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15 pontos em defesa da democracia liberal

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 (também publicado no Jacaré ) "Cícero denuncia Catilina" (1888), de Cesare Maccari 1.      A seguir à vida, a liberdade é aquilo que temos de mais precioso. A liberdade é um direito inalienável e sinal da dignidade humana. O exercício da liberdade realiza-nos enquanto pessoas e todos os povos aspiram a ser livres. 2.      As ditaduras são péssimas: não há ditaduras sem censura, violência e presos políticos. As revoluções também são péssimas: não há revoluções sem censura, violência e presos políticos. Admiro a coragem daqueles que defendem um ideal. Porém, devemos ter a humildade de reconhecer que as nossas acções em nome dum ideal puro e romântico podem ter consequências muito negativas para a vida dos outros. 3.      Por mais iluminado que se julgue o ditador e por mais erros que cometa a classe política em democracia, a democracia liberal é sempre preferível à ditadura. Desde logo, porque o poder corrompe o governa...

Presidenciais 2026 - a campanha e os candidatos

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(também publicado no Jacaré )   Divido os onze candidatos em três categorias: os democratas, os autoritários e os outros. Os autoritários: António Filipe (PCP), André Ventura (Chega), Catarina Martins (BE), Jorge Pinto (L) e André Pestana (ex-PCP, ex-BE, ex-MAS) não são exactamente democratas. As ideologias que os inspiram são irreconciliáveis com a separação de poderes, a liberdade de expressão e outros aspectos fundamentais do Estado de Direito Democrático. Se algum destes candidatos se visse no poder, nenhum de nós poderia prever a data e a forma das próximas eleições. Os democratas: Henrique Gouveia e Melo (Almirante) tinha porte presidencial e uma imagem de competência, no entanto depreciou a sua reputação ao embarcar numa campanha negativa com truques e insinuações. Luís Marques Mendes (PSD) seria o que tem mais experiência governativa e quem conhece melhor as exigências do cargo presidencial, porém o conselho que prestou a empresas nos últimos anos não teve bom acolhimento p...

Carta aos líderes do PSD, CDS e PPM e aos Deputados eleitos da AD

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Lisboa, dia 17 de Março de 2024 Exmos. Senhores Líderes do PSD, do CDS e do PPM, Exmos. Senhores Deputados Eleitos da AD,   Desde a noite das últimas eleições que oiço com perplexidade alguns dirigentes e ilustres dos vossos partidos a sugerir a necessidade de se negociar com o Chega uma solução de Governo.   Estará na altura da AD pensar de outra maneira? Será tempo de desfazer determinada cerca sanitária? Terá a força de um milhão transformado propostas infames e irreconciliáveis em ideias aceitáveis?   Não faz sentido colocar qualquer destas perguntas àqueles que foram eleitos em condições muito bem definidas pelos próprios. A única via digna é honrarem a palavra dada, este compromisso que assumiram diante dos eleitores, até ao fim do vosso mandato.   Eu votei na AD nessa condição. Nasci em 1986, sou casado e tenho três filhos. Vivo em Portugal e já vivi fora. Prezo muito a liberdade e a democracia que temos, princípios que gostaria de ver cada v...

Precisa a nossa Agricultura de mais subsídios?

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(também publicado no Ingovernáveis , no Observador  e no Agroportal)   São dois assuntos demasiado sensíveis: agricultura e subsídios. Várias pessoas publicaram nas redes a sua indignação e solidariedade para com os agricultores que se manifestaram nos primeiros dias de Fevereiro, cortando a circulação de várias estradas do país. As razões deste protesto são em parte portuguesas: o Governo enganou-se ao inscrever uma área muito pequena (apenas 10 de 460 mil hectares) para reconversão da agricultura convencional em biológica, o que resultou em cortes de 35% nos apoios comunitários a ecorregimes de agricultura biológica e 25% nos de produção integrada. Mas as razões deste protesto são também europeias, com regras ambientais mais apertadas e o fim de subsídios ao gasóleo agrícola ou uma concorrência mais competitiva de produtores sul-americanos. Daí, a mimetização nacional dos métodos e slogans das manifestações em curso noutros países europeus.   As palavras de ordem s...

a política portuguesa em 2 cartazes

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 (publicado originalmente no Observador  e também no Ingovernáveis ) Imagine um cartaz Carlos Moedas é o candidato apoiado por PSD, CDS e outros cinco partidos à Câmara Municipal de Lisboa. Irá enfrentar Fernando Medina, que presidiu à CML nos últimos seis anos e ainda não apresentou candidatura – apenas marcou posição ao dizer que José Sócrates “corrói a nossa vida democrática”. Nas últimas semanas, Moedas apresentou-se aos lisboetas num cartaz que podemos encontrar pela cidade. Aparece sem gravata mas de braços cruzados, deixando cair uma suposta formalidade para, involuntariamente, erguer outra barreira entre ele e nós. A fotografia não é tão boa que justifique que a sua cabeça saia da moldura do cartaz, mas é aceitável e o azul sempre transmite serenidade. O mais importante é aumentar o reconhecimento do candidato, missão cumprida. A mensagem é que não é ideal. “Lisboa pode ser muito mais do que imaginas” diz-nos várias coisas: O candidato quer tratar o eleitor por tu; Ele...

o discurso de Passos Coelho

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O discurso do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho na tomada de posse do XIX Governo foi adequado. Demonstrou humildade e realismo. Passos Coelho não fez grandes promessas, anunciou alguns erros de antemão e pediu paciência para o que aí vem. Ele expôs as suas prioridades e as linhas de actuação do Governo para os próximos 4 anos. Foi um discurso que colheu vários elogios. Este foi um discurso bastante alegórico. Passos Coelho quis definir estes tempos como uma tormenta de mar, o povo português como o herói marinheiro que sempre foi, e ele próprio como o capitão do navio que mudará o rumo para levar o País a bom porto. Foi uma formulação interessante, que sem dúvida encontra eco cultural entre os portugueses. No entanto, a Rádio Renascença apostou numa metáfora muito mais forte que os Descobrimentos no Portugal de hoje: o futebol. A notícia da Renascença online era " Onze de Passos Coelho toma posse. É o XIX Governo Constitucional ". O treinador e sua equipa. Nós seríamos o...

5 razões porque Fernando Nobre não foi eleito Presidente da AR

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Fernando Nobre insistiu em arrastar a sua candidatura a Presidente da Assembleia da República (AR) para votos, quando não tinha condições de vitória. Só o PSD, com 108 deputados, apoiava a sua candidatura que precisava de uma maioria de 116 deputados. E no fim de contas, nem sequer todos os deputados do PSD votaram em Fernando Nobre, que teve 106 votos na 1ª volta e 105 na 2ª volta. O voto era secreto. Pedro Passos Coelho quis honrar o seu compromisso quando tudo e todos o aconselhavam a não o fazer. Paulo Portas e o CDS quiseram fazer uma demonstração de poder. Quiseram mostrar, logo no princípio desta coligação, como o CDS é essencial ao PSD para passar as leis na AR, e que sem eles concordarem minimamente com cada proposta política, nada feito. O PS preferiu o voto de vingança das eleições presidenciais a cumprir o implícito acordo de cavalheiros que havia sobre a Presidência da AR. Por um lado é triste que a este nível se tomem decisões por rancor, mas por outro lado ainda bem que ...

a brasileira da campanha do PSD

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Alessandra Augusta é esta mulher que vemos na fotografia. É brasileira e foi contratada pelo PSD para fazer esta última campanha eleitoral. Antes disso, tinha feito algumas eleições locais no Brasil. Alessandra foi atacada por todos os lados, mas continuou discretamente o seu trabalho. Alguns dos ataques até vieram de dentro, de consultores nitidamente aborrecidos por não estarem no seu lugar. Coisa feia, e o algodão não engana. Hoje, a responsável pelo marketing da campanha do PSD vem dar uma entrevista ao jornal Sol , de onde tiro apenas esta sua resposta: Tentou modelar Passos Coelho? Não. O que se fez foi potenciar o que ele tinha de bom. O mais interessante desta campanha é que o ‘não-marketing’ foi o grande marketing. Não trabalhámos Passos Coelho e deixámo-lo o mais natural possível. Porque é um candidato consistente, ainda que pouco conhecido. Mas, ao mesmo tempo, tínhamos outros dois candidatos, Sócrates e Portas, que eram excessivamente marketing. Eram sound-bytes demais. Ess...

vencedores, derrotados, surpresas e expectativas

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Vencedores: - Pedro Passos Coelho : Conquistou o voto pela personalidade simpática e autêntica, e por isso confiável. Tem alguma credibilidade mas também suscita algumas dúvidas pela novidade de certas ideias que traz pela primeira vez à política portuguesa. A sua margem de manobra está condicionada pelo cumprimento do acordo com a ajuda internacional e pela crise económica em que vivemos. Mas todo o vencedor tem direito a um "estado de graça", por mais curto que seja. - PPD/PSD : Teve 38,6% dos votos e elegeu 105 a 108 deputados (falta atribuir os 4 deputados dos emigrantes, e o PSD conseguirá 2 ou 3 deles). Esteve perto da maioria absoluta, que se consegue com 116 dos 230 deputados da Assembleia da República. Será inequivocamente o partido líder do novo Governo. - CDS/PP : Obteve a melhor votação dos últimos 28 anos, teve 11,7% dos votos e 24 deputados, tantos quanto a CDU mais o BE juntos. Terá 3 ou 4 ministros no novo Governo. Ganhou em tudo menos nas expectativas ainda m...

os erros da máquina de campanha mais elogiada

A campanha do PS foi mal conduzida a vários níveis. Foi mal conduzida porque a única coisa de que se falou a respeito do PS nesta campanha, foi de como a sua máquina de propaganda era boa e profissional. Não se falou de propostas do PS para o futuro do país porque elas não existem. E apostou-se na capacidade de resistência de José Sócrates, quando há muitos meses ele já estava manifestamente gasto e sem qualquer capital político. Os pozinhos de perlimpimpim não aguentam a exposição 24h/dia durante uma campanha inteira, e nunca desta maneira. Foi toda uma sucessão de erros da campanha do PS, que se dedicou unicamente a falar de Pedro Passos Coelho e do PSD, fazendo uso de uma agressiva campanha negra. A emoção que o PS mais explorou em campanha foi o medo, e até essa escolha foi ineficaz, pois o maior medo dos eleitores é que José Sócrates continue a governar. O povo sabe desculpar erros, mas ninguém gosta de mentirosos compulsivos. Em 2009 as pessoas deram o benefício da dúvida a Sócra...