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A mostrar mensagens de abril, 2009

algumas virtudes d'um chefe de família

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- Passo quase todo o dia fora de casa, ocupado em assuntos alheios, e o resto do tempo passo-o com a família, por isso que o tempo que fica para mim, isto é, para a correspondência, é nenhum. - Quando regresso a casa, tenho de conversar com minha mulher, de brincar com as crianças, de me entender com o pessoal doméstico. Meto estas coisas nos afazeres, pois têm de ser feitas, e têm de o ser caso não queiramos ser estranhos em nossa própria casa, sendo necessário ter as mais simpáticas relações com os companheiros da vida que a natureza ou o acaso nos deram, ou que nós escolhemos, sem ir ao ponto de os mimar por excesso de familiaridade, nem de fazer, dos servos, senhores. Tudo isto leva os dias, os meses, os anos. - - in "Epístola a Pedro Egídio", de São Tomás Moro -

flores alfacinhas

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- - Há três flores típicas que muito dizem ao povo lisboeta. São elas o cravo, a alcachofra e o manjerico. Infelizmente, o cravo foi politizado pelo Abril de há 35 anos, e usá-lo passou a ser um acto de manifestação política e partidária. - - Mas, se o cravo foi politizado, a alcachofra e o manjerico permanecem puros na alma alfacinha. Os manjericos e as alcachofras continuam a ser cantados nas marchas de Santo António, sendo ambos os vegetais associados aos amores namoradeiros que o santo apadroa. - - Rogo apenas que não estraguem estes dois símbolos populares que nos restam, ao contrário do que fizeram com o belíssimo e outrora castiço cravo. Seria uma pena se tal acontecesse, pois estas perdas culturais são muito difíceis de se repor. -

a história do Fado na Mouraria

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Tia Macheta (canta Berta Cardoso) O amante não aparecera, Triste Severa, Sempre fiel, Chamou a tia Macheta, Velha alcoveta, P’ra saber dele. A velha pegou nas cartas Sebentas fartas De mãos tão sujas E antes de as embaralhar Pôs-se a grasnar Como as corujas. Ele não vem, minha filha, di-lo a espadilha, há maus agoiros. Há também uma viagem, Um personagem A dama d’oiros. Este conde é o meu fraco, Tome um pataco Tia Macheta. A velha guardou as cartas De sebo fartas Sob a roupeta. Caíram três badaladas Fortes, pesadas, Três irmãs gémeas; Cá fora nos portais frios Cantam vadios Feias blasfemas. O fidalgo não voltou, Severa o esperou Até ser dia. E desde essa noite, é que existe O fado triste da Mouraria.

música conspirativa

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Não, este postal não é sobre o belíssimo novo tema dos Xutos&Pontapés, Sem eira nem Beira , mas até podia ser. O álbum de estreia dos Afromen chama-se "Mentalidade", e o nome diz quase tudo. Trata-se de uma sonoridade que anda entre o hip hop e o rap clássico, muito contagiante, acompanhadas de sumarentas letras de verdadeira intervenção política - principalmente ao nível da mentalidade e dos comportamentos sociais. É o som que está a dar em Angola desde Dezembro, quando o CD foi lançado, e que está chegando a Portugal apesar de ainda não constar na Fnac. Yannick Ngombo, o vocalista e líder deste grupo, já anda nestas lides há mais de 10 anos, mas depois de viajar pelo mundo voltou a Angola com novidades para contar. Afromen põe o dedo em algumas feridas da actual sociedade angolana, e denuncia tendências viciosas que devem ser combatidades com valores como o respeito, a lealdade, a boa vizinhança, a autenticidade, a humildade, a esperança. Embora dirigida aos angolanos...

redacções de pequenino - I

- Uma aventura na floresta - - Eu fui comprar o jornal quando vi a seguinte notícia: - - Pág. 18 --- Diário de Notícias --- - Cangurus em extinção nas florestas da Austrália. Pessoas estão a matar cangurus por divertimento na Austrália e oferecemos um prémio de fornecimento de chocolates para toda a vida a quem prender as pessoas. - - - Isto é um escândalo! - disse eu para comigo. - Disse à minha Mãe e ao meu Pai que ia para a Austrália em missão secreta. - Então a minha Mãe disse: - Não vais se não me contares que missão é essa. - Ai vou, vou! - Não vais! - Ai vou, vou! - Não vais, não! - E assim estivemos a falar no resto da semana. E ao fim dessa semana interferiu o meu Pai na conversa. E disse o mesmo que a minha Mãe. E assim ficámos outra semana. - No fim da outra semana, quando já tinhamos acabado a discussão, vi no jornal que já tinham descoberto os caçadores. - Tanto trabalho para nada! - - (escrito na 4ª classe) -

maio florido e formoso

- Marzo ventoso y abril aguanoso, sacan a mayo florido y hermoso. - Sabedoria popular da Extremadura espanhola -

ensaio para uma reabilitação da raça

- As palavras têm vida própria. Surgem da necessidade de definir uma coisa ou de expressar uma ideia ou sentimento. Podem constituir-se de sons que têm foneticamente a ver com a coisa expressa (como o c’ÃO, que lembra o seu ladrar), ou podem ser construídas de forma mais lógica e racional. Uma coisa é certa, quando a palavra se forma parece ser esse o seu momento mais representativo da realidade que pretende ilustrar. E a partir daí, a palavra entra numa espiral descendente e sem retorno, em que não mais pára de se corromper, até ficar tão distante do objecto que é pelas gentes abandonada e cai em desuso. Se não morre, a expressão fica no mínimo moribunda, aguardando que alguém dela se recorde e a recupere. - Uma das velhinhas palavras que parece estar pela hora da morte é “raça”. Pudemos diagnosticar um sintoma dessa fatalidade no ano passado, no dia de Portugal e de São Camões. No seu discurso, o Presidente da República tentou reabilitar o termo e invocou o “dia da Raça”, como outror...