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A necessidade da religião no espaço público

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 10 de Setembro de 2017) Sou católico. Apenas isso não me define por completo, mas é parte importante daquilo que sou, apesar das regras da sociedade quererem esconder essa parte de mim. Pelo contrário, defendo que a religião merece estar mais presente no espaço público, seja através de procissões, da comunicação social, de debates, de manifestações livres de religiosidade (quer individuais, quer de grupo) e até no discurso político. Há quem queira (seja por ideologia, convicção, medo ou vergonha) acantonar a religião aos espaços que existem para o efeito, como as igrejas e suas sacristias, expulsando os religiosos das escolas, hospitais e outras instituições que fundaram ao longo do tempo, substituindo-os sucessivamente e eliminando qualquer rasto que da sua passagem tivesse porventura ficado. Eu quero mostrar que uma presença maior da religião no espaço público é não só boa como necessária para a liberdade ...

vencedores, derrotados, surpresas e expectativas

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Vencedores: - Pedro Passos Coelho : Conquistou o voto pela personalidade simpática e autêntica, e por isso confiável. Tem alguma credibilidade mas também suscita algumas dúvidas pela novidade de certas ideias que traz pela primeira vez à política portuguesa. A sua margem de manobra está condicionada pelo cumprimento do acordo com a ajuda internacional e pela crise económica em que vivemos. Mas todo o vencedor tem direito a um "estado de graça", por mais curto que seja. - PPD/PSD : Teve 38,6% dos votos e elegeu 105 a 108 deputados (falta atribuir os 4 deputados dos emigrantes, e o PSD conseguirá 2 ou 3 deles). Esteve perto da maioria absoluta, que se consegue com 116 dos 230 deputados da Assembleia da República. Será inequivocamente o partido líder do novo Governo. - CDS/PP : Obteve a melhor votação dos últimos 28 anos, teve 11,7% dos votos e 24 deputados, tantos quanto a CDU mais o BE juntos. Terá 3 ou 4 ministros no novo Governo. Ganhou em tudo menos nas expectativas ainda m...

a família unida - um valor a defender

- (...) - O pai disse-lhes então: - Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pôde parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos. - (...) - in "Parábola dos Sete Vimes", de Trindade Coelho (1861-1908). -

Lisboa é uma festa!

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- - Estão quase aí as festas de Lisboa, com os seus santos populares, principalmente o casamenteiro Santo António, as febras e as sardinhas, o vinho, os manjericos, os balões e os arraiais, os amores e as marchas. Todos os anos se apresentam no Pavilhão Atlântico e na Avenida da Liberdade 18 marchas, sendo que neste 2009 se estreiam a Marcha de Belém e a Marcha da Baixa. Esta tradição das marchas descendo a Avenida já vem de 1932, quando foi organizado por Leitão de Barros e Norberto Araújo o primeiro Concurso das Marchas Populares de Lisboa, onde participaram apenas 6 bairros - Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Campo de Ourique e Madragoa. Hoje, cada bairro tem de cantar 4 marchas, sendo que 2 das marchas são inéditas desse bairro (desse ano), 1 marcha é antiga do bairro (de outro ano), e 1 marcha é de Lisboa, comum a todos os bairros. O tema que ganhou o concurso para a Marcha de Lisboa este ano é o "Lisboa é uma festa" de José Reza e Joaquim Isqueiro, e trata-s...

algumas virtudes d'um chefe de família

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- Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum. - Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos. - - in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro -

vítimas da heterofobia alheia

- Mais um debate desiquilibrado, faccioso e mal dirigido, desta vez por Fernanda Freitas no seu programa da RTP2, Sociedade Civil. Que desilusão, tinha a Fernanda Freitas em muito melhor conta jornalística. Era novamente sobre o casamento para aqueles duetos de homossexuais que reclamam para si o nome de "casal" sabendo que biologicamente não podem "acasalar", mas que mesmo assim querem "casar", adoptar crianças e até tê-las, por meio de inseminação e outros inéticos artifícios. O sim heterofóbico apresentou-se com os mesmos intervenientes, sempre de homofómetro em punho, prestes a apitar a quem deles discorda. Os media estão realmente a fazer um grande trabalho de casa, mais uns meses assim e alguma carneira sociedade portuguesa estará no ponto exacto que os lobos lobbies pretendem para fazer passar a lei sem muitas dificuldades. Mas, e enquanto protejemos a família, quem nos proteje da heterofobia dos outros? -

alvo certo, mira torta

- As investigações jornalísticas ao “Caso Fripór” ( Freeport ?) e todos os ataques pessoais à credibilidade de José Sócrates, só têm tido o reverso e indesejável efeito: ajudar o Primeiro-Ministro a consolidar a sua privilegiada posição nas sondagens, nomeadamente face ao PSD, seu mais directo concorrente. - Como é possível? É possível. É possível porque as pessoas pouco ligam se um governante é mais ou menos corrupto, ou mais ou menos honesto, desde que os seus direitos, crenças e economias não lhes sejam tirados às claras ou em reconhecível quantidade. As pessoas desculpam favorecimentos aos amigos e à família do titular de um cargo, mas não perdoam uma brusca subida de impostos. A gente fecha os olhos a desvios éticos, mas não esquece a perda substantiva do poder de compra. - Sejamos claros, este Governo é perigoso e o Primeiro-Ministro uma nódoa. Contudo, a oposição partidária e jornalística ainda não acertou no alvo. Enquanto se fala de fripórs, licenciaturas, faxes, projectos ind...

maquiavélicos casamenteiros

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- Ontem estava a ver os Prós&Prós da RTP sobre os casamentos para homossexuais, e por várias vezes me lembrei de um antigo conspirador de outras freguesias: Nicolau Maquiavel. O florentino defendeu uma atitude diferente na vida política, onde o que interessa é desenvolver uma nova virtude que responda à verdade efectiva das coisas , e nada mais. Resumindo, Maquiavel sugeriu-nos que trocássemos o "dever ser" pelo "ser", baixando drasticamente o nosso horizonte, que antes se fixava na moralidade proposta pelos antigos que buscavam o Sumo Bem (o nosso Bem Comum é o descendente deste conceito), e que agora se devia concentrar no concreto do quotidiano, naquilo que realmente acontece na vida terrena - a tal verità effettuale que o autor destacava... - Assim, Maquiavel criticou a virtude dos antigos , por nunca conseguir atingir plenamente o fugidio Sumo Bem , sendo esta virtude apenas ingenuamente boa. Era preciso uma nova virtù. Isabel Moreira, ontem a maquiavé...