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O erro de Robin dos Bosques

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(originalmente publicado no Jacaré Parado Vira Mala ) Quem não gosta do Robin dos Bosques? A história passa-se na Inglaterra medieval e tem os problemas típicos da literatura romântica: há a donzela em apuros, há o xerife cruel, os pobres e famintos, um príncipe que conspira contra o rei seu irmão… e um herói que resolve todos os problemas com a pontaria do seu arco e flechas, ajudado por valentes amigos como Frei Tuck, João Pequeno e Will Scarlet. Escondidos na floresta de Sherwood, Robin dos Bosques e o seu bando vão resistindo à tirania de João Sem-Terra e sabotando as tentativas do xerife e do príncipe de se aproveitarem da ausência do rei Ricardo Coração-de-Leão que, entretanto, ajudava os cruzados em Jerusalém. Os valores estão todos certos: valentia, patriotismo, solidariedade, fé e amizade. Em Sherwood, Robin e os Merry Men caçam livremente, não pagam impostos, roubam os tesouros do príncipe e as colectas do xerife. Mas não o fazem para enriquecimento próprio, não! Eles roubam ...

The Forgotten Conservatism: Why Chega is Not Right

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(originalmente publicado na revista The European Conservative ) William Graham Sumner (1840-1910) “Chega!” is the Portuguese phrase for “Enough!” Does such an interjection sound   conservative   to you? Neither to me. However, the new Portuguese party named “Chega!” claims to be conservative. Founded in 2019 by André Ventura, Chega won 7% of the votes in the last legislative elections and became the third largest party in Parliament. Since then, the international media have taken for granted that Chega is a conservative party. I would like to dispute that idea and make a broader reflection about the conservative brand. I am writing this article in rural Portugal, in a town where the Chega party currently is leading the opposition against the Socialist party. Many of the rural people whom I know voted for Chega, and some of them are my friends. Hillary Clinton was terribly wrong in thinking that such a group of supporters were deplorable—in fact, all parties have good people wi...

Obrigado, Ciganos!

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(também publicado no  Ingovernáveis ) “Então vais escrever um artigo a defender os ciganos? Não te metas nisso!” Pessoas próximas avisam-me, mesmo sabendo que um aviso destes costuma ser incentivo para eu avançar. Mostrei a alguém só este título, de resposta recebi uma exclamação: “que exagero!”. Avanço com ainda mais motivação, mas aviso desde já que o texto não vai ser curto. Dado o assunto em causa, sou apenas forçado a fazer um pequeno preâmbulo, e aproveito esta publicação para não ter de o fazer mais vezes. Preâmbulo: a lei é igual para todos, todos somos iguais diante da lei e a lei deve ser aplicada indiscriminadamente. “Ah, mas há problemas na comunidade cigana” – certo, mas há problemas em todas as comunidades, incluindo Portugal enquanto comunidade. Quem já estudou ou trabalhou na Europa Central e do Norte sabe como podem ser vistos os portugueses – e por vezes basta apenas lá passar de visita. Não é só o então presidente do Eurogrupo Dijsselbloem a dizer que os portugue...

A legitimidade deste Supremo Tribunal dos EUA

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(também publicado no Ingovernáveis ) Os juízes do SCOTUS em 2022 - Kavanaugh, Kagan, Gorsuch, Coney Barrett, Alito, Thomas, Roberts, Breyer, e Sotomayor. Existe a possibilidade de, nos próximos dias, o Supremo Tribunal dos EUA reverter as decisões de 1973 e 1992 que sustentam um ‘direito’ das mulheres americanas ao aborto. A propósito, tenho lido vários artigos de opinião que explicam muito bem o que está em causa. Não querendo repetir esses argumentos, gostaria de propor mais um ângulo de análise sobre as correntes de pensamento que têm dominado o Supremo Tribunal dos EUA. Embora haja uma longa lista de razões para o considerarmos um dos piores presidentes da História dos EUA, Donald Trump tomou uma decisão incrivelmente acertada: nomeou para o Supremo Tribunal juízes ‘originalistas’, isto é, magistrados que defendem que as normas constitucionais têm de ser interpretadas com base no propósito original. O Supremo Tribunal é a última instância de justiça nos EUA; os juízes que o integra...

Onde procurar sobre a invasão russa da Ucrânia

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No meio de tanta cacofonia acerca da invasão russa à Ucrânia, parece-me útil destacar o trabalho de algumas pessoas bem informadas e com reflexões interessantes. Estuário do Rio Dniepre A primeira palavra tem de ser para José Milhazes , o antigo correspondente em Moscovo que conhece bem a Rússia, país onde viveu entre 1977 e 2015. É fundamental ouvir Milhazes na SIC e lê-lo no Observador , homem que está bem munido de fontes e acaba de lançar o livro “ A Mais Breve História da Rússia ”. Para entender as questões geopolíticas, é imprescindível estar atento à análise frequente de Miguel Monjardino na SIC e no Expresso . No dia 11 de Dezembro, Monjardino escreveu que não podíamos excluir a possibilidade de Vladimir Putin invadir a Ucrânia e explicou porquê. Este Sábado dia 5 de Março disse que a guerra se podia tornar muito mais longa do que estava planeada. Outro programa na SIC com informações militares e estratégicas relevantes é o Leste/Oeste de Nuno Rogeiro , que também manté...

O nosso momento Goldwater

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(também publicado no Ingovernáveis e no Observador ) Olhemos para as eleições presidenciais americanas de dia 3 de Novembro de 1964: o candidato democrata Lyndon B. Johnson (LBJ) derrota o candidato republicano Barry Goldwater com 90,3% no Colégio Eleitoral, teve 61,1% contra 38,5% em votos populares, e ganhou um total de 44 dos 50 Estados. Foi a vitória mais expressiva desde James Monroe em 1820, e os resultados são ainda mais retumbantes se pensarmos como LBJ era visto. Primeiro, sabemos como é difícil substituir uma pessoa popular e LBJ era o vice-presidente que tomou o lugar do amado John F. Kennedy após o seu assassínio em Dallas em 1963; em segundo lugar, LBJ era percebido como sendo um homem demasiado ambicioso, manipulador, rude, inseguro, obcecado em deixar a sua marca na história e ser mais querido que o seu antecessor; por último, à excepção dos 8 anos de Dwight Eisenhower (1952-60), os americanos eram governados por democratas desde 1932. Contra estas probabilidades, LBJ t...

Uma História de Espanha - Arturo Pérez-Reverte

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(originalmente publicado no Ingovernáveis )   Autor: Arturo Pérez-Reverte Livro: Una Historia de España Editora: Alfaguara, ano de 2019, 246 páginas (há uma edição portuguesa da  ASA , de 2020)     Arturo Pérez-Reverte (Cartagena, 1951) é membro da Real Academia Española mas também um dos mais lidos e populares autores espanhóis. Escreveu “Las aventuras del capitán Alatriste”, célebres enredos de capa e espada que se passam no século XVII e deram origem ao filme “Alatriste” (2006) com o fantástico Viggo Mortensen no papel de herói. Antes do sucesso literário, Pérez-Reverte viu e viveu muito como correspondente de guerra durante 21 anos (1973-1994) no Chipre, no Líbano, na Eritreia, no Saara, nas Falkland, em El Salvador, na Nicarágua, no Chade, na Líbia, no Sudão, em Moçambique, em Angola, no Golfo Pérsico, na Croácia e na Bósnia.   Não é o primeiro escritor a quem a guerra deu um olhar privilegiado sobre a condição humana – vêm-nos logo à memória ...