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sábado, 20 de dezembro de 2025

O que hoje significa ser-se cristão no Paquistão

(também publicado no Substack)

Meeting lawmakers at the Portuguese Parliament

These last days of Advent I have been following a delegation of Christians from Pakistan visiting Lisbon, Portugal. They represent the Peter John Sahotra Foundation, an institution of good courageous people that provides the Christian community with relief from the heavy burdens of poverty and religious persecution. The couple Sadaf and Joel Amir Sahotra have been meeting members of the Portuguese Parliament, civil society organisations, media, schools and universities. The purpose of this visit is to update the Portuguese society about the situation of Christians in Pakistan with key facts and to find new opportunities of cooperation on the issues of human rights and education.

Pakistan is a 240 million country with about 1% Christians living mainly in Punjab, but also in smaller communities in Sindh and Karachi. The majority of these 2.5 to 3 million people face poverty and all of them live under the stress of religious intolerance. It will be easy to find Christians in sanitation jobs, as domestic helpers or in the hard brick kiln production in Pakistan. These are all low-income jobs; the wages are earned in a daily basis and child labour is often involved.

Mr and Mrs Sahotra addressing a school audience in Portugal

As Mr. Sahotra informed, ‘even in government job advertisements, it is often stated that sweeper and janitorial posts are “only for non-Muslims.” This practice reinforces humiliation and exclusion. Educated Christians rarely find opportunities beyond menial jobs, regardless of qualifications.’However, the starkest picture is the condition of thousands of Christian families that are trapped in generational debt and are forced to work in brick kiln factories. Their living and working conditions are extremely hard. Clean water, healthcare and education are only mirages. The most fragile are more exposed to abuse: ‘young Christian women and girls are especially vulnerable to harassment and sexual abuse by kiln owners and supervisors, often without legal recourse or protection.’

Another problem is the Blasphemy Law. These laws continue to be the source of great injustices and fear. Many innocent Christians have been falsely accused and imprisoned for years. False accusations continue to trigger mob violence against Christians. Entire Christian neighbourhoods – houses and churches – were burned to the ground in tragic incidents such as Joseph Colony (Lahore, 2013) and Jaranwala (2023). In Sharia courts, non-Muslim lawyers are not allowed to represent its clients, restricting access to justice and minorities’ representation. Christians still face social exclusion, workplace bias, forced conversions and hate speech, particularly in rural areas.Long time ago, Muhammad Ali Jinnah said to the Pakistani people: ‘You are free; you are free to go to your temples, you are free to go to your mosques or to any other place or worship in this State of Pakistan. You may belong to any religion or caste or creed that has nothing to do with the business of the State. (…) We are starting in the days where there is no discrimination, no distinction between one community and another, no discrimination between one caste or creed and another. We are starting with this fundamental principle that we are all citizens and equal citizens of one State.’ This was Mr. Jinnah’s presidential address to the Constituent Assembly of Pakistan in the 11th of August 1947 – just three days before the formal Independence Day of Pakistan. The promise of Pakistan’s founding father remains only a dream for the Christians and other religious minorities’ peoples of this country.

Mr. Jinnah promising religious freedom in Pakistan, 1947.

The international community may help by funding Christian projects in Pakistan – such as schools – or offering scholarships and training opportunities abroad for young Christians. Surprisingly for some, Christianity in Pakistan is older than in parts of Europe. Saint Thomas the Apostle spread the word of Jesus Christ as far as the Bay of Bengal. Our common Christian heritage is also to be cherished in the small villages of Punjab and Sindh.

For more information about what means to be a Christian in Pakistan today, please visit the Peter John Sahotra Foundation’s website and check also the Aid to the Church in Need 2025 report on Pakistan.

Mr Joel Amir Sahotra being interviewed at Rádio Renascença

As a Portuguese Member of Parliament said some days ago, “this testimony puts our Christmas into a new perspective”. Those words resonated in my heart. Students in the schools of Lisboa also realised how lucky they are to live without fear of being persecuted because of their faith.

Thanks for your kind attention. Thanks dear friends Sadaf and Joel for your moving courage. And I wish a blessed Christmas to all of you.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Reflexões dum ex-lobista

(originalmente publicado no Jacaré)

Noutra vida fui lobista e foi-me pedido pela minha querida Universidad de Navarra que explicasse o que era o lobbying a um grupo de alunas da Faculdade de Comunicação que então visitava Bruxelas. Recentemente encontrei o papel desse encontro e achei interessante pôr aqui algumas ideias básicas que lhes tentei transmitir.


Em 2015, havia em Bruxelas cerca de 31 mil funcionários da Comissão Europeia e estimava-se que houvesse mais de 30 mil lobistas, quase um lobista para cada funcionário. Hoje em dia, acredito que o número de lobistas tenha ultrapassado o de funcionários, e atenção que a Comissão Europeia é apenas uma das várias instituições da União Europeia.


Definindo o lobby
Então, e o que vem a ser isto do lobbying? Trata-se muito simplesmente de tentar influenciar políticas, mais concretamente as leis, e o lobista fá-lo no sentido que convém ao interesse ou cliente que representa. O lobista age em nome próprio ou em representação de uma causa ou de um cliente, organiza e fornece informação relevante para o policy maker, promove debates, faz perguntas, ajuda a formular leis e emendas às propostas de lei, convence os políticos a votar de certa maneira, promove acordos e também desacordos. Academicamente, distinguem-se três tipos de lobbying:
lobby top-down (de cima para baixo, exercendo o poder de superior hierárquico como a UE faz em relação aos Estados-membros, ou como um ministro em relação a um secretário de Estado da sua tutela)
lobby directo (de igual para igual, como por exemplo entre ministros ou entre deputados)
lobby de grassroots (de baixo para cima, seja através da organização de manifestações na rua, de artigos de jornal, publicações em redes sociais, petições, etc.)

Um exemplo de lobbying: o que têm em comum as restrições ao tabaco, os cintos de segurança nos automóveis e a proibição do consumo de álcool ao conduzir? Tudo se deve a um eficaz trabalho de lobby das companhias de seguros.

Quem? Como? Onde?
E quem faz lobbying então? Bem, toda a gente: as empresas, os bancos, as farmácias e laboratórios farmacêuticos, os agricultores, as associações (comerciais, laborais, sindicatos, etc.), as igrejas ou religiões, os países e Estados (governos, diplomatas, etc.), as regiões e cidades, as próprias instituições europeias entre si, os partidos, os cidadãos... e fazem-no através de ONG’s (organizações não governamentais), OAANG’s (organizações apenas aparentemente não governamentais), partidos, think tanks, universidades (com estudos, papers, doutoramentos horroris, perdão, honoris causa...), museus e fundações, atribuição de prémios, escritórios de advogados, consultores de relações públicas, jornais e jornalistas, entre muitas outras figuras. Os lugares onde o lobbying se faz também são diversos: ONU, NATO, Comissão Europeia, Parlamento Europeu, outras organizações internacionais, governos e parlamentos nacionais, cafés, restaurantes, hotéis, discotecas, comboio, avião, metro, e-mail, telefone, gabinetes e escritórios, casa, ginásio, piscina, practicando um desporto em equipa, num clube cultural ou recreativo...

Eficácia do lobby
Se não for bem feito, o lobby pode ser um desperdício de dinheiro ou até contraproducente. Dou dois exemplos de lobbying ineficaz:
- uma vez fui a uma conferência sobre a crise europeia, que fazia um diagnóstico tremendo sobre o estado das economias europeias, suas empresas e famílias. A conferência teria sido um sucesso a nível de conteúdo caso não tivesse sido rematada por um cocktail onde foram servidos champagne, água Evian e tostinhas com foie gras. Neste caso, a forma prejudicou a mensagem.
- em Junho de 2013 assisti a um evento caríssimo, muito bem servido, num dos espaços mais amplos do Parlamento Europeu. O objectivo era a promoção da cidade de Sevilha, não só a nível de turismo como de negócios. O problema foi que todos os discursos foram em castelhano, sem tradução, e o power point e material impresso também só estavam na língua local de Sevilha... tudo para espanhol ver! De que serve a uma cidade ir promover-se ao estrangeiro numa língua que o público não entende? Foram os lobistas andaluzes que não entenderam para quem falavam, e com isso gastaram inutilmente uma fortuna ao seu cliente, que neste caso era o contribuinte.

Assim, para se fazer um lobby eficaz, é fundamental sabermos quem é o nosso cliente, quem é o nosso público-alvo, quais são os nossos objectivos, de que meios dispomos, conhecer o processo legislativo com o seu calendário e prazos, e qual é o nosso orçamento. Desta forma, podemos desenhar e aplicar uma boa estratégia para atacar o problema a que queremos dar resposta. Tendo em conta experiências passadas, estamos sempre a avaliar e aprender a enquadrar melhor as questões e contar melhor a história da nossa perspectiva sobre o assunto em análise. Acima de tudo, temos de ter em conta que do outro lado está uma pessoa como nós, com a sua história, cultura, formação e vicissitudes muito próprias. Por exemplo, com um engenheiro poderei enquadrar a questão de uma forma acção-reacção ou explicar a dinâmica do problema identificando um pólo positivo e um pólo negativo. A um médico, falarei do problema como uma doença a atacar, ajudando-o a descobrir o melhor remédio e prevenindo-o da possibilidade de eventuais contágios para outras áreas. A um pai de família sei que poderei falar do futuro com mais segurança de que será sensível às questões de longo prazo. E por aí fora.

Por outro lado, para o lobby eficaz devemos ter em conta a natureza das instituições e dos seus funcionários. No caso de Bruxelas, o processo legislativo muitas vezes começa na Comissão onde a proposta é elaborada, depois é enviada ao Parlamento que a pode aprovar, emendar ou vetar, depois segue para o Conselho... e o lobista pode estar num momento a contribuir de forma construtiva para determinada lei junto da Comissão, e passado umas semanas estar numa atitude destrutiva a fazer o seu lobby junto dos eurodeputados para emendar ou vetar alíneas que não lhe interessam e que não conseguiu influenciar na Comissão. A estratégia geral de lobbying deve contemplar que as tácticas se adaptem a cada público-alvo e a cada momento legislativo.

Vale tudo?
Mas será que vale tudo? Aqui começa a reflexão ética da profissão de lobista e da práctica do lobbying. A verdade é que... o lobista não é pago para dizer a verdade. Também não deve mentir, mas por vezes espera-se do lobista que engane ou induza ao erro. Pagam-lhe para dizer o que é conveniente. A diferença entre uma mentira e aquilo a que os americanos chamam de - e peço desculpa pela feia expressão - bullshit, é que a simples mentira é uma negação da verdade, enquanto que bullshit trata-se de dizer o que quer que seja (verdade, mentira ou engano, não importa) para alcançar um determinado objectivo. Como a verdade perde centralidade nesta indústria do bullshit que é o lobbying, fica prejudicada a capacidade de um lobista gerar confiança. Mas a confiança, que só se ganha no médio e longo prazo, é a chave do seu trabalho. Sem confiança, não é credível aquilo que o lobista oferece aos seus clientes e aos políticos que tenta influenciar. A grande tentação do lobista é dizer que sim a tudo, e tudo o que diz o seu cliente ou chefe passa a ser a sua missão, ordens para cumprir. Mas se o lobista engana o político porque o seu cliente assim pede, algum dia o seu cliente questionar-se-á se o lobista não o está a enganar a si também, e o lobista poderá também questionar-se se o seu cliente não o engana igualmente. Por vezes, o lobista só ganha o respeito das pessoas (clientes, network de contactos, políticos, ou de si mesmo) se tem a coragem de dizer “não”, “isto não faço”, “não ultrapasso esta linha”.

Para além da falta de confiança que advém de omitir, enganar ou induzir em erro (já para não falar da mentira), há outro fenómeno que mina as relações humanas e as sociedades: a corrupção. Quando se fala de lobbying, a corrupção está sempre presente na cabeça mesmo que dela não se fale. E não é por acaso, posso confirmar (sem nunca a ter practicado) que a corrupção no lobbying é bastante comum. Entendamos por corrupção tudo o que degrada a natureza de uma função, de uma acção, de um cargo ou mandato. Por exemplo, o mandato dum eurodeputado é para representar o interesse dos cidadãos que o elegeram. Se esta não for a grande prioridade do eurodeputado, pode-se dizer que ele está corrompido. Os principais tipos de corrupção em lobbying podem ser: favores legislativos, tráfico de influências, empregos para familiares, espionagem, sedução, cedência de assistentes que trabalhem para terceiros, viagens, presentes, recebimento de dinheiro por acção, promessa de cargo futuro (as “portas giratórias” ou revolving doors) e o financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Tudo isto pode alterar as prioridades do político ou funcionário que se pretende influenciar, degradando o seu serviço e dedicação ao Bem Comum.

Conclusão
Estou ciente que apresentei aqui uma visão um pouco negra desta profissão que já foi a minha, e de algumas falhas que há no sistema. Há quem diga que é preciso proibir o lobbying, há quem diga que é preciso maior regulação, mas eu acho que o problema é essencialmente cultural. Se formos a ver, todos somos um pouco lobistas, a começar pelos familiares dos políticos. Um deputado vota muitas propostas legislativas todos os meses, tantas que não é humanamente possível ele ser especialista em todos esses assuntos e votar em consciência. É normal e desejável que alguém lhe apresente factos bem organizados e explicados, com uma perspectiva sobre o assunto. Se possível, o político deve procurar também uma perspectiva contrastante para aprender mais matizes da questão e fazer a sua síntese. Bem entendido, o lobbying é um serviço que melhora a qualidade das democracias. Se eu participo numa manifestação ou se escrevo aos deputados, não só estou a exercer um direito como estou a participar de forma positiva no processo legislativo... estou a pedir ao deputado ou ao governo que me representam para agir de certa forma, e nesse caso estou a ser lobista de mim próprio. O problema não é o lobbying, o problema é a corrupção. E à corrupção responde-se com leis claras, penas dissuasoras, uma justiça que funcione e, acima de tudo, com mais ética pessoal e profissional de todos os intervenientes no processo legislativo.

Havia bastante mais para dizer, pois guardo muitas histórias engraçadas sobre aqueles anos. Mas para terminar num tom mais positivo, posso assegurar que há poucas coisas que dêem mais satisfação do que contribuir de forma saudável para que políticos tomem decisões informadas com impacto real e bom na vida das pessoas. No meu caso, houve alguns momentos em que tal aconteceu.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Eutanásia - carta a todos os deputados



Lisboa, dia 22 de Maio de 2018

Exmo. Senhor Deputado [NOME]
Assembleia da República Portuguesa


Senhor Deputado [NOME],

Chamo-me António Vieira da Cruz, sou portador do cartão do cidadão [--------] e voto em Lisboa. Escrevo porque sei que a Assembleia da República irá debater e votar nos próximos dias uma proposta de legalização da eutanásia.

Edvard Munch - A dança da vida (1899)

Já vivi em países onde a eutanásia está legalizada, como a Bélgica ou o Canadá, mas V.Exa. estará certamente a par do impacto desta práctica nesses países e dos números que confirmam o cenário da slippery slope, a tal “rampa deslizante” que vai afectando cada vez mais vidas. Para ilustrar este fenómeno, por exemplo, a Bélgica viu um aumento de 769% de eutanaziados nos primeiros 10 anos completos (2003-2013) depois da entrada da lei em vigor no ano de 2002. Na Holanda os casos de eutanásia têm aumentado cerca de 10% cada ano, com 6091 eutanásias em 2016 a representar mais de 4% das causas totais de morte nesse país. Vejo o Canadá caminhar na mesma direcção e os números relativos ao Luxemburgo e à Suíça são igualmente preocupantes.

Para além de uma cuidada análise dos números e daquilo que estes representam, esta questão exige de nós uma abordagem humana e socialmente responsável. Por isso é que eu, sendo parte de uma sociedade civil que também é chamada a reflectir sobre a eutanásia, convido V.Exa. a comigo pôr-se na pele:

- do Doente, que está frágil e vulnerável, com dores e em sofrimento, mas intacto em dignidade humana;
- da Família e outros Cuidadores, que acompanham o Doente naquele momento de grande fragilidade e vulnerabilidade, dando-lhe ânimo, paz e esperança para combater o sofrimento;
- do Médico, em quem o Doente confia para ser tratado, das dores aliviado e - se possível - curado;
- do Estado, que tem o dever de acudir pelo menos aos mais fragilizados da sociedade, dando um enquadramento legal que os protege e, se chamado, agindo como entidade de Bem;
- do Legislador, que legisla tendo em conta o Bem Comum.

Senhor Deputado, neste caso, o Bem Comum é realmente coincidente: o bem do Doente, da Família e outros Cuidadores, do Médico e do Estado é a protecção da vida humana. A hipótese da eutanásia destrói a relação de confiança entre o Doente e o seu Médico. A hipótese da eutanásia acrescenta ao Doente sofrimento e o peso da dúvida na altura em que está mais vulnerável. Se efectuada, a eutanásia não elimina o sofrimento, elimina sim uma vida e aumenta ainda mais o sofrimento de quem cá fica. A eutanásia é uma desistência de tratar, cuidar, acompanhar. E no entanto, os cuidados paliativos nunca foram tão eficazes e avançados como são hoje.

Infelizmente, nos últimos anos o Estado tem-nos falhado em várias áreas. Mas o Estado é feito de pessoas e errar é humano. O que não posso conceber é que o Estado se demita deliberadamente de uma obrigação fundamental sua, a de zelar pelo Bem Comum e a protecção legal dos mais fracos.

Espero de V.Exa. que legisle em prol do Bem Comum.

Obrigado pela atenção e os melhores cumprimentos,
António Vieira da Cruz, Português, 32 anos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

5 razões porque Fernando Nobre não foi eleito Presidente da AR


  • Fernando Nobre insistiu em arrastar a sua candidatura a Presidente da Assembleia da República (AR) para votos, quando não tinha condições de vitória. Só o PSD, com 108 deputados, apoiava a sua candidatura que precisava de uma maioria de 116 deputados. E no fim de contas, nem sequer todos os deputados do PSD votaram em Fernando Nobre, que teve 106 votos na 1ª volta e 105 na 2ª volta. O voto era secreto.

  • Pedro Passos Coelho quis honrar o seu compromisso quando tudo e todos o aconselhavam a não o fazer.

  • Paulo Portas e o CDS quiseram fazer uma demonstração de poder. Quiseram mostrar, logo no princípio desta coligação, como o CDS é essencial ao PSD para passar as leis na AR, e que sem eles concordarem minimamente com cada proposta política, nada feito.

  • O PS preferiu o voto de vingança das eleições presidenciais a cumprir o implícito acordo de cavalheiros que havia sobre a Presidência da AR. Por um lado é triste que a este nível se tomem decisões por rancor, mas por outro lado ainda bem que o 2º cargo da hierarquia do Estado Português não vai ser ocupado por um maçon - até ver. E não deixa de ser irónico que tenha sido o PS a impedi-lo.

  • A CDU e o BE portaram-se como se esperava, pois onde houver instabilidade para provocar, aí estarão eles.


Fernando Nobre esteve sozinho durante todo o processo da sua humilhação pública. Nos intervalos das votações no Parlamento, até os deputados do PSD o deixaram só, como vemos na fotografia. A excepção foi Paula Teixeira da Cruz, a próxima Ministra da Justiça, que foi solidária e teve o bonito gesto de estar ao lado de Fernando Nobre em alturas que ninguém mais quis estar por perto e arriscar uma fotografia com o derrotado. A outra excepção foi Miguel Macedo, o próximo Ministro da Administração Interna, que dirigiu palavras públicas de apreço a Fernando Nobre, seguido de aplauso de pé de quase toda a bancada do PSD e silêncio sentado por parte das restantes bancadas.

Fernando Nobre desistiu da sua candidatura. Aguarda-se que amanhã às 16h00m o PSD proponha um novo nome para a Presidência da AR, que provavelmente será o de Guilherme Silva, histórico deputado madeirense.

A lição que se tira de tudo isto é que ninguém se deve candidatar a Presidente da AR como Fernando Nobre prematuramente fez, durante a campanha eleitoral. A sua candidatura deu votos ao partido? Talvez alguns. Mas também lhe deu a sua primeira derrota política, antes ainda de o novo Governo ter tomado posse.