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a importância de identificar o inimigo

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 (publicado originalmente no Observador ) Os nomes das guerras costumam remeter para o sítio onde se combate, e aqueles que participam na guerra costumavam ser aqueles que estão no terreno e lutam nos campos de batalha. No entanto, tem havido guerras com outros tipos de nomes. Em 1945 George Orwell cunhou o nome “guerra fria” para descrever o tipo de relação que os EUA teriam com os países vizinhos por serem o único país com a bomba atómica. Como sabemos, a URSS e outros Estados rapidamente ganharam a sua capacidade nuclear e o mundo evoluiu para uma situação de tensão entre dois blocos concorrentes que recebeu precisamente esse nome – Guerra Fria – até à queda do Muro de Berlim e consequente esboroar do bloco soviético. Também o Presidente Lyndon Johnson chamou em 1964 às suas políticas públicas de “Guerra contra a Pobreza” ( War on Poverty ), George W. Bush declarou a “Guerra contra o Terrorismo” ( Global War on Terrorism ) em 2001 e, mais recentemente, temos ouvido vários lídere...

mais revolução, não!

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 (publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis ) Cuba Libre Separados, gosto de um bom rum e por vezes também da Coca-Cola com gelo e limão. Vê-los juntos num Cuba Libre, nem tanto. A meu ver, reduz-se o que há de melhor num e noutro: perde-se a consistência suave do rum e tapam-se os seus aromas mais finos com os grosseiros duma cola que, entretanto, perdeu o seu gás e frescura. Mas quando oiço alguém a dar vivas a “la Revolución!”, o meu primeiro impulso é pedir um Cuba Libre. Tudo é melhor que a revolução, até essa mistura. É verdade que o Cuba Libre é mais antigo que Fidel e remonta ao fim da Guerra Hispano-Americana que em 1898 – ano traumático para Espanha – resultou na perda espanhola não só de Cuba como de Porto Rico e das Filipinas, além de outros territórios menores. Mas por causa da revolução de Fidel sessenta anos depois, a família Bacardi mudou o negócio para o estrangeiro e a empresa Havana Club foi nacionalizada, estando a Coca-Cola e a Pepsi proi...

a política portuguesa em 2 cartazes

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 (publicado originalmente no Observador  e também no Ingovernáveis ) Imagine um cartaz Carlos Moedas é o candidato apoiado por PSD, CDS e outros cinco partidos à Câmara Municipal de Lisboa. Irá enfrentar Fernando Medina, que presidiu à CML nos últimos seis anos e ainda não apresentou candidatura – apenas marcou posição ao dizer que José Sócrates “corrói a nossa vida democrática”. Nas últimas semanas, Moedas apresentou-se aos lisboetas num cartaz que podemos encontrar pela cidade. Aparece sem gravata mas de braços cruzados, deixando cair uma suposta formalidade para, involuntariamente, erguer outra barreira entre ele e nós. A fotografia não é tão boa que justifique que a sua cabeça saia da moldura do cartaz, mas é aceitável e o azul sempre transmite serenidade. O mais importante é aumentar o reconhecimento do candidato, missão cumprida. A mensagem é que não é ideal. “Lisboa pode ser muito mais do que imaginas” diz-nos várias coisas: O candidato quer tratar o eleitor por tu; Ele...

um mundo sem misericórdia

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(publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis )   por Alejandro Navas, Professor de Sociologia da Universidad de Navarra (Nota do tradutor: o processo da lei da eutanásia em Espanha acompanha no tempo e na forma o processo da lei da eutanásia em Portugal. A argumentação de Alejandro Navas é muito pertinente e aplica-se perfeitamente ao nosso caso.) A propósito de Heinrich Böll e o processo da lei da eutanásia em Espanha Voltamos a debater a eutanásia, no seguimento da tramitação do correspondente projecto de lei por parte do Governo Espanhol. Os argumentos são conhecidos. Voltou-se a sublinhar que essa práctica contradiz o  ethos  médico, tal como se formula desde Hipócrates: antes de tudo, não fazer dano. Consequentemente, curar, aliviar e consolar. Há razões de ciência e consciência para nos opormos à pretensão de converter o médico em carniceiro. Se nunca esta  praxis  se justificou, o recente desenvolvimento da medicina paliativa torna-a ...