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domingo, 15 de fevereiro de 2009

toca a reunir

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No dia 24 de Janeiro, o Papa Bento XVI deu um importante passo ecuménico ao levantar as excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) que haviam sido ilicitamente consagrados em 1988, e que hoje devem ser por nós acolhidos na Igreja.
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No entanto, parece que as habituais vozes barulhentas que se ouvem fora da Igreja contagiaram desta vez com algum sucesso certas facções da Igreja que, desde o levantamento das excomunhões, subiram o tom das provocações entre si a níveis pouco dignos. O problema, ao contrário daquilo que os media nos querem vender, não está tanto entre os mais altos responsáveis de ambas as partes - que em geral têm pedido desculpas quando porventura cometem excessos -, mas no vírus do ódio já infiltrado entre alguns leigos. Tenho lido muitos artigos de progressistas, bastantes blogues de tradicionalistas, tantos insultos, tanta raiva, tanto extremismo, de parte a parte... parem, chega, já basta!
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Como querem amar com tanto ódio? Como querem ser santos se se acham suficientemente deuses para julgar o próximo como só Deus o pode e deve fazer? É assim que se dizem humildes? É assim que respeitam o Papa? Não falo mais para uns que para outros, o limite já foi amplamente ultrapassado de ambos os lados, o que entristece qualquer pessoa que ame a Igreja... já chega de poluição, ouçam o Papa, juntem-se à maioria silenciosa, voltem a Cristo, dêm as mãos, olhem-se como irmãos que somos e, se queremos mesmo ser católicos... sejamo-lo verdadeiramente!
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O Papa abriu à FSSPX uma porta que anteriormente estava apenas entreaberta. Cabe agora aos nossos irmãos da FSSPX passar esta porta, se quiserem, e para tal terão de reconhecer plenamente o Concílio Vaticano II, bem como o magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI - anunciou-o recentemente a Secretaria de Estado do Vaticano.
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Bento XVI voltou a pedir as nossas orações pela união da Igreja, para que Deus ilumine o nosso caminho, e para que cresça em todos os pastores e fiéis o empenho no apoio à delicada e pesada missão do Papa, que é o guardião da unidade da Igreja. "A Conspiração das Teorias" associa-se ao Papa Bento XVI e às orações por ele. Tem sido um grande Papa.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

pedido de tolerância aos discriminados desta vida

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Às senhoras: não me levem a mal por vos oferecer a prioridade ao passar uma porta. Não é machismo, é consideração!
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Aos homossexuais: não se ofendam com o debate sobre o casamento. Não é homofobia, é zelo pela família!
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Aos africanos: não nos julguem pelo mal que alguns antepassados desta Pátria fizeram aos seus. Não é esquecer o passado, é construir uma irmandade com futuro!
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Aos pobres: não condenem todos os poderosos pela exploração realizada por alguns. Não é luta de classes, é igualdade perante a justiça!
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A todos, a minha oração, respeito e amizade. Não só tolerância, mas amizade.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

vox populi - II

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Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos.

Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas...

Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se...
– Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces?
– Sim, sim! Muito boas.

Acredita em Deus mas diz não rezar as orações tradicionais. Respondi-lhe que as suas orações não eram menos valiosas para Deus, e ele abriu a confiança num sorriso da boca aos olhos, mostrando pela primeira vez a falta de dentes.

Tem a auto-estima em baixo, diz-se feio. Mas é culto e autodidata. Não se dá com os outros sem-abrigo, a sua companhia é Deus e o cão, que se chama Rainbow (a sua dificuldade na dicção fez-me perguntar 3 vezes se se tratava do Rambo, até ele me explicar que era um arco-íris).

O Zé Carlos falou um dia com a assistente social, dizendo-lhe que queria refazer a sua vida. Esta respondeu que era difícil ajudá-lo por ele não ser toxicodependente. Perguntou numa entristecida ironia, de voz embargada:
– Não me orientas um charrinho que m’ajude? É que senão, não me safo...

Quando disfarçadamente bocejou a primeira vez, quis deixá-lo descansar, e despedimo-nos entre mais conversas e apertos de mão, durante uns bons 10 minutos.
– É que – pausa, suspiro – não é todos os dias que se fala...
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