quarta-feira, 22 de junho de 2011

o discurso de Passos Coelho



O discurso do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho na tomada de posse do XIX Governo foi adequado. Demonstrou humildade e realismo. Passos Coelho não fez grandes promessas, anunciou alguns erros de antemão e pediu paciência para o que aí vem. Ele expôs as suas prioridades e as linhas de actuação do Governo para os próximos 4 anos. Foi um discurso que colheu vários elogios.

Este foi um discurso bastante alegórico. Passos Coelho quis definir estes tempos como uma tormenta de mar, o povo português como o herói marinheiro que sempre foi, e ele próprio como o capitão do navio que mudará o rumo para levar o País a bom porto. Foi uma formulação interessante, que sem dúvida encontra eco cultural entre os portugueses.

No entanto, a Rádio Renascença apostou numa metáfora muito mais forte que os Descobrimentos no Portugal de hoje: o futebol. A notícia da Renascença online era "Onze de Passos Coelho toma posse. É o XIX Governo Constitucional". O treinador e sua equipa. Nós seríamos os treinadores de bancada, e os homens da troika o trio de arbitragem. Resta saber em que liga vão jogar, se a dos Campeões ou a da Europa, e se jogam para o título ou simplesmente para não descer de divisão.

Registo a expressão que o novo Primeiro-Ministro usou, de pacto de confiança, responsabilidade e abertura. É mesmo isso que precisamos neste momento, de renovada confiança. As três grandes prioridades deste Governo também foram enumeradas de forma clara: estabilizar as finanças, socorrer os mais necessitados, fazer crescer a economia e o emprego. Na figura lá em cima, vemos as palavras mais usadas no discurso, de onde se destacam Confiança, Abertura e Mudança. Foi esta a mensagem que Passos Coelho quis passar.

Gosto, finalmente, da síntese das políticas que aí vêm em apenas duas frases: Queremos um Estado mais pequeno, mais ágil e mais forte, por um lado, e uma sociedade mais livre, mais autónoma e mais próspera, por outro. Na verdade, são como que duas faces da mesma moeda. Não foi à toa que Pedro Passos Coelho se comparou a David Cameron no seu debate televisivo com José Sócrates. É na Big Society de Cameron que Passos Coelho se inspira.

2 comentários:

L disse...

António

Embora o meu palpite para as finanças não se tenha concretizado, fiquei muito contente com a escolha. Assim como a escolha para a Economia foi bastante inteligente. Pelos menos, à partida.

No entanto, intriga-me uma coisa: a oposição, sim!, essa máquina socialista (MS) que já se nota em toda a comunicação social acusa esta composição de governo de ser demasiado técnica, e não ter políticos com P grande.

Eu não sei o que são "P"olíticos! Sei sim, que numa altura de crise, como a actual (ou será que a "O"posição já se esqueceu?!?), mais importante do que os "T"achos para os amigos, ou jobs for the boys, mesmo sendo eles num ministério, é mais importante, na minha humilde opinião, nomear pessoas isentes e que, devido às suas competências pessoais e profissionais, possam ajudar o país a sair deste beco.

É mesmo triste para qualquer Português constatar que a MS continua a apostar no mesmo tipo de "p"OLÍTICA, sim com p minúsculo, que nos arrastou para este cenário.

Estarei enganado?

Para além disso, estão a chamar burros à maioria dos portugueses que não votaram nos iluminados...

Preocupa-me esta pressão inicial. A estabilidade política e governativa tão desejada está já a ser posta em causa pelos suspeitos do costume.

Não será hora para pensarem em Portugal?

Forte Abraço,

Luís Bessa Monteiro

António Vieira da Cruz disse...

Caro Luís,

Brilhante comentário o teu.

Acho que o Partido Socialista não terá sido muito penalizado nas eleições. Quem foi a votos foi o Governo e quem foi penalizado foi Sócrates.

Sócrates quase sempre foi a única voz do PS e do Governo, secando completamente tudo à volta. Talvez o PS tenha saído beneficiado no sentido em que a crise económica ficou com a marca "Sócrates" e o PS não foi tão contagiado como possa parecer óbvio.

Se o PS escolher para seu líder o Francisco Miranda (ou Assis, como prefere, talvez por santa associação), aposta na continuidade e o PS não se conseguirá libertar da sombra da herança socretina. Se o PS escolher António José Seguro, como parece que vai acontecer, então poderá renascer das cinzas como a Fénix.

Como o PSD e o PP têm maioria absoluta, o PS pode dar-se ao luxo de não pôr o interesse nacional em primeiro lugar e sacudir responsabilidades políticas dos seus ombros. Se escolherem Seguro, terão essa liberdade. Se escolherem Assis, não vão poder fugir às responsabilidades que assinaram perante os portugueses, a UE, e o FMI.

Um abraço,

AVC