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Um momento de temple

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(originalmente publicado no Jacaré ) Tempo Preso num horário e nas investidas arrítmicas das pessoas e dos acontecimentos na vida, arranjo espaço para templar.   Templar É mais do que o tempero e a temperatura do tempo. É mais do que  seasoning . Templar é moderar a vertigem do tempo e apreciar o que passa em câmara lenta. Não se trata de pôr um  frame  no  pause , mas de admirar devagar a sucessão dos acontecimentos, descobrindo a beleza dos pormenores, a verdade de pequenos aspectos, os traços de bondade das suas lições. Podemos templar na acção como na admiração. Templar é provar, sentir, aprender e guardar na memória. Templar é uma arte.   Peregrinação Nada nos dá maior temple do que a oração, caminhando pela natureza, notando as maravilhas da criação na companhia de pessoas que admiramos mais a cada passo que passa.   Eucaristia O altar onde nos encontramos com o Criador que encarnou para nos salvar, unidos ao seu sacrifício e Palavra.   Anim...

Retiro

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 9 de Junho de 2018) O dia-a-dia das grandes cidades absorve muito de nós. Quanto mais energia as cidades nos dão, mais no-la tiram. Luzes, chamadas, escolhas, impactos publicitários, tudo mediado por tecnologias, em doses cavalares e  non-stop . Stop! Vista do Monte Qingyuan 清源山 sobre Quanzhou 泉州, Fujian  福建 , China Quanzhou e Lisboa têm em comum uma riqueza rara que souberam manter: a montanha coberta de floresta e sobranceira à cidade. O monte Quingyuan ou a floresta de Monsanto convida-nos à valentia dum bom passeio a pé. As suas árvores purificam-nos os pulmões e abrigam-nos do sol e das chuvas. Ali podemos mergulhar no verde ou, olhando para trás, ver a cidade em perspectiva. Neste retiro, encontramos a distância silente que nos permite relativizar os problemas e deixa evidenciar o que é, nesta vida, essencial. Caminhemos então, e deixemos por um par de horas o carro, o telemóvel...

No meu tempo...

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(Originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 14 de Janeiro  de 2018) "No meu tempo..." - será que dizem todos a mesma coisa, os velhos? "No meu tempo é que era viver"; "no meu tempo é que era amar"; "que sabeis vós do que é a vida?" - à primeira vista, tudo lugares comuns. É um engano: embora pareça que os velhos dizem todos a mesma coisa, a única coisa que se repete é aquilo que os novos dizem sobre o que dizem os velhos! É que "no meu tempo" não é para se interpretar à letra e, mesmo que fosse, teriam dado conta que o tempo de que se fala não são os anos '40, '70 ou '90, pelos quais determinada geração de pessoas passou em jovem, mas sim o tempo em que aquela pessoa concreta viveu momentos extraordinários que recorda... Trata-se do "seu tempo", e não "o tempo deles"! Mas, ao viver agora, este tempo não é "seu" também? Bom, poderíamos concordar que s...

Insisto! - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 31.12.2016) Pela parte que me toca, este blogue corre o risco de virar mala. A probabilidade existe de facto e é forte. Não creio que este exercício venha a ter um impacto enorme, e se o tiver é depois de longos meses de árduo trabalho e um pouco de sorte. Olho para 2017 e o ano que aí vem desenha-se cheio de desafios a todos os níveis: familiar, pessoal, cultural e profissional. Ademais, tenho uma personalidade que tende para o conforto. Há motivos de sobra para esmorecer. E no entanto, insisto: vamos começar este blogue! Insisto, primeiro que nada, por causa dos meus companheiros desta aventura. O Luís Bessa Monteiro e o João Gonçalo Moreira Pires são velhos amigos, velhos no sentido da azinheira cuja madeira é rija como os seus valores, suas antigas raízes estão bem presas à realidade do chão e seus ramos bem espraiados em direcção a sonhos generosamente banhados pelo sol e por vezes também por...

os dois fins do casamento - Michel Schooyans

Nota de trabalho sobre Os dois fins do casamento por Monsenhor Michel Schooyans Professor emérito da Universidade de Louvain Louvain-la-Neuve, Bélgica, Março 2015             A segunda sessão do Sínodo sobre a família está próxima.  Por ocasião dessa sessão serão rediscutidas três questões entrelaçadas: aquelas da união conjugal, do casamento e a família. Chegamos de fato a uma época da história da humanidade na qual, sem dúvida pela primeira vez, assistimos a um questionamento radical do casamento e da família.  O alvo visado é o casamento e a família, com a sua dupla finalidade: o fim unitivo e o fim procriativo da união do homem e da mulher.  Sua destruição desemboca na desagregação de toda a sociedade humana.  É toda a família humana que é agora atacada, abalada, desnaturada pela ação de correntes ideológicas hostis. Fabricar crianças?       ...

um Santo Natal e Feliz 2012

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A Conspiração das Teorias deseja a todos os seus leitores um Santo Natal (não acaba) e um ano de 2012 muito feliz. Aproveitamos esta época para remodelar completamente o aspecto d'A Conspiração. Espero que seja para melhor. E finalmente, dos vários vídeos de Natal que houve neste ano, este é o que destacamos. Um dos relatos mais repetidos ao longo dos tempos, de geração para geração, é a história do nascimento de Jesus. Um bom storytelling de Natal mostra a história verdadeira, dá esperança, é divertido, mas respeita e não faz troça. Este vídeo foi feito pelos neo-zelandeses da SPAM - St. Paul's Arts and Media e está francamente bem feito. Festas Felizes!

a história de Asia Bibi

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Asia Bibi é o nome de uma jovem cristã paquistanesa que está condenada à morte por ter bebido água de um poço. Será possível? É possível e foi isso mesmo que aconteceu, Asia bebeu água de um poço e não podia porque era cristã. Numa manhã de trabalho na província do Punjabe, Paquistão, várias mulheres apanham bagas no campo. Uma delas é cristã e chama-se Asia Bibi, e as outras mulheres são muçulmanas. Asia recebe um salário menor do que as muçulmanas, mas não estranha isso nem protesta, é uma prática normal naquela zona do mundo e ela está habituada. Ao meio-dia está um calor que chega aos 45º. Asia Bibi aproxima-se do poço e bebe umas canecas de água para recuperar forças. Uma das mulheres repara e diz alto para as outras: - Oiçam todas, esta cristã conspurcou a água do poço ao beber pelo nosso copo, e ao mergulhá-lo na água por diversas vezes. Agora a água está impura! Já não a podemos beber, por causa dela! Asia, sentindo-se injustiçada, respondeu: - Penso que Jesus teria um ponto de...

grandes fotografias políticas (IV)

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Para além da expressão nas caras, o que têm estes políticos em comum? Têm em comum que traíram as suas mulheres, tentaram esconder os seus comportamentos, e mentiram ao povo. Negaram primeiro, inventaram alibis e mentiram. Enfrentaram processos para serem demitidos. Finalmente, só perante a certeza das provas apresentadas das suas infidelidades e perante o mais que provável fim da carreira política, apresentaram desculpas públicas às suas mulheres e aos eleitores. Da direita para a esquerda e de cima para baixo: Anthony Weiner (Congressista de Nova Iorque), James McGreevey (ex-Governador de Nova Jérsia), Eliot Spitzer (ex-Governador de Nova Iorque), John Ensign (ex-Senador do Nevada), Bill Clinton (ex-Presidente dos EUA), e Eric Massa (ex-Congressista de Nova Iorque). A expressão em todas estas caras exibe culpa, vergonha, tristeza e desapontamento face às circunstâncias. Mais que isso, há neles desgosto e raiva por verem uma carreira que tanto trabalho lhes deu a construir, cair na la...

a não perder

- Uma excelente proposta para enriquecer o ano de 2010: Parar Para Pensar . Muito bom! -

felicidade triste

- Quem inventou que triste não é feliz? Quem não é feliz é infeliz, que é muito diferente de se ser triste! A tristeza, por exemplo, costuma até ser bela - coisa que a infelicidade nunca é. Qualquer português pode e deve ser feliz, mas... sendo português, nunca deixará de ser triste. É uma e outra coisa, sem prejuízo para ambas. Um pouco ao jeito do contentamento descontente pelo Poeta cantado. -

d'a arte de ser português

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- - - Sim: o bom português necessita de conhecer e comungar a alma pátria, a fim de se guiar por ela, no seu labor. Depois legislará, reformará ou criará literária e artisticamente uma obra duradoura e útil. - - in "A Arte de Ser Português", de Teixeira de Pascoaes (1877-1952) -

Paulo "Guga" Teixeira Pinto (1986-2008)

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- - Um ano. Até sempre, meu grande amigo . s -

solo se vive una vez

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Quem vive amores impossíveis compreende melhor aqueles que acreditam na reencarnação. "Noutra vida teríamos resultado", dizem, convencem-se e, por fim, se conformam. Isso enquanto silenciam as palavras sábias das pacenses Azúcar Moreno - solo se vive una vez!

pela ética da convicção, contra o voto útil

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- Um dos melhores filmes que conheço é o Reino dos Céus ( Kingdom of Heaven - 2005), dirigido por Ridey Scott e escrito por William Monahan. O facto de ser um romance histórico, e a necessidade de tornar a narrativa mais cativante e cinematográfica, não garantem precisão histórica, mas em todo o caso esta é uma excelente história que Ridley Scott nos conta. Tendo como pano de fundo a reconquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, vemos os extremistas de parte a parte a incitar à guerra que lhes interessava por "vontade de Deus". Este filme tem uma riqueza de conteúdos que permite ser o ponto de partida de várias discussões filosóficas e morais, mas hoje interessa-me aqui citar uns diálogos do "Reino dos Céus" que bem ilustram as éticas de Max Weber em confronto: a "ética da convicção" versus a "ética da responsabilidade". - Rei Balduíno IV (R) - Decidimos que deverá tomar comando do exército de Jerusalém. Se eu deixar o exército com o Guy, e...

ensaio para uma reabilitação da raça

- As palavras têm vida própria. Surgem da necessidade de definir uma coisa ou de expressar uma ideia ou sentimento. Podem constituir-se de sons que têm foneticamente a ver com a coisa expressa (como o c’ÃO, que lembra o seu ladrar), ou podem ser construídas de forma mais lógica e racional. Uma coisa é certa, quando a palavra se forma parece ser esse o seu momento mais representativo da realidade que pretende ilustrar. E a partir daí, a palavra entra numa espiral descendente e sem retorno, em que não mais pára de se corromper, até ficar tão distante do objecto que é pelas gentes abandonada e cai em desuso. Se não morre, a expressão fica no mínimo moribunda, aguardando que alguém dela se recorde e a recupere. - Uma das velhinhas palavras que parece estar pela hora da morte é “raça”. Pudemos diagnosticar um sintoma dessa fatalidade no ano passado, no dia de Portugal e de São Camões. No seu discurso, o Presidente da República tentou reabilitar o termo e invocou o “dia da Raça”, como outror...

o dia da renovada esperança

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- Em tempos de crescente desânimo, uma antiga notícia é hoje especialmente bem-vinda, como todos os anos o é neste dia: a anunciação. Exactamente 9 meses antes do Natal, é a 25 de Março que a esperança da salvação começa a ganhar contornos reais. Por mais Judas e Pilatos que haja, por entre Herodes e Invernos (tanto os naturais como os económicos, demográficos ou de valores), do frio sai a Primavera e com ela renasce o amor, a fé, a esperança. Avé Maria, cheia de graça! -

fome, e uma correcção

- Estranhei o bairro do Montijo chamar-se Braço de Prata, como o de Lisboa, ao lado do Beato. Afinal não é. De facto, trata-se da Quinta da Fonte da Prata, mais concretamente na cidade da Moita. Tudo o resto está certo. - A comunidade apoia, através da Caritas Diocesana de Setúbal e do Centro Paroquial, cerca de 200 famílias com grandes e graves carências económicas , diz uma carta de 4 de Março, das Irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Mas, este ano, aumentou muito o número de pedidos de inscrição para ajuda alimentar, de tal forma que estas instituições não estão a conseguir satisfazer as necessidades básicas alimentares de muitas famílias. - Os bens mais necessários são óleo, azeite, açúcar, leite, enlatados (salsichas e atum) e arroz. A entrega pode ser feita no Colégio das Escravas, em Lisboa, de 2ª a 6ª (das 8h00m às 19h00m), nas Missas de Domingo, ou directamente no local, nas instituições referidas. - Achamos horrível quando nos mandam fotografias que mostram a fome em Á...