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A mostrar mensagens de maio, 2026

Montgomery à conversa com o retrato de Rommel

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Field Marshal Bernard Law Montgomery Durante os treze dias da Batalha de El Alamein (Egipto) em Outubro/Novembro de 1942, o comandante britânico dos Aliados Bernard Montgomery pendurou na sua caravana uma fotografia do seu arquirrival Erwin Rommel, comandante alemão do Eixo e também conhecido por “A Raposa do Deserto”. Em entrevista a Cliff Michelmore da BBC (1968), a explicação de Montgomery foi a seguinte: — Eu gosto de pôr na minha caravana uma imagem do meu oponente da altura. Eu costumava olhar para ela e dizer para comigo mesmo, «que tipo é este? Se eu fizer isto, como irá ele provavelmente reagir?» E, curiosamente, ajudou. Acho que algumas pessoas me pensavam louco. Mas sabe, fui tantas vezes considerado maluco que agora acho-o um elogio. Rommel era bastante diferente daquilo que as pessoas julgam. Ele era um general do tipo Prince Rupert. Isto significa que, para Montgomery, Rommel era um bom comandante da frente de batalha que preferia estar com os soldados que o seguiam, ma...

Sobre a destruição de chá no Boston Tea Party

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"Destruction of the Tea in Boston Harbor" (1856), de John Andrew      Esta gravura faz parte da galeria de arte da Yale University e representa a destruição de chá de 16 de Dezembro de 1773, mais conhecida por "Boston Tea Party". Dezenas de colonos americanos disfarçaram-se de indígenas Mohawk e ao cair da noite abordaram no porto de Boston três navios ao serviço da East India Company, jogando 342 caixotes de carga no mar e assim destruindo 42 toneladas de chá no valor de mais de $2,2 milhões actuais. Este foi um acto de protesto contra os impostos britânicos sobre vários produtos, incluindo o chá. "No taxation without representation" era a palavra de ordem contra os vários impostos sobre os colonos americanos. Esta milícia chamava-se Sons of Liberty e os seus membros vestiam-se de Mohawk para mostrar a Londres que se identificavam como americanos.      Nove dias depois, dia de Natal, outro navio aproxima-se de Filadélfia com 697 caixotes de chá e os Sons ...

A história da Migrant Mother

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"Migrant Mother" (1936), de Dorothea Lange       Esta fotografia foi captada em Nipomo, Califórnia, e é o grande símbolo da Grande Depressão americana. No entanto, ainda hoje as políticas do New Deal dividem os economistas: uns defendem que o New Deal foi o conjunto de medidas que relançaram o crescimento económico norte-americano, outros defendem que estas políticas apenas prolongaram e agravaram a crise. Como vemos pela data da fotografia, ela dá-se sete anos depois do crash da Bolsa de Nova Iorque e três anos depois do início das políticas do New Deal.

A história da Afghan Girl

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“Afghan Girl” (1984), de Steve McCurry      Foi a capa da National Geographic em Junho de 1985. Mostra Sharbat Gula, uma rapariga pashtun então com 12 anos, que vivia no campo de Nasir Bagh (Peshawar, Paquistão) entre cerca de 100 mil refugiados afegãos. Com a intervenção da NATO no Afeganistão e afastamento dos Taliban, Sharbat Gula e outros refugiados voltaram ao seu país e o campo onde viviam fechou em 2002. Em 2021 a NATO retirou as forças militares do Afeganistão e os Taliban retomaram o poder. Com o regresso dos Taliban, a vida de Sharbat Gula foi ameaçada e ela teve novamente de sair do país. Vive em Itália desde então, outra vez como refugiada. Passados quarenta anos desta fotografia, as raparigas e mulheres afegãs ainda vivem hoje com graves limitações no acesso à educação, ao mercado de trabalho, e à liberdade de uma vida digna.

A história do Roaring Lion

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“The Roaring Lion” (1941), de Yousuf Karsh     "The Roaring Lion" é uma célebre fotografia de Winston Churchill no Parlamento do Canadá, apenas três semanas depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Depois do discurso “Some chicken, some neck” aos deputados canadianos, Churchill foi levado pelo Primeiro-Ministro anfitrião Mackenzie King até uma sala onde os esperava o fotógrafo Yousuf Karsh. Churchill não gostava nada de fotografias e estava aborrecido por ter sido apanhado naquela situação sem querer. Mais zangado ficou quando Karsh lhe pediu para pousar o charuto para que o fumo não interferisse com a imagem. O Primeiro-Ministro britânico recusou-se. Então, Karsh aproximou-se rapidamente de Churchill e tirou-lhe o charuto da boca enquanto dizia “forgive me, Sir” com toda a naturalidade. Quando voltou para trás da câmera, o fotógrafo observou que Churchill tinha uma cara de confronto e um olhar tão feroz, tão beligerante que quase o poderia devorar. Logo após tirar a foto...

A Natureza e nós

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 (também publicado no Substack ) Dia 8 de Dezembro de 1991, perto da fronteira da Bielorrússia com a Polónia. A neve cai oblíqua, atravessando as nesgas do bosque denso e escuro. Longos uivos ecoam pela noite, não sabemos se de lobos ou pelo vento gélido passando por entre os carvalhos. E, por debaixo do fino manto branco, ainda adivinhamos a lama dos rodados deixados pelos carros na véspera. Três grupos de homens tinham chegado à dacha em segredo: uns vindos do Leste, outros do Norte e do Sul. Entraram, acomodaram-se e, depois da sauna e das massagens, do banquete e do descanso, só o novo dia revelou toda a gravidade da ocasião. Aquele refúgio de caça nas profundezas da enorme Floresta de Białowieża foi por algumas horas o centro do mundo. Um dos dois grandes blocos da ordem internacional caía com a neve e desfazia-se com o raiar do sol. Limpemos com a manga do nosso casaco o vapor no vidro de uma daquelas velhas janelas embaciadas. Espreitemos por esse portal do tempo, imaginand...