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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

a importância de identificar o inimigo

 (publicado originalmente no Observador)



Os nomes das guerras costumam remeter para o sítio onde se combate, e aqueles que participam na guerra costumavam ser aqueles que estão no terreno e lutam nos campos de batalha. No entanto, tem havido guerras com outros tipos de nomes. Em 1945 George Orwell cunhou o nome “guerra fria” para descrever o tipo de relação que os EUA teriam com os países vizinhos por serem o único país com a bomba atómica. Como sabemos, a URSS e outros Estados rapidamente ganharam a sua capacidade nuclear e o mundo evoluiu para uma situação de tensão entre dois blocos concorrentes que recebeu precisamente esse nome – Guerra Fria – até à queda do Muro de Berlim e consequente esboroar do bloco soviético. Também o Presidente Lyndon Johnson chamou em 1964 às suas políticas públicas de “Guerra contra a Pobreza” (War on Poverty), George W. Bush declarou a “Guerra contra o Terrorismo” (Global War on Terrorism) em 2001 e, mais recentemente, temos ouvido vários líderes políticos a falar duma “Guerra contra a Pandemia”.

O problema destas denominações é que o inimigo se torna invisível, difuso, desfocado, múltiplo. Não se sabe bem quem é, ou sequer se é. Não é um inimigo palpável e com rosto. A alternativa não é arranjar um inimigo qualquer para dar sentido à nossa guerra, nem devemos atirar ao lado como alguém que diz que é preciso matar o homem branco, ou outros ainda para quem o grande problema são os ciganos. Esses bodes expiatórios servem para guerras que não são as nossas e, uma vez derrotados, o nosso problema persiste. Foi com simples distracções que nos entretivemos e, entretanto, não só perdemos tempo como eventualmente sacrificámos a paz de inocentes.

Muitas vezes, o politicamente correcto é simplesmente o correcto. Outras vezes, o politicamente correcto limita-nos a capacidade de identificar certeiramente aquilo e aqueles que combatemos. Voltemos a um problema nacional. A guerra no Afeganistão, também nossa porque envolveu 4500 militares portugueses — dois mortos em serviço — no âmbito da NATO, fez parte da Guerra contra o Terrorismo declarada pelos EUA cinco dias depois de sofrer os ataques de 11 de Setembro de 2001. Os atentados de 2001 e dos anos próximos tiveram um autor, a Al-Qaeda, e uma ideologia: o radicalismo islamista.

É claro que seria injusto culpar todo o Islão por causa duma franja minoritária e oportunista que apoia o terrorismo contra o Ocidente e o seu modo de vida. A maioria dos muçulmanos são tão pacíficos e normais como nós. No entanto, não podemos ignorar que os terroristas da Al-Qaeda, do ISIS, do Hezbollah e outros agem invocando motivos religiosos. Aqui, por complexos compreensíveis relacionados com o politicamente correcto, houve um esforço concertado para não relacionar aquela religião e os seus crentes com as ideias de radicalismo, terrorismo e violência. A meu ver, fizemos mal. Seria do nosso interesse e do interesse da maioria dos muçulmanos que tivéssemos juntado esforços para sinalizar os grupos, os líderes políticos e religiosos, as mesquitas e madraças que albergam as seitas ditas islâmicas mas que distorcem o Islão e instrumentalizam a fé dos homens e o nome de Deus para semear a violência e cometer crimes contra a humanidade.

Para além do mau nome que estes radicais dão ao Islão, a maior quantidade de mortos vítimas de atentados terroristas são… muçulmanos. Em vez de identificarmos o inimigo do terrorismo islamista e de o combatermos, cedemos primeiro ao politicamente correcto e depois cedemos também ao medo – sobretudo após os ataques a embaixadas dinamarquesas em 2005/6 por causa de caricaturas no Jyllands-Posten e o massacre do Charlie Hebdo em 2015.

Quando não identificamos o inimigo numa guerra, ele ganha uma vantagem desnecessária. Em sociedades democráticas como as nossas, os líderes têm contas a prestar para se manterem no poder e para continuarem a actuar. Quando a guerra é contra um inimigo vago e sem cara, quando após 20 anos já não sabemos o que fazemos numas montanhas longínquas e porque é que isso é tão importante para a nossa segurança e modo de vida, então a retirada é fatal e o sabor da derrota é amargo. Como já não compreendemos aquela guerra, ela torna-se aparentemente inútil e cara.

Queremos crer que os talibãs de hoje são melhores, mais moderados e humanistas que os de há 20 anos – mas as imagens e relatos mostram-nos o contrário. A Al-Qaeda continua, a Bin Laden sucedeu Al-Zawahiri e surgiu também um ISIS que semeia o terror até em Moçambique. Podemos pensar que ao sairmos do Afeganistão a guerra acabou, no entanto, o radicalismo islamista persiste como inimigo violento, perigoso e próximo. Devemos seguir a nossa vida sem a mudar, mas, se formos confrontados novamente com este inimigo, só ganhamos em identificá-lo melhor.

mais revolução, não!

 (publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis)

Cuba Libre

Separados, gosto de um bom rum e por vezes também da Coca-Cola com gelo e limão. Vê-los juntos num Cuba Libre, nem tanto. A meu ver, reduz-se o que há de melhor num e noutro: perde-se a consistência suave do rum e tapam-se os seus aromas mais finos com os grosseiros duma cola que, entretanto, perdeu o seu gás e frescura. Mas quando oiço alguém a dar vivas a “la Revolución!”, o meu primeiro impulso é pedir um Cuba Libre. Tudo é melhor que a revolução, até essa mistura. É verdade que o Cuba Libre é mais antigo que Fidel e remonta ao fim da Guerra Hispano-Americana que em 1898 – ano traumático para Espanha – resultou na perda espanhola não só de Cuba como de Porto Rico e das Filipinas, além de outros territórios menores. Mas por causa da revolução de Fidel sessenta anos depois, a família Bacardi mudou o negócio para o estrangeiro e a empresa Havana Club foi nacionalizada, estando a Coca-Cola e a Pepsi proibidas em Cuba. Por causa do embargo, também os norte-americanos estiveram durante décadas privados dos runs cubanos. Embora a Cuba Libre – a bebida – não seja para mim uma perda importante, é sempre lamentável uma limitação das possibilidades de escolha. Eu não aprecio, mas há quem goste; que lhes faça bom proveito!

 

Dois discursos

No passado 25 de Abril o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fez o tradicional discurso na Assembleia da República. Não lhe prestei logo atenção, mas ouvi boas críticas nos dias seguintes. Umas semanas depois ouvi um outro discurso com mais atenção, um discurso que me fez voltar ao de Marcelo e valorizá-lo. No dia 13 de Maio celebravam-se os 700 anos da fundação da Cidade do México. O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador convidou a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff e fez um discurso que narrou de modo marxista a História do México. Desvalorizou a crueldade azteca mas valorizou a brutalidade espanhola, em que índios e pobres foram escravizados e explorados pelos brancos, espanhóis, norte-americanos, nobres, burgueses, capitalistas, conservadores e liberais. Para López Obrador, a independência do México fez-se a pensar nos mais pobres e humilhados, e a Revolução Mexicana de 1911 (sem referência aos Cristeros) foi para ele “um acto de justiça e a primeira revolução social do mundo”. Depois, recorda comovido os anos 1935-1983 como dourados, onde, mesmo que houvesse pobreza, pelo menos havia sonhos; e aponta como negro o período neoliberal e pessimista pós-1983, do qual ele resgatou o México em 2018 para um novo período de ânimo e esperança.

Este discurso não podia contrastar mais com o de Marcelo. Onde López Obrador promove divisões naquela velha lógica da luta de classes, Marcelo é alguém que procurou a inclusão e compreensão das várias facções que estiveram em confronto na nossa História recente, dando a cada uma razões de ser. A História não é tão simples como uma luta entre heróis e vilões, entre os certos e os errados; pelo contrário, a História é muitas vezes complexa e as pessoas que estiveram dum lado e do outro tiveram bons argumentos para terem estado onde estiveram ou ainda estão. É por isto que o discurso de Marcelo foi extraordinário: deu finalmente sentido à história de cada português, sem excluir ninguém. Portugal há só um, mas não há apenas uma forma de se ser português. Ou nas suas palavras, “Houve, há e haverá sempre um só Portugal. Um Portugal que amamos e nos orgulhamos para além dos seus claros e escuros também porque é nosso.”

O marxismo de López Obrador, mesmo que mais simbólico e no plano cultural que Gramsci idealizou, não deixa de ser revolucionário e faz a luta na mente das pessoas que não deixam de ser postas em confronto, umas contra as outras. A mentalidade passa a ser de luta, a tal luta de classes entre explorados e exploradores. Foi assim na Revolução Sexual dos anos 60, ou no Maio de 68 em França, ou até nos dez anos de Revolução Cultural Chinesa (1966-76) que sob o slogan “aprender a revolução fazendo a revolução” destruiu não só os símbolos da tradição mas purgou, torturou e matou multidões.

 

Lembrando Roger Scruton

Era precisamente durante aquele Maio de 68 que estava em Paris o jovem Roger Scruton (1944-2020), filósofo inglês que partiu no início do ano passado e um dos expoentes do pensamento político e estético no último século. Em “Como ser um Conservador” (Guerra e Paz, 2018), Scruton explica como o choque desta revolução cultural o leva a questionar as coisas que queria conservar e que os revolucionários não valorizavam na sua política de terra queimada: “O Maio de 68 levou-me a compreender o que valorizo nos costumes, nas instituições e na cultura da Europa. (…) Para meu espanto, os soixante-huitards estavam ocupados a reciclar a velha promessa marxista de uma liberdade radical, que chegará quando a propriedade privada e o Estado de direito «burguês» forem abolidos. (…) A liberdade real, mas relativa, tem de ser destruída em nome da sua sombra ilusória, mas absoluta. (…) A lei, a ordem, a ciência e a verdade são meras máscaras da dominação burguesa, já não interessa o que se pensa, desde que se esteja do lado dos trabalhadores na «luta»” (págs. 19-20).

 

A revolução mais completa

Sem sairmos do sítio, podemos recuar à mãe de todas as revoluções: aquela que começou em 1789 e chamamos de “Revolução Francesa”. Mas terá começado realmente em 1789? De facto, a fortaleza da Bastilha foi tomada a 14 de Julho desse ano, mas o caldo cultural já existia, tanto por causa das ideias iluministas como por culpa dum generalizado imobilismo do regime de Versailles e consequente desfasamento da realidade social e económica em França. O último príncipe de Lampedusa quase teve razão ao escrever no seu “Il Gattopardo” que “tudo tem de mudar para que tudo fique na mesma”. Talvez não tudo, mas alguma coisa, aquilo que for preciso, aos poucos e sem viragens bruscas mas sempre recusando o imobilismo. Porque como notava Edmund Burke (1729-1797), um Estado sem meios de alguma mudança é um Estado sem meios de conservação. Duma revolução, são culpados os revolucionários como também os imobilistas da situação que, por falta de reformas, tornaram a revolução próximo do inevitável. Não é por acaso que Burke se refere à Revolução Francesa como “a Revolução em França” quando escreve as suas Reflexões. De facto, partindo da análise em 1790, as suas reflexões são válidas para outras revoluções também. Na Introdução à edição da F. C. Gulbenkian (2015) das “Reflexões sobre a Revolução em França” de Edmund Burke, a Sra. Professora Ivone Moreira escreve que “Burke caracteriza a Revolução em França como a primeira revolução intelectual, concebida e desenhada teoricamente e levada a cabo com a arrogância e presunção de quem não nutre qualquer tipo de apreço pelo que gerações anteriores construíram” (págs. 35-36). Três anos antes de Luís XVI ter sido decapitado, já Burke antecipava “que o sofrimento de reis é um repasto delicioso para certo tipo de paladares” (pág. 131) e também a violência e instabilidade que iria haver. 

Como se viu depois, a Revolução Francesa passou por várias fases pelas quais outras revoluções passaram também: uma fase moderada, uma fase radical e de terror, uma fase conservadora e eventualmente reaccionária, e uma fase de síntese – no caso francês, liderada por Napoleão. Estas fases não acontecem necessariamente por esta ordem, nem todas as facções têm de passar pelo controlo do poder, mas todos estes factores estão em jogo em qualquer revolução. Por isso, as revoluções mudam de mãos e de donos com muita facilidade. Independentemente dos valores que cada revolução quer promover ou acaba por promover no regime que se lhe segue, proponho que olhemos por um momento apenas para as consequências gravíssimas de uma revolução. Quem começa uma revolução, nunca sabe como é que ela acaba. E pelo caminho, poderá haver destruição, prisões, mortes, ocupações, fugas para o exílio, crise económica e social, instabilidade política…

 

Reformas em vez da revolução

Há revoluções mais daninhas que outras, sobretudo se olharmos para os resultados. O que é incontroverso é que as revoluções são sempre experiências dolorosas para muitos. Uma reforma, uma mudança no tempo certo, um ajustamento dentro do Estado de Direito, é sempre preferível a uma revolução. Podemos contrastar os excessos do PREC à relativa tranquilidade da transição espanhola para a democracia. Não teria sido preferível que os líderes do Estado Novo tivessem preparado atempadamente, como se fez aqui ao lado, uma transição para a democracia em Portugal? Certamente se teriam poupado muitos problemas que a revolução trouxe, desde as ocupações no Sul à descolonização apressada, ou desde a violência política de rua à grave crise económica. Em Espanha a transição foi um sucesso até 2004, quando chegou à Moncloa o primeiro-ministro José Luís R. Zapatero e começou a mexer na lei da memória histórica, reabrindo desta forma no povo espanhol uma ferida quase sarada. Esse filão continua a ser explorado hoje.

A Batalha de Ponte de Ferreira (1832) opôs liberais e miguelistas,
durou 12 horas, morreram 2 mil pessoas, desfecho sem vencedores.

Nos últimos 200 anos, tivemos em Portugal várias revoluções: a liberal de 1820 que culminou na independência do Brasil e na Guerra Civil de 1832-34, a Revolução Republicana de 1910 precedida do regicídio e que nos encaminhou para La Lys e outras carnificinas da Grande Guerra, a de 28 de Maio de 1926 que abriu caminho ao Estado Novo, e a do 25 de Abril de 1974 que depois se acabou coseu com as linhas de 25 de Novembro de 1975. E mesmo que essas revoluções tenham trazido progressos – e umas foram melhores que outras – fizeram-no a custo de quê? Fez-se, entre outras coisas, de guerra civil que virou irmãos contra irmãos, de perda de territórios, de perseguições à Igreja e às associações, de limitação das liberdades individuais, de ocupações de terras, de pobreza e crises económicas, de racionamento, de recolher obrigatório, de terror… por todas estas coisas passámos enquanto povo. No entanto, vem sempre alguém com a mania que é mais puro, que desta vez é que é, e por isso sugere uma nova revolução – seja ela física ou metafórica. Como as revoluções são o pior que nos pode acontecer e há sempre alguém disposto a oferecer-nos mais uma, a única defesa possível é o regime ter a coragem de se ir antecipando, reformando e adaptando a sua resposta às necessidades da população, sempre preservando o Estado de Direito. Em alternativa, a rigidez do regime e o voluntarismo dos revolucionários tornarão inevitável uma revolução que virá e fará tabula rasa de tudo o que existe: tanto do mau como do bom. Dizia Montesquieu que o governo despótico consiste em, quando se quer fruta, cortar uma árvore e apanhá-la. Esse elemento de barbárie está presente em cada revolução.

 

Por fim, resta-me dizer que as reformas não devem ser feitas a pensar tanto nos revolucionários e nas suas reivindicações, mas sobretudo naqueles que se sentem excluídos da sociedade e nos factores que os levam a, em desespero, ponderar o voto nos extremos. Terá sido a pensar neles que, quem sabe tomando um Cuba Libre, Marcelo escreveu o seu discurso.


Kolinda Grabar-Kitarović

(publicado originalmente na revista Think South Asia em 2012 e depois no Jacaré em 2018)


Kolinda Grabar-Kitarović saúda Luka Modrić, E. Macron aplaude

Dois dos temas mais quentes desta semana foram a efusividade e boa figura da Presidente da Croácia a apoiar a selecção finalista do Campeonato Mundial de Futebol na Rússia e a cimeira da NATO em Bruxelas. À primeira vista os assuntos nada têm que ver, mas para mim sim. Em 2012/13 eu editava uma revista de relações internacionais que fundei, a Think South Asia magazine, que saía em versão digital e também circulava em formato impresso nos meandros políticos e diplomáticos de Bruxelas. Nesses anos, em visitas que fiz à NATO, tive o privilégio de conhecer e entrevistar a senhora embaixadora Kolinda Grabar-Kitarović que na altura era a “NATO Assistant Secretary General for Public Diplomacy” até se tornar a Presidente da Croácia em 2015, função que brilhantemente tem desempenhado até hoje. Antes disso já tinha sido Embaixadora da Croácia nos EUA e Ministra dos Negócios Estrangeiros. É fluente em Português, católica e tendencialmente conservadora. Aqui fica o registo duma pequena entrevista que lhe fiz em 2012 acerca do envolvimento da NATO no Afeganistão:


António Vieira da Cruz (AVC): How do you see 9/11 in 2012 from the NATO perspective?

Ambassador Kolinda Grabar-Kitarović (KGK): The attacks of September 11, 2001 were not only against the United States, but against the principles and values shared by a global community of democratic nations. Eleven years after these attacks, the commitment to the principles and values of the North Atlantic Alliance is firm, and our sense of solidarity and unity remains strong. Since the events of 9-11, working together and with partner nations around the world, the members of the Alliance have taken wide-ranging measures that ensure, collectively, we now face the future better prepared.

AVC: What has been the impact of NATO’s mission in Afghanistan, in particular with respect to a military presence in South Asia?

KGK: NATO’s primary objective in Afghanistan is to enable the Afghan authorities to provide effective security to ensure the country can never again be a safe haven for terrorists. The nations that make up the NATO-led International Security Assistance Force (ISAF) continue to work shoulder-to-shoulder - shona-ba-shona – with Afghan National Security Forces, building a more secure, stable future for the people of Afghanistan. In the eleven years of this partnership, the lives of the Afghan people have improved in terms of security, access to education and health care, economic opportunity and the assurance of rights and freedoms. The task is not yet complete, but Afghanistan’s self-reliance grows stronger each day. In light of the progress over the last 11 years, and building on our firm and shared commitment, we are confident that our strong partnership will lead towards a better future. Regional security, stability and development are interlinked, and a secure and stable Afghanistan is critical for a secure and stable South Asia.

AVC: How do you foresee NATO’s continued engagement with Afghanistan after the withdrawal of troops?

KGK: As the Chicago Summit Declaration stated in May 2012, Afghanistan will not stand alone. NATO’s commitment to Afghanistan is firm. At the Lisbon Summit in 2010, NATO and the Government of Afghanistan signed the Enduring Partnership Declaration, and at the Chicago Summit in 2012, NATO Allies, along with ISAF partners, built on this commitment to provide the Afghan national security forces with the necessary training, advising and assistance moving forward that they need to fulfil their duties. NATO and the Afghan Government have a clear road map through this Transition process, by which full security responsibility for Afghanistan is gradually transitioned from ISAF to the Afghan government. After 2014, the Alliance has committed to providing strong and long-term political and practical support through our Enduring Partnership with Afghanistan.

AVC: What are the current hopes and dreams for the future of NATO?

KGK: At the Chicago Summit, the Heads of State and Government of the member countries of the Alliance recommitted to the core values of NATO, as defined in the Strategic Concept, as the transatlantic framework for strong collective defence, and the essential forum for security consultations and decisions among Allies. NATO has three essential core tasks – collective defence, crisis management, and cooperative security – all of which contribute to safeguarding Alliance members. With the strong partnership of, and dialogue with, nations around the world, the Alliance’s work remains at the forefront of security: From fighting piracy off the Horn of Africa, to efforts in improving cyber defence, to our commitment in supporting United Nations Security Council Resolution (UNSCR) 1325 on Women, Peace and Security, and UNSCR 1612 and related Resolutions on the protection of children affected by armed conflict. The Alliance is also looking to emerging challenges, and the requirement that we must make best use of our resources and to continue to adapt our forces and structures. We remain committed to our common values, and are determined to ensure NATO’s ability to meet any challenges to our shared security.

domingo, 21 de janeiro de 2018

O que fica da semana que passou



(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 12 de Novembro de 2017)


O Presidente dos EUA Donald Trump está a terminar uma longa viagem ao Extremo Oriente, onde pôde visitar tanto o recém-reeleito Primeiro-Ministro do Japão Shinzo Abe como o recém-renomeado Presidente da R.P. China Xi Jinping. Embora todos convirjam na preocupação que é uma Coreia do Norte nuclear, os desafios domésticos que enfrentam são muito diferentes. Com a militarização do Japão e o sucesso da Abenomics, com a concentração do poder imperial em Xi Jinping e o avanço da iniciativa “uma faixa, uma rota”, com os testes balísticos e provocações constantes da Coreia do Norte, com todos a crescer, teme-se pelo choque. Kim Jong-un terá chamado Trump de “velho”, ao que este ripostou no twitter que o norte-coreano seria “baixo e gordo”. O actual presidente não é da mesma escola de Reagan, que quando igualmente confrontado com a sua idade avançada defendeu-se de forma bem mais graciosa respondendo “I will not make age an issue of this campaign. I am not going to exploit, for political purposes, my opponent's youth and inexperience.” Outros tempos!
 
Shinzo Abe, desde 2012 o Primeiro-Ministro do Japão

Por falar noutros tempos, acompanho com moderado interesse o recente rol de acusações de assédio e abusos sexuais em meios como o do cinema e da política. Mas ao acender a TV verifico que os filmes que passam são quase todos violentos ou sexualmente explícitos. Grande parte dos filmes que saem de Hollywood só podem ter sido concebidos por tarados. Qual é o espanto? Mas ainda não vi ninguém falar de Bruxelas e Estrasburgo, onde as assessoras, assistentes e estagiárias são escolhidas a dedo. Da mesma forma, lobistas, jornalistas e diplomatas têm instruções para aproveitar os pontos fracos dos políticos e burocratas que querem influenciar, corrompendo-os com dinheiro, promessas, sedução, álcool, drogas, ou chantagem. No assédio sexual há uma espécie de coação explícita ou até implícita, que se manifesta através uma relação desigual de poder. Mas o poder não está sempre onde é mais óbvio. Além do mais, e por muito que custe às feministas ouvir, o decoro na forma de vestir e de estar ajuda a evitar ambiguidades e é a primeira protecção contra os abusadores. As feministas queimadoras de soutiens são tão filhas da revolução sexual dos anos 60 como os machistas daPlayboy, e juntos quiseram abolir todas as barreiras morais e sociais que impediam os depravados de andar de rédea solta. Seria interessante que estes casos servissem para pensarmos na urgência de recuperarmos os valores da castidade, do decoro e do cavalheirismo.
 
Amadis de Gaula, exemplo de cavalheirismo

Aqui em Portugal, houve um acordo de governo entre o PS e o BE para a Câmara Municipal de Lisboa: por assim dizer, o PS fica com o dinheiro e o BE com os valores. Uma vez mais, o BE imporá a todos a sua agenda fracturante a partir de uma base eleitoral mínima. Também vai aquecendo o duelo de Rio e Santana no seio do PSD, duelo esse que é de ideias e de personalidades: Santana é instável e despesista, mas é patriota e cristão; Rio é bom de contas e sério, mas é a favor da regionalização e de algumas causas fracturantes. A Web Summit é uma anedota, mas em compensação os organizadores serão assombrados pelos nossos melhores fantasmas. Falando de fantasmas, fui ver ao cinema a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto e realizada por João Botelho. Não estava mal para o curto orçamento e limitações técnicas que o cinema português tem, mas não gosto destas histórias contadas com imensos flashbacks e flashforwards, cansa-me. De facto, adormeci. As façanhas na “Peregrinação” são tão extraordinárias que se contava a velha piada do “Fernão, mentes? Minto.” Fernão Mendes Pinto é um grande herói português e é plausível que alguns daqueles acontecimentos sejam verdadeiros. Não sejamos como Fernando Rosas, para quem Portugal nada tem na sua História que seja digno do nosso orgulho, menorizando os grandes feitos ou colocando-os em dúvida. A “Peregrinação” diz tanto sobre nós quanto a sua recepção. Não estará tudo perdido se entre exagerados e cépticos se salvar alguma coisa.

Cláudio da Silva é Fernão Mendes Pinto em "Peregrinação"

Por fim, dei por mim a fazer uma lista de algumas personalidades sub-40 que já são importantes no mundo quotidiano e sê-lo-ão ainda mais nas próximas décadas: Emmanuel Macron (França, 39 anos), Jared Kushner(EUA, 36 anos), Ivanka Trump (EUA, 36 anos), Príncipe William (Reino Unido, 35 anos), Kate Middleton (Reino Unido, 35 anos), Mark Zuckerberg (EUA, 33 anos), Kevin Systrom (EUA, 33 anos), Príncipe Mohammad bin Salman (Arábia Saudita, 32 anos), Sebastian Kurz (Áustria, 31 anos), Hugh Grovesnor (Reino Unido, 26 anos), e os Jacarés (Portugal, 29-30-31 anos).

sexta-feira, 30 de junho de 2017

As Cortes na República

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 1 de Junho de 2017)

Vejo várias vantagens na monarquia. Mas o que eu menos gosto nas monarquias é da Corte no seu pior sentido, entendendo-a como aquele conjunto de pessoas que rodeiam o monarca para obter privilégios e poder sobre os demais. Ossnobs, sem nobreza, ostentam títulos e buscam outras formas de poder como um fim em si mesmo; já os nobres, mesmo quando sem título, reconhecem que o poder de que dispõem não é verdadeiramente seu e que deve ser posto ao serviço do Bem Comum em geral e do próximo em concreto.

Cortes Constituintes Vintistas (1820)

Custa-me ver que tantas repúblicas e republicanos convictos acabaram com tantas tradições boas e úteis da realeza ao mesmo tempo que reforçaram o seu pior defeito: a Corte. No posto dos pequeninos aduladores passámos a ter lugar cativo para vários grupos de pressão muito mais brutos, num esquema clientelista mais ou menos legalizado, com uma gigantesca porta giratória a marcar o ritmo dos movimentos de rotação e translação destes autênticos satélites do poder.

Para encontrar exemplos deste clientelismo, não precisamos de ir muito longe. É um exercício arrepiante se pensarmos nos políticos que marcaram as nossas últimas décadas em Portugal e nos respectivos membros das suas Cortes:

Mário Soares – Almeida Santos, António Arnaut, Carlos Melancia
Cavaco Silva – Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa
António Guterres – Jorge Coelho, José Sócrates, Armando Vara, Pina Moura
Durão Barroso – José Luís Arnaut, Isaltino Morais, Santana Lopes
Santana Lopes – Aguiar Branco, Gomes da Silva, António Mexia
José Sócrates – Manuel Pinho, Mário Lino, José Lello, Jaime Silva
Passos Coelho – Miguel Relvas, Luís Montenegro, Marco António Costa
António Costa – Pedro Nuno Santos, Rocha Andrade, Ana Catarina Mendes, Carlos César...

Quantos destes não estão ou estiveram a braços com a justiça? Quantos destes são um exemplo de virtudes? Com quantos destes seríamos capazes de deixar os nossos filhos por meia hora que fosse? E eu até acho que Cavaco Silva ou António Guterres, por exemplo, serão pessoas com bom fundo. Mas isso não significa que se tenham rodeado dos melhores conselheiros, antes pelo contrário. Claro que em todos estes governos também houve boas pessoas que eu não mencionei. No entanto, há muitos aproveitadores a chegar aos lugares-chave da administração pública.

Sultão Solimão I, o Magnífico (1494-1566)

Noutros países republicanos também encontramos os piores vícios da Corte, com dinastias políticas a rodearem-se dos mais cúmplices cortesãos. Nos EUA, por exemplo, após Trump ter derrotado o candidato da dinastia Bush nas primárias e a candidata da dinastia Clinton na eleição geral, vemos este Presidente a inventar um poderoso posto de Primeira Filha e a nomear o seu genro para Senior AdvisorComo lembra Philip Mansel na Spectator, também na Turquia o Presidente Erdogan nomeou o seu genro para Ministro da Energia e Recursos Naturais. Em França, o Presidente Macron esboçou um governo de centrão e rodeou-se dos mais importantes empresários e políticos que o apoiaram nas eleições e que, à esquerda e à direita, o aclamam qual Rei Sol. Em Espanha, os dois partidos que suportaram os últimos governos de Zapatero (PSOE) e de Rajoy (PP) e que permitiram tanta corrupção moral e financeira no Estado central e nas autarquias, lá se aguentaram por mais uns tempos no poder após o susto da crise eleitoral que recentemente viveram. Na Rússia, só vinga nos negócios quem está politicamente próximo do Kremlin de Putin. E tal como Putin não esconde a sua inspiração nos Czares, também Erdogan construiu um palácio presidencial maior do que os de outros Sultões Otomanos e Macron faz um uso cénico da política que faz lembrar um certo esplendor (embora decadente) de Versailles. Talvez por prudência ou por feitio, Angela Merkel é mais comedida nas maneiras, mas toda a gente sabe que quem controla a União Europeia é Berlim e que Bruxelas é uma espécie de Brasília ou de Otava, que serve para contentar Rio de Janeiro e São Paulo, ou Toronto e Montreal, ou, neste caso, Paris e Berlim. Angela Merkel é uma Imperatriz que se contenta em exercer o seu poder sem grandes alaridos mediáticos – imagine-se o que será desta Europa quando a senhora for sucedida por um alemão mais espalhafatoso que, dando nas vistas, nos faça ver a triste realidade da nossa condição!

Conselho de Estado com Presidente Marcelo Rebelo de Sousa


Cá em Portugal, o Presidente Marcelo conscientemente prescindiu de promover uma Primeira Dama, invocando que essa figura respeitável é mais própria de uma monarquia que de uma república. Ele lá saberá. No seu caso, por tão afectuoso e popular que é, até ver ninguém se queixa. Mas frequentemente se reúne com a sua Corte, perdão, Conselho de Estado, que é como sempre composto por políticos, magistrados e amigos.

Todo o dirigente precisa de bons conselheiros para pensar nas várias vertentes do problema com que se depara e tomar a melhor decisão possível. Mas estes republicanos de que vos falei, todos eles, assimilaram as Cortes e elevaram este vício do sistema a um patamar superior de corrupção e clientelismo. Com tudo isto, só um Estado mais pequeno e constitucionalmente limitado pode conter a fome dos actuais devoristas. Tal como recentemente dizia Pedro Feytor Pinto, "quase não devia haver governos".

segunda-feira, 20 de março de 2017

sacrifícios vãos - JPVM

(Texto originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 27.01.2017)


Antes de 1974 sacrificou-se a democracia para se manter o império.
Depois de 1974 sacrificou-se o império para se ganhar a democracia.
A partir de 1986 sacrificou-se a independência para se aceder à Europa.
Desde 2002 sacrificou-se a moeda própria para se atingir a prosperidade.

Em 2017 não temos império, nem democracia, nem independência, nem Europa, nem moeda, nem prosperidade. Temos apenas um conjunto de más decisões baseadas em premissas falaciosas. Temos um país endividado e pessoas com uma carga fiscal insuportável. Trocámos a nossa realidade por utopias e ficámos practicamente sem nada.

Disto tudo que perdemos, o que podemos recuperar? Do império, apenas os laços culturais e comerciais. Da democracia, devolver a Lisboa a capacidade legislativa que foi transferida para os deputados estrangeiros em Bruxelas e Estrasburgo, e que produzem a esmagadora maioria das leis aplicadas em Portugal. Também ajuda à democracia o bom-senso de reconhecer quem ganha as eleições e, já agora, a rejeição intransigente do comunismo e das suas diversas metástases anti-liberais. Da independência, analisar com prudência e aproveitar o que se puder da oportunidade aberta pela saída do Reino Unido da União Europeia. Da Europa, uma relação mais saudável, comercial e nada subserviente com a União Europeia, rejeitando a mentalidade de alunos da Alemanha e França. Da moeda, um novo escudo forte e ligado à realidade da nossa economia e património - Frankfurt fica lá longe, a mais de 2 mil quilómetros daqui. A prosperidade recupera-se caso a caso, família a família, empresa a empresa, com as decisões pessoais de cada um, com menor e melhor intervenção do Estado e um considerável alívio da carga fiscal.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

grandes fotografias políticas (IV)



Para além da expressão nas caras, o que têm estes políticos em comum?

Têm em comum que traíram as suas mulheres, tentaram esconder os seus comportamentos, e mentiram ao povo. Negaram primeiro, inventaram alibis e mentiram. Enfrentaram processos para serem demitidos. Finalmente, só perante a certeza das provas apresentadas das suas infidelidades e perante o mais que provável fim da carreira política, apresentaram desculpas públicas às suas mulheres e aos eleitores.

Da direita para a esquerda e de cima para baixo: Anthony Weiner (Congressista de Nova Iorque), James McGreevey (ex-Governador de Nova Jérsia), Eliot Spitzer (ex-Governador de Nova Iorque), John Ensign (ex-Senador do Nevada), Bill Clinton (ex-Presidente dos EUA), e Eric Massa (ex-Congressista de Nova Iorque).

A expressão em todas estas caras exibe culpa, vergonha, tristeza e desapontamento face às circunstâncias. Mais que isso, há neles desgosto e raiva por verem uma carreira que tanto trabalho lhes deu a construir, cair na lama assim de repente. O desgosto dá lugar à vergonha, que dá lugar ao arrependimento. Desistem enfim, da vida pública, e retiram-se para a vida privada e lutar pela família. As luzes do poder deixam de ser a obsessão. A obsessão passa a ser o medo da vida solitária. É nestas alturas que o político dá o devido valor à família, ele humilha-se e diz que a mulher não merecia isto, mas que o aceite ainda assim.


Também o actor e ex-Governador da Califórnia que obrigou todo o mundo a conhecer o seu complicado nome, Arnold Schwarzenegger, exibe aqui uma expressão parecida. Recentemente anunciou a sua separação de Maria Shriver, sobrinha de John F. Kennedy, e confessou que tinha uma filha fruto de uma relação extra-conjugal com a sua empregada de há 20 anos.

Tudo isto se passa nos Estados Unidos da América, num país puritano e com uma ética religiosa (ainda protestante) muito exigente. E cá na Europa, como é?


Deste lado do Atlântico as coisas são muito diferentes. A integridade moral de um político não conta tanto. Até pode ser um trunfo. Silvio Berlusconi que o diga.

Já o francês Dominique Strauss-Khan, ex-director geral do FMI, esqueceu-se por momentos que estava do lado de lá do oceano. Cá na Europa, ele nunca seria tratado da maneira que foi em Nova Iorque, preso e algemado como outro criminoso qualquer, metido numa prisão normalíssima e levado a tribunal com a barba por fazer. Lá, a justiça humana funciona, igual para todos. Cá fazemos os nossos arranjinhos para amigos e influentes, e deixamos a justiça para Deus. Depois descuramos da justiça e não ligamos a Deus.


É impressionante como as fotografias falam. Nem sequer era preciso texto.

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domingo, 22 de maio de 2011

grandes fotografias políticas (III)



Dia 20 de Abril de 2007. Era o último dia da campanha eleitoral para eleger o novo Presidente da República Francesa. O conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal eram os favoritos para passar à segunda volta, e disputar a sucessão do presidente Jacques Chirac. Na altura, ambos estão próximos nas sondagens.

Lembra-se onde é que Ségolène Royal passou o seu último dia de campanha? Eu não. Provavelmente fez umas arruadas, esteve num jantar com muitos militantes e alguns VIP's, e encerrou a campanha com o típico comício cheio de discursos inflamados e gente com bandeirinhas. O costume. Mas Nicolas Sarkozy não fez nada disso. Antes escolheu ir aos pântanos da Camarga, no sul de França, tirar umas fotografias montado num cavalo branco. Algumas destas fotografias percorreram mundo e são memoráveis.

Contrastando com a feminilidade e beleza de Ségolène, Sarkozy quer mostrar-se viril, montando o cavalo branco entre os touros. Mas temos mais. Temos uma clara referência a Napoleão Bonaparte, cuja figura é lembrada nesta célebre pintura de Jacques-Louis David: Napoleão cruzando os Alpes, também vestido de encarnado e montando um cavalo branco. Nicolas Sarkozy, com esta fotografia, conseguiu convencer os franceses que seria o próximo presidente de todos eles, e o único capaz de devolver ao país a grandeza de outros tempos. Sarkozy não só falou sobre a sua mensagem; Sarkozy vestiu a sua mensagem e tornou-se ele próprio a mensagem. Depois de passarem à segunda volta, Ségolène Royal teve 46,9% dos votos e Nicolas Sarkozy alcançou o Eliseu com 53,1%.

Quando os políticos são a mensagem que querem transmitir, então acontecem grandes fotografias políticas como esta.

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sexta-feira, 3 de julho de 2009

três autores, três apontamentos sobre a democracia

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- Idiotas. Caíram na armadilha das decisões por maioria. Acham que decidir por maioria é muito práctico e eficaz, mas, na verdade, é uma armadilha muito perigosa. Quando se decide por maioria, há duas coisas que nunca se deve fazer. Discutir as coisas e dizer o que se escolheu. Perde-se o anonimato e enfatiza-se a existência de uma maioria e de uma minoria. E depois, os da minoria começam a ficar com uma sensação de alienação, insatisfação e irritação. Em pouco tempo começam a ficar desconfiados e acabam por chegar à rotura. Ter opiniões diversas significa que os cinco vão perder. Parece que a rotura do grupo está prestes a acontecer.
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Tompa in "Hunter x Hunter", de Yoshihiro Togashi
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- Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.
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Winston Churchill
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- E dá bons resultados, a democracia?
- Não é possível saber. É segredo.
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Boris Vian
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

metas simples

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- E tu? - perguntou-me, pegando-me pelo braço. - Tu quê, meu velho?

- Eu, nada - respondi. - Eu, aqui, como tradutor na Unesco, em Paris.

Hesitou um momento, receoso de que aquilo que me ia dizer pudesse magoar-me. Era uma pergunta que, sem dúvida, estava havia tempo a queimar-lhe a língua.

- É isso que queres ser na vida? Nada mais que isso? Todos os que vêm para Paris aspiram a ser pintores, escritores, músicos, actores, encenadores de teatro, fazer um doutoramento ou a revolução. Tu só queres isso, viver em Paris? Nunca o engoli, velhote, confesso-te.

- Bem sei que não. Mas é a pura verdade, Paúl. Em miúdo, queria ser diplomata, mas era só com o fito de me mandarem para Paris. É isso que quero: viver aqui. Achas pouco?


in "Travesuras de la niña mala", de Mario Vargas Llosa
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