conto - um pinheiro de Natal
(originalmente publicado no Jacaré ) Era uma vez, nuns terrenos de areia quase à beira do Tejo, um enorme pinheiro de raízes fundas e braços estendidos ao céu. Era a árvore mais vistosa de todo o Ribatejo e sonhava um dia poder alegrar o Natal de alguma família cristã. Ah, como desejava guardar aos pés os presentes de laçarotes encarnados e fingir que eram os seus sapatos de festa… e queria tanto que o vestissem de fitas e bolas brilhantes, que o trajassem de luzes como aos toureiros e que lhe colocassem à cabeça uma bela estrela tal como aos bolos especiais se põe uma cereja! Um dia de Outono, húmido e frio como pertence à estação, o pinheiro contemplava a grande planície e olhava altivo para os pimentos do campo e para o arroz da lezíria. «Pobres vegetais», pensava o pinheiro para com as suas pinhas, «que estão destinados a um fim tão corriqueiro como a alimentação dos homens em dias sem história». O pinheiro aspirava a mais. Mas, enquanto se entretinha com as certezas da sua no...