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O nosso momento Goldwater

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(também publicado no Ingovernáveis e no Observador ) Olhemos para as eleições presidenciais americanas de dia 3 de Novembro de 1964: o candidato democrata Lyndon B. Johnson (LBJ) derrota o candidato republicano Barry Goldwater com 90,3% no Colégio Eleitoral, teve 61,1% contra 38,5% em votos populares, e ganhou um total de 44 dos 50 Estados. Foi a vitória mais expressiva desde James Monroe em 1820, e os resultados são ainda mais retumbantes se pensarmos como LBJ era visto. Primeiro, sabemos como é difícil substituir uma pessoa popular e LBJ era o vice-presidente que tomou o lugar do amado John F. Kennedy após o seu assassínio em Dallas em 1963; em segundo lugar, LBJ era percebido como sendo um homem demasiado ambicioso, manipulador, rude, inseguro, obcecado em deixar a sua marca na história e ser mais querido que o seu antecessor; por último, à excepção dos 8 anos de Dwight Eisenhower (1952-60), os americanos eram governados por democratas desde 1932. Contra estas probabilidades, LBJ t...

Uma História de Espanha - Arturo Pérez-Reverte

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(originalmente publicado no Ingovernáveis )   Autor: Arturo Pérez-Reverte Livro: Una Historia de España Editora: Alfaguara, ano de 2019, 246 páginas (há uma edição portuguesa da  ASA , de 2020)     Arturo Pérez-Reverte (Cartagena, 1951) é membro da Real Academia Española mas também um dos mais lidos e populares autores espanhóis. Escreveu “Las aventuras del capitán Alatriste”, célebres enredos de capa e espada que se passam no século XVII e deram origem ao filme “Alatriste” (2006) com o fantástico Viggo Mortensen no papel de herói. Antes do sucesso literário, Pérez-Reverte viu e viveu muito como correspondente de guerra durante 21 anos (1973-1994) no Chipre, no Líbano, na Eritreia, no Saara, nas Falkland, em El Salvador, na Nicarágua, no Chade, na Líbia, no Sudão, em Moçambique, em Angola, no Golfo Pérsico, na Croácia e na Bósnia.   Não é o primeiro escritor a quem a guerra deu um olhar privilegiado sobre a condição humana – vêm-nos logo à memória ...

vinhos Areias Gordas na RTP

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Vinhos Areias Gordas no programa A Essência na RTP. Visita à vinha e à adega em Salvaterra de Magos, junto ao Rio Tejo. Mais informações e encomendas - terralarga@hotmail.com ||| 912299226

a importância de identificar o inimigo

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 (publicado originalmente no Observador ) Os nomes das guerras costumam remeter para o sítio onde se combate, e aqueles que participam na guerra costumavam ser aqueles que estão no terreno e lutam nos campos de batalha. No entanto, tem havido guerras com outros tipos de nomes. Em 1945 George Orwell cunhou o nome “guerra fria” para descrever o tipo de relação que os EUA teriam com os países vizinhos por serem o único país com a bomba atómica. Como sabemos, a URSS e outros Estados rapidamente ganharam a sua capacidade nuclear e o mundo evoluiu para uma situação de tensão entre dois blocos concorrentes que recebeu precisamente esse nome – Guerra Fria – até à queda do Muro de Berlim e consequente esboroar do bloco soviético. Também o Presidente Lyndon Johnson chamou em 1964 às suas políticas públicas de “Guerra contra a Pobreza” ( War on Poverty ), George W. Bush declarou a “Guerra contra o Terrorismo” ( Global War on Terrorism ) em 2001 e, mais recentemente, temos ouvido vários lídere...

mais revolução, não!

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 (publicado originalmente no Observador e também no Ingovernáveis ) Cuba Libre Separados, gosto de um bom rum e por vezes também da Coca-Cola com gelo e limão. Vê-los juntos num Cuba Libre, nem tanto. A meu ver, reduz-se o que há de melhor num e noutro: perde-se a consistência suave do rum e tapam-se os seus aromas mais finos com os grosseiros duma cola que, entretanto, perdeu o seu gás e frescura. Mas quando oiço alguém a dar vivas a “la Revolución!”, o meu primeiro impulso é pedir um Cuba Libre. Tudo é melhor que a revolução, até essa mistura. É verdade que o Cuba Libre é mais antigo que Fidel e remonta ao fim da Guerra Hispano-Americana que em 1898 – ano traumático para Espanha – resultou na perda espanhola não só de Cuba como de Porto Rico e das Filipinas, além de outros territórios menores. Mas por causa da revolução de Fidel sessenta anos depois, a família Bacardi mudou o negócio para o estrangeiro e a empresa Havana Club foi nacionalizada, estando a Coca-Cola e a Pepsi proi...

a política portuguesa em 2 cartazes

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 (publicado originalmente no Observador  e também no Ingovernáveis ) Imagine um cartaz Carlos Moedas é o candidato apoiado por PSD, CDS e outros cinco partidos à Câmara Municipal de Lisboa. Irá enfrentar Fernando Medina, que presidiu à CML nos últimos seis anos e ainda não apresentou candidatura – apenas marcou posição ao dizer que José Sócrates “corrói a nossa vida democrática”. Nas últimas semanas, Moedas apresentou-se aos lisboetas num cartaz que podemos encontrar pela cidade. Aparece sem gravata mas de braços cruzados, deixando cair uma suposta formalidade para, involuntariamente, erguer outra barreira entre ele e nós. A fotografia não é tão boa que justifique que a sua cabeça saia da moldura do cartaz, mas é aceitável e o azul sempre transmite serenidade. O mais importante é aumentar o reconhecimento do candidato, missão cumprida. A mensagem é que não é ideal. “Lisboa pode ser muito mais do que imaginas” diz-nos várias coisas: O candidato quer tratar o eleitor por tu; Ele...

em defesa da grandiosidade de Portugal

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(publicado originalmente no Ingovernáveis )   A 11 de Novembro foi publicado aqui no Ingovernáveis uma interessante reflexão de João Diogo R. P. G. Loureiro intitulada “ Great Again : nota incompleta sobre a «grandeza» dos países”. O texto versa sobre a finalidade dum país, o que dele esperamos e a qualidade da sua resposta. Venho com esta resposta concordar com algumas premissas ali expostas, discordar doutras e, onde posta em causa a grandiosidade de Portugal, defendê-la. Estou com o clichê: Portugal é um pequeno grande país. Mas tenho de esclarecer  a priori  que entendo o grande de “great” como grandioso. Quando o presidente cessante dos EUA diz querer tornar a América “great again”, ele não estará a propor conquistar novos territórios ao México ou ao Canadá para aumentar a grandeza do seu país, mas apela à recuperação duma suposta grandiosidade perdida. A grandeza dum país remete-nos para dimensões relativamente tangíveis, apesar dos quilómetros quadrados de terra at...