Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta fado

tu és Portuguesa, tu és só para nós

Imagem
A História de Portugal desde a revolução de 1974 tem sido uma história de crises económicas e políticas que fazem muita gente questionar-se sobre a viabilidade da democracia, ou até do nosso país. Penso que temos de estudar melhor a nossa História, fazer uma viagem da fundação de Portugal aos nossos dias para perceber aquilo que tem resultado e o que tem falhado. Mas aqui entra o problema da História como nos é apresentada nos programas escolares. Antigamente havia um orgulho nos nossos heróis, o questão é que estes nos eram apresentados de uma forma demasiado nacionalista, e não apenas patriótica. Se durante o Estado Novo a educação - como a política - pecava por dogmática, desde a revolução de Abril que as escolas nos ensinam a ter vergonha de sermos portugueses. Os mesmos personagens que antes eram os heróis e pais da Nação, foram transformados em deploráveis colonizadores, bárbaros carniceiros, agressores dos direitos humanos. E isto é practicamente tudo o que as nossas crianças...

retratos sobre Portugal e a emigração

Imagem
Já vivi fora, estudei em Espanha e nos Estados Unidos, e trabalhei em Barcelona. Decidi voltar para Portugal por várias razões. É aqui que vivo actualmente. A propósito, lembro-me de duas entrevistas de trabalho a que fui há uns meses atrás, cá em Lisboa. Numa, o entrevistador perguntou-me surpreendido porque é que voltei para Portugal nesta altura de crise. Na outra, perguntaram-me porque é que fui fazer o mestrado lá fora e não cá, e dessa vez quem ficou surpreendido fui eu. Mas, infelizmente, as pessoas que pensam como este último homem não são tão poucas quanto isso. Será que vivem no mesmo país que eu? Conheci este vídeo acima reproduzido através de um post n' O Cachimbo de Magritte . Identifico-me com tudo o que este precioso trabalho da Fundação Calouste Gulbenkian mostra, está muito bem feito e vale a pena vê-lo até ao fim. Lembro ainda esta citação de Agostinho da Silva.

personagens do Fado (II) - o Homem do Saldanha

Imagem
O Homem do Saldanha morreu no dia 10 deste mês. Também conhecido por "o Senhor do Adeus", ele dedicava o tempo a cumprimentar desconhecidos, com acenos e sorrisos. Era um verdadeiro ex libris da cidade de Lisboa, levando a alegria ao Restelo de dia e à praça do Saldanha de noite. A simpatia do Homem do Saldanha quebrava o gelo e obrigava-nos a sair do conforto do anonimato, desta indiferença social que a cidade teima em nos impor. Diz a gente que este senhor cumprimentava os desconhecidos porque se sentia só. Podemos julgar que a sua postura no dia-a-dia era fora do normal, mas isso não quer dizer que ele não tivesse toda a razão em encarar a vida assim. Penso até que tinha. E parecia ser, acima de tudo, um homem genuíno e bondoso. O destino, o amor impossível de uma mulher, a solidão e a saudade, o adeus, o carinho tardio da sua cidade - depois da morte - são alguns dos ingredientes que fazem desta história um fado. A vida deste senhor inspirou então esta interpretação em d...

personagens do Fado (I) - a Lucinda Camareira

- O Fado tem um riquíssimo mundo de personagens que vale a pena conhecer, por serem caricaturas tão representativas de um povo e imagens tão características de certo mundo português. Por isso, hoje a Conspiração abre a série "personagens do Fado", que pretende dar a conhecer estas figuras que de alguma maneira compõem uma novela portuguesa dos dias de ontem e de hoje. - A primeira é a Lucinda Camareira, camareira porque servia à mesa num café do Bairro Alto, popular e brejeira, mas muito bonita e graciosa à vista dos seus apaixonados, que até se vão convencendo de que há alguma nobreza nela escondida. Como nota a este contraste, podemos dizer que, se "quem feia ama, bonita lhe parece" , neste caso "quem brejeira ama, nobre lhe parece". A beleza de Lucinda tem fama e atrai vários curiosos ao café da sua patroa Marcelina, até os nobres vêm de longe só para a ver. Embora com um final diferente, esta situação faz lembrar a história da Severa, que para muitos ...

nesta Lisboa que eu amo...

Sou humilde, sou assim...! Ocupo tão pouco espaço que... caibo dentro de mim. José Viana (1922-2003), grande actor e pintor. Aqui, na saudosa "Grande Noite" de Filipe la Féria, em 1990.

onde nasce o Fado

Imagem
- - - É nas ruas, nas tabernas e nos bordeis que o Fado parece nascer, espontaneamente, como nascem certas flôres nos charcos: a Pontederia crassula , por exemplo, que é uma linda flor azul. - - in "A Triste Canção do Sul", de Alberto Pimentel (1904)

o valor que uma marcha tem

A Marcha do Castelo ganhou o concurso das marchas populares de Lisboa 2009, partilhando o primeiro lugar com Alfama. Ao primeiro lugar geral do Castelo, juntam-se os prémios de Melhor Coreografia, Melhor Cenografia e Melhor Figurino. Neste pequeno grande bairro de Lisboa, os dias viveram-se com muita intensidade. Se os treinos da marcha começaram em meados de Abril com um ritmo de 6 a 8 horas de treino por cada semana, também é verdade que o tema, as músicas, os fatos, os arcos, os patrocínios e todo um planeamento logístico foram imaginados com ainda maior antecedência. O resultado final que se viu nos 20 minutos de Pavilhão Atlântico no dia 7 de Junho, ou nos 7 minutos de Avenida da Liberdade na noite de 12 de Junho, é o fruto de um grande trabalho que envolve muito mais pessoas que aqueles cerca de 70 que têm a honra e responsabilidade de marchar. Aparecem os 24 pares de marchantes, um par de mascotes, uma madrinha e um padrinho (este ano, a Chiquita e o Joaquim Bastinhas), os suple...

o fado tem futuro na Carminho

Antes de ontem fui com um amigo à FNAC ver se arranjava o tão esperado CD da Carminho - Fado. Já a ouvi ao vivo, alia ao seu jeito puro de fadista uma voz poderosa mas bela. Procurei, nem nos tops nem nas prateleiras estava, perguntei à menina que avisou: - Só a partir de amanhã, que é o dia do lançamento. Ah bom. Voltei a tentar ontem, passei no Corte Inglês com outro amigo, eram aí umas 4 da tarde. - O CD da Carminho? Desculpe, já esgotou. Como vale a pena, hoje saí de casa apostado em encontrar uma loja que ainda tivesse o seu primeiro CD, mas a meio do caminho dei conta que me tinha esquecido da carteira em casa. E enquanto não resolvo esta faena, tenho ao menos o consolo de já se poderem ouvir dois dos novos fados desta mui promissora Carminho no youtube , em videoclips realizados por João Botelho, seu admirador. Eis "A Bia da Mouraria", da Carminho Rebelo de Andrade.

os portugueses emigrados são os que se ficaram

Imagem
- - Para dizer tudo numa palavra, Portugal, para os verdadeiros portugueses, se tornava um país inabitável. Ao contrário da denominação histórica que se tornou corrente, os verdadeiros estranjeirados eram realmente os que, ficando em Portugal, serviam o poder; os outros, os que emigravam o mais que podiam, esses eram os reais portugueses, os portugueses tradicionalistas, os portugueses; que preferiam todos os incómodos de um exílio à dor de viver numa pátria que, de sua, só tinha o elemento material de céu, terra e mar. - in "Reflexão à margem da literatura portuguesa", de Agostinho da Silva

Lisboa é uma festa!

Imagem
- - Estão quase aí as festas de Lisboa, com os seus santos populares, principalmente o casamenteiro Santo António, as febras e as sardinhas, o vinho, os manjericos, os balões e os arraiais, os amores e as marchas. Todos os anos se apresentam no Pavilhão Atlântico e na Avenida da Liberdade 18 marchas, sendo que neste 2009 se estreiam a Marcha de Belém e a Marcha da Baixa. Esta tradição das marchas descendo a Avenida já vem de 1932, quando foi organizado por Leitão de Barros e Norberto Araújo o primeiro Concurso das Marchas Populares de Lisboa, onde participaram apenas 6 bairros - Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Campo de Ourique e Madragoa. Hoje, cada bairro tem de cantar 4 marchas, sendo que 2 das marchas são inéditas desse bairro (desse ano), 1 marcha é antiga do bairro (de outro ano), e 1 marcha é de Lisboa, comum a todos os bairros. O tema que ganhou o concurso para a Marcha de Lisboa este ano é o "Lisboa é uma festa" de José Reza e Joaquim Isqueiro, e trata-s...

a história do Fado na Mouraria

Imagem
Tia Macheta (canta Berta Cardoso) O amante não aparecera, Triste Severa, Sempre fiel, Chamou a tia Macheta, Velha alcoveta, P’ra saber dele. A velha pegou nas cartas Sebentas fartas De mãos tão sujas E antes de as embaralhar Pôs-se a grasnar Como as corujas. Ele não vem, minha filha, di-lo a espadilha, há maus agoiros. Há também uma viagem, Um personagem A dama d’oiros. Este conde é o meu fraco, Tome um pataco Tia Macheta. A velha guardou as cartas De sebo fartas Sob a roupeta. Caíram três badaladas Fortes, pesadas, Três irmãs gémeas; Cá fora nos portais frios Cantam vadios Feias blasfemas. O fidalgo não voltou, Severa o esperou Até ser dia. E desde essa noite, é que existe O fado triste da Mouraria.