Viriato descrito por Diadoro da Sicília
| Estátua de Viriato (1940) de Mariano Benlliure, na Cava de Viriato, em Viseu. |
“No início, os Lusitanos não tinham um general talentoso e eram facilmente vencidos pelos Romanos; mas quando Viriato se tornou general dos Lusitanos, eles causaram severos danos aos Romanos.
Viriato era um dos habitantes das costas do mar, um pastor no alto das montanhas desde a sua infância. De constituição saudável por natureza, ele excedia todos os Iberos em força e agilidade do corpo, pois habituou-se a uma dieta poupada, muito trabalho e estafa, e não dormia mais do que fosse absolutamente necessário. Viriato andava sempre armado, e era famoso pelas suas lutas tanto com feras selvagens como contra ladrões.
Por fim, ele foi escolhido como líder da sua gente, e logo uma multidão de bandidos veio juntar-se a ele. Sendo muito bem-sucedido em diversas batalhas, Viriato era admirado não apenas pelas suas excelências físicas, mas também pela sua destreza enquanto general. Além disso, na distribuição dos despojos ele era muito justo, atribuindo-os a cada homem em proporção aos seus méritos e faltas.
Continuando a avançar e a prosperar, Viriato tornou-se um líder, mais do que um mero ladrão e assaltante. Travou várias batalhas contra os Romanos e saiu delas vencedor, na medida em que derrotou completamente o general romano Vitellius e o seu exército; e depois de o prender, matou-o. E realizou outras bravas proezas, até que Fabius foi nomeado general romano, e a partir de então começou o seu declínio. Viriato reuniu os seus homens pouco depois e lutaram bravos contra os homens de Fabius, que se viu forçado a aceitar termos desonrosos para o nome de Roma.
Mas Caepio, o novo general romano, considerou o anterior tratado de paz como inválido e retomou a guerra, derrotando Viriato com frequência. Com as forças reduzidas, Viriato pediu novos termos de paz; mas foi traiçoeiramente assassinado por alguns da sua gente. Com isto, Caepio semeou o terror em Tautamus, sucessor de Viriato, e no seu exército, impôs-lhes os termos e condições que entendeu, e no fim concedeu-lhes a cidade e terras circundantes para as habitarem.”
~ Diodoro da Sicília, in “Bibliotheca Historica” (meados do séc. I a.C.) –
tradução minha, a partir de edição inglesa.
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