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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Um momento de temple

(originalmente publicado no Jacaré)

Tempo

Preso num horário e nas investidas arrítmicas das pessoas e dos acontecimentos na vida, arranjo espaço para templar.

 

Templar

É mais do que o tempero e a temperatura do tempo. É mais do que seasoning. Templar é moderar a vertigem do tempo e apreciar o que passa em câmara lenta. Não se trata de pôr um frame no pause, mas de admirar devagar a sucessão dos acontecimentos, descobrindo a beleza dos pormenores, a verdade de pequenos aspectos, os traços de bondade das suas lições. Podemos templar na acção como na admiração. Templar é provar, sentir, aprender e guardar na memória. Templar é uma arte.

 

Peregrinação

Nada nos dá maior temple do que a oração, caminhando pela natureza, notando as maravilhas da criação na companhia de pessoas que admiramos mais a cada passo que passa.

 

Eucaristia

O altar onde nos encontramos com o Criador que encarnou para nos salvar, unidos ao seu sacrifício e Palavra.

 

Animais

Bodeguero, o segundo toiro que Morante de la Puebla lidou em Sevilha no primeiro dia de Maio, com capotazos memoráveis e cheios de temple. Um cão deslumbrado com o eco do seu ladrar num parque de Miraflores. Um pombo-correio perdido, ao qual dei de beber no Ribatejo. A mesma situação com um melro recém-nascido em pátio de Lisboa. O efusivo encontro com o agaponi que sempre nos espera. A borboleta que voa mais alto que as altas copas das árvores altas. A águia que sobe uma montanha de ar e leva uma cobra que se retorce no bico. A gaivota poisada junto à chaminé da Capela Sistina.

 

Fumo

O charuto de Morante e o cachimbo do poeta: o fumo da arte.

A central do Carregado que voltou a queimar: o fumo da energia.

Os incêndios que se anunciam em Portugal – o fumo da morte.

As bombas em Gaza, na Ucrânia e em Cachemira – o fumo da guerra.

O fumo branco que anuncia a chegada de Leão XIV – o fumo da paz.

 

Encontros

O apressar para a reunião; uma despedida mais demorada; o vagar de uma boa conversa; o despachar atabalhoado quando não apetece; a desilusão; o corte; o comboio que se foi; o semáforo que caiu; as acções em queda livre; as acções em recuperação lenta; uma carta que chegou; duas cartas que se enviou; a lembrança do amigo que se esqueceu; a irmã que telefonou; o irmão que quis saber; a árvore derrubada pelo vendaval; a confissão; e os pais no coração.

 

Família

Mulher e filhos, tão bons. Um sonho! O que posso querer mais?

 

Tempo

Toca o despertador, acabo o parágrafo e fecho o livro. Meto-me a caminho, levanta-se o pó e esfuma-se o fumo. Muda o ritmo, adapto o temple. Dou graças a Deus e peço-Lhe dias melhores.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Retiro

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 9 de Junho de 2018)

O dia-a-dia das grandes cidades absorve muito de nós. Quanto mais energia as cidades nos dão, mais no-la tiram. Luzes, chamadas, escolhas, impactos publicitários, tudo mediado por tecnologias, em doses cavalares e non-stop. Stop!

Vista do Monte Qingyuan 清源山 sobre Quanzhou 泉州, Fujian 福建, China

Quanzhou e Lisboa têm em comum uma riqueza rara que souberam manter: a montanha coberta de floresta e sobranceira à cidade. O monte Quingyuan ou a floresta de Monsanto convida-nos à valentia dum bom passeio a pé. As suas árvores purificam-nos os pulmões e abrigam-nos do sol e das chuvas. Ali podemos mergulhar no verde ou, olhando para trás, ver a cidade em perspectiva.

Neste retiro, encontramos a distância silente que nos permite relativizar os problemas e deixa evidenciar o que é, nesta vida, essencial. Caminhemos então, e deixemos por um par de horas o carro, o telemóvel e o relógio. Aproveitemos para reformular prioridades! Descansemos um pouco na paz de Deus...

No fim da volta, tornados à confusão da urbe, trazemos na memória uma moldura verde que tudo filtra e embeleza.

domingo, 21 de janeiro de 2018

No meu tempo...

(Originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 14 de Janeiro de 2018)


"No meu tempo..." - será que dizem todos a mesma coisa, os velhos? "No meu tempo é que era viver"; "no meu tempo é que era amar"; "que sabeis vós do que é a vida?" - à primeira vista, tudo lugares comuns. É um engano: embora pareça que os velhos dizem todos a mesma coisa, a única coisa que se repete é aquilo que os novos dizem sobre o que dizem os velhos!

É que "no meu tempo" não é para se interpretar à letra e, mesmo que fosse, teriam dado conta que o tempo de que se fala não são os anos '40, '70 ou '90, pelos quais determinada geração de pessoas passou em jovem, mas sim o tempo em que aquela pessoa concreta viveu momentos extraordinários que recorda... Trata-se do "seu tempo", e não "o tempo deles"!

Mas, ao viver agora, este tempo não é "seu" também? Bom, poderíamos concordar que sim só por respeito à coerência do pensamento. Mas "no meu tempo" é uma fórmula poética que remete para memórias que só quem narra conhece, e apenas ele saberá caso entretanto avalie que o revirar de olhos do jovem que o ouve não merece mais escuta.

E vou ser um pouco mais inconveniente ainda: o tempo nem sequer a nós pertence. Quando usamos relógio, podemos ter a ilusão que o controlamos, mas não é por parar o relógio que o tempo deixa de escapar na sua cadência própria, indiferente às nossas vontades de o apressar, retardar, parar, reviver ou saltar. Nesse aspecto, a vida é mais simples na sua complexidade que o simplismo complicado de uma box de televisão, onde tudo se soluciona e comanda pressionando os símbolos:


O tempo a Deus pertence. Aulo Gélio dizia que a verdade é filha do tempo - veritas filia temporis -, talvez  como quem diz que a verdade virá ao de cima como o azeite na água. Mas a verdade já o era antes do tempo passar e, quanto muito, o tempo apenas permitiu que a verdade fosse conhecida. Pelo contrário, o tempo é filho d'Aquele que é a Verdade, bem como o Caminho e a Vida. Deus é o único Senhor dos tempos, nós só fazemos o que podemos no tempo de que dispomos.

"No meu tempo" é, assim, a tal forma poética que indica não um tempo que me pertenceu, mas os fragmentos da memória dum tempo extraordinário que vivi e que guardo e cuido no cofre do meu coração.

"No meu tempo..." - dirão todos a mesma coisa, os velhos? Nada disso, antes pelo contrário! Cada velhinho está a dizer uma coisa bem diferente, muito valiosa e, mais que rara, única. Se porventura duvidardes, "voltamos a falar daqui por uns tempos"...

segunda-feira, 20 de março de 2017

Insisto! - JPVM

(Texto originalmente publicado no "Jacaré parado vira mala" no dia 31.12.2016)


Pela parte que me toca, este blogue corre o risco de virar mala. A probabilidade existe de facto e é forte. Não creio que este exercício venha a ter um impacto enorme, e se o tiver é depois de longos meses de árduo trabalho e um pouco de sorte. Olho para 2017 e o ano que aí vem desenha-se cheio de desafios a todos os níveis: familiar, pessoal, cultural e profissional. Ademais, tenho uma personalidade que tende para o conforto. Há motivos de sobra para esmorecer.

E no entanto, insisto: vamos começar este blogue! Insisto, primeiro que nada, por causa dos meus companheiros desta aventura. O Luís Bessa Monteiro e o João Gonçalo Moreira Pires são velhos amigos, velhos no sentido da azinheira cuja madeira é rija como os seus valores, suas antigas raízes estão bem presas à realidade do chão e seus ramos bem espraiados em direcção a sonhos generosamente banhados pelo sol e por vezes também por alguma chuva. Insisto porque todos os dias me deparo com injustiças, barbaridades que se dizem e fazem e – factor decisivo – que invadem a minha esfera de privacidade para a diminuir ou mudar sem o meu consentimento, beliscando ou até ferindo a liberdade com que eu e os meus fomos concebidos. Insisto porque alguém deve olhar para certas euforias utópicas dos nossos políticos e dizer: “o rei vai nú!”

Insisto porque, como crente que sou, sei que só Deus é perfeito e tenho verdadeira esperança na vida eterna; e por isso mesmo tenho muita cautela com os recorrentes optimismos exacerbados acerca da vida terrena, principalmente com aqueles que nos prometem mundos e fundos em troca de votos e que invariavelmente nos deixam a correr atrás do prejuízo. Insisto porque sei melhor que o Estado o que fazer com a minha vida e com o dinheiro que tenho e ganho. Insisto porque concordo com o Presidente Coolidge que dizia ser “mais importante bloquear as leis más do que passar as boas”. Insisto porque os princípios da vida não devem ser postos em causa e há valores que não são para serem postos à margem da sociedade. Insisto porque a arte deve continuar a ser bela. Insisto porque o dinheiro deve ser real, pois só assim pode servir o Homem. Insisto porque gosto de falar dos prazeres do dia-a-dia.

Em suma, insisto porque me apetece e vejo utilidade em deixá-lo escrito. Porque insisto em transmitir aos meus Filhos o testemunho que recebo de meus Pais. E nesse entretanto, demos vida ao Jacaré!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

os dois fins do casamento - Michel Schooyans

Nota de trabalho sobre

Os dois fins do casamento

por Monsenhor Michel Schooyans
Professor emérito da Universidade de Louvain

Louvain-la-Neuve, Bélgica, Março 2015


            A segunda sessão do Sínodo sobre a família está próxima.  Por ocasião dessa sessão serão rediscutidas três questões entrelaçadas: aquelas da união conjugal, do casamento e a família. Chegamos de fato a uma época da história da humanidade na qual, sem dúvida pela primeira vez, assistimos a um questionamento radical do casamento e da família.  O alvo visado é o casamento e a família, com a sua dupla finalidade: o fim unitivo e o fim procriativo da união do homem e da mulher.  Sua destruição desemboca na desagregação de toda a sociedade humana.  É toda a família humana que é agora atacada, abalada, desnaturada pela ação de correntes ideológicas hostis.



Fabricar crianças?

         A mais evidente dessas correntes complexas é a corrente hedonista  que, na união conjugal, separa o fim unitivo do fim procriativo.

         Por um lado, essa corrente exalta unilateralmente certos modos de ação e de comportamentos unitivos no casal, excluindo os comportamentos procriativos.  A dimensão unitiva insiste no prazer e no individualismo hedonista e utilitarista.  Vejam o que acontece com a contracepção.  Não há mais abertura ao outro, não há mais reconhecimento da identidade do outro, da diferença que me distingue do outro.  Cada um quer fazer aquilo que tem vontade de fazer.  É o recuo identitário do mesmo sobre ele-mesmo: a contracepção tranca a relação com o outro.

         Por outro lado, a dissociação, a separação entre os dois fins do casamento, escancara a porta à exaltação unilateral da finalidade  procreativa, excluindo os efeitos unitivos.  Considera-se então que suscitar a vida é uma questão de técnicas e que o enlace amoroso entre homem e mulher não tem nada a ver com isso.

         Esses comportamentos unitivos e essas técnicas procrativas podem eventualmente ser controlados pelos poderes públicos.  No limite, corremos o risco de logo nos encontrarmos em uma sociedade onde não haverá mais lugar para um amor responsável.  Se for o caso, os pais serão despojados de toda autoridade, de todo direito e de todo dever diante de suas crianças.  Porque não poderiam estas serem confiadas à educação, a qual aliás os poderes públicos se arrogam o monopólio?

         A dissolução voluntarista dos dois fins da união conjugal é o ponto focal tocado em 1968 pela encíclica Humanae vitae (ver o número 12), pela exortação sinodal Familiaris consortio (1981) e por numerosos documentos magisteriais entre os quais a instrução Donum vitae (1987) e o estudo Família e procriação humana (2006).  Se chegarmos a separar os dois fins da união conjugal, e do casamento que sela essa união, tudo pode resultar dessa dissociação provocada e radical.

         Uma vez que exaltamos unicamente o fim unitivo, rapidamente chegamos a toda sorte de práticas sexuais: homossexualismo, lesbianismo, fornicação, etc.  Não há mais lugar para a fidelidade, pois o que importa unicamente é o prazer, o interesse de cada indivíduo.  Esse homem não é mais uma pessoa, um ser capaz de se abrir livremente a uma outra pessoa; é um indivíduo que busca seu próprio gozo.

         Se ao contrário exalta-se unicamente o fim procriativo, chega-se a outras consequências, entre as quais, por exemplo, a procriação medicamente assistida, a gestação por terceiros, a tecnização da transmissão da vida a ponto de chegarmos à modificação genética do ser humano.  O homem não se constrói mais em um lar de amor.  Não há mais maternidade, nem paternidade; por conseguinte, não há mais filiação nem consangüinidade. Com a chegada do anunciado útero artificial, logo não será mais necessário que a mulher abrigue uma criança em seu seio.

         Todos esses processos são evidentemente o resultado de experimentos longos e complexos.  Os abortos fazem-se “necessários” para resolver os “insucessos”.  Um exemplo de insucesso?  A intolerável chegada de um ser que não se quer, precisamente em nome da exaltação unilateral do fim unitivo.  Assim, os embriões produzidos in vitro e depois implantados serão seguidos de perto durante sua gestação.  Se anomalias forem assinaladas, serão abortados.  Lembremos aqui que os casos em que se assinalam anomalias são mais frequentes nas fecundações in vitro do que nos casos de fecundações naturais.  Por outro lado, um número excedente de embriões é especialmente “inevitável” para a experimentação com células tronco embrionárias.

         Sob a pressão das ideologias hedonistas, crianças são geradas proporcionalmente aos prazeres dos parceiros, às necessidades da sociedade, tais como estas são definidas pelos “sábios”, por economistas, por demógrafos, por políticos ou por tecnocratas com forte impregnação ideológica.  A seleção está inscrita nessa tecnização; está na lógica da ideologia liberal selecionar: o produto deve ser impecável, senão será enviado ao descarte.   Conhecemos a seleção racial; aqui o que conta, é a seleção política, econômica, a qualidade do produto fabricado.  O homem e a mulher se alienam: transferem para máquinas e para encubadeiras a fabricação de crianças.  Eventualmente a criança, o produto fabricado, poderá ser comprado, vendido ou escolhido em catálogo.

         Assim como deve haver o aborto “seguro”, deverá também haver a procriação “segura”.  É preciso “liberar” a mulher de sua capacidade de procriar porque a procriação natural é muito arriscada.  Atualmente, muitas mulheres não têm filhos porque a procriação é tida como não-segura.

         Assim, abre-se o caminho ao prolongamento de uma vida gozosa e livre das constrições conjugais e parentais.  A transmissão da vida não se fará mais segundo uma perspectiva humana; ela obedecerá a planejamentos ideológicos.  Enfim, na outra ponta da vida, teremos em breve a eutanásia de massa.



O que está em jogo no trans-humanismo.

         Esses são alguns dos pontos em jogo e que podemos observar nos debates atuais sobre o trans-humanismo: as novas técnicas – asseguram-nos – oferecem aos homens meios que permitem dispor dos corpos e fabricar super-homens.  Desculpem a modéstia! Resumindo, assistimos à impulsão de um novo eugenismo e mais precisamente à construção de novas espécies “humanas” modificadas geneticamente e hibridificadas com máquinas.  Uma tal hibridização entre o corpo vivo e a matéria morta é irreversível.  Assistimos à destruição irreversível da integridade do corpo humano.  Decididamente, a cultura da morte se espalha por toda parte... 

         Hoje em dia, mesmo em certos estabelecimentos hospitalares que se dizem católicos, praticam-se intervenções tais como o aborto, as procriações medicamente assistidas, as pesquisas com embriões, sem esquecer a eutanásia, etc.  Quantas vozes, no laicato, o clero e no episcopado, erguem-se em um convite a se reconsiderar essas práticas?  Diante desse mutismo, é preciso fazer valer o caráter indissociável entre os fins da união conjugal e o casamento.  Com efeito, é a separação entre os dois fins que escancara a porta aos múltiplos desvios que hoje conhecemos.  Os efeitos perversos da separação entre os dois fins do casamento vão muitíssimo além da esfera íntima onde essa separação tem início.  Aqueles que atacam à Humanae vitae, à Familiaris consortio, à Donum vitae e aos outros documentos magisteriais devem ter farejado que, no ensinamento da Igreja não basta destacar porque a Igreja recusa a contracepção e o aborto, nem porque a Igreja recusa a ideologia do gênero; essa ideologia não é senão um dos avatares da dissociação de que tratamos.  É preciso então colocar em evidência que uma vez admitida a separação entre os dois fins da união conjugal, abrem-se sem nenhuma rede de segurança todas as possibilidades oferecidas pelas técnicas e asseguradas pelo direito,.

         Quanto aqueles que, na Igreja, batalham para que esse cisão seja admitida, devem saber que correm o risco de provocar um cisma do qual deverão prestar contas a Deus e aos homens.



O Terror, ontem e hoje

         A discussão aqui travada não diz respeito unicamente aos cristãos de hoje e seus adversários.  As correntes individualistas que se encontram  na origem dos desvios que acabamos de evocar, desenvolveram-se inicialmente na Inglaterra, sempre líder intelectual nessas matérias, depois nos Estados Unidos, estrategistas do eugenismo mundial e país onde os médicos fazem morrer, sem que isso suscite discussão.  Em igual medida, essas correntes se difundiram a partir da Alemanha.  Recordemos ao menos que foi nesse país que se difundiram e foram postas em prática as ideologias celebrando o racismo e o eugenismo, bem como a eutanásia.

         Ora, essas mesmas correntes desenvolveram-se sobretudo na França a partir do Século das Luzes.  É a partir da França que se forma, se desenvolve e se exporta uma poderosa corrente exaltando o indivíduo, o “sujeito”, sua razão, sua liberdade, seu direito ao prazer, suas paixões.  A França tornou-se a portadora mundial da tocha da laicidade republicana.  Segundo diferentes impostações, a religião revelada é rejeitada. O homem progride, garantem-nos, apoiando-se tão somente na sua razão e na sua experiência; deve-se dar lugar à religião civil ou ao ateísmo.  As paixões devem estar ordenadas à maximização do leque de voluptuosidades.  O direito ao prazer erótico, levado certas vezes ao paroxismo do direito a destruição, é reivindicado e confortado pela rejeição de Deus.  De seu calabouço, ao divino marques não faltou audiência e conseguiu garantir sua posteridade.

         Ora, após ter-se matado Deus ou agindo como se Deus não existisse, torna-se difícil encontrar um fundamento ao direito.  É essa uma das maiores dificuldade do iluminismo, versão francesa.  Desde o século XVIII, uma fração significativa e atuante da intelligentsia francesa esforçou-se, em nome da liberdade, de dar ao Terror um lugar na vida pública.  Com uma obstinação acachapante, os manuais de história politicamente corretos transmitem de geração em geração a vulgata revolucionária.

         Não obstante, impõe-se uma revisão dessa vulgata, ainda que essa revisão seja perturbadora.  A mídia e a opinião pública recentemente ergueram-se, e com razão, face às decapitações e outros atos de barbárie ocorridos na área de influencia do islã integrista.  Porém, é desonesto ocultar, como se faz nas arengas politiqueiras e nos manuais escolares, que foram os senhores da guilhotina a guilhotinar em série e a exportar sua técnica aprimorada.  Esse desvio cruel observa-se ainda hoje.  Orgulhosos de sua ascendência voltairiana, as forças da laicidade agitam como lúgubre troféu a marca de 200.000 abortos por ano na França.  O terrorismo revolucionário instalou-se de modo duradouro, em nome da liberdade.  Querendo ir muito além do necessário, a França não deixa passar a ocasião de se autoproclamar “Pátria dos Direitos do Homem”, um erro histórico grosseiro mas útil à causa de um messianismo arrogante.



A questão do mal, hoje

         Na atual situação, a questão do mal se coloca como jamais se colocara antes.  É verdade que há tentativas notáveis de se analisar o mal tal como se apresentou nas grandes ideologias totalitárias do século XX.  Frequentemente se invocou uma perturbação da razão.  Mas hoje, em nome de uma perversão da verdade, desde já desnorteada, somos confrontados a uma tentativa sem precedentes na história da humanidade: aquela de destruir a própria humanidade, de destruir a capacidade que o homem tem naturalmente: a capacidade de amar. Recusa de tomar consciência do plano de Deus para o homem!  Essa destruição leva por fim à destruição do corpo do homem pela destruição irreversível de sua integridade genética.  É o maior drama da história da humanidade.

         Não faz muito tempo, Hilary Clinton pediu a ONU que o direito ao aborto fosse proclamado em escala universal.  Vejam a perversão que espreita o direito: como podemos reduzir um ser humano a um objeto do qual se pode dispor até a destruição?  Um ser humano é para ser acolhido, respeitado: não é objeto de um direito; os juristas dizem que ele não está disponível.  Eu tenho direito de comprar pão, um automóvel ou uma casa.  Mas não tenho direito, eu que sou um ser humano, de matar alguém de eliminar outro ser humano.  Ora, a partir da dissociação entre os fins, não importa o que passa a ser não somente legalizável, mas até mesmo legal; o próprio direito se vê desnaturado.  No torvelinho dos acontecimentos, a medicina é também pervertida, uma vez que em lugar de procurar curar,  melhorar a saúde,  suavizar os sofrimentos, consente em se colocar a serviço da morte, tanto antes quanto depois do nascimento.  Na Bélgica, por ocasião do debate sobre a eutanásia de crianças (em 2014), legiferou-se: a lei passou sem problemas; não houve senão alguns protestos, enquanto que, o que está em jogo em todos esses debates é o próprio futuro da humanidade.



Proteger a moral natural

         Todas essas questões novas não podem ser resolvidas por uma casuística como esta aqui: “Em tal caso pode-se abortar, em tal caso não se pode; em tal caso se pode praticar eutanásia, em tal outro não”.  Limitamo-nos a decidir casos pontuais de consciência sem nos referirmos aos princípios fundamentais da moral.  Essa casuística é de certo modo precursora da moral de situação.  O que é preciso é ir verdadeiramente à origem do problema e reencontrar, na destruição dos fins do casamento, as raízes da ação de Satã, hoje, na história da humanidade e no coração dos homens.

         Convém ainda acrescentar uma reflexão a propósito da casuística que viemos de mencionar.  A Igreja se encontra em uma situação espantosa.  Altos prelados, vindos sobretudo das nações opulentas, se empenham em introduzir modificações na moral cristão referente aos divorciados-recasados e a outras situações problemáticas das quais algumas delas foram citadas aqui.  Esse Guardiões da Fé não deveriam contudo perder de vista que o problema fundamental colocado pela destruição dos dois fins do casamento é um problema de moral natural.  É no plano natural que o homem e a mulher são chamados a se unirem para testemunharem o afeto e para procriarem.  É essa a realidade natural que o Senhor elevou à dignidade de um sacramento.  Diante das potencias que abalam atualmente a família, a Igreja deveria descobrir sua vocação de ser a única instancia à altura de salvar a sexualidade humana e a instituição natural do casamento e da família.  Não se trata apenas de salvar a moral cristã; é preciso salvar e proteger a moral natural.  Não é possível que, por meio de procedimentos casuísticos capciosos, católicos de todos os estratos e de todas as idades contribuam à destruição da moral natural.  Os grandes desvios surgiram quando certos intelectuais católicos começaram a dizer e a escrever: “Sinal verde para o aborto, para as uniões homossexuais, para a eutanásia, etc.”.  Ora, a partir do momento em que os católicos surfam essa onda fatal, contribuem para a destruição da instituição natural do casamento. É toda a comunidade humana que se vê cindida com essa nova “traição dos clérigos”.

         Vale a pena levantar aqui uma questão chave: o Magistério da Igreja é competente para modificar a moral natural?  Uma redução da moral natural a uma moral puramente casuística leva certos teólogos e certos pastores a caucionarem a redução do direito fundado na natureza do homem.  Por ocasião de um processo recente e muito divulgado pela mídia, comentou-se repetidamente que o direito nada tinha a ver com a moral.  A partir daí, não há direito senão o direito puramente positivo, originário da vontade isolada do legislador.  Nesse ultimo caso, não há mais direito que fosse inato ao homem pelo simples fato de ser homem.  Não haveria senão os direitos definidos pelas instancias politicas nacionais, internacionais e mundiais.  É de se ter calafrios pensar que a generalização de um direito assim prenunciasse a instauração de uma sociedade “global”, isto é mundial, teleguiada pela vontade dos mais fortes.

         Resumindo, em vez de proteger a célula familiar da sua detonação, da sua fissura, o próprio direito se coloca a serviço da destruição da pessoa e da família.  O papel do direito não é, ao contrário, proteger o núcleo conjugal, familiar e os frutos que dele decorrem, a saber, os filhos?



A recepção dos ensinamentos pontificais

         O beato Paulo VI conheceu incompreensão e rejeição quando da publicação da encíclica Humanae vitae, encíclica que o fez tanto sofrer, antes como depois de seu aparecimento.  Dissera: “Vocês ainda me agradecerão por ter publicado esse documento”.

         São João Paulo II retomou esse ímpeto profético com seu engajamento em favor dos mais pobres e dos mais vulneráveis.  Daí seus repetidos apelos para que se pusesse um fim à banalização do aborto e à sua legalização.  Nas intervenções posteriores de João Paulo II, foram examinadas outras questões cruciais.  O papa aborda ali, entre outras,  as politicas de controle de nascimentos, especialmente nos países do terceiro mundo.  Menciona também o aumento da esperança de vida do nascituro, principal causa do envelhecimento da população, envelhecimento que por sua vez, é invocado com vistas à legalização da eutanásia.  Estamos portanto diante de um conjunto de problemas emaranhados aos quais as pessoas estão mais e mais atentas, ainda que estejam frequentemente pouco ou mal informadas, como mostram as discussões nos países ocidentais sobre as adequações a serem feitas na idade da aposentadoria.

         São João Paulo II exprimiu no rosto, no seu comportamento, sua ação, seus discursos, pelas suas encíclicas, por toda sua maneira de ser que foi um mediador entre Deus e os homens.  Em todo lugar que foi no mundo, foi percebido como um enviado de Deus, mesmo entre os não cristãos.  Era um ícone vivo de Deus entre os homens.   Deu aos homens a confiança  necessária para que as pessoas se engajassem no serviço à vida e à família.  São João Paulo II é o papa que terá salvado a família, que terá salvado incontáveis vidas humanas com a potencia da sua palavra.  Desse ponto de vista, São João Paulo II aparece no primeiro plano das figuras carismáticas da Igreja contemporânea.  Tinha efetivamente um contato extraordinário com os homens, as mulheres, as crianças de todos os meios.  Mas aquilo que mais nos retém a atenção, é sua determinação em salvar a vida e a família.  Ele mobilizou as pessoas e os  casais suscitando-lhes a audácia de lançarem-se à aventura de serem pais, de acolherem a vida, de serem profissionais da ternura.

         Será preciso que a Igreja retorne à Humanae Vitae de Paulo VI, bem como aos ensinamentos de João Paulo II e de Bento XVI sobre essas questões.  O papa Francisco permanece na trilha de seus predecessores cada vez que sublinha a coincidência entre o Evangelho do amor e o Evangelho da alegria.  Será preciso fortalecer o peso magisterial  de todo esse ensinamento, colocar em relevo sua coerência  e proteger esse tesouro contra os predadores.



A conversão do coração

         Não é pretendendo modificar o homem ou “melhorá-lo” por meio de técnicas arriscadas que se irão elevar os indicadores de justiça, de bem estar e de felicidade.  As  técnicas disponíveis atualmente se lançam rumo a lugar nenhum; cedem o leme ao sonho.  A utopia está em vias de assumir o comando do mundo mas não resultará em nada.  Ela necessita da ideologia para convencer o homem da “legitimidade” da transgressão.  As utopias cientificistas ou politicas de hoje não fazem senão espelhar a enésima sociedade ideal.  Pretendem que para alcançar esse fim seja preciso modificar o homem ou reconstruí-lo.  Sem essa modificação do homem, a construção da sociedade ideal estará bloqueada.  Segundo essa lógica, os cristãos serão desprezíveis se recusarem aderir a esse projeto; devem ser perseguidos.

         Ora, o homem de hoje deve se libertar dessas armadilhas ideológicas que o confinam em novas escravidões.  O que é preciso é restaurar o respeito devido ao homem.  É preciso chamar o homem à conversão do coração para que possa abrir-se aos valores verdadeiros e engajar-se no seu serviço.  Essa restauração do homem implica uma etapa preliminar: é preciso desmascarar as armadilhas prometeicas e tornar manifesto o peso de pecado que elas injetam em nossas sociedades.  Será preciso também adotar uma visão prospectiva da sociedade e da biosfera, pois as duas, homem e biosfera, só serão salvas juntas.

         Essa reapropriação do homem por ele mesmo permite que se tomem hoje medidas em função da sociedade que se quer construir.  É o que nos ensinou a prospectiva.  Cristã ou não, a moral não pode mais se satisfazer com a previsão que vê no futuro uma simples extrapolação do presente.  De fato, no caso da previsão, o futuro previsto está determinado; ele escapa à responsabilidade moral.  A prospectiva por sua vez, considera que esse futuro a se construir não é o objeto de um sonho; é ele que determina o presente e faz da decisão um ato moralmente responsável.



Levar a esperança ao mundo

         Dessas novas escravidões o homem não sairá se não voltar a ser senhor de si, reafirmando sua capacidade de discernir e decidir.  Prever o futuro como mera extrapolação do presente, como seu prolongamento, não é de modo nenhum suficiente para dar sentido à ação.  Uma concepção previsionista do futuro não abre espaço algum à decisão livre e responsável, pois o futuro já está ali determinado.  A moral da responsabilidade nos convida a agir no mundo de hoje tendo em vista um mundo melhor que desejamos preparar para os jovens de hoje.  Toda moral referente à sexualidade humana e a família deve dirigir sua reflexão para o longo termo.  O futuro que preparamos para as gerações que virão depende da qualidade das decisões que tomamos – ou não tomamos – hoje.  Os pobres e as crianças são nossos senhores.  Devemos com eles nos preocupar. Somos por eles responsáveis.  Devem poder segurar a mão que lhes estendemos para levá-los da morte à vida.  A prospectiva deixa um amplo espaço de livre decisão e assim de abertura aos valores hierarquizados.  Ela mobiliza a vontade; convida ao engajamento; comove o coração diante de todas as misérias sobre as quais o homem, se quiser, pode agir.

         Certamente todos os temas abordados pelo sínodo da família merecem ser discutidos.  Mas a Igreja corre o risco de se perder se exaltar as previsões delirantes em lugar de oferecer à sociedade humana a mensagem de esperança que o Senhor lhe confiou e que ela tem, por mandato, de levar às Nações.



Michel Schooyans


Tradução: Rui A.C. Costa


(Recebido por correio electrónico gentilmente enviado pelo Rev. Padre Nuno Serras Pereira - blog)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

um Santo Natal e Feliz 2012


A Conspiração das Teorias deseja a todos os seus leitores um Santo Natal (não acaba) e um ano de 2012 muito feliz. Aproveitamos esta época para remodelar completamente o aspecto d'A Conspiração. Espero que seja para melhor. E finalmente, dos vários vídeos de Natal que houve neste ano, este é o que destacamos.


Um dos relatos mais repetidos ao longo dos tempos, de geração para geração, é a história do nascimento de Jesus. Um bom storytelling de Natal mostra a história verdadeira, dá esperança, é divertido, mas respeita e não faz troça. Este vídeo foi feito pelos neo-zelandeses da SPAM - St. Paul's Arts and Media e está francamente bem feito. Festas Felizes!

domingo, 9 de outubro de 2011

a história de Asia Bibi


Asia Bibi é o nome de uma jovem cristã paquistanesa que está condenada à morte por ter bebido água de um poço. Será possível? É possível e foi isso mesmo que aconteceu, Asia bebeu água de um poço e não podia porque era cristã.

Numa manhã de trabalho na província do Punjabe, Paquistão, várias mulheres apanham bagas no campo. Uma delas é cristã e chama-se Asia Bibi, e as outras mulheres são muçulmanas. Asia recebe um salário menor do que as muçulmanas, mas não estranha isso nem protesta, é uma prática normal naquela zona do mundo e ela está habituada. Ao meio-dia está um calor que chega aos 45º. Asia Bibi aproxima-se do poço e bebe umas canecas de água para recuperar forças. Uma das mulheres repara e diz alto para as outras:

- Oiçam todas, esta cristã conspurcou a água do poço ao beber pelo nosso copo, e ao mergulhá-lo na água por diversas vezes. Agora a água está impura! Já não a podemos beber, por causa dela!

Asia, sentindo-se injustiçada, respondeu:
- Penso que Jesus teria um ponto de vista diferente do de Maomé sobre o caso.

Estas palavras incendiaram uma discussão enorme, em que as outras mulheres foram ficando mais violentas e Asia, sozinha, foi resistindo às agressões com valentia. O relato dos acontecimentos não menciona aquele episódio de Jesus no poço com a samaritana (Jo 4, 4-30), mas é impossível não o recordarmos ao lê-lo.

No Paquistão há uma "lei da blasfémia", que desde 1986 já terá feito mais de 700 presos, alguns deles condenados à morte. Asia Bibi foi acusada em tribunal por ter blasfemado contra o Islão, e em consequência foi condenada à morte por enforcamento em Novembro de 2010. O Ministro Paquistanês das Minorias Shahbaz Bhatti (cristão católico) e o Governador do Punjabe Salmaan Taseer (muçulmano) apoiaram-na, mas por isso mesmo e por se oporem à lei da blasfémia, foram assassinados por radicais. Também o Papa Bento XVI a apoiou publicamente e rezou por Asia.


Dois anos depois de estar encarcerada numa prisão sem condições nenhumas de higiene, Asia continua à espera do dia em que será assassinada pela lei, pelos guardas inimigos, ou pelas outras prisioneiras. Só pode ver o marido e o advogado, mas não tem o direito de ver os seus 5 filhos. Como não sabe ler nem escrever, Asia teve a ajuda da jornalista Anne-Isabel Tollet para escrever este livro, contando-lhe tudo através do seu marido.

Este livro, Blasfémia, pode ser encontrado nas principais livrarias e custa apenas 11 euros. Muito fácil de se ler, embora de digestão complicada pela crueldade dos assuntos, e ainda por cima estamos a contribuir para as obras da Fundação AIS - Ajuda à Igreja que Sofre.

O livro "Blasfémia" termina assim com um apelo de Asia Bibi:

Agora que me conheceis, contai à vossa volta o que me aconteceu. Fazei com que se saiba. Creio que é a única maneira de eu não morrer no fundo desta prisão.
Preciso de vós!
Salvai-me!

Prisão de Sheikhupura
Abril de 2011

Contemos à nossa volta o que aconteceu a Asia Bibi, ao Ministro das Minorias, ao Governador do Punjabe, e o que se passa no Paquistão. É a única forma que temos de fazer a diferença.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

grandes fotografias políticas (IV)



Para além da expressão nas caras, o que têm estes políticos em comum?

Têm em comum que traíram as suas mulheres, tentaram esconder os seus comportamentos, e mentiram ao povo. Negaram primeiro, inventaram alibis e mentiram. Enfrentaram processos para serem demitidos. Finalmente, só perante a certeza das provas apresentadas das suas infidelidades e perante o mais que provável fim da carreira política, apresentaram desculpas públicas às suas mulheres e aos eleitores.

Da direita para a esquerda e de cima para baixo: Anthony Weiner (Congressista de Nova Iorque), James McGreevey (ex-Governador de Nova Jérsia), Eliot Spitzer (ex-Governador de Nova Iorque), John Ensign (ex-Senador do Nevada), Bill Clinton (ex-Presidente dos EUA), e Eric Massa (ex-Congressista de Nova Iorque).

A expressão em todas estas caras exibe culpa, vergonha, tristeza e desapontamento face às circunstâncias. Mais que isso, há neles desgosto e raiva por verem uma carreira que tanto trabalho lhes deu a construir, cair na lama assim de repente. O desgosto dá lugar à vergonha, que dá lugar ao arrependimento. Desistem enfim, da vida pública, e retiram-se para a vida privada e lutar pela família. As luzes do poder deixam de ser a obsessão. A obsessão passa a ser o medo da vida solitária. É nestas alturas que o político dá o devido valor à família, ele humilha-se e diz que a mulher não merecia isto, mas que o aceite ainda assim.


Também o actor e ex-Governador da Califórnia que obrigou todo o mundo a conhecer o seu complicado nome, Arnold Schwarzenegger, exibe aqui uma expressão parecida. Recentemente anunciou a sua separação de Maria Shriver, sobrinha de John F. Kennedy, e confessou que tinha uma filha fruto de uma relação extra-conjugal com a sua empregada de há 20 anos.

Tudo isto se passa nos Estados Unidos da América, num país puritano e com uma ética religiosa (ainda protestante) muito exigente. E cá na Europa, como é?


Deste lado do Atlântico as coisas são muito diferentes. A integridade moral de um político não conta tanto. Até pode ser um trunfo. Silvio Berlusconi que o diga.

Já o francês Dominique Strauss-Khan, ex-director geral do FMI, esqueceu-se por momentos que estava do lado de lá do oceano. Cá na Europa, ele nunca seria tratado da maneira que foi em Nova Iorque, preso e algemado como outro criminoso qualquer, metido numa prisão normalíssima e levado a tribunal com a barba por fazer. Lá, a justiça humana funciona, igual para todos. Cá fazemos os nossos arranjinhos para amigos e influentes, e deixamos a justiça para Deus. Depois descuramos da justiça e não ligamos a Deus.


É impressionante como as fotografias falam. Nem sequer era preciso texto.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

a não perder

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Uma excelente proposta para enriquecer o ano de 2010: Parar Para Pensar. Muito bom!
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

felicidade triste

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Quem inventou que triste não é feliz? Quem não é feliz é infeliz, que é muito diferente de se ser triste! A tristeza, por exemplo, costuma até ser bela - coisa que a infelicidade nunca é. Qualquer português pode e deve ser feliz, mas... sendo português, nunca deixará de ser triste. É uma e outra coisa, sem prejuízo para ambas. Um pouco ao jeito do contentamento descontente pelo Poeta cantado.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

d'a arte de ser português

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Sim: o bom português necessita de conhecer e comungar a alma pátria, a fim de se guiar por ela, no seu labor. Depois legislará, reformará ou criará literária e artisticamente uma obra duradoura e útil.
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in "A Arte de Ser Português", de Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
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domingo, 1 de novembro de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

solo se vive una vez


Quem vive amores impossíveis compreende melhor aqueles que acreditam na reencarnação. "Noutra vida teríamos resultado", dizem, convencem-se e, por fim, se conformam. Isso enquanto silenciam as palavras sábias das pacenses Azúcar Moreno - solo se vive una vez!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

pela ética da convicção, contra o voto útil

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Um dos melhores filmes que conheço é o Reino dos Céus (Kingdom of Heaven - 2005), dirigido por Ridey Scott e escrito por William Monahan. O facto de ser um romance histórico, e a necessidade de tornar a narrativa mais cativante e cinematográfica, não garantem precisão histórica, mas em todo o caso esta é uma excelente história que Ridley Scott nos conta. Tendo como pano de fundo a reconquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, vemos os extremistas de parte a parte a incitar à guerra que lhes interessava por "vontade de Deus". Este filme tem uma riqueza de conteúdos que permite ser o ponto de partida de várias discussões filosóficas e morais, mas hoje interessa-me aqui citar uns diálogos do "Reino dos Céus" que bem ilustram as éticas de Max Weber em confronto: a "ética da convicção" versus a "ética da responsabilidade".
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Rei Balduíno IV (R) - Decidimos que deverá tomar comando do exército de Jerusalém. Se eu deixar o exército com o Guy, ele tomará o poder através da minha irmã e declara guerra aos muçulmanos [comandados por Saladino].
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Balian, Barão de Ibelin (B) - Seja lá o que pedir, eu servirei.
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R - Não. Oiça tudo antes de responder. Casaria com a minha irmã Sibila [de quem Balian gosta], se ela estivesse livre do Guy de Lusignan?
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B - E o Guy?
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Tiberias, Raimundo III de Tripoli (T) - Vai ser executado. Assim como os cavaleiros que não lhe juram fidelidade.
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B - Eu não posso ser a causa disso.
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T - "Seja o que for que pedir, eu servirei"
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B - Um rei pode mover um homem, disse o senhor. Mas a alma pertence ao homem.
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R - Sim, disse isso.
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B - Aí tem o meu amor e a minha resposta.
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R - Então que assim seja.
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T - Porque é que protege o Guy? Ele é um homem que o insulta, que o odeia. Ele próprio o mataria se tivesse a oportunidade. Nem pela salvação deste reino, será assim tão difícil casar com a Sibila? Jerusalém não tem necessidade de um cavaleiro perfeito.
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B - Não. É um reino de consciência, ou nada.
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B - Sibila!
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Sibila (S) - Quem és tu para recusar o pedido de um rei? Eu sou o que sou. Eu ofereço-te isso. E o mundo. E tu dizes que não.
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B - Achas que eu sou como o Guy? Que eu seria capaz de vender a minha alma?
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S - Virá o dia em que desejarás ter feito um pouco de mal para poderes ter praticado o bem a uma escala maior.
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A dificuldade de muitas das nossas decisões não está em optar entre o bem e o mal, mas entre o ideal e o pragmático, o sentimento e a razão, a convicção e a responsabilidade. Este dilema ético acompanha qualquer pessoa nas suas escolhas ao longo da vida. Como deve ser a minha conduta? A minha ética é a da convicção ou a da responsabilidade? Umas vezes uma, outras vezes outra? Tentar arranjar um equilíbrio entre ambas, tal como sugere Max Weber, não será contaminar a pureza da ética da convicção e torná-la sempre, inevitavelmente, numa ética da responsabilidade?

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Lembro que José Sócrates, na práctica do auto-elogio em que recorre, disse que decidira que o Tratado de Lisboa não iria a referendo em Portugal por uma questão de ética da responsabilidade. Ou seja, para quem crê no valor da democracia ou no valor de honrar a palavra dada na campanha eleitoral, o sr engenhoso preferiu iludir esses valores a arriscar-se a ver o seu Tratado chumbado em referendo. Assim, sou pela ética da convicção em tudo, o mais possível, sem qualquer concessão e defendendo só aquilo em que acredito. Considero até um pouco descabido chamar "ética" à segunda hipótese. É por exemplo pela ética da convicção que desprezo qualquer apelo ao voto útil que façam os dois partidos do poder, ou os cinco da assembleia. Se nalgum deles votar, nunca será por esse repelente argumento, mas pelas suas propostas, ideologias (porque ainda as há), e pessoas. Pode-se dizer que, quem concorda mais com um partido numas eleições e vota noutro porque pensa ser mais útil assim, está-se alinhando por uma ética da responsabilidade (nada a fazer, a designação do Weber é mesmo esta...).

Defender a ética da convicção é proteger a pureza da verdade a todo o custo, numa atitude próxima do irrepreensível. O protagonista deste filme podia ter-se casado com a mulher que amava, ter-se livrado do fidagal inimigo, e ter-se tornado no seguinte Rei de Jerusalém, mantendo uma amigável paz com Saladino, e tudo isto se tivesse dito um simples "sim" ao seu rei. Mas preferiu dizer "não", apenas porque não concordou com o método traiçoeiro de afastar o seu pior inimigo para resolver todos os seus problemas e os do reino. É por isso que considero Balian um dos mais virtuosos heróis que o cinema produziu nos últimos tempos. E se alguém pensa que Balian escolheu a solução que lhe dava menos problemas, está redondamente enganado. Desde quando é que agir conforme a consciência é o caminho mais fácil?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ensaio para uma reabilitação da raça

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As palavras têm vida própria. Surgem da necessidade de definir uma coisa ou de expressar uma ideia ou sentimento. Podem constituir-se de sons que têm foneticamente a ver com a coisa expressa (como o c’ÃO, que lembra o seu ladrar), ou podem ser construídas de forma mais lógica e racional. Uma coisa é certa, quando a palavra se forma parece ser esse o seu momento mais representativo da realidade que pretende ilustrar. E a partir daí, a palavra entra numa espiral descendente e sem retorno, em que não mais pára de se corromper, até ficar tão distante do objecto que é pelas gentes abandonada e cai em desuso. Se não morre, a expressão fica no mínimo moribunda, aguardando que alguém dela se recorde e a recupere.
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Uma das velhinhas palavras que parece estar pela hora da morte é “raça”. Pudemos diagnosticar um sintoma dessa fatalidade no ano passado, no dia de Portugal e de São Camões. No seu discurso, o Presidente da República tentou reabilitar o termo e invocou o “dia da Raça”, como outrora havia sido chamado. Todavia, ao invés de “raça” ter voltado à ribalta, todos caíram em cima do Primeiro-Damo por fruição tão reaccionária e imprópria da linguagem, tendo a expressão saído desta peripécia ainda mais escavacada.
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Por culpa de uma memória colectiva acerca da História do Racismo, da dominação e subjugação de raças por outras raças, por culpa do medo e da culpa que as gerações actuais receberam de herança pelos erros de alguns antepassados (a. de sangue ou meramente culturais), por culpa do desejo de igualdade cada vez mais impregnado no ADN das gentes modernas, por culpa de todos estes factores e mais alguns, pouca gente quer falar de “raça”. Se tiverem mesmo de falar de alguma coisa, preferem usar o termo “etnia”, que é mais virgem e não está ainda tão contaminado pela História e pelas pessoas.
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O racismo acontece porque há uma diferença de pele. Mas fará sentido falarmos de raças, se está cientificamente provado que a diferença do ADN entre dois brancos pode ser maior que a diferença entre o ADN de um branco e um preto? A cor significa pouco, à-dê-énicamente falando. E a nível de estética, há cores de pele tão belas e que não são as nossas...
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O racismo acontece também porque há uma diferença de cheiro. Mas fará sentido ter o próximo em menor conta por causa do seu odor diferente? Uma das coisas que os nórdicos notam de diferente em relação a nós, mediterrânicos, é precisamente o nosso cheiro peculiar. Os chineses também o notam, tal como notamos em relação a eles. O suor ucraniano, moldavo ou romeno, quem não estranhou a sua intensidade? E a tão conhecida catinga? E o cheiro de caril? Nós, porque somos nós, pensamos que não temos cheiro distintivo, e temos. É uma questão de educação aprendermos a conviver e a gostar destes e outros cheiros de pessoas. Amar a diferença. É o mesmo que eles fazem connosco...
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O racismo acontece por razões culturais. Mas, em Portugal? Nós, que por vocação somos um povo aberto ao mundo? Não, essa não pega. A nossa cultura existe porque nos globalizámos, mais, fomos os mentores da primeira grande globalização, e se assim não tivesse sido, a nossa cultura seria muito mais moura, inglesa, espanhola, ou americana do que é hoje. É neste espírito de abertura que podemos continuar a sobreviver como cultura.
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O racismo acontece ainda por causa de traumas históricos herdados dos nossos antepassados, tenham eles sido os dominadores, os dominados, ou simplesmente conformistas e cooperantes. Mas fará sentido guardar esta herança como barreira que nos impede de nos darmos mais e melhor uns aos outros? Ou não valerá mais a pena tê-la apenas como uma infelicidade que devemos recordar na exacta medida em que nos salvar de cometer novamente semelhantes erros?
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Os portugueses são historicamente um povo de generosidade e aventura, de qualidades humanas que nos permitiram encontrar a amizade e o amor noutras raças e culturas. Deus criou o homem, e o português criou o mulato e o mestiço – diz a anedota, como que nos caracterizando, e bem. Os portugueses têm o jeito que Eminem ou Michael Jackson não tiveram para se integrarem e para se meterem na pele do próximo. O branco Eminem, que canta, fala, veste, tudo faz para ser preto, ou Jackson que aclara a pele que tinha para tentar ser branco, nem um nem outro têm sido bem acolhidos pela sociedade. Porquê? Espera-se de um branco que saiba nascer branco e de um preto que saiba nascer preto. Se o branco se quer aproximar de preto (ou vice-versa), que o faça por amor ao próximo e ao seu modo de estar na vida, mas sem negar as suas origens.
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Há um ensinamento cristão que o português compreendeu bem ao longo da História, e que é muito valioso para este caso: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Não sou sincero no amor ao próximo se renego as minhas origens, de onde venho. Não vou ser bem sucedido naquilo que quero ser enquanto rejeitar aquilo que fui e sou. Penso que é isto que Jackson e Eminem ainda não perceberam, e que podiam aprender connosco.
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Afinal, parece que Cavaco estava certo: precisamos de um dia da raça. Contudo, tal só faz sentido se reconhecermos que a Raça Portuguesa não tem cor de pele, mas cor na alma... a cor do amor a Deus, ou pelo menos do amor ao próximo como a nós mesmos!
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quarta-feira, 25 de março de 2009

o dia da renovada esperança

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Em tempos de crescente desânimo, uma antiga notícia é hoje especialmente bem-vinda, como todos os anos o é neste dia: a anunciação. Exactamente 9 meses antes do Natal, é a 25 de Março que a esperança da salvação começa a ganhar contornos reais. Por mais Judas e Pilatos que haja, por entre Herodes e Invernos (tanto os naturais como os económicos, demográficos ou de valores), do frio sai a Primavera e com ela renasce o amor, a fé, a esperança. Avé Maria, cheia de graça!
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sexta-feira, 6 de março de 2009

fome, e uma correcção

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Estranhei o bairro do Montijo chamar-se Braço de Prata, como o de Lisboa, ao lado do Beato. Afinal não é. De facto, trata-se da Quinta da Fonte da Prata, mais concretamente na cidade da Moita. Tudo o resto está certo.
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A comunidade apoia, através da Caritas Diocesana de Setúbal e do Centro Paroquial, cerca de 200 famílias com grandes e graves carências económicas, diz uma carta de 4 de Março, das Irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Mas, este ano, aumentou muito o número de pedidos de inscrição para ajuda alimentar, de tal forma que estas instituições não estão a conseguir satisfazer as necessidades básicas alimentares de muitas famílias.
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Os bens mais necessários são óleo, azeite, açúcar, leite, enlatados (salsichas e atum) e arroz. A entrega pode ser feita no Colégio das Escravas, em Lisboa, de 2ª a 6ª (das 8h00m às 19h00m), nas Missas de Domingo, ou directamente no local, nas instituições referidas.
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Achamos horrível quando nos mandam fotografias que mostram a fome em África, e até encaminhamos todos esses e-mails. Mas quando a tragédia acontece aqui ao lado, é fácil fecharmos os olhos e nem querermos saber de nada. Vivemos em Portugal, estamos ao alcance de ajudar realmente quem precisa. Mãos à obra, nem que seja passando a palavra!
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