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Impressões de uma viagem à província de Fujian 福建 (partes I, II, III e IV) - JPVM

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(Textos originalmente publicados no " Jacaré parado vira mala " nos dias 18  e  19  de Fevereiro, e 05  e 13  de Março de 2017) Sábado, dia 18 de Fevereiro de 2017 Lisboa O meu dia começa com um toque de despertador às 3 da manhã. Já tinha tomado um banho na noite anterior para ir um pouco mais fresco nesta longa viagem ao extremo Oriente. Arrasto-me do quentinho de casa para o vento cortante da avenida com uma grande mala e uma mochila nas costas, adapto-me aos elementos da Natureza inspirado pela tartaruga e sua carapaça, e espero por um táxi que me leve ao aeroporto. O avião da Xiamen Air 厦门航空 prestes a descolar de Amesterdão para Xiamen Esta minha ida à China tem três propósitos: conhecer a província de Fujian e provar os seus chás mais emblemáticos; trocar ideias e mundividências com os meus amigos de lá; e treinar o meu Chinês Mandarim. Em casa ficam a minha querida mulher e filhos, que desta vez não podem vir comigo. Foi um sacrifício...

a moeda (resposta ao LBM) - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 13.02.2017, em resposta a este texto de dia 01.02.2017 de Luís Bessa Monteiro, também publicado no "Jacaré parado vira mala") Venho desta forma responder ao comentário muito interessante do meu caro amigo Luís BM. E deixem-me dizer desde já que é por isto que gosto de escrever ao seu lado e do João MP, pois assim posso aprender e ter o prazer das boas conversas. Se o Luís diz não ser especialista em matéria de políticas monetárias, certamente por modéstia, eu então devo afirmar com toda a frontalidade que muito menos especialista serei. Mas como bom ignorante que sou, não deixo de exprimir alguns pensamentos e dúvidas que tenho. Concordo que enfrentaremos várias dificuldades ao sair do euro. A primeira dificuldade de todas é que estamos há mais de 15 anos sem a experiência política e até pessoal de lidar com uma moeda própria que esteja talhada à medida da nossa realidade. E digo à...

sacrifícios vãos - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 27.01.2017) Antes de 1974 sacrificou-se a democracia para se manter o império. Depois de 1974 sacrificou-se o império para se ganhar a democracia. A partir de 1986 sacrificou-se a independência para se aceder à Europa. Desde 2002 sacrificou-se a moeda própria para se atingir a prosperidade. Em 2017 não temos império, nem democracia, nem independência, nem Europa, nem moeda, nem prosperidade. Temos apenas um conjunto de más decisões baseadas em premissas falaciosas. Temos um país endividado e pessoas com uma carga fiscal insuportável. Trocámos a nossa realidade por utopias e ficámos practicamente sem nada. Disto tudo que perdemos, o que podemos recuperar? Do império, apenas os laços culturais e comerciais. Da democracia, devolver a Lisboa a capacidade legislativa que foi transferida para os deputados estrangeiros em Bruxelas e Estrasburgo, e que produzem a esmagadora maioria das leis apli...

a imoralidade da dívida pública - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 04.01.2017) Se Deus quiser, o meu segundo filho há-de nascer em Maio ou Junho deste ano. Cá em casa estamos muito contentes, a sua Mãe, Pai e Irmã mais velha. No entanto, li anteontem uma  notícia  que me inquietou: apesar de uma redução que é de saudar embora seja pontual, a dívida pública do Estado ainda anda na ordem dos 241,8 mil milhões de euros - dados relativos a Novembro de 2016. Vamos ter esse valor em conta mesmo sabendo que o contador da dívida pública Portuguesa  não cessa de aumentar . Sabendo que somos 10,5 milhões de Portugueses para pagar a conta, isto bem dividido entre todos dá cerca de 23 mil euros a cada um. Mesmo o meu querido filho que não tem culpa alguma nesta conta, já tem a responsabilidade de a pagar. Graças aos sucessivos governos de esquerda e de direita, muitas vezes até arvorados em patriotas, o meu filho nascerá não com um mas dois pecados originais: o herdado ...

Insisto! - JPVM

(Texto originalmente publicado no " Jacaré parado vira mala " no dia 31.12.2016) Pela parte que me toca, este blogue corre o risco de virar mala. A probabilidade existe de facto e é forte. Não creio que este exercício venha a ter um impacto enorme, e se o tiver é depois de longos meses de árduo trabalho e um pouco de sorte. Olho para 2017 e o ano que aí vem desenha-se cheio de desafios a todos os níveis: familiar, pessoal, cultural e profissional. Ademais, tenho uma personalidade que tende para o conforto. Há motivos de sobra para esmorecer. E no entanto, insisto: vamos começar este blogue! Insisto, primeiro que nada, por causa dos meus companheiros desta aventura. O Luís Bessa Monteiro e o João Gonçalo Moreira Pires são velhos amigos, velhos no sentido da azinheira cuja madeira é rija como os seus valores, suas antigas raízes estão bem presas à realidade do chão e seus ramos bem espraiados em direcção a sonhos generosamente banhados pelo sol e por vezes também por...

Lusophone opportunities in the Indian Ocean

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O artigo em baixo foi inicialmente publicado na revista The Brussels Europe Press Club Magazine nº5, de Novembro de 2015. Lusophone opportunities in the Indian Ocean by António Vieira da Cruz Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana (Luís Vaz de Camões, “Os Lusíadas”, Canto I) Portuguese presence in the Indian Ocean Portuguese is the 6 th  largest language in the world by number of native speakers and it is spoken by around 250 million people in the five continents. [1] But we might say that Portuguese culture is a tale of three oceans: the Atlantic, the Indian and the Pacific. Most of the times we hear news in Portuguese from Atlantic Brazil, Angola or Portugal; we may also think of Macau and Portuguese interactions with Pacific China or Japan; instead, I chose to write here about our relation with the Indian Ocean. By travelling through this ocean you will certainly face many people with Portuguese surnames, find Portuguese for...