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A eminência parda

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  “Éminence Grise” (1873), de Jean-Léon Gérôme.   A eminência parda é o capuchinho que segue indiferente aos cortesãos que à sua passagem se curvam. Trata-se de François Leclerc du Tremblay, o importante conselheiro do Cardeal Richelieu. N’Os Três Mosqueteiros (1844), Alexandre Dumas pai descreve assim o temor provocado por Tremblay: mais son nom à lui n’était jamais prononcé que tout bas, tant était grande la terreur qu’inspirait l’éminence grise, comme on appelait le familier du cardinal.   “Eminência parda” tornou-se sinónimo de alguém que se move nos bastidores, de poucas e graves palavras. No fundo, um conselheiro de grande influência na sombra do poder visível. 

Partido Republicano - ser ou não ser?

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 (publicado originalmente no Ingovernáveis ) Eco e Narciso (1903) - John William Waterhouse Eco e Narciso Na mitologia grega, Eco era uma linda ninfa que gostava de caçar e de passear pelos bosques. Eco era também conversadora e fazia questão ter sempre a última palavra. Um dia, a deusa Hera suspeitou que o seu marido Zeus se andava a divertir com as ninfas e foi à sua procura no Monte Olimpo. Pelo caminho, Hera encontrou Eco que a tentou distrair com a sua conversa. Quando percebeu que Eco estava a tentar proteger Zeus com o seu discurso, Hera ficou furiosa e condenou-a ao silêncio, não lhe deixando começar mais nenhuma conversa e permitindo-lhe apenas repetir as últimas palavras que terceiros eventualmente lhe dirigissem. Eco sofria pelo discurso que perdera, mas um dia viu um rapaz chamado Narciso a caçar e imediatamente ficou encantada com a sua beleza. Queria falar-lhe, mas não conseguia. Cansado, Narciso aproximou-se dum lago para beber água e recuperar forças mas, olhando o ...

o Homem Esquecido

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 (originalmente publicado no Jacaré ) "Forgotten Man" de Maynard Dixon (1875-1946) As soon as A observes something which seems to him wrong, from which X is suffering, A talks it over with B, and A and B then propose to get a law passed to remedy the evil and help X. Their law always proposes to determine what C shall do for X, or in the better case, what A, B, and C shall do for X... What I want to do is to look up C. I want to show you what manner of man he is. I call him the Forgotten Man. Perhaps the appellation is not strictly correct. He is the man who never is thought of. He works, he votes, generally he prays — but he always pays. ~  William Graham Sumner  (1840-1910), Universidade de Yale, 1883.

a grande Vitória

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 (publicado originalmente no Jacaré ) Auto-reminiscência de Paris (1949) Um dia Dom Sebastião, o nosso Rei mais jovem, o nosso mais belo Rei, juntou toda a juventude Portuguesa para realizar a grande Vitória. Mas Deus guardou essa Vitória, esperando... esperando o amanhã... esperando sempre o amanhã... ... Esperando-nos a nós, os Portugueses de hoje! José de Almada Negreiros, Paris, 7 de Abril de 1919.

Eutanásia - carta a todos os deputados

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Lisboa, dia 22 de Maio de 2018 Exmo. Senhor Deputado  [NOME] Assembleia da República  Portuguesa Senhor Deputado  [NOME] , Chamo-me António Vieira da Cruz, sou portador do cartão do cidadão [--------] e voto em Lisboa. Escrevo porque sei que a Assembleia da República irá debater e votar nos próximos dias uma proposta de legalização da eutanásia. Edvard Munch - A dança da vida (1899) Já vivi em países onde a eutanásia está legalizada, como a Bélgica ou o Canadá, mas V.Exa. estará certamente a par do impacto desta práctica nesses países e dos números que confirmam o cenário da   slippery slope , a tal “rampa deslizante” que vai afectando cada vez mais vidas. Para ilustrar este fenómeno, por exemplo, a Bélgica viu um aumento de 769% de eutanaziados nos primeiros 10 anos completos (2003-2013) depois da entrada da lei em vigor no ano de 2002. Na Holanda os casos de eutanásia têm aumentado cerca de 10% cada ano, com 6091 eutanásias em 2016...

o dia da renovada esperança

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- Em tempos de crescente desânimo, uma antiga notícia é hoje especialmente bem-vinda, como todos os anos o é neste dia: a anunciação. Exactamente 9 meses antes do Natal, é a 25 de Março que a esperança da salvação começa a ganhar contornos reais. Por mais Judas e Pilatos que haja, por entre Herodes e Invernos (tanto os naturais como os económicos, demográficos ou de valores), do frio sai a Primavera e com ela renasce o amor, a fé, a esperança. Avé Maria, cheia de graça! -

vox populi - II

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- Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos. Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas... Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se... – Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces? – Sim, sim! Muito boas. Acredita em Deus mas diz não r...