está fora das igrejas e suas sacristias, como se Deus merecesse estar confinado apenas a esses locais ou como se César e Deus - a política e a religião - fossem duas realidades estanques que não podem coexistir na mesma conversa. Falemos de Jacob Rees-Mogg, que é um deputado inglês à Câmara dos Comuns em Westminster, do Partido Conservador, e é uma pessoa cuja actuação tenho seguido com interesse ao longo dos últimos meses. Trata-se de um político notável, backbencher com bons princípios e coerente, gentleman com bom humor e bom aspecto; e no entanto, cometeu os "imperdoáveis" erros políticos de ser católico e um orgulhoso antigo aluno da famosa escola de elite de Eton. Jacob Rees-Mogg é um dos favoritos das bases à eventual sucessão a Theresa May como líder do partido e também do país. Quero salientar um recente episódio deste senhor: ao ser entrevistado para a televisão, perguntaram-lhe qual a sua posição em relação aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e relativamente ao tema do aborto. À primeira pergunta respondeu "Sou católico e levo a sério os ensinamentos da Igreja Católica. O Matrimónio é um sacramento e o entendimento sobre o que é o sacramento é dado pela Igreja, não pelo Parlamento. Eu subscrevo o ensinamento da Igreja Católica". À pergunta sobre o aborto, Rees-Mogg retorquiu que era completamente contra e que a vida começa na concepção. Insistiu quem entrevistava se a sua oposição ao aborto incluía todas as circunstâncias, como por exemplo em caso de violação, e o deputado foi claro: "I'm afraid so".

Ruínas do Convento do Carmo, fundado em 1389
por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável
Caiu o Carmo e a Trindade, e até houve católicos a acusar Rees-Mogg de dar argumentos de fé onde se exigia uma abordagem mais racional. Mas eu penso o contrário: não só a fé e a razão são compatíveis e se completam como Jacob foi um belo exemplo de simplicidade e testemunho de fé. Convença-se os crentes com a fé e os não-crentes com os outros argumentos que também há! Mas retirar o argumento religioso do debate é ceder esse lugar aos radicais jacobinos. Foi o que aconteceu em Portugal nos últimos anos: com 85% a 90% da população a assumir-se como católica, a legislação sobre os valores tem sido eficazmente dominada nos últimos 15 anos pelo Bloco de Esquerda, partido que nesse período teve votações na ordem dos 3% a 10%... Por isso, numa altura propícia a fenómenos como Trump, Marinho e Pinto e André Ventura, prefiro que avancem Jacob Rees-Mogg e outros cuja excentricidade não impeça a boa-educação e as ideias enraizadas na boa tradição cristã. Pode ser que com o tempo o Moggmentum se perca e que a Moggmania se vá. Espero que não. Mas venham mais, muitos mais como ele!

Faz falta ao espaço público esta autenticidade livre de calculismos. Desde que o discurso religioso deixou de ser aceite como filtro moral do que está certo e errado, as leis tornaram-se utilitaristas, o "politicamente correcto" tornou-se cativo de certas minorias e transformou-se num código de conduta político-mediático com laivos de ditadura do pensamento único. A liberdade, sem valor, perde-se. Encontramo-nos actualmente nessa perigosa encruzilhada. Os radicais encontram sempre forma de falar e agir. Este é um apelo aos muitos moderados que aí estão, para que não tenham medo nem vergonha de assumir a sua religiosidade e tragam ao debate público a voz moral que foi silenciada e da qual tanto precisamos neste tempo de escolhas difíceis, nomeadamente sobre a vida, a família, o trabalho, a propriedade, a cultura, as fronteiras, e a dívida pública e o planeta que deixamos aos nossos filhos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

manifestação pela Vida no Sábado dia 11, às 15h

A não perder esta manifestação! É essencial dar a voz a quem ainda não a tem, e reclamar os Direitos Humanos para todos, sem excepção. A actual lei do aborto já matou mais de 80 mil crianças em Portugal (ver estudo apresentado hoje pela FPPV), e este é o apelo que o Lobby Pela Vida faz:

Manifestação para assinalar 5 anos da lei que já matou 80 mil

No ano em que se assinalam 5 anos do referendo que abriu caminho para a actual lei do aborto, serão várias as acções que irão decorrer para avivar a memória da população portuguesa em relação a este flagelo silencioso. Assim, o Lobby Pela Vida vem promover uma manifestação pública no dia 11 de Fevereiro às 15h em frente à “Clínica” dos Arcos, para afirmar que a Vida prevalece sempre.

Esta manifestação vai relembrar que a actual lei do aborto (e sua aplicação maximalista) mudou muita coisa na sociedade portuguesa:
  • Mais descrença na Vida Humana. Cerca de 20 mil abortos em Portugal cada ano mostram que o aborto aumentou exponencialmente desde 2007, sendo que 97% dos abortos são actualmente feitos “por opção da mulher” e apenas 3% correspondem às excepções contempladas na anterior lei.
  • Passou-se a fazer negócio com a morte daqueles que, através desta lei, ficaram completamente desprotegidos. Dinheiro dos nossos impostos é pago todos os dias a clínicas privadas por cada aborto que fazem. Uma sondagem feita em Julho passado pelo Lobby Pela Vida a 617 pessoas mostra que 68% dos inquiridos (7 em cada 10 portugueses) são contra o actual financiamento público do Estado ao aborto.
  • Mais de 80 mil crianças foram mortas desde 2007 por causa desta lei que liberaliza o aborto, e da sua aplicação que o incentiva e promove. 80 mil pessoas significa um Estádio da Luz cheio. São 80 mil crianças que fazem falta a Portugal e que nos dariam outra esperança nestes tempos de crise.
  • O aborto passou a ser utilizado como um método contraceptivo. Por exemplo, 25% das mulheres (1 em cada 4) que abortaram em 2010, já tinham abortado antes.
  • Estima-se que a “Clínica” dos Arcos realizou mais de 18 mil abortos por encomenda do Estado. Desafiamos o Ministério da Saúde e as clínicas privadas que fazem abortos em Portugal a apresentar as contas e tornar estes pagamentos públicos. Os contribuintes têm o direito de saber como o seu dinheiro é gasto.


No entanto, enquanto há vida há esperança! Pretendemos deste modo dar a conhecer a realidade, expondo o que foi feito desde há cinco anos até à actualidade. Esperamos assim contribuir para que a vida humana seja protegida desde o seu princípio, emprestando a nossa voz àqueles que ainda não a têm.

O Lobby Pela Vida é um movimento pró-vida português, que promove o respeito pela vida humana desde a concepção até à morte natural. Fundado em Maio de 2011 em Lisboa, tem apoiado várias acções de promoção da Vida humana junto de jovens universitários, pré-universitários e trabalhadores. Em cooperação com outras associações pró-vida portuguesas e internacionais, o nosso objectivo é defender sempre a Cultura da Vida.

Vamos manter acesa a defesa da Vida em Portugal!

Lisboa, 8 de Fevereiro de 2012
Lobby Pela Vida


Contacto - lobbypelavida@gmail.com

sexta-feira, 17 de junho de 2011

as principais causas de morte em Portugal



Três das dez maiores causas de mortalidade em Portugal não foram doenças. O aborto (3ª maior causa) matou 19.848 vidas humanas no ano de 2009 no nosso país, sendo que em 96,85% dos casos o aborto aconteceu por opção da mãe sem qualquer justificação. A nona e a décima maiores causas de mortalidade foram o suicídio e os acidentes de viação, respectivamente. A principal causa de morte em Portugal continua a ser as doenças do aparelho circulatório.

Já nos bastavam as doenças mas, como vemos, a crise não só é económica. A crise mais grave está sendo a de valores. E é triste ver que o aborto, o suicídio e os acidentes de viação estão no top 10 das maiores causas de morte em Portugal. Temos de dar resposta a esta situação. Ser pela vida é também contribuir para que haja menos morte.

Os dados são de 2009 e podem ser encontrados no portal do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva (Ministério da Saúde) e na valiosa Pordata.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

a lenda de Felix Bush



Depois de viver 40 anos isolado na floresta, Felix Bush convida toda a aldeia para o seu próprio funeral. Uma boa história sobre o perdão, com Robert Duvall a fazer um grande papel principal. O filme passa-se talvez no Estado do Illinois, e é baseado numa história verdadeira dos anos trinta. Vale a pena ver enquanto está nos cinemas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

25 anos de Sevo e o programa ABC contra a sida no Uganda


Yoweri Kaguta Museveni, 67 anos, é o Presidente do Uganda desde há exactamente 25 anos. No poder, cedo abandonou devaneios marxistas e optou por uma linha mais liberal da economia, pondo em marcha importantes ajustamentos estruturais, dando crédito às propostas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Trouxe estabilidade económica e política ao país e teve a coragem de combater o flagelo da sida através do programa ABC, um programa apoiado e promovido pela Igreja Católica e por outras igrejas cristãs. ABC significa "Abstein, Be faithful, use Condoms", e esta é a ordem estratégica das prioridades: abstinência sexual até ao casamento; fidelidade ao cônjuge no casamento; e, em caso de desvios (vários parceiros sexuais, etc.), o uso do preservativo. Esta política ABC teve excelentes resultados no Uganda, e só não é mais difundida porque há demasiados interesses económicos que actuam na obscuridade, como é o caso da indústria contraceptiva.

A indústria contraceptiva está por detrás das mais ruidosas campanhas de luta contra a sida, financiando-as e lucrando com elas, nomeadamente em África, mas também aqui e no resto do mundo. Mas se olharmos para o impacto desta política ABC, não restam dúvidas de que esta é uma óptima estratégia de prevenção e combate da sida: de 15% de infectados com sida no Uganda em 1990, para 5% em 2001.

Yoweri "Sevo" Museveni ganhou as eleições ugandesas de 1996, 2001 e 2006. Museveni fez profundas reformas democráticas no regime, que foram aplaudidas a nível internacional. No entanto, há ainda muito para fazer, por exemplo facilitar a formação de novos partidos no país.

Dia 18 de Fevereiro são as eleições presidenciais no Uganda, "Sevo" Museveni volta a ser candidato, e este é o rap dirigido aos eleitores mais jovens:


Do you want another rap? Yes Sevo!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

da humildade



Passa uma geração, vem outra geração e a terra permanece sempre. Nasce o sol e põe-se o sol; depressa volta ao ponto de partida, donde volta a nascer. O vento sopra do sul, depois sopra do norte; num vaivém constante, retoma os seus caminhos. Todos os rios vão ter ao mar e o mar nunca se enche; e embora cheguem ao seu termo, jamais deixam de correr. Todas as coisas se afadigam, mais de quanto se pode explicar; o olhar não se farta de ver, nem o ouvido se cansa de ouvir. O que foi será outra vez e o que se deu voltará a acontecer: nada de novo debaixo do sol. Se de alguma coisa se disser: «Vede que isto é novidade», o certo é que já foi assim nos tempos que nos precederam. Mas nenhuma memória ficou dos tempos antigos, nem haverá lembrança dos acontecimentos futuros entre aqueles que vierem depois.

Qohélet 1, 2-11

sábado, 17 de julho de 2010

340 mulheres abortaram 2 vezes ou mais em 2009

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Houve 340 mulheres que abortaram 2 vezes durante o mesmo ano de 2009 em Portugal. Nesse ano, o número total de bebés que ficaram por nascer foi de mais de dezanove (19) milhares. Notícia aqui. Há cidades com menos habitantes do que isso.
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