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Sobre a destruição de chá no Boston Tea Party

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"Destruction of the Tea in Boston Harbor" (1856), de John Andrew      Esta gravura faz parte da galeria de arte da Yale University e representa a destruição de chá de 16 de Dezembro de 1773, mais conhecida por "Boston Tea Party". Dezenas de colonos americanos disfarçaram-se de indígenas Mohawk e ao cair da noite abordaram no porto de Boston três navios ao serviço da East India Company, jogando 342 caixotes de carga no mar e assim destruindo 42 toneladas de chá no valor de mais de $2,2 milhões actuais. Este foi um acto de protesto contra os impostos britânicos sobre vários produtos, incluindo o chá. "No taxation without representation" era a palavra de ordem contra os vários impostos sobre os colonos americanos. Esta milícia chamava-se Sons of Liberty e os seus membros vestiam-se de Mohawk para mostrar a Londres que se identificavam como americanos.      Nove dias depois, dia de Natal, outro navio aproxima-se de Filadélfia com 697 caixotes de chá e os Sons ...

15 pontos em defesa da democracia liberal

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 (também publicado no Jacaré ) "Cícero denuncia Catilina" (1888), de Cesare Maccari 1.      A seguir à vida, a liberdade é aquilo que temos de mais precioso. A liberdade é um direito inalienável e sinal da dignidade humana. O exercício da liberdade realiza-nos enquanto pessoas e todos os povos aspiram a ser livres. 2.      As ditaduras são péssimas: não há ditaduras sem censura, violência e presos políticos. As revoluções também são péssimas: não há revoluções sem censura, violência e presos políticos. Admiro a coragem daqueles que defendem um ideal. Porém, devemos ter a humildade de reconhecer que as nossas acções em nome dum ideal puro e romântico podem ter consequências muito negativas para a vida dos outros. 3.      Por mais iluminado que se julgue o ditador e por mais erros que cometa a classe política em democracia, a democracia liberal é sempre preferível à ditadura. Desde logo, porque o poder corrompe o governa...

mais revolução, não!

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 (publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis ) Cuba Libre Separados, gosto de um bom rum e por vezes também da Coca-Cola com gelo e limão. Vê-los juntos num Cuba Libre, nem tanto. A meu ver, reduz-se o que há de melhor num e noutro: perde-se a consistência suave do rum e tapam-se os seus aromas mais finos com os grosseiros duma cola que, entretanto, perdeu o seu gás e frescura. Mas quando oiço alguém a dar vivas a “la Revolución!”, o meu primeiro impulso é pedir um Cuba Libre. Tudo é melhor que a revolução, até essa mistura. É verdade que o Cuba Libre é mais antigo que Fidel e remonta ao fim da Guerra Hispano-Americana que em 1898 – ano traumático para Espanha – resultou na perda espanhola não só de Cuba como de Porto Rico e das Filipinas, além de outros territórios menores. Mas por causa da revolução de Fidel sessenta anos depois, a família Bacardi mudou o negócio para o estrangeiro e a empresa Havana Club foi nacionalizada, estando a Coca-Cola e a Pepsi proi...

leituras de Abril, 2019

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(originalmente publicado no Jacaré )   Cherry Ingram - The Englishman who saved Japan's blossoms , por Naoko Abe (380 páginas, Penguin Random House, Londres, 2019). Belíssimamente investigada e escrita pela jornalista Naoko Abe, a história de Collingwood "Cherry" Ingram é rica e interessante. Os 100 anos que Cherry Ingram (1880-1981) viveu são uma lição de perseverança, de desafio às probabilidades, de amor pelo conhecimento, pela diversidade e pela defesa daquilo que está certo. Através da vida deste ornitólogo, militar e coleccionador de cerejeiras, podemos acompanhar a evolução política, diplomática e estética de dois países: a sua Inglaterra natal e o seu fascinante Japão. Enquanto o Japão se preparava para a guerra, só uma variedade de cerejeira devia ser plantada: aquela que, segundo os governantes da época, melhor inspirava os  kamikaze  - pela beleza com que as suas flores caiem - a morrerem pelo imperador e pela pátria. Contra o empobrecimento cultural e desafian...

A semana que passou - uma mão cheia de coisas

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 2 de Outubro de 2017) A mão cheia compõe-se da palma mais os cinco dedos com que tamborilo neste teclado. E com eles se conta numa penada a semana que passou: Mindinho: o caso do roubo do paiol de Tancos Continua o caso do roubo de armas de Tancos sem desenvolvimentos nem solução, e apenas se discute se há relatório ou ainda não. Como assim? Dizia o famoso poeta e gastrónomo Chinês Su Shi 苏轼 (1037-1101) que " As famílias, quando uma criança nasce, querem que ela seja inteligente. Eu, que pela inteligência me tenho prejudicado a vida toda, apenas espero que a criança seja ignorante e estúpida. Assim, terá uma vida tranquila e será um Ministro com gabinete. " Não é preciso dizer mais nada. Anelar: a malograda tentativa de referendo na Catalunha Há muitos ângulos por onde abordar a questão. Barcelona e Madrid, ambos, estão cheios de razão e da falta dela. Não me interessa entrar por aí. ...

sobre o populismo

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia  30 de Junho de 2017) Estive esta semana no Estoril Political Forum, que é um encontro de ciência política que o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa organiza anualmente. O título do encontro que durou 3 dias era “ Defending the western tradition of liberty under law ” e nele participaram distintos académicos, políticos, diplomatas, jornalistas e interessados em geral. Não pude ir a todas as apresentações que queria, mas houve um debate sobre o populismo que esteve um pouco perdido entre conceitos e autores que pouco ajudavam ao esclarecimento. E quanto a mim, a resposta era muito simples, bastava voltar a olhar para o título do forum: “defender a tradição ocidental da liberdade num Estado de Direito”. No entanto, o debate foi no sentido de definir o populismo como um ataque contra as instituições representativas e contra a diversidade cultural. Mas o populismo é um ataq...

flores alfacinhas

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- - Há três flores típicas que muito dizem ao povo lisboeta. São elas o cravo, a alcachofra e o manjerico. Infelizmente, o cravo foi politizado pelo Abril de há 35 anos, e usá-lo passou a ser um acto de manifestação política e partidária. - - Mas, se o cravo foi politizado, a alcachofra e o manjerico permanecem puros na alma alfacinha. Os manjericos e as alcachofras continuam a ser cantados nas marchas de Santo António, sendo ambos os vegetais associados aos amores namoradeiros que o santo apadroa. - - Rogo apenas que não estraguem estes dois símbolos populares que nos restam, ao contrário do que fizeram com o belíssimo e outrora castiço cravo. Seria uma pena se tal acontecesse, pois estas perdas culturais são muito difíceis de se repor. -