Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de março de 2024

Carta aos líderes do PSD, CDS e PPM e aos Deputados eleitos da AD



Lisboa, dia 17 de Março de 2024

Exmos. Senhores Líderes do PSD, do CDS e do PPM,

Exmos. Senhores Deputados Eleitos da AD,

 

Desde a noite das últimas eleições que oiço com perplexidade alguns dirigentes e ilustres dos vossos partidos a sugerir a necessidade de se negociar com o Chega uma solução de Governo.

 

Estará na altura da AD pensar de outra maneira? Será tempo de desfazer determinada cerca sanitária? Terá a força de um milhão transformado propostas infames e irreconciliáveis em ideias aceitáveis?

 

Não faz sentido colocar qualquer destas perguntas àqueles que foram eleitos em condições muito bem definidas pelos próprios. A única via digna é honrarem a palavra dada, este compromisso que assumiram diante dos eleitores, até ao fim do vosso mandato.

 

Eu votei na AD nessa condição. Nasci em 1986, sou casado e tenho três filhos. Vivo em Portugal e já vivi fora. Prezo muito a liberdade e a democracia que temos, princípios que gostaria de ver cada vez mais consolidados no nosso país. O PSD, o CDS e o PPM terão de estar à altura da sua História e mostrar ser melhores que o PS e que o Chega:

- melhores que o PS, não pactuando com partidos que ameaçam a democracia e as nossas liberdades — a democratização do erro não deve ser um argumento, como querem aqueles que dizem que, com o derrube do “muro” por António Costa, passou a valer tudo;

- melhores que o Chega, defendendo os vossos princípios e honrando a palavra dada —menções a Maquiavel, a Churchill e a Kissinger não devem significar que os meios justificam os fins, como pretendem aqueles que invocam o seu “realismo”.

 

Falemos então de realismo, pois é de elementar realismo reconhecermos que seria de um imperdoável oportunismo tentar mudar as regras a meio do jogo. Para convocar novas condições, só provocando novas eleições. Se é urgente ultrapassar o bloqueio, então encurte-se o mandato. Umas novas condições talvez possam desbloquear a situação, embora provavelmente já sem o meu voto. Mas quebrar compromissos, nunca! Essa hipótese seria mais uma machadada, quem sabe se fatal, desferida na reputação dos partidos da AD. Honrar a palavra não é uma opção, mas o vosso primeiro dever.

 

O que espero da AD é um governo novo, que olhe com frescura para a política, com ânimo construtivo para os problemas, com esperança para o país. Espero da AD que continue o caminho que encetou na campanha eleitoral, aberto à sociedade civil e indo buscar bom conselho a quem tem a experiência de governos anteriores. Com uma boa equipa no Governo, que proponha verdadeiras respostas para os problemas comuns que enfrentamos, irão prosseguir o caminho de reconciliação com os eleitores e alargar o vosso apoio.

 

Se souberem inspirar o país e devolver a esperança nos valores que nos unem, se encontrarem um governo que saiba mostrar todo o seu potencial de competência, mesmo que bloqueados pela oposição, a AD irá ser premiada nas próximas eleições. Foi isso que aconteceu entre 1985 e 87 e essa é a nossa esperança em 2024. Cumprir o que prometemos é o moralmente certo a fazer, sendo também neste caso o que estrategicamente faz sentido.

 

Confiando que sentem o apelo de quem vos confiou pelo voto um claro mandato, envio os melhores cumprimentos,

 

António Vieira da Cruz

domingo, 6 de fevereiro de 2022

O nosso momento Goldwater

(também publicado no Ingovernáveis e no Observador)

Olhemos para as eleições presidenciais americanas de dia 3 de Novembro de 1964: o candidato democrata Lyndon B. Johnson (LBJ) derrota o candidato republicano Barry Goldwater com 90,3% no Colégio Eleitoral, teve 61,1% contra 38,5% em votos populares, e ganhou um total de 44 dos 50 Estados. Foi a vitória mais expressiva desde James Monroe em 1820, e os resultados são ainda mais retumbantes se pensarmos como LBJ era visto. Primeiro, sabemos como é difícil substituir uma pessoa popular e LBJ era o vice-presidente que tomou o lugar do amado John F. Kennedy após o seu assassínio em Dallas em 1963; em segundo lugar, LBJ era percebido como sendo um homem demasiado ambicioso, manipulador, rude, inseguro, obcecado em deixar a sua marca na história e ser mais querido que o seu antecessor; por último, à excepção dos 8 anos de Dwight Eisenhower (1952-60), os americanos eram governados por democratas desde 1932. Contra estas probabilidades, LBJ teve uma grande vitória eleitoral e, assim sendo, só nos resta saber uma coisa: o que fez Barry Goldwater de errado?

Barry Goldwater (1909-1998), foi senador do Arizona de 1953 até 1987, quando a sua cadeira foi ocupada por John McCain. Poderíamos defini-lo politicamente como um liberal na economia com preocupações ambientais. Foi contra o New Deal de Franklin D. Roosevelt, que considerava ter atrasado a recuperação da crise económica de 1929. Pelas mesmas razões, foi contra as políticas sociais de LBJ, que acusava de ineficazes. Crítico da linha económica seguida por democratas e republicanos, Goldwater expunha as suas convicções com mais veemência do que compaixão, sacrificando a eficácia da retórica à maior determinação e firmeza de princípios. Tendo inspirado o renascimento do conservadorismo americano, Goldwater foi-se tornando mais libertário com o passar dos anos. Em 1964 enfrentou uma campanha dura contra si e não teve a capacidade de tornar apelativa a sua mensagem naquele momento.

No dia seguinte às eleições, o julgamento público foi – como escreveu William F. Buckley Jr. – “que a crítica de Goldwater ao liberalismo americano teve a sua última aparição na cena política nacional. Os conservadores podiam agora voltar para os seus pequenos covis e cantar para si próprios as suas canções nostálgicas, e talvez juntarem-se de tempos a tempos para jantares em honra de Barry Goldwater. (…) Mas claro que, 16 anos depois, o mundo assistiu surpreso à eleição presidencial de Ronald Reagan, por uma plataforma indistinguível daquela em que Barry pregou.” Só que Reagan juntava às ideias económicas de Goldwater um carisma mais atraente, tendo aproveitado bem o desânimo geral causado pela Guerra do Vietname e pelas erráticas administrações de LBJ, Nixon, Ford e Carter.


 

A campanha do CDS

O slogan conservador da campanha do CDS “Pelas mesmas razões de sempre” é, paradoxalmente, profundamente inovador na política portuguesa. Não estamos habituados a alguém que nos prometa mais do mesmo, mesmo que seja o melhor do mesmo. Faz falta pararmos um pouco para pensar neste desafio que é valorizar aquilo que de melhor temos sem ser preciso inventar grandes mudanças. Francisco Rodrigues dos Santos defendeu sem medos o valor da vida desde a concepção até à morte natural, ou a liberdade de educação contra a obrigatoriedade da polémica disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Mesmo assim, estas razões de sempre não cristalizaram o programa do CDS, que quis propor medidas novas e muito pertinentes como a “Via Verde da Saúde” que pretendia garantir a liberdade de escolha aos doentes que têm muito tempo de espera no sector público e, assim, poderiam ter acesso a cuidados médicos no sector particular e social.

Não milito num partido nem tenho esse plano. Nunca me cruzei com o líder cessante do CDS, que conheço só da televisão. Sou apenas um simples eleitor que gostaria de ter podido votar no PPM de Ribeiro Telles e Barrilaro Ruas nos anos 70 e 80, e que quando chegou à idade adulta foi votando umas vezes aqui, outras acolá, sempre sem grande prazer. Mas, desta vez, tive muito gosto em votar na versão do CDS que Francisco Rodrigues dos Santos nos apresentou, para mim das melhores versões que conheci ao seu partido. O CDS foi convivendo ao longo do tempo com as suas correntes conservadora, democrata-cristã e liberal. É um partido cujas correntes ideológicas eram quase tão difíceis de conciliar quanto os egos dos políticos, tendo até 3 presidentes abandonado – em momentos diferentes – este partido que lideraram. Hoje, com o aparecimento da Iniciativa Liberal e a saída de alguns libertários, talvez o CDS possa finalmente recuperar uma faceta do liberalismo que esteja em maior harmonia com as suas correntes conservadora e democrata-cristã. Por outro lado, o problema de egos subsiste – mas essa é uma característica inerente a qualquer partido.


O momento Goldwater

Como Barry Goldwater, Francisco Rodrigues dos Santos teve um terrível resultado eleitoral; mas também como ele, a sua campanha irá colher os melhores frutos uns anos mais tarde. No elogio fúnebre a Barry Goldwater, William F. Buckley Jr. escreveu que “até dava a impressão que [na campanha de 1964] ele queria alienar blocos de votantes. Ele não o fez de propósito; ele simplesmente se empenhou em explicar e tentar mostrar a integridade da arquitectura do seu pensamento”. Também o líder do CDS não terá querido afastar da ceia de dia 30 os votantes de tendência mais liberal e os de inclinação mais populista, terá antes tentado foi explicar aquilo que o seu CDS trazia de profundamente diferente àquele espaço da direita portuguesa.

Francisco Rodrigues dos Santos citou Ronald Reagan (1911-2004) em pelo menos 3 dos seus debates televisivos. Essa referência é música para os meus ouvidos, como teria sido a referência a Margaret Thatcher (1925-2013), a Jacob Rees-Mogg (1969-), a Paul Ryan (1970-) ou ao nosso injustamente esquecido Thomaz Ribeiro (1831-1901), só para nomear alguns. O que gostaria de dizer a Francisco Rodrigues dos Santos é que, para que Ronald Reagan ganhasse a presidência em 1980 e fosse o político que hoje gostamos de citar, foi necessária a estrondosa derrota de Barry Goldwater 16 anos antes, falando exactamente das mesmas ideias, essas “mesmas razões de sempre” que semeou no debate público e que abriram caminho para um dos melhores períodos da história americana. Ronald Reagan e os seus apoiantes estiveram com Barry Goldwater em 1964. O senador Barry Goldwater manteve e apurou convicções, servindo o país em ocasiões importantes como em 1974 quando terá ajudado a convencer Nixon a demitir-se, ou em 1986 quando a administração Reagan pôde contar com o seu importante contributo na legislação que reformou o Defense Department e ajudou à derrocada da União Soviética.

A quem nunca se cansa de Casablanca, the fundamental things apply as time goes by. A Francisco Rodrigues dos Santos, um muito reconhecido agradecimento pela coragem com que se lançou nesta dificílima campanha e pela integridade dos valores que defende.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

a política portuguesa em 2 cartazes

 (publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis)


Imagine um cartaz

Carlos Moedas é o candidato apoiado por PSD, CDS e outros cinco partidos à Câmara Municipal de Lisboa. Irá enfrentar Fernando Medina, que presidiu à CML nos últimos seis anos e ainda não apresentou candidatura – apenas marcou posição ao dizer que José Sócrates “corrói a nossa vida democrática”. Nas últimas semanas, Moedas apresentou-se aos lisboetas num cartaz que podemos encontrar pela cidade. Aparece sem gravata mas de braços cruzados, deixando cair uma suposta formalidade para, involuntariamente, erguer outra barreira entre ele e nós. A fotografia não é tão boa que justifique que a sua cabeça saia da moldura do cartaz, mas é aceitável e o azul sempre transmite serenidade. O mais importante é aumentar o reconhecimento do candidato, missão cumprida. A mensagem é que não é ideal. “Lisboa pode ser muito mais do que imaginas” diz-nos várias coisas:

  • O candidato quer tratar o eleitor por tu;
  • Ele reconhece que Lisboa até está bem, mas que tem um potencial escondido e desaproveitado;
  • Ele acha que o eleitor tem pouca capacidade de imaginação.

É trágico. Por onde começar? Se o candidato me vem pedir votos sem gravata já torço o nariz e estranho, mais ainda, se me quer tratar por tu, mas, enfim, encolho os ombros e acabo por aceitar que é por ali que vão as modas.

As palavras de imaginação são mágicas em comunicação política. Dizer “imagine isto” é trazer o eleitor imediatamente para dentro do mundo do candidato, um mundo que, por sua causa e por causa das suas soluções, será um mundo melhor. Mais poderoso ainda, é conseguir convidar o eleitor a participar desse sonho, tal como fez Martin Luther King. Porém, mencionar a imaginação para dizer que o eleitor não chega lá sozinho, é queimar este instrumento político e dar um tiro no pé.

Coxo, este cartaz dá a entender que Lisboa até está benzinho, o que não é mentira, mas dá desnecessariamente um ponto ao adversário. O candidato deve ser mais afirmativo e pôr ênfase naquilo que ele fará melhor, no tal potencial que quer explicar que falta cumprir. Estando atento ao percurso de Moedas, posso esperar que ele queira fazer de Lisboa uma cidade melhor para as empresas e para a ciência, mais inovadora, mais smart, mais cosmopolita. Esse seria o seu ponto forte, é essa a visão que lhe pode trazer alguma vantagem sobre Medina.

O cartaz da vergonha

Num outro cartaz, junto à Assembleia da República, o Chega pôs uma grande fotografia a preto e branco da cara de José Sócrates e o hashtag garrafal #Vergonha. É um cartaz populista e perverso – já lá vamos –, mas também muito simples e eficaz. Bastam a palavra carregada de incómodo político e a imagem do pior Primeiro-Ministro da História recente de Portugal para transmitir a mensagem do Chega neste momento cirúrgico do julgamento de Sócrates nos tribunais.

Quis o destino, que a decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal sobre o processo da Operação Marquês caísse em plena crise económica e social, com muitas pessoas e empresas a passarem por enormes dificuldades ao saírem da terceira vaga da Covid-19. É sobretudo nestas circunstâncias, que uma sociedade pode cair na tentação de arranjar um bode expiatório para sacrificar e, no seu sofrimento, encontrar uma válvula de escape das tensões que foram enchendo a panela de pressão. André Ventura tem ensaiado esta técnica quando aponta para os ciganos ao falar de criminalidade, ou quando sugere a castração para crimes escabrosos que – lá está – nos pede para imaginar.

Este uso das emoções mais básicas de quem está desiludido com a vida, este acirrar de discurso através da boçalidade, esta confusão propositada entre a política e a justiça e este desrespeito pelo Estado de Direito são os ingredientes elementares do populismo. Quando governava, o também perigoso populista José Sócrates pôs em marcha um plano de domínio completo da nossa sociedade, através da colonização dos media, da Justiça e de toda a máquina do Estado; controlando os freios e contrapesos, o seu poder seria quase absoluto. Mediante provas, Sócrates deve ser julgado e merece tudo aquilo que a Justiça lhe der. O combate político contra Sócrates nunca deveria ser judicial ou condicionando a Justiça, mas isso é o que Sócrates e Ventura querem. Por razões diferentes, ambos estão juntos neste ataque ao Estado de Direito: Ventura quer que a Justiça nos vingue politicamente contra aquele político ou aquela classe de gente; e Sócrates quer mostrar que, mais do que um político preso, foi um preso político.

Andrew Jackson, sétimo presidente dos EUA (1829-37) é uma referência para os populistas, não só por se ter apresentado como homem comum que luta contra a corrupção das elites, mas por, em nome do povo, ter contornado as regras estabelecidas. Em 1832, após uma decisão do Supremo Tribunal sobre assuntos relacionados com os Índios Cherokee, da qual o Presidente não gostou, ele terá desafiado os juízes a aplicar a lei que assinaram, se conseguissem. Conseguimos, nós, imaginar Ventura a fazer o mesmo?

Mais uma achega

Entretanto, um PSD nostálgico pelas últimas autárquicas em Loures anunciou, através do seu secretário-geral, José Silvano, uma candidata à presidência da Câmara Municipal da Amadora. A comentadora de TV Suzana Garcia, assim com Z de Zorro, é mais uma candidata que se destaca por querer uma Justiça justiceira em vez de justa, para além do seu estilo de discurso mais condizente com o Chega. A propósito de algumas posições mais radicais da comentadora matutina, José Silvano afirmou, algo constrangido, como quem se desculpa, que Suzana Garcia é candidata à Câmara Municipal da Amadora e “não se candidata à Assembleia da República para legislar”. Bom esforço, senhor deputado. Esta distinção é importante, obviamente não para validar o temperamento e ideias de Suzana Garcia, mas para eu voltar a Carlos Moedas.

Não gostaria de votar em Carlos Moedas para me representar enquanto deputado nacional ou europeu, precisamente por ele ser de uma linha muito mais euro-entusiasta e federalista europeia do que eu sou. No entanto, isso pouco ou nada conta no cargo autárquico a que concorre. Pelo contrário, reconheço em Moedas uma pessoa séria, competente e educada. Moedas é decente. Medina também. Não votarei em Medina, porque discordo do poder sufocante que deu a uma EMEL que serve mais o orçamento da Câmara do que os Lisboetas ou o seu estacionamento e mobilidade. Discordo, também, da desertificação dos bairros históricos – noutros tempos, estes bairros foram populares! – que em muito se deve à lentíssima resposta de regulação do alojamento local perante o boom do turismo em Lisboa. E fico-me por aqui, pois honra seja feita, também melhorou os passeios e alindou alguns jardins.

Não votarei em Medina, mas estou disposto a ouvir o que Moedas tem a dizer sobre urbanismo, transportes e circulação, cultura, impostos municipais, segurança, turismo. Até agora não lhe ouvi uma ideia concreta, mas a campanha ainda está a aquecer motores e estou atento.

Resumindo, em dois cartazes o que é que temos? Primeiro o que não temos: a esquerda, silente sobre as autárquicas, apenas se afasta q.b. da toxicidade de Sócrates. O cartaz de Moedas e a entrada em falso dos candidatos liberais mostra uma direita civilizada que diz que existe, mas é desajeitada e anda ainda à procura da sua relevância. O cartaz do Chega é um calhau robusto atirado por hooligans contra o Estado de Direito. Em dois cartazes, este é o estado da nossa política.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

como estava o Bangladesh em Novembro de 2013

O artigo em baixo foi inicialmente publicado na revista Think South Asia nº11, número de Dezembro, disponível aqui: http://sadf.eu/home/2013/12/15/think-south-asia-11/. Entretanto as eleições deram-se no dia 5 de Janeiro, com o boicote do principal partido da oposição (BNP), que apelou à não-participação nas eleições. O partido do governo (Awami League) ganhou assim as eleições, elegendo dois terços dos deputados. Os extremistas do Jamaat-e-Islami, aliados eleitorais do BNP, preferiram influenciar as eleições através do terror, provocando mais de 20 mortes no dia das eleições e continuando os atentados até hoje, principalmente perseguindo as minorias religiosas (em especial os hindus, os cristãos e os budistas) e muçulmanos moderados. No fundo, os alvos do costume.


The Situation in Bangladesh – November/December 2013

I could have been killed last time I was in Dhaka. Anyone could. In fact, around 30 innocent people died in street bombings and shootings during the 3rd week of November 2013.

The streets of Dhaka are filled with orange and black posters from Hizb ut-Tahrir. The main purpose of this poster is to call the Military to take over power in Bangladesh and establish "Khilafat" (the caliphate). This pan-Islamic political organisation has been legally banned in Bangladesh since 2009, yet they continue to spend fortunes in promoting extremism through propaganda and schemes to take over the elected powers, evident for example in 2011.

In their most recent press release, Hizb ut-Tahrir states that during the last  strike 25 people were killed, concluding that "Democracy = Death to People". Of course what they do not understand is that democracy is not responsible for  causing these deaths: extremism is. With their hate speeches and incite to violence, Hizb ut-Tharir and other powerful extremist organisations like Jamaat-e-Islami are contributing to the confrontational climate in Bangladesh' society and therefore putting this country on the verge of violent situations where religious and ethnic minorities are always the first ones to suffer. Many people on the street timidly share the opinion that the current strike is not helping in restoring  peace and order, which this troubles country needs so desperately.

Hizb ut-Tharir cannot win elections, but their posters help us understand how violent the climate in Bangladesh is right now. Bangladesh has two major parties, the Awami League in power and the Bangladesh National Party (BNP) in the opposition. Both are considered to be relatively moderate, the Awami League on the left, BNP on the right. The problem will be the alliances they are forging for the upcoming  elections. BNP has a coalition agreement with Jamaat-e-Islami for next elections, and although Jamaat-e-Islami has been barred by the courts from partaking in elections, its influence is and will still be enormous. By financing part of BNP’s campaign, Jamaat-e-Islami will be able to push their extreme Islamist agenda, hurting religious minorities and setting their war criminals free. In 1971 many Jamaat-e-Islami leaders engaged in the tremendous genocide in Bangladesh, where during 9 months of terror 3 million people were killed and around 4 hundred thousand women were raped. The International Crimes Tribunal is trying to end 40 years of impunity by providing fair trials for these war criminals. If Jamaat-e-Islami comes to power with the help of another party, nobody doubts that they will try to end this important Court of Justice.

Just to add another concern, the very active extremist outlet Hefazat-e-Islam is another group to be concerned about. It is politically and financially backed by Jamaat-e-Islami. They are actively producing bombs and violence in order to achieve their 13 points, quote:
1. Restore the phrase ‘Complete faith and trust in the Almighty Allah’ in the constitution and repeal all the laws contrary to the Quran and Sunnah.
2. Pass a law in parliament keeping a provision of the maximum punishment of death sentence to prevent defaming Allah, the Islamic prophet Muhammad and Islam and smear campaigns against Muslims.
3. Take measures for stringent punishment against self-declared atheists and bloggers, led the so-called Shahbagh movement, and anti-Islamists who made derogatory remarks against Muhammad.
4. Stop infiltration of all alien-culture, including shamelessness in the name of individual’s freedom of expression, ant-social activities, adultery, free mixing of male and female and candle lighting.
5. Make Islamic education mandatory from primary to higher secondary levels canceling the anti-Islamic women policy and anti-religion education policy.
6. Officially declare Qadianis (Ahmadiyyas) as non-Muslim and stop their propaganda and all conspiratorial ill-moves.
7. Stop setting up sculptures at intersections, schools, colleges and universities across the country.
8. Lift restriction on saying payers in all mosques across the country, including Baitul Mukarram National Mosque, without any hassle and remove obstacles to carrying out religious activities.
9. Stop evil efforts to spread hatred in the mind of young generation regarding Islam through the misrepresentation of religious dresses and cultures in the media.
10. Stop anti-Islam activities by NGOs across the country, including in the Chittagong Hill Tracts, and evil attempts of Christian missionaries for conversion.
11. Stop attacks, mass killing, oppression and indiscriminate shooting on Alem-Ulama, devout followers of Muhammad and towhidi janata (revolutionary people).
12. Stop threatening teachers and students of Qawmi madrasas, Islamic scholars, imams and khatibs and conspiracies against them.
13. Free immediately all the arrested Islamic scholars, madrasa students and towhidi janata and withdraw all false cases filed against them, compensate the victims and bring the assailants to justice.

There are many other groups promoting extremism in Bangladesh and sadly this is the kind of discourse we  find ourselves confronted with in Bangladesh nowadays. The country is in an extremely sensitive pre-electoral situation. Despite the impressive reports we receive every day in our countries, none of them are completely able to picture how  tense the climate really is. People are afraid. The Police and the Military are on the streets. National strikes are being organized by the opposition parties. In the streets of Dhaka small bombs and explosives like “cocktail molotovs” are being dropped. Different neighborhoods of the city are being affected and from while to while we can hear gun shots in places that used to be safe and secure. Many countries with embassies or relevant information in Bangladesh are advising their nationals not to visit Bangladesh right now.

In 2012 I was in Bangladesh for 11 days and last November it was my 2nd time there. I noticed that many things changed. There is some new infrastructure and many roads and buildings are being built. There is some real progress being made. I first thought that the lack of the usually omnipresent traffic jams were the consequence of the existence of new roads, but that was not its main cause: due to an opposition-called 84 hour “hartal” (strike), many services stopped completely.

Another thing I saw was an overwhelming presence of Police and the Military on the streets, mainly in the intersections between main roads and secondary streets. This strategic placement is to avoid attacks in the main roads of groups coming from narrower streets to drop explosives and cause more casualties. I was travelling by car and within the small distance from the airport to my hotel, Police forces stopped and frisked the car twice. But as they saw that I was a foreigner, they quickly let us go. The respect for foreigners is part of this culture. Each and every road intersection is filled with police forces in groups of 5 to 10 people, all visible carrying machine guns.

On the 1st day, after I left my luggage in the Hotel I went by rickshaw to visit the Holy Rosary Church, which is a beautiful catholic temple. You probably know that Dhaka is known for being the city of rickshaws, with around 4 hundred thousand cycle-rickshaws driving around every day. Nowadays rickshaw is the safest means of transport in Dhaka because it is the only which allows us to jump and run at any time. Some buses, CNG’s and cars were attacked during the last days. So I went through Tejgaon, where the Prime-Minister’s office is, and 10 minutes after we heard an explosion noise and gun shots nearby. The security guard of the church told me to come inside the Church gates and then locked the entrance. After a while, everything was back to “normal”.

People are afraid and tense; we can see that in almost everybody’s eyes. The Bangladeshis are worried about what may happen in the course of the next days, before and during and after elections. In 2012 I told all my friends that I never saw a city with so much life and movement as Dhaka. Many times I even complained that I could not sleep with so much honking in the street, 24 hours per day in a non-stop mode. And trust me, I am a heavy sleeper. But last November I could not see one single person in this main avenue at night. Nobody dares to be out there in this megacity of 15 million people which used to be one of those that never sleeps. It seems that fear is reigning in Dhaka.

The people in Bangladesh, more than ever, need  our international support in advancing and stabilizing   their legal institutions and democracy. People want peaceful elections, the International Crimes Tribunal to keep providing Justice and honoring the memories of the genocide victims. The economy is growing at a 6% to 7% rate every year. Extremism exists, extremism is well financed, and extremism could damage all these and other achievements. As the Canadian MPs Joe Daniel and Russ Hiebert said in a recent pre-election observation mission report, “the role and participation of Jamaat-e-Islami in national politics requires close scrutiny by authorities as this organization has created deep concerns about the protection of the rights of women, minorities and others. The BNP in particular must also reflect on the possible role that Jamaat may be playing in its party and work to distance itself from this extremist organization”.


It would surely be a setback for Human Rights and Minority Rights in Bangladesh if extremism of any kind came back to power again. Regardless of who wins the next elections, we must hope that Bangladesh finds the peaceful conditions required in order to prosper and keep elevating their standard of living in the years to come.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

a brasileira da campanha do PSD



Alessandra Augusta é esta mulher que vemos na fotografia. É brasileira e foi contratada pelo PSD para fazer esta última campanha eleitoral. Antes disso, tinha feito algumas eleições locais no Brasil. Alessandra foi atacada por todos os lados, mas continuou discretamente o seu trabalho. Alguns dos ataques até vieram de dentro, de consultores nitidamente aborrecidos por não estarem no seu lugar. Coisa feia, e o algodão não engana.

Hoje, a responsável pelo marketing da campanha do PSD vem dar uma entrevista ao jornal Sol, de onde tiro apenas esta sua resposta:

Tentou modelar Passos Coelho?

Não. O que se fez foi potenciar o que ele tinha de bom. O mais interessante desta campanha é que o ‘não-marketing’ foi o grande marketing. Não trabalhámos Passos Coelho e deixámo-lo o mais natural possível. Porque é um candidato consistente, ainda que pouco conhecido. Mas, ao mesmo tempo, tínhamos outros dois candidatos, Sócrates e Portas, que eram excessivamente marketing. Eram sound-bytes demais. Essa autenticidade de Passos Coelho foi uma mais-valia. É uma circunstância positiva: tínhamos um candidato com conteúdo, com histórico, que sabia como falar com as pessoas, principalmente na rua, com um discurso próprio e formatado. Foi muito mais ele a contribuir para que nós só déssemos forma às coisas do que o marketing a interferir directamente. Se Passos Coelho tivesse um perfil mais artificial não teria avançado tão rapidamente.


A entrevista completa pode ser lida aqui. Quero apenas deixar um contraste entre o que Alessandra disse hoje (dia 9 de Junho) e o que "A Conspiração das Teorias" foi avançando ao longo da campanha.
  • No dia 15 de Maio escrevi:

    "Passos Coelho também tem feito vários erros de comunicação e imagem. Mas estes erros não o têm afectado tanto como a Sócrates. A diferença entre Passos Coelho e Sócrates, neste aspecto, é que Passos Coelho tem errado dentro da sua genuinidade, o que a gente desculpa e até compreende. Já Sócrates parte numa situação mais delicada, pois representa neste momento um personagem que não é ele próprio e, sempre que erra, essa incoerência salta à vista. A grande comodidade de Passos Coelho em relação a Sócrates e a Portas é que a personagem que encarna ainda não saiu de dentro de si. E para se aguentar assim, Passos Coelho terá de cultivar a humildade.
    "


  • No dia 3 de Junho escrevi nos comentários que se seguiram ao postal:

    "Claro que houve erros, há sempre, mas não houve erros grosseiros. Por outro lado, também não podemos dizer que a campanha do PSD tenha tido grandes rasgos de criatividade. Não arriscaram, jogaram pelo seguro e tentaram manter a autenticidade do candidato: muito dialogante e explicativo."

    e

    "As qualidades pessoais de Passos Coelho (mais que as propostas políticas) permitiram-lhe ser a solução do "bom senso" para os problemas que os portugueses atravessam. A realidade e o bom senso em contraste com os líderes dos partidos que podem disputar eleitorado com ele. Tanto Sócrates como Portas representam personagens que já há muito descolaram da realidade.
    "


  • E no dia 6 de Junho escrevi:

    "Pedro Passos Coelho conquistou o voto pela personalidade simpática e autêntica, e por isso confiável."

Lendo o que está para trás vejo que este postal corre o risco de ser entendido como um auto-elogio, o que não quero de maneira alguma. Não é isso que está em questão. O que quero dizer é que não há campanhas perfeitas, mas esta campanha do PSD foi bem dirigida. Foi uma campanha muito conservadora e sem grandes rasgos de criatividade, mas também sem grandes erros.

Outra coisa que quero deixar clara é que não concordo com a utilização da palavra "marketing" em campanhas eleitorais. Não gosto. Trata os políticos como se fossem produtos, as pessoas como se fossem consumidores, e os votos como se fossem o dinheiro que paga o consumo. Prefiro usar um termo mais humano e abrangente: comunicação. Mas isto é apenas um à-parte.

No fim de contas, Alessandra mais que cumpriu com os objectivos da campanha. Atribui com humildade o mérito da vitória a quem de direito, que é Passos Coelho. Calou os seus críticos. E volta para casa com uma grande vitória eleitoral no seu curriculum.

-------

Artigos relacionados:

sexta-feira, 3 de junho de 2011

os erros da máquina de campanha mais elogiada


A campanha do PS foi mal conduzida a vários níveis. Foi mal conduzida porque a única coisa de que se falou a respeito do PS nesta campanha, foi de como a sua máquina de propaganda era boa e profissional. Não se falou de propostas do PS para o futuro do país porque elas não existem. E apostou-se na capacidade de resistência de José Sócrates, quando há muitos meses ele já estava manifestamente gasto e sem qualquer capital político. Os pozinhos de perlimpimpim não aguentam a exposição 24h/dia durante uma campanha inteira, e nunca desta maneira.

Foi toda uma sucessão de erros da campanha do PS, que se dedicou unicamente a falar de Pedro Passos Coelho e do PSD, fazendo uso de uma agressiva campanha negra. A emoção que o PS mais explorou em campanha foi o medo, e até essa escolha foi ineficaz, pois o maior medo dos eleitores é que José Sócrates continue a governar.

O povo sabe desculpar erros, mas ninguém gosta de mentirosos compulsivos. Em 2009 as pessoas deram o benefício da dúvida a Sócrates, e com isso mais uma oportunidade de se redimir. O lema de Manuela Ferreira Leite e do PSD em 2009 era "Política de Verdade". Foi uma escolha precoce. Mas a ideia hoje reinante é que a falta de sinceridade de Sócrates é incorrigível. Pergunto-me se o lema "Política de Verdade", dois anos depois, não teria tido muito mais sucesso. Apesar disso, considero o "Mudar" melhor, porque implica acção e esperança. Não fizeram mal em pedi-lo emprestado a Obama.

José Sócrates vai perder as eleições no Domingo. O Governo socialista trouxe-nos a este precipício, o seu líder não tem mais credibilidade, e faltam ideias para o futuro do País.

E quando os homens dos bastidores de uma campanha são notícia, mesmo que aparentemente positiva, isso é mau sinal. Estes têm de ser discretos e deixar o palco para os candidatos brilharem. Se Sócrates não servia (e não serve, está gasto), então deviam ter dado visibilidade aos candidatos a deputados de cada círculo.

A campanha do PS, que a par do CDS/PP foi a mais elogiada pelo profissionalismo, pecou por vaidade e por falta de visão, e foi de longe a campanha que fez os erros mais grosseiros. Desde o princípio que observo isto e não vi ninguém dizê-lo. Digo-o somente agora - a escassos minutos do dia de reflexão começar - porque não queria de maneira alguma contribuir (por mais modestamente que fosse) para a perpetuação socialista no Governo de Portugal.

Dito isto, penso que o PSD vai ganhar com cerca de 37%. O PS ficará perto dos 32%. O CDS um pouco acima dos 10%. A CDU um pouco abaixo. O BE bastante abaixo. E dos partidos mais pequenos, pode haver ainda duas surpresas.

O MEP pode eleger Rui Marques por Lisboa, depois de ter conseguido (por decisão do tribunal) marcar presença no horário nobre dos 4 canais de televisão de sinal aberto, nos últimos 2 dias de campanha, quando os indecisos ainda eram entre 15 e 20%. Mesmo que não eleja o deputado, provavelmente ultrapassará o PCTP/MRPP como 6º partido mais votado, ou o maior dos mais pequenos. Trouxe frescura à campanha através de acções criativas como os comícios mais pequenos do mundo e uma boa presença na Internet. A mensagem é de esperança, palavra que integra o próprio acrónimo MEP.

A segunda surpresa pode ser José Manuel Coelho, candidato do PTP pelo círculo da Madeira. Para ser eleito basta-lhe capitalizar o descontentamento da oposição na Madeira, tirando votos ao PS e CDU, e ter metade da votação que conseguiu na Madeira nas presidenciais de há apenas 5 meses atrás.

Mas acabo como comecei, com a campanha socialista. Depois de uma campanha tão negra e cheia de mentiras e insinuações, depois de tanta emoção falsa e energias negativas, depois de tanto blame game... que estratégia adoptará o PS a partir da próxima 2ª feira para se reconciliar com os portugueses?

-------

Adenda:
  • vale a pena ler aqui os interessantes comentários a este post.
  • o consultor Renato Póvoas também escreve sobre a possibilidade de o MEP eleger Rui Marques e a curiosidade acerca do impacto dos seus debates na TV, no seu blog Relações Públicas Sem Croquete.
  • e como há imagens que valem mais que mil palavras, recomendo este cartoon do grande blog do cartoonista Henrique Monteiro, HenriCartoon.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

mudar de condutor



Traduzido dos EUA 1952 para Portugal 2011:

- Os socialistas fizeram erros, mas as intenções deles não são boas?
- Bem, se o condutor da carrinha da sua escola vai contra um camião, bate num candeeiro da rua e despenha-se numa valeta... a questão não é se as suas intenções são boas. Temos de arranjar é um novo condutor.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

25 anos de Sevo e o programa ABC contra a sida no Uganda


Yoweri Kaguta Museveni, 67 anos, é o Presidente do Uganda desde há exactamente 25 anos. No poder, cedo abandonou devaneios marxistas e optou por uma linha mais liberal da economia, pondo em marcha importantes ajustamentos estruturais, dando crédito às propostas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Trouxe estabilidade económica e política ao país e teve a coragem de combater o flagelo da sida através do programa ABC, um programa apoiado e promovido pela Igreja Católica e por outras igrejas cristãs. ABC significa "Abstein, Be faithful, use Condoms", e esta é a ordem estratégica das prioridades: abstinência sexual até ao casamento; fidelidade ao cônjuge no casamento; e, em caso de desvios (vários parceiros sexuais, etc.), o uso do preservativo. Esta política ABC teve excelentes resultados no Uganda, e só não é mais difundida porque há demasiados interesses económicos que actuam na obscuridade, como é o caso da indústria contraceptiva.

A indústria contraceptiva está por detrás das mais ruidosas campanhas de luta contra a sida, financiando-as e lucrando com elas, nomeadamente em África, mas também aqui e no resto do mundo. Mas se olharmos para o impacto desta política ABC, não restam dúvidas de que esta é uma óptima estratégia de prevenção e combate da sida: de 15% de infectados com sida no Uganda em 1990, para 5% em 2001.

Yoweri "Sevo" Museveni ganhou as eleições ugandesas de 1996, 2001 e 2006. Museveni fez profundas reformas democráticas no regime, que foram aplaudidas a nível internacional. No entanto, há ainda muito para fazer, por exemplo facilitar a formação de novos partidos no país.

Dia 18 de Fevereiro são as eleições presidenciais no Uganda, "Sevo" Museveni volta a ser candidato, e este é o rap dirigido aos eleitores mais jovens:


Do you want another rap? Yes Sevo!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Presidenciais: as sondagens, os candidatos e o sistema


Último dia de campanha eleitoral. As últimas sondagens dão Cavaco Silva a ganhar à primeira volta, com 54 a 64% dos votos. Mas mais para os 54 que para os 64. Manuel Alegre tem entre 15 e 25% das intenções de voto. Fernando Nobre, entre 9 e 13%. Francisco Lopes teria 3 a 8% dos votos. Defensor Moura, 1 a 2,6%. José Manuel Coelho, de 0,9 a 2,7%.

Estas sondagens que misturo (Marktest, Intercampus, Eurosondagem, CESOP/Católica, e Aximage) apresentam, como vemos, números mínimos e máximos muito distantes entre si (de 10%, no caso dos dois primeiros candidatos). O semanário Sol resolveu esta questão fazendo uma média das sondagens, e que põe na capa do jornal de hoje.


Duas coisas óbvias, para arrumar este assunto das sondagens: alguma estará mais acertada que as outras, mas ainda não sabemos qual. E o truque do Sol, já denunciado no blog Margens de Erro (onde encontramos todas as sondagens comentadas), também não merece muita credibilidade, pois faz uma média de amostras desiguais, recolhidas em datas diferentes, e de formas distintas. Tal como é fácil ouvir a qualquer político dizer, estas sondagens valem o que valem. E a "sondagem" do Sol não vale o que valem as outras.

---

Vamos aos candidatos. O que é vitória e o que é derrota para cada um:

Cavaco Silva - Ganhar é sempre uma vitória. Mas Cavaco precisa de superar os votos que teve em 2006. Resultados abaixo dos 55% terão sabor amargo, e ser forçado a uma segunda volta é humilhação.

Manuel Alegre - Vitória para Alegre será, pelo menos, forçar Cavaco a uma segunda volta. Aí, tudo pode acontecer, pois muita abstenção se irá manifestar - tanto à esquerda como à direita. Derrota, para este candidato apoiado pelo PS e BE, será ter menos que o milhão de votos que teve em 2006 como independente.

Fernando Nobre - Chegar ao 2º lugar e ter o milhão de votos que Alegre teve em 2006 é muito difícil, mas ficar com o 3º lugar já é vitória. Derrota será ficar atrás do candidato comunista Francisco Lopes.

Francisco Lopes - Uma boa vitória é ficar em 3º lugar, ou ter mais de 8% dos votos. Mas a sua candidatura, pela mobilização e pelo tempo de antena que teve, falando para a base de apoio comunista, já cumpriu com o seu objectivo, independentemente do resultado.

Defensor Moura - Ajudar Manuel Alegre era a sua missão partidária, relançar a sua candidatura à Câmara Municipal de Viana do Castelo era a sua missão pessoal. Introduziu a campanha negra na corrida, com o caso BPN contra Cavaco. O caso BPN fez muito ruído, mas duvido que vá produzir resultados práticos na votação. Mas não há dúvida que afecta a imagem e reputação de Cavaco Silva, principalmente do ponto de vista histórico. A partir daqui, não haverá biografia política de Cavaco que não vá referir a nebulosa feita à volta do BPN. Mesmo que fique em 6º lugar, Defensor Moura já conseguiu os seus objectivos.

José Manuel Coelho - Já ganhou, a vários os níveis. Só o facto de ter reunido as assinaturas suficientes para ser candidato, é uma grande vitória. Mas deixo esta análise para o próximo post. É um assunto que tem pano para mangas.

---

Sou católico, um monárquico diferente do monarquismo mainstream, e nas últimas eleições apelei ao voto nulo. No entanto, como católico em primeiro lugar, tinha alguma expectativa de que Cavaco fosse coerente com os seus valores e convicções. Foi pelos valores e convicções de Cavaco que os eleitores votaram nele em 2006. Votaram também nele pela sua condição de economista e perito em contas públicas. Cavaco defraudou expectativas no campo dos valores, e pouco se fez valer da sua visão de economista.

A culpa é de Cavaco? É de quem o elegeu? Sim, e também. Mas o que permite tudo isto é o sistema eleitoral que temos. É um sistema em que o Presidente da República é eleito por cinco anos e se pode recandidatar para um outro mandato de mais cinco anos. Isto implica que, para quem quer ficar 10 anos em Belém, o primeiro mandato é exercido com a reeleição sempre em vista. A reeleição torna-se a máxima prioridade na acção política de qualquer Presidente no seu primeiro mandato.

Os últimos Presidentes da República que tivemos sacrificaram tudo à prioridade da reeleição. Tudo. Desde a sua forma natural de agir, às suas convicções e, até, ao superior interesse nacional. Tudo em segundo e terceiro plano. E revelaram só no segundo mandato qual a sua verdadeira forma de agir, as suas convicções, e a sua visão do que é o superior interesse nacional. Por estas razões se diz que houve dois Presidentes Eanes, dois Soares e dois Sampaios. Soares e Sampaio foram especialmente ausentes nos respectivos primeiros mandatos, para não comprometerem os segundos mandatos, onde foram fortemente interventivos. Sampaio inclusivamente se deu ao luxo de dissolver a Assembleia da República sem sequer se dignar a dar uma qualquer explicação.

Temos, portanto, um sistema que potencia os vícios do Presidente da República no exercício do seu primeiro mandato presidencial. Para combater esta bipolaridade política que se impõe aos consecutivos Presidentes da República do nosso País, há duas soluções: a primeira, naturalmente, é a monarquia. A segunda possível reforma, e certamente mais exequível de acontecer nos dias de hoje, é impedir que o Presidente da República se possa recandidatar, aumentando a duração do mandato para, por exemplo, 7 ou 8 anos, como compensação e garantia de alguma estabilidade na chefia de Estado. Desta forma, elegeríamos um Presidente da República que iria actuar mais de acordo com os seus valores e convicções, afinal, a razão pela qual foi eleito, de acordo com o superior interesse nacional. O fantasma da reeleição estaria vencido e as prioridades do Presidente voltariam a ser as certas. A política sairia credibilizada. As pessoas podiam contar mais com aqueles que escolheram.

Cavaco Silva será um Presidente diferente no segundo mandato, tal como Soares e Sampaio, ou até Eanes. Vai ser mais interventivo, sem dúvida, e com um exercício mais católico, espera-se. Mas eu não quero que ele ganhe à primeira volta. Não, isso seria demasiado fácil. Cavaco tem de suar, tem de ser forçado a uma segunda volta para nos dirigir palavras mais humildes. Precisa de pedir desculpas aos católicos que o elegeram pelas leis aberrantes que promulgou. E precisa de prometer que tudo isso não se vai repetir no segundo mandato. Aí, e só aí, até eu votarei nele.

Mas, pelos vistos, a segunda volta é apenas uma miragem. Cavaco deve ganhar à primeira volta, como diz até a sua pior sondagem.

sábado, 17 de julho de 2010

o segundo spot de Dale Peterson

-
O segundo spot de Dale Peterson é uma excelente sequela do primeiro, o que é sempre difícil. Dale explica como começou com 5% de intenções de voto nas sondagens e chegou aos 28% da votação republicana. Agora, o nosso Dale Peterson apoia John McMillan, o nomeado republicano para a Comissão de Agricultura do Alabama. "John is a good man, I like John" é um belo exemplo de palavras simples que funcionam.
-
-

sexta-feira, 16 de julho de 2010

o candidato representativo e o candidato aspiracional

-
Há momentos em que os eleitores procuram candidatos mais inteligentes, mais cultos ou com um historial de outros atributos (coragem, bravura, beleza, etc.) que fazem deles heróis. No fundo, alguém como aquilo que o eleitor comum aspira vir a ser. Noutros momentos, os eleitores votam em pessoas normais, como eles, que os possam representar verdadeiramente nos seus valores e maneira de ser. É o caso de Dale Peterson, candidato à Comissão de Agricultura do Estado do Alabama, nos Estados Unidos da América. Dale Peterson representa muito bem os valores do seu eleitorado do Alabama, apresenta-se como um deles. Não foi eleito, mas conseguiu subir dos 5% de intenções de voto que as sondagens lhe davam, para 28% na votação final. Não ganhou as eleições, mas a sua campanha foi um sucesso. O candidato não só representou os valores tradicionais do homem republicano médio do Alabama, como soube personificar o herói cowboy do faroeste. Resumindo, Dale Peterson soube ser representativo e aspiracional. Eis o seu spot de campanha:
-
-
Por mais que nos impressione, este vídeo funcionou no Alabama. A arma, a linguagem directa e popular, o tom paternal com que fala, o cavalo, a indumentária, a música, os símbolos americanos, tudo contribuiu para que a mensagem passasse. Funcionou, tal como a imagem de Hugo Chávez funciona para muitos venezuelanos, ou a de Alberto João Jardim funciona para os madeirenses (e alguns continentais). Mais, assim se explica porque George W. Bush ganhou a candidatos que tinham fama de serem mais inteligentes que ele, como Al Gore em 2000 ou John Kerry em 2004. É que George W. Bush soube representar melhor os valores do americano médio. No fim do mandato a sua popularidade caiu a pique, porque os americanos médios começaram a pensar que até eles governariam melhor que George W. Bush. É o risco destes candidatos, que se tornam demasiado "representativos" - e estamos sempre a falar da imagem projectada na opinião pública. É que os tempos mudam e há momentos em que precisamos mais de heróis. Obama, que veio depois de Bush, é um candidato claramente aspiracional e que personifica o sonho americano. O risco e também a beleza da democracia é que, dar o poder de eleição ao povo, permite que tudo isto possa acontecer.
-

quarta-feira, 29 de julho de 2009

o abstencionista

-
Não me digam que abstenção é voto de protesto. Não é! Os abstencionistas são conformistas, nem que seja por se conformarem com o seu inconformismo. Deixam a decisão para os outros. No limite, os abstencionistas são os cidadãos mais felizes...! Confiam tanto nos seus representantes e instituições, que se dão ao luxo de se preocuparem somente com a esfera privada de suas vidas. Votar é-lhes um esforço inútil, porque qualquer resultado lhes agrada. A mim não, e por isso voto.
-

domingo, 7 de junho de 2009

4 minutos e 33 segundos de reflexão

-
Em dias de reflexão eleitoral, trazemos à conspiração o 4'33 de John Cage para orquestra.


Melhor ainda, hoje, só a Marcha do Castelo. A partir das 21h30m no Pavilhão Atlântico, depois da Graça e antes da de Alcântara. Porque "foi no Castelo que Lisboa ganhou chão"!
-

sexta-feira, 5 de junho de 2009

os patriotas da língua que afinal são só garganta

-
Raramente aprecio citações embutidas num texto ou em um qualquer discurso. Se for muito necessário fazer a citação, contento-me bastante mais se ela for precedida e seguida de espaços ou momentos de silêncio. O silêncio realça o texto, que fala por si, e que não fica submetido ao barulho das nossas intenções. Não creio que, como alguns gostam de dizer, as citações demonstrem a falta de ideias próprias de quem as faz, antes pelo contrário, penso que normalmente demonstram capacidade de relacionar ideias.
-
Mas o mal das citações é esse mesmo! É que, na maioria das vezes, estamos a trair o sentido que o autor original queria dar a essas palavras, muitas vezes sem querermos, e noutras vezes de propósito, só para servir as nossas argumentações. Estas últimas são as mais infames.
-
Em vésperas de eleições europeias lembro aqueles que se apoiam n'a minha pátria é a língua portuguesa de Pessoa para reduzir a pátria somente à língua e poderem entregar Portugal ao comando europeu sendo patriotas. Não vou dizer que Fernando Pessoa defendia o contrário, pois estaria jogando a mesma partida daqueles que corrompem a sua mensagem. Só Pessoa pode falar por Pessoa, e presumo que cada morto nunca se defende como gostaria dos usurpadores da sua palavra.
-
Não serve este postal para indicar qual o melhor caminho para Portugal, deixo por um momento essa especuladora tarefa para outros. Apenas quero dizer que o europeísta, o federalista, o unionista, por mais que citem Pessoa, não são patriotas. É que, a bandeira, o hino, a moeda, a zona exclusiva de pescas, a agricultura, as forças armadas, os negócios estrangeiros, a ASAE, as leis, a cultura e muitos elementos mais, também são pátria, não é só a língua. Como o outsourcing está na moda, querem até fazer um outsourcing da nossa responsabilidade, desta nossa nacionalidade e independência. Tudo se entrega de mão beijada, tudo. E com o acordo ortográfico, parece que já nem a língua portuguesa merece o respeito destes "patriotas".
-