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Dois filmes de Verão

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(também publicado no Jacaré ) Na última semana fui ver dois filmes ao cinema. Quem quiser ver um grande filme de acção que dispõe bem, então não há que enganar: F1 merece ser visto diante do grande ecrã e com o som envolvente. Bem montado, transmite com eficácia o ambiente e a adrenalina das corridas de 24h Daytona, Baja 1000 e, principalmente, a Formula 1. A história é o arquétipo do velho herói (Brad Pitt) que volta para provar que ainda tem valor e o do jovem talento que está relutante em aprender mas que se deixa conquistar – como todos os outros cépticos – pelo génio do velho piloto. Uma história à moda antiga filmada com a mais recente tecnologia, tudo bem feito. Ontem foi dia de voltar ao cinema. Não consegui convencer a minha querida que os filmes italianos são muito melhores do que os seus trailers. O meu argumento deu pouca luta porque logo encontrámos “Eddington”, num cartaz com Joaquin Phoenix debaixo dum chapéu de aba larga. “É de cowboys!”, animei-me, e ao pôr o trailer...

Obrigado, Ciganos!

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(também publicado no  Ingovernáveis ) “Então vais escrever um artigo a defender os ciganos? Não te metas nisso!” Pessoas próximas avisam-me, mesmo sabendo que um aviso destes costuma ser incentivo para eu avançar. Mostrei a alguém só este título, de resposta recebi uma exclamação: “que exagero!”. Avanço com ainda mais motivação, mas aviso desde já que o texto não vai ser curto. Dado o assunto em causa, sou apenas forçado a fazer um pequeno preâmbulo, e aproveito esta publicação para não ter de o fazer mais vezes. Preâmbulo: a lei é igual para todos, todos somos iguais diante da lei e a lei deve ser aplicada indiscriminadamente. “Ah, mas há problemas na comunidade cigana” – certo, mas há problemas em todas as comunidades, incluindo Portugal enquanto comunidade. Quem já estudou ou trabalhou na Europa Central e do Norte sabe como podem ser vistos os portugueses – e por vezes basta apenas lá passar de visita. Não é só o então presidente do Eurogrupo Dijsselbloem a dizer que os portugue...

a polícia não é o problema

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(publicado originalmente no Jacaré ) Depois de mais um vídeo ter corrido as redes sociais a atestar a violência dos bairros ditos sociais na Grande Lisboa, tenho assistido nos dias presentes a vários debates sobre a polícia, o racismo e a criminalidade. Penso conhecer bem a realidade de alguns destes bairros, sobretudo a de 4 ou 5, nomeadamente porque nasceram, como o tempo passou por eles e quais os seus principais problemas e desafios. E não há como negar: o racismo existe; a criminalidade existe; a polícia também erra. Mas estes problemas, mesmo que graves, são apenas a consequência de um pecado original: mau urbanismo. Tanto nos velhos bairros de casas ilegais e de barracas (espontâneos) como nos bairros de habitação “social” que os substituíram (planificados), as carências são inúmeras: pouca limpeza, degradação dos prédios e equipamentos públicos, insegurança, crime, separação de comunidades por zonas, rivalidades, pobreza, ausência de oportunidades… factores que conduzem toda um...