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as mangas arregaçadas de Sócrates

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Sei que este postal não versa sobre conteúdos e propostas (o que mais importa para os eleitores), mas apenas sobre a imagem e as aparências que permitem a um candidato entregar melhor ou pior a sua mensagem ao público assistente. Comparemos José Sócrates e Barack Obama quando chegam a um comício. Barack Obama é naturalmente simpático, comunica bem e sem esforço. Sobe ao palco. Saúda o público. Despe o casaco. Arregaça as mangas da camisa. Sorri. Começa a falar. Diz primeiro como está contente por estar ali. Namora a plateia. A seguir conta uma piada. E depois de ganhar a simpatia do público, coloca a sua mensagem através de uma retórica brilhante, baseada principalmente no relato de histórias - storytelling . Faz pausas onde os aplausos imprimem mais ritmo e dinâmica ao seu discurso. Termina a sua exposição pedindo ao público qualquer coisa, seja dinheiro para a campanha, seja o voto, seja uma acção de apoio. Despede-se demoradamente e deixa-se tocar por todos quantos puderem alcançá-l...

a emoção nas campanhas políticas

A política atingiu níveis de confiança tão baixos, que apenas apresentar as propostas e o programa já não chega. As pessoas não lêem programas eleitorais, e muito poucas sabem dizer claramente quais as propostas de cada partido ou candidato. Agora, os políticos têm de chamar primeiro a atenção dos eleitores, convencê-los que vale a pena serem ouvidos. Precisam de se mostrar mais humanos e de conquistar o eleitorado pela emoção. Os políticos vêm-se obrigados a seduzir para serem ouvidos, e depois então a apresentar as propostas. Chegar ao eleitor primeiro pelo coração, e depois pela razão. Chegar ao coração dos eleitores através de uma ligação emotiva que aparentemente nada tem que ver com a política. Mas tem. Foi o que a CiU, partido nacionalista conservador catalão, tentou neste spot . A mensagem é de esperança num novo começo.