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O que hoje significa ser-se cristão no Paquistão

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(também publicado no Substack ) Meeting lawmakers at the Portuguese Parliament These last days of Advent I have been following a delegation of Christians from Pakistan visiting Lisbon, Portugal. They represent the Peter John Sahotra Foundation, an  institution  of good courageous people that provides the Christian community with relief from the heavy burdens of poverty and religious persecution. The couple Sadaf and Joel Amir Sahotra have been meeting members of the Portuguese Parliament, civil society organisations, media, schools and universities. The purpose of this visit is to update the Portuguese society about the situation of Christians in Pakistan with key facts and to find new opportunities of cooperation on the issues of human rights and education. Pakistan is a 240 million country with about 1% Christians living mainly in Punjab, but also in smaller communities in Sindh and Karachi. The majority of these 2.5 to 3 million people face poverty and all of them live unde...

É possível fazer lobbying de forma séria

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(também publicado no Observador )   Norman Rockwell - The Right to Know (1968) Quando falamos de corrupção ou de promiscuidade de interesses conflituantes, é frequente juntar-se um estrangeirismo à conversa: os lobbies. Não me parece justo. Digo que é injusto porque devemos considerar o lobbying como algo que, quando bem enquadrado, beneficia o processo democrático de decisão. Nesta sociedade muito acelerada e tão cheia de escolhas, é humanamente impossível que um deputado ou um ministro conheça ao pormenor o impacto das inúmeras decisões que toma diariamente. Por mais inteligente que ele seja e por mais numerosa e qualificada que seja a sua equipa, aquele decisor político não sabe exactamente tudo aquilo que faz. O volume de assuntos é tal, que ele acaba por confiar nas indicações do seu partido, em opiniões de outros, na sua intuição, e depois decide porque tem de decidir. Porém, os assuntos mais complexos carecem de reflexão adicional e é necessário auscultar os vários lados d...

Reflexões dum ex-lobista

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(originalmente publicado no Jacaré ) Noutra vida fui   lobista e foi-me pedido pela minha querida Universidad de Navarra que explicasse o que era o  lobbying  a um grupo de alunas da Faculdade de Comunicação que então visitava Bruxelas. Recentemente encontrei o papel desse encontro e achei interessante pôr aqui algumas ideias básicas que lhes tentei transmitir. Em 2015, havia em Bruxelas cerca de 31 mil funcionários da Comissão Europeia e estimava-se que houvesse mais de 30 mil lobistas,  quase  um lobista para cada funcionário. Hoje em dia,  acredito que  o número de lobistas tenha ultrapassado o de funcionários, e atenção que a Comissão Europeia é apenas uma das várias instituições da União Europeia. Definindo o  lobby Então, e o que vem a ser isto do  lobbying ? Trata-se muito simplesmente de tentar influenciar políticas,  mais concretamente as leis,  e o lobista fá-lo no sentido que convém ao interesse ou cliente que representa....

a Conspiração volta em Setembro

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Vai ser muito difícil escrever alguma coisa de jeito antes de Setembro. Mas o regresso será com força e mais ideias. Este cartoon foi roubado ao blog " The Monkey Cage ". Bom Agosto!

flexibilidade moral é terreno fértil para os sofistas

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Há uns tempos falava-se das bondades da "flexisegurança", da necessidade de flexibilizar a contratação e o despedimento, da flexibilização do trabalho e dos horários. São temas que hão-de voltar mais cedo que tarde. Mas hoje trago à Conspiração uma flexibilidade realmente perigosa: a flexibilidade moral. De facto, há trabalhos onde se pede ao contratado uma grande flexibilidade moral para defender valores que não são os seus e vestir uma camisola que não é a sua. Às vezes, até se defendem os valores que não são de ninguém. Há casos reais e diferentes tipos de escravatura no século XXI. Mas a mais perigosa de todas é a escravidão da consciência. O que torna a consultoria em comunicação um trabalho eticamente difícil é que o compromisso que temos para com a verdade passa para segundo plano. Nesta área da comunicação política e empresarial, muito raramente se tem em conta a verdade entre os objectivos propostos e que quando cumpridos valem como "sucesso". A reputação ...

retratos sobre Portugal e a emigração

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Já vivi fora, estudei em Espanha e nos Estados Unidos, e trabalhei em Barcelona. Decidi voltar para Portugal por várias razões. É aqui que vivo actualmente. A propósito, lembro-me de duas entrevistas de trabalho a que fui há uns meses atrás, cá em Lisboa. Numa, o entrevistador perguntou-me surpreendido porque é que voltei para Portugal nesta altura de crise. Na outra, perguntaram-me porque é que fui fazer o mestrado lá fora e não cá, e dessa vez quem ficou surpreendido fui eu. Mas, infelizmente, as pessoas que pensam como este último homem não são tão poucas quanto isso. Será que vivem no mesmo país que eu? Conheci este vídeo acima reproduzido através de um post n' O Cachimbo de Magritte . Identifico-me com tudo o que este precioso trabalho da Fundação Calouste Gulbenkian mostra, está muito bem feito e vale a pena vê-lo até ao fim. Lembro ainda esta citação de Agostinho da Silva.

grandes fotografias políticas (I)

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- David Cameron, Primeiro-Ministro britânico, a começar o dia com uma tosta enquanto lê as notícias matinais no seu iPad. Simplicidade no compromisso. Começar o dia alimentando o corpo e a mente. O domínio tecnológico e o glamour do poder, para inglês ver. A grande força desta fotografia (além da evidente qualidade no aproveitamento da luz), é que mostra um político apaixonado pelo seu trabalho. - É difícil eu gostar de uma fotografia de um político a jogar golfe, por exemplo, como as equipas de comunicação de Obama ou Bush insistiam em tirar. Porquê? Porque essas imagens podem ser usadas pelos adversários contra eles: "está fora da realidade"; "anda praticando desportos de gente rica, esquecendo-se da gente pobre"; "nem sequer sabe pegar no taco, tal como não soube pegar no País", etc., e por aí fora. Claro que o cenário seria pior ainda se o golfista fosse Sócrates ou Zapatero, pois nos Estados Unidos o golfe é um desporto nacional e na Europa contine...

o valor que uma marcha tem

A Marcha do Castelo ganhou o concurso das marchas populares de Lisboa 2009, partilhando o primeiro lugar com Alfama. Ao primeiro lugar geral do Castelo, juntam-se os prémios de Melhor Coreografia, Melhor Cenografia e Melhor Figurino. Neste pequeno grande bairro de Lisboa, os dias viveram-se com muita intensidade. Se os treinos da marcha começaram em meados de Abril com um ritmo de 6 a 8 horas de treino por cada semana, também é verdade que o tema, as músicas, os fatos, os arcos, os patrocínios e todo um planeamento logístico foram imaginados com ainda maior antecedência. O resultado final que se viu nos 20 minutos de Pavilhão Atlântico no dia 7 de Junho, ou nos 7 minutos de Avenida da Liberdade na noite de 12 de Junho, é o fruto de um grande trabalho que envolve muito mais pessoas que aqueles cerca de 70 que têm a honra e responsabilidade de marchar. Aparecem os 24 pares de marchantes, um par de mascotes, uma madrinha e um padrinho (este ano, a Chiquita e o Joaquim Bastinhas), os suple...

vox populi - IV

- Hola , o meu nome é Angel e tenho uma data de anos. Nascido e criado em Sanguesa, se me dizem "então és navarro!", logo respondo " hombre, que no, que soy un español de Navarra! ". Sempre fui muito patriota. Conduzi ambulâncias durante a guerra civil, vejam lá, já tenho a carta de condução há mais de 75 anos! - Naquele tempo a guerra era diferente, como aliás era tudo. Mas a guerra, essa terrível desventura, nunca mais a esqueço, não preciso que o Zapatero e a sua canalha venham cá com leis da memória histórica para me lembrar de coisas que me esforço por esquecer ou ao menos pacificar dentro de mim. - Lembro-me de recolher corpos, de ambas as facções da guerra, de moribundos furados por metralha de lado a lado... metia-os para dentro da ambulância e muitas vezes tinha de ser eu a intervir antes que me morressem pelo caminho. E sacar para fora todos aqueles tiros escondidos pela carne e pelo sangue? Era através dum detector de metais que sabia mais ou menos onde t...

algumas virtudes d'um chefe de família

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- Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum. - Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos. - - in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro -

vox populi - III

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- Chamo-me Maria da Conceição e a história da minha vida resume-se a umas poucas de linhas, muito breves e dramáticas. Nasci numa pequena aldeia de serra algarvia, e lá vivi até aos meus 14 aninhos quando fui trabalhar para casa de uns senhores em Lisboa. - Que bons eram esses senhores... ensinaram-me a cozinhar e a limpar, enfim, a lida da casa, e trabalhei para eles durante 40, quase 50 anos. Uma vida! Sempre dedicada àquela família, não mais voltei à terra, nada me prendia lá, nem sequer família lá deixei. E também, quem é que era a vizinha que se ia lembrar da gaiata que em 50 anos nunca lá voltou? Nunca fiz descontos para a reforma, era feliz e despreocupada cá em Lisboa. Só que... - O patrão morreu, e a sua senhora foi para um lar doente de alzheimer, ou lá como é que se diz. Eu também arranjei uma doença de pernas que mal me deixa andar, e por causa disso e da minha idade não arranjo trabalho em lado nenhum. Ando devagar, devagarinho, já fui operada mais que uma vez mas parece ...

quando há fé e boa vontade...

- - ... tudo se consegue. Mesmo quando somos pequenos, é possível contagiar os outros com o bom exemplo. Mesmo quando nos achamos sozinhos, podemos ser o princípio de esforços que se unem. Yes we can . -

vox populi - II

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- Zé Carlos, 47 anos (hoje com 50), sem-abrigo desde os 43, cabelo grisalho e espesso, contava como a sua mulher Cecília o tinha trocado por um colega de trabalho. Com ela, deixou dois filhos: Frederico, 13 anos, que nasceu com paralisia e é “muita lindo”; e a Daniela, de 11 anos. Noutras vidas, Zé Carlos trabalhou na construção civil, foi pintor de paredes, e carpinteiro também. É artista, desenha bem, tem esboços de quadros em carvão sobre papel, semi-amarrotados e com pingos de água – talvez da chuva, ou quem sabe das lágrimas... Suas paixões? A Natureza!, responde logo. E depois, a História de Arte, os romances históricos, a História da Idade Média, Biologia, o Surrealismo (os seus esboços são também surrealistas, eu vi-os, e de qualidade), Jerónimo Bosch. Os olhos de Zé Carlos iluminavam-se... – Ah, e sou doido pelo Tio Patinhas, principalmente as histórias feitas p’lo Carl Barks, e as do Don Rosa! São uma maravilha! Conheces? – Sim, sim! Muito boas. Acredita em Deus mas diz não r...