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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

a polícia não é o problema

(publicado originalmente no Jacaré)


Depois de mais um vídeo ter corrido as redes sociais a atestar a violência dos bairros ditos sociais na Grande Lisboa, tenho assistido nos dias presentes a vários debates sobre a polícia, o racismo e a criminalidade.


Penso conhecer bem a realidade de alguns destes bairros, sobretudo a de 4 ou 5, nomeadamente porque nasceram, como o tempo passou por eles e quais os seus principais problemas e desafios. E não há como negar: o racismo existe; a criminalidade existe; a polícia também erra. Mas estes problemas, mesmo que graves, são apenas a consequência de um pecado original: mau urbanismo.

Tanto nos velhos bairros de casas ilegais e de barracas (espontâneos) como nos bairros de habitação “social” que os substituíram (planificados), as carências são inúmeras: pouca limpeza, degradação dos prédios e equipamentos públicos, insegurança, crime, separação de comunidades por zonas, rivalidades, pobreza, ausência de oportunidades… factores que conduzem toda uma comunidade à exclusão social. Viver num bairro assim é uma limitação de possibilidades e de horizontes.

Todo o bairro devia ter mais moradores que casas abandonadas, uma boa limpeza, jardim, comércio, escola, igreja, associações, centro cultural (seja com teatro, cinema, biblioteca, galeria de arte ou similares), um centro de dia... e, sim, uma esquadra da polícia.

Ao contrário do que certa esquerda e determinadas organizações ditas “anti-racistas” querem fazer crer, a polícia não é “o” problema. Pelo contrário, qualquer solução de paz no bairro terá sempre de passar pela polícia! Excluir a polícia da equação da paz é uma miragem sem qualquer substância. O vazio de autoridade policial será sempre preenchido por outra força, seja a dos gangs e das máfias ou a desordem anárquica de todos contra todos e cada um por si… em qualquer caso, na ausência de quem faça cumprir o Estado de Direito, este é substituído pela lei da selva que é a lei do mais forte.

Ora, foi por o homem ter rejeitado viver nestas circunstâncias que ele se organizou em sociedade, numa comunidade política em que todos são iguais perante a lei e em que confiamos à polícia a autoridade de fazer cumprir a lei. Como celebremente escreveu Thomas Hobbes no “Leviathan”, fora da sociedade «a vida é solitária, pobre, desagradável, bruta e curta». A primeira garantia de que precisamos da parte do Estado é segurança, e só assim podemos constituir família, trabalhar, procurar ter saúde e educação, e tudo o mais que precisarmos para viver e tentar ser felizes.

Não me agrada a ideia de “super-esquadras” da polícia. A polícia é necessária é em núcleos pequenos e perto de nós. Enquanto a polícia estiver fora de um bairro, só será chamada para intervir quando há desacatos. Aí, a polícia chega de carro e entra na rua abruptamente para impor respeito e tentar evitar ser atingida. Enquanto a polícia estiver fora dos bairros, ela será mais uma força violenta compelida a fazer juízos rápidos e, por isso, frequentemente injustos. Mas se a esquadra estiver no bairro ou próxima dele, se os polícias andarem a pé pelas ruas e não de carro, já não serão os mauzões de arma em punho para punir suspeitos mas sim o Agente Sousa e a Agente Silva que conhecem o bairro e as suas gentes.

PSP fazendo policiamento de proximidade

O policiamento de proximidade não só previne o crime e outros desacatos, como promove a boa convivência e a paz diária. O problema é em parte político, que o Agente Sousa e a Agente Silva são pessoas como nós e estão apenas a cumprir ordens. Mas enquanto não se resolve o problema, façamos um favor a nós mesmos e não subtraiamos a polícia da equação da paz, pois ela existe para estar do lado da paz e das pessoas de bem.

Em segurança, graças à Polícia, podemos combater casos de racismo que são ilegais e não podemos tolerar. Mas já agora, atenção:
- combater o racismo não se trata de vitimizar uma minoria e de lhe impingir rancores identitários;
- combater o racismo não é fazer aquela discriminação positiva que procura obrigar a Polícia a agir de forma mais branda se o criminoso é duma minoria étnica;
- combater o racismo é, precisamente, o contrário de combater: é baixar as armas e construir a paz com todos, olhando para cada pessoa e reconhecendo-lhe plena dignidade.

domingo, 13 de novembro de 2011

tensão no cinema


Ia dando em pancadaria.

“La Source des Femmes” é um filme passado em Marrocos que eu vi no cinema em Bruxelas, anteontem pela primeira vez e ontem pela segunda. É uma fita polémica mas cheia de bom humor sobre a luta das mulheres muçulmanas pela sua dignidade e respeito enquanto pessoas. Da primeira vez, eu queria apenas ver o filme, que é realmente muito interessante, tem uma fotografia lindíssima e vale a pena. Passa-se numa aldeia metida numa cova entre as montanhas do Atlas e todas as paisagens são magníficas. Mas, na noite seguinte, voltei ao cinema por uma razão completamente diferente. Fui lá para estar com mais atenção à reacção do público.



Anteontem fui ver o filme a de Brouckère, mesmo em frente ao Hotel Metropole *****, bem no centro de Bruxelas. Eram 19h30m e o cinema estava à pinha. Trata-se da história de uma aldeia sem água nem electricidade perdida nas montanhas em Marrocos, onde os homens desempregados se sentam no café durante o dia para conversar e passar o tempo, enquanto as mulheres têm de subir a acidentada montanha para ir buscar água, tal como é tradição. O percurso é duro e as quedas podem acontecer com facilidade, tendo provocado por várias vezes a perda dos bebés entre as mulheres grávidas que fazem esse caminho. Leila, a heroína desta história, quer mudar esta situação e convence as outras mulheres a fazerem frente aos maridos com uma “greve de amor”. A partir daí o filme desenrola-se com várias peripécias de fazer rir e chorar.

No fim do filme é que se armou a grande confusão. Eu já tinha reparado durante o filme em vários risos e comentários fora do tempo e do tom. Só que, quando o painel ficou preto, levantaram-se duas mulheres sem véu mas que pareciam ser muçulmanas e que começaram a gritar e a pedir contas a três belgas que estavam sentadas ao meu lado, que responderam insultando-as com a maior indiferença e arrogância possíveis. Os insultos cresceram em espiral por ambos os lados e foram ficando cada vez mais racistas. Em poucos segundos toda a multidão tinha descolado os seus olhos dos créditos finais do filme, fixando-se naquela cena a meio da sala, mesmo ao meu lado. No escuro, os dentes arreganhados daquelas pessoas impunham ainda mais cautelas. Apercebi-me que a situação só podia piorar enquanto não chegassem os seguranças, e dei dois passos para trás, afastando-me do foco da raiva. Um mouro lá de trás gritou qualquer coisa e atirou uma lata de Coca-Cola vazia, que rasou as belgas e embateu na fila da frente. Um belga lá à frente levantou-se de peito feito, abriu os braços para o mouro e disse abanando a cabeça “Monsieur”. A tensão era enorme, o cinema estava prestes a tornar-se num violento campo de batalha e o palco da realidade tinha há muito ultrapassado em emoções qualquer ficção que ali se costuma projectar. Foi nesse justo momento vieram os seguranças e as pessoas dispersaram entre comentários e insultos, mas sem escalar mais na via da violência. A mulher que tinha pedido contas às belgas, dizia enquanto saía: “esta foi uma sala má”.

Fiquei a pensar em tudo isto que se tinha passado, no filme, nas reacções, nas pessoas. Teria eu apanhado aquela “sala má” só por coincidência? Ou será que aquele clima tenso se iria reproduzir novamente se eu voltasse no dia seguinte? Só havia uma maneira de saber, tinha de ir ver “La Source des Femmes” uma vez mais.

Voltei ontem ao mesmo cinema, desta vez à sessão das 22h10m. Embora a sala não estivesse tão cheia como no dia anterior, pode dizer-se que estava bastante composta.

Notei que ao longo do filme houve muita agitação entre os muçulmanos, ajeitavam-se por tudo e por nada naquelas cadeiras, parecia que não conseguiam encontrar uma posição que lhes fosse confortável. Ao mesmo tempo ia ouvindo os mesmos comentários inconvenientes por parte dos europeus. Os telemóveis tocavam, pessoas iam saindo e entrando na sala. Foi uma sessão cheia de ruídos e risos nervosos. Numa cena mais íntima do filme, quando perto do fim a “greve de amor” termina, um homem lá atrás levanta-se bruscamente, fecha a cadeira com estrondo, e abandona a sala a barafustar com o punho cerrado no ar. Ao meu lado, um casal belga de meia-idade comentava paternalista e arrogantemente que estes muçulmanos ainda não tinham aprendido a comportar-se. Eu respondi “shhh”, como se quisesse ver o filme pela primeira vez, mas na realidade não queria era problemas ao meu lado de novo. No fim, fui dos primeiros a sair para ficar a ver a cara das pessoas quando chegassem à luz da entrada. O incómodo era evidente em quase todas as pessoas. Visto em Portugal, talvez este filme fosse só interessante e divertido. Mas aqui percebi porque “La Source des Femmes” é um grande filme (de Radu Mihaileanu e com a belíssima Leila Bekhti).



Desde que cheguei à Bélgica que noto uma grande desconfiança entre Europeus de origem e Muçulmanos, de parte a parte. Há um medo mútuo que está muito à flor da pele, e que não raras vezes se manifesta com sustos, gestos de aversão e até de violência (física e verbal). E ao mesmo tempo, vejo nesses árabes e mouros um interesse nos assuntos sociais e políticos e um certo esforço de integração que não encontro por exemplo nos chineses. Mas esse é outro assunto.

Ainda não sei bem por onde devem começar os Europeus e os Muçulmanos para se entenderem, mas também sei que, nestas situações, não há nada como ser-se Português.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

como morre um bravo

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Ceferino Giménez Malla foi domador de cavalos e cesteiro (fazia cestos artesanalmente), era espanhol, leigo da Ordem Franciscana Secular, e casado com a sua prima direita Teresa Giménez. Com 75 anos de idade, morreu fuzilado em plena guerra civil espanhola, em 1936, por tentar proteger um sacerdote que estava sendo ferozmente espancado por milicianos republicanos – rojos. Dizem os relatos que El Pelé, como era chamado, morreu de rosário na mão gritando: "Viva Cristo Rei!". Este acto de heroísmo é apenas uma amostra da vida santa que El Pelé levou. Por isso, este mártir foi beatificado por João Paulo II faz hoje 12 anos.
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Dedico este pequeno postal biográfico a todos aqueles que dizem que não são racistas, a menos que se fale de ciganos. É que o bravo São Ceferino era cigano com muita honra em sê-lo, procurando sempre todos os pretextos para estabelecer pontes entre as nossas culturas.
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São Ceferino, rogai por nós!
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

ensaio para uma reabilitação da raça

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As palavras têm vida própria. Surgem da necessidade de definir uma coisa ou de expressar uma ideia ou sentimento. Podem constituir-se de sons que têm foneticamente a ver com a coisa expressa (como o c’ÃO, que lembra o seu ladrar), ou podem ser construídas de forma mais lógica e racional. Uma coisa é certa, quando a palavra se forma parece ser esse o seu momento mais representativo da realidade que pretende ilustrar. E a partir daí, a palavra entra numa espiral descendente e sem retorno, em que não mais pára de se corromper, até ficar tão distante do objecto que é pelas gentes abandonada e cai em desuso. Se não morre, a expressão fica no mínimo moribunda, aguardando que alguém dela se recorde e a recupere.
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Uma das velhinhas palavras que parece estar pela hora da morte é “raça”. Pudemos diagnosticar um sintoma dessa fatalidade no ano passado, no dia de Portugal e de São Camões. No seu discurso, o Presidente da República tentou reabilitar o termo e invocou o “dia da Raça”, como outrora havia sido chamado. Todavia, ao invés de “raça” ter voltado à ribalta, todos caíram em cima do Primeiro-Damo por fruição tão reaccionária e imprópria da linguagem, tendo a expressão saído desta peripécia ainda mais escavacada.
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Por culpa de uma memória colectiva acerca da História do Racismo, da dominação e subjugação de raças por outras raças, por culpa do medo e da culpa que as gerações actuais receberam de herança pelos erros de alguns antepassados (a. de sangue ou meramente culturais), por culpa do desejo de igualdade cada vez mais impregnado no ADN das gentes modernas, por culpa de todos estes factores e mais alguns, pouca gente quer falar de “raça”. Se tiverem mesmo de falar de alguma coisa, preferem usar o termo “etnia”, que é mais virgem e não está ainda tão contaminado pela História e pelas pessoas.
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O racismo acontece porque há uma diferença de pele. Mas fará sentido falarmos de raças, se está cientificamente provado que a diferença do ADN entre dois brancos pode ser maior que a diferença entre o ADN de um branco e um preto? A cor significa pouco, à-dê-énicamente falando. E a nível de estética, há cores de pele tão belas e que não são as nossas...
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O racismo acontece também porque há uma diferença de cheiro. Mas fará sentido ter o próximo em menor conta por causa do seu odor diferente? Uma das coisas que os nórdicos notam de diferente em relação a nós, mediterrânicos, é precisamente o nosso cheiro peculiar. Os chineses também o notam, tal como notamos em relação a eles. O suor ucraniano, moldavo ou romeno, quem não estranhou a sua intensidade? E a tão conhecida catinga? E o cheiro de caril? Nós, porque somos nós, pensamos que não temos cheiro distintivo, e temos. É uma questão de educação aprendermos a conviver e a gostar destes e outros cheiros de pessoas. Amar a diferença. É o mesmo que eles fazem connosco...
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O racismo acontece por razões culturais. Mas, em Portugal? Nós, que por vocação somos um povo aberto ao mundo? Não, essa não pega. A nossa cultura existe porque nos globalizámos, mais, fomos os mentores da primeira grande globalização, e se assim não tivesse sido, a nossa cultura seria muito mais moura, inglesa, espanhola, ou americana do que é hoje. É neste espírito de abertura que podemos continuar a sobreviver como cultura.
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O racismo acontece ainda por causa de traumas históricos herdados dos nossos antepassados, tenham eles sido os dominadores, os dominados, ou simplesmente conformistas e cooperantes. Mas fará sentido guardar esta herança como barreira que nos impede de nos darmos mais e melhor uns aos outros? Ou não valerá mais a pena tê-la apenas como uma infelicidade que devemos recordar na exacta medida em que nos salvar de cometer novamente semelhantes erros?
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Os portugueses são historicamente um povo de generosidade e aventura, de qualidades humanas que nos permitiram encontrar a amizade e o amor noutras raças e culturas. Deus criou o homem, e o português criou o mulato e o mestiço – diz a anedota, como que nos caracterizando, e bem. Os portugueses têm o jeito que Eminem ou Michael Jackson não tiveram para se integrarem e para se meterem na pele do próximo. O branco Eminem, que canta, fala, veste, tudo faz para ser preto, ou Jackson que aclara a pele que tinha para tentar ser branco, nem um nem outro têm sido bem acolhidos pela sociedade. Porquê? Espera-se de um branco que saiba nascer branco e de um preto que saiba nascer preto. Se o branco se quer aproximar de preto (ou vice-versa), que o faça por amor ao próximo e ao seu modo de estar na vida, mas sem negar as suas origens.
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Há um ensinamento cristão que o português compreendeu bem ao longo da História, e que é muito valioso para este caso: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Não sou sincero no amor ao próximo se renego as minhas origens, de onde venho. Não vou ser bem sucedido naquilo que quero ser enquanto rejeitar aquilo que fui e sou. Penso que é isto que Jackson e Eminem ainda não perceberam, e que podiam aprender connosco.
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Afinal, parece que Cavaco estava certo: precisamos de um dia da raça. Contudo, tal só faz sentido se reconhecermos que a Raça Portuguesa não tem cor de pele, mas cor na alma... a cor do amor a Deus, ou pelo menos do amor ao próximo como a nós mesmos!
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domingo, 25 de janeiro de 2009

pedido de tolerância aos discriminados desta vida

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Às senhoras: não me levem a mal por vos oferecer a prioridade ao passar uma porta. Não é machismo, é consideração!
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Aos homossexuais: não se ofendam com o debate sobre o casamento. Não é homofobia, é zelo pela família!
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Aos africanos: não nos julguem pelo mal que alguns antepassados desta Pátria fizeram aos seus. Não é esquecer o passado, é construir uma irmandade com futuro!
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Aos pobres: não condenem todos os poderosos pela exploração realizada por alguns. Não é luta de classes, é igualdade perante a justiça!
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A todos, a minha oração, respeito e amizade. Não só tolerância, mas amizade.
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